quinta-feira, 31 de dezembro de 2015

2016 D.C.

Desejo um óptimo Ano Novo, com saúde e trabalho, a todos os meus leitores e suas famílias.

ROCK PURO E DURO COMO EU GOSTO [R.I.P. LEMMY]


quarta-feira, 30 de dezembro de 2015

DA OUTRORA MARAVILHOSA TERRA DE VERA CRUZ

No próximo ano haverá Jogos Olímpicos no Brasil. O povão terá circo. O pão não está garantido.

terça-feira, 29 de dezembro de 2015

DO ÁLBUM DE FAMÍLIA [BISAVÔ JOÃO]

João Augusto Marchante
(Sousel, 1860 — Sousel, 1920)

Arquivos e Iconografia:
Arquivo Distrital de Portalegre.
Arquivo Particular da Família Marchante.
Arquivo Particular de João Miguel Costa Pinto Marchante (Autor do blogue Eternas Saudades do Futuro e desta evocação biográfica sobre João Augusto Marchante). 

LIVRO PARA A SAISON

Christmas Holiday, W. Somerset Maugham.

segunda-feira, 28 de dezembro de 2015

TRADICIONALISMO NOS VALORES, VANGUARDISMO NAS FORMAS

As principais causas das derrotas político-ideológicas são os erros. Tem isto, apesar de tudo, uma grande vantagem: quem conseguir identificá-los e corrigi-los está apto a vencer os combates seguintes. Desgraçadamente, de há mais de 200 anos para cá, os tradicionalistas portugueses (chamem-se eles conservadores, contra-revolucionários, reaccionários, legitimistas, integralistas ou, simplesmente, católicos e monárquicos) têm repetido sempre os mesmos erros. É caso para dizer que nada aprenderam. E, para que esta mensagem não soe a pura abstracção, dou um exemplo: têm-se preocupado apenas em modernizar o conteúdo doutrinário, pensando com isto agradar às massas,  e reservado a permanência do tradicionalismo para a forma. Quando o que se exige é exactamente o contrário!
Prefiro um tradicionalista de t-shirt do que um progressista de gravata.

sábado, 26 de dezembro de 2015

DO ESCOL

Por mentalidade de qualquer país entende-se, sem dúvida, a mentalidade das três camadas, organicamente distintas, que a constituem a nível mental — a camada baixa, a que é uso chamar povo; a camada média, a que não é uso chamar nada, excepto, neste caso por engano, burguesia; e a camada alta, que vulgarmente se designa por escol, ou, traduzindo para estrangeiro, para melhor compreensão, por «élite».
(...)
Esta divisão em camadas mentais, embora coincida em parte com a divisão em camadas sociais — económicas ou outras —, não se ajusta exactamente a essa. Muita gente das aristocracias de história e de dinheiro pertence mentalmente ao povo. Bastantes operários, sobretudo das cidades, pertencem à classe média mental. Um homem de génio ou de talento, ainda que nascido de camponeses, pertence de nascença ao escol.

FERNANDO PESSOA
(1888 — 1935)

SOL DE INVERNO


quinta-feira, 24 de dezembro de 2015

LIVRO PARA HOJE E SEMPRE

Natal... Natais — Oito Séculos de Poesia sobre o Natal, antologia organizada por Vasco Graça Moura, edição do jornal Público, Lisboa, 2005.
Livro obrigatório numa boa biblioteca portuguesa (pública ou particular). Poemas de Natal, da autoria dos melhores poetas portugueses, numa bela edição, com capa dura e tudo.

quarta-feira, 23 de dezembro de 2015

O ETERNAS SAUDADES DO FUTURO DESEJA AOS SEUS LEITORES UM SANTO NATAL EM CRISTO

 Natividade, 1650 a 1660
JOSEFA DE ÓBIDOS (1630 — 1684)
Óleo sobre Cobre, 21 x 16 cm
Colecção Particular

terça-feira, 22 de dezembro de 2015

SOLSTÍCIO DE INVERNO

A Estação do Inverno começou e o frio chegou. A Natureza não falha, porque Deus não dorme.

segunda-feira, 21 de dezembro de 2015

A IDENTIDADE LUSITANA VISTA DO OUTRO EXTREMO DA EUROPA

Recentemente, numa actividade social (das pouquíssimas a que actualmente vou), tive oportunidade de trocar ideias com uma bonita, inteligente e culta jovem senhora (combinação raríssima, hoje em dia). Era russa. Conversámos em inglês, pois, para mal dos meus pecados, ainda não venci a preguiça e me decidi finalmente a aprender russo. Em princípio, falo francês com os russos, o que faz toda a diferença, devido às afinidades culturais entre esses dois nobres povos; mas, para já, as considerações sobre essa problemática ficam para uma futura mensagem neste blogue.
Agora, vamos ao que interessa: depois de falarmos de Tolstói e Dostoiévski, Camões e Pessoa, e tutti quanti, disse-me que lhe tinham apresentado Portugal como sendo um país mediterrânico e confessava-se agradavelmente espantada com o facto de estar, pelo contrário, de facto, perante uma pátria atlântica; rematou afirmando que a Rússia e Portugal têm imensas afinidades espirituais, porque são duas nações com Antiguidade e Alma.
Ouvir estas opiniões — que também são muito minhas e que vão contra a corrente dos habituais lugares-comuns impingidos pelos imbecis discursos politicamente correctos  —, vindas da boca da bela russa, fez-me sentir que, volta e meia, vale a pena sair de casa.  

QUEM, DO NATAL?

Quem esperamos? Quem,
No silêncio, na sombra, no deserto?
O menino divino de Belém,
Ou o rei Encoberto?
Esperamos alguém:
Qualquer que tenha o coração aberto.

É demais esta ausência, este vazio!
Quem adorar, servir, como Deus e senhor?
— O que estender a ponte sobre o rio
Da miséria e pavor!
O que apascente e semeie em desafio!
O que disser: — Eu sou! E for.

ANTÓNIO MANUEL COUTO VIANA
(1923 — 2010)

domingo, 20 de dezembro de 2015

DOMINGO IV DO ADVENTO


sábado, 19 de dezembro de 2015

RELATÓRIO & CONTAS ANUAL DESTE VOSSO BLOGUISTA

Utilizo o Blogger desde 19 de Dezembro de 2006. Faz hoje 9 anos. De lá para cá tive 15541 visualizações do meu Perfil.

quinta-feira, 17 de dezembro de 2015

UMA QUESTÃO DE PINTA

Sempre gostei de ver um certo ar aristocrático nas mulheres (quer sejam provenientes do povo, da burguesia ou da nobreza, como é o caso desta). E sempre gostei também de vê-las, coisa geracional certamente, com uma certa atitude punk. Esta miúda, mais nova mas ainda da minha geração, combina ambos os factores, como nenhuma outra. Isso já não é para todas, e faz dela (quase) única. Chamo a essa superior síntese, simplesmente, ter pinta. Rematando este romântico relambório, pois a belíssima Stella Tennant faz hoje anos, dou-lhe os meus Parabéns!

TELEVISÃO QUE NÃO SÓ NÃO É LIXO COMO É UM LUXO

Downton Abbey.

quarta-feira, 16 de dezembro de 2015

PORQUE NEM TODA A TELEVISÃO É LIXO

Vale muito a pena ver o Programa Visita Guiada de Paula Moura Pinheiro na RTP2.

terça-feira, 15 de dezembro de 2015

LIVRO PARA HOJE

D. Fernando II  — Um Mecenas Alemão Regente de Portugal, de Marion Ehrhardt, colecção Paisagem-Arte, nº 7, edição Paisagem Editora, Porto, 1985.

segunda-feira, 14 de dezembro de 2015

EM MEMÓRIA DO PRESIDENTE-REI

Sidónio Pais
Caminha, 01.05.1872 — Lisboa, 14.12.1918

BLOGUE QUE VISITA ESTE E QUE ESTE VISITA (COM HONRA E PRAZER)

HERÓI DO DIA

Sidónio Pais.
[Assassinado há exactamente 97 anos.]

LIVRO PARA HOJE

Poesias Completas, de S. João da Cruz; tradução, prólogo e notas de José Bento; edição Assírio & Alvim; colecção Biblioteca Editores Independentes, n.º 29; Lisboa, 2008.

domingo, 13 de dezembro de 2015

AJUDA À IGREJA QUE SOFRE: ACORDEM! POR CAUSA DO IRAQUE, DA SÍRIA E NÃO SÓ...


TERCEIRO DOMINGO DO ADVENTO


sábado, 12 de dezembro de 2015

ALEGRIA DE VIVER

Em Dezembro de 1932, iniciaram-se os trabalhos de edificação do estúdio cinematográfico da Tobis, na Quinta das Conchas, ao Lumiar, em Lisboa. No início do ano, tinha sido dado o arranque para a Companhia Portuguesa de Filmes Sonoros Tobis Klang Film, que se constituiu formalmente em Junho de 1932. Este nome ficou a dever-se à casa-mãe alemã (Tobis, abreviatura de Tonbild SyndiKat), por ter sido esta a fornecer-lhe a aparelhagem técnica. Lisboa e Berlim surgem assim de mãos dadas, para o advento do Cinema Sonoro em Portugal.

O então jovem arquitecto Cottinelli Telmo desenha e orienta a construção do estúdio, num radical projecto de fino recorte moderno e funcional, em articulação com a bela paisagem envolvente. José Ângelo Cottinelli Telmo nasceu em Lisboa, em Novembro de 1897, e viria a morrer num trágico acidente de pesca desportiva na Praia do Guincho, sportsman que era, em 1948. Filho de músicos, entra em 1915 para as Belas-Artes de Lisboa, a fim de cursar Arquitectura. Antes de aí se licenciar, em 1920, Cottinelli participa nas animadas tertúlias do Chiado, onde convive com os «novos», virando as costas ao academismo passadista da escola. Dessas relações sairiam, por exemplo, trabalhos para bailados (com Almada Negreiros), bandas desenhadas (para o ABC), décors de filmes de Leitão de Barros, e etc. e tal. Revelou-se, ainda, como actor e compositor, nas festas de estudantes de Belas-Artes. Como arquitecto, constrói alguns dos primeiros edifícios modernistas de Lisboa: Stand da FIAT (Av.da Liberdade, 1926-1929); Estação Fluvial do Terreiro do Paço (1928-1932); e, finalmente, a nossa Tobis. Carreira esta que atingiria o apogeu com a sua nomeação para arquitecto-chefe da Exposição do Mundo Português, em 1940.

Foi, por esta altura, o principal colaborador de Duarte Pacheco (se este não tivesse morrido em 1943, Cottinelli em 1948, e Ferro em 1956, a História das Artes e dos Espectáculos, no Século XX, em Portugal, teria cantado mais alto… mas, essa é outra história… fica para a próxima).

A Tobis só ficou concluída no ano de 1934. No entanto, antes disso, Portugal vai ter o seu primeiro filme sonoro rodado aí, num plateau improvisado. Ao mesmo tempo que orienta a construção do estúdio, que, no local, era dirigida pelo francês A. P. Richard, Telmo escrevia e realizava A Canção de Lisboa, tendo como conselheiro técnico Chianca de Garcia, outro dos grandes entusiastas da Tobis, desde a primeira hora, a par de Cottinelli Telmo e Leitão de Barros.

A Canção de Lisboa (Portugal, 1933) surge, pois, como fruto da gente nova, formada na cinefilia, no culto das Artes, e no bom-gosto. Se esta nova geração está pronta, e as infra-estruturas lançadas no terreno, faltavam ainda técnicos e actores para dar corpo ao primeiro filme sonoro totalmente feito (rodado e sonorizado) em Portugal.

Olhando com atenção para a ficha técnica (hábito perdido nos apressados dias de hoje, onde nos servem ao domicílio os filmes amputados dessa parte), descobrimos toda a fina-flor da Arte Portuguesa de então. O próprio genérico é de Almada Negreiros, que desenha também os dois cartazes do filme; o pintor Carlos Botelho é assistente de realização; José Galhardo escreve os inesquecíveis diálogos e as letras das canções, que passam de pais para filhos há exactamente oitenta anos; encontramos um trio de luxo na fotografia — Henri Barreyre, Octávio Bobone e César de Sá; o «russo branco» — vindo do Cinema Mudo Russo (pré-soviético; pois não foram os comunistas que lá inventaram o Cinema, como alguns parecem pensar) — Chakatonny; o engenheiro Paulo de Brito Aranha na direcção de som (cargo que iria manter na Tobis, por largos anos); o poeta José Gomes Ferreira — esse mesmo! — na assistência de montagem; Raul Ferrão e Raul Portela na autoria da música das canções; e, por aí fora…

Os actores constituem um elenco «de se lhe tirar o chapéu»: Vasco Santana, Beatriz Costa, António Silva, Teresa Gomes, Álvaro de Almeida, Manuel Santos Carvalho, e o jovem realizador Manoel de Oliveira, numa breve aparição como o galã, bon-vivant (que, de facto, era) e fiel amigo, Carlos, do desgraçado Vasquinho (Vasco Santana).

A articulação entre as equipas técnica e artística contou com a preciosa colaboração de técnicos profissionais vindos, essencialmente, da Alemanha e de França: Hans-Christof Wolhrab, Tonka Taldy, Jeanette Pakon, para além dos já nomeados anteriormente.

Sinal dos tempos, é de referir que Beatriz Costa saía de uma peça de teatro de revista, em cena na altura, onde era cabeça de cartaz, às duas horas da manhã, e apresentava-se às sete horas, da mesma manhã, na Tobis, impecavelmente maquilhada, à espera da ordem: «Acção!».

Por tudo isto, estamos perante um filme fundador: não só do Cinema Sonoro Português, mas do género fílmico da Comédia Portuguesa. Até hoje, tudo o que se tenta fazer, neste domínio, continua a ter como referência e influência A Canção de Lisboa.

Não vamos contar aqui a história da fita, pois ela está gravada na memória colectiva das famílias da nossa Terra. Parece-me é ser importante, para os intelectuais desconfiados do género cómico, lembrar que, à época, também René Clair e Jean Renoir o praticavam, na Europa; e, vendo a nossa Canção ao lado dessas películas, percebemos que o Cinema Português esteve alinhado com o «espírito do tempo» e conseguiu — simultaneamente — ser espelho da comunidade lisboeta, em todos os seus detalhes de puzzle social complexo, por de trás de uma aparente simplicidade brejeira.

Não basta, de facto, olhar. É preciso ver. E, para isso, há que lavar os olhos entre dois olhares, libertando-os de preconceitos aviados em estilo erudito por certos escribas da nossa praça que conseguem descortinar maravilhas nos mais obscuros objectos (antes fosse o do Buñuel) e cegar perante a luminosidade d’A Canção de Lisboa.

Aproveitemos a Quadra de Vida, que é o Natal, para a revermos — em Família — nos oitenta anos da sua estreia, que neste ano de 2015 se comemora.

Alguns cépticos perguntarão ainda: «Mas o que é que a fita tem?». Tem uma história bem contada — o estudante de Medicina, apaixonado pela costureirinha do bairro, filha de um «pai tirano», surpreendido pelas velhas tias tontas, mas ricas, e provincianas —, diálogos de extraordinário ritmo — ditos com irrepreensível dicção, e cheios de segundos sentidos e trocadilhos —, actores que representam com alegria e vivacidade, uma bela estrutura musical, o fado, o lirismo, os sentimentos — sem ser sentimentalista —, as piadas, a psicologia do Povo Português (Lisboa como síntese da Alma Nacional) apresentada com naturalidade e com subtil — quase invisível — profundidade.

Tão simples… e tão difícil de fazer de novo!

Nota: Escrevi este artigo para a revista online Alameda Digital. Foi republicado em novas versões nos blogues Eternas Saudades do Futuro e Jovens do Restelo, e no jornal O Diabo.

SUSPENSE

Alfred Hitchcock (1899 — 1980) nasce em Londres. Sendo, pois, à partida, um homem directamente herdeiro do espírito vitoriano do século XIX, revela, no entanto, um extraordinário sentido de utilização dos modernos meios de marketing e publicidade (antecipando-os), para divulgar as suas obras. Cedo irá transformar em marca icónica o seu nome, tornando-o reconhecível e apetecível para toda a comunidade mundial de cinéfilos, e, mesmo, para os grandes e despersonalizados públicos generalistas. Revela-se, ainda, e dentro desta estratégia de comunicação global, um especialista nas relações públicas; especialmente com a imprensa, com o objectivo de se promover profissionalmente.

Dito isto, há que afirmar, de imediato, que toda esta comunicação eficaz era apenas a ponta-de-lança de uma obra complexa e profunda. Vamos a ela, que é o fulcro da questão!

Hitchcock, oriundo de uma família de classe média-baixa, é instruído pelos jesuítas. Se refiro este facto é porque os seus filmes virão a reflectir uma série de conhecimentos que terá assimilado nos seus estudos feitos numa escola católica destes, bem conhecidos pela vasta cultura que forneciam; terá, também, através dos referidos jesuítas, tomado contacto com G. K. Chesterton (1874 — 1936), que lerá entusiasmado na juventude. Outras influências literárias que o marcaram, mais tarde, como erudito auto-didacta que era, foram Edgar Allan Poe (1809 — 1849) e Oscar Wilde (1854 — 1900).

Por outro lado, devorava jornais e lia revistas de criminologia e de cinema. Curioso é constatar o casamento entre estas fontes de inspiração para o seu despertar como autor de filmes. Os seus temas serão, principalmente, os seguintes: falsos culpados, assassínios, trocas de identidade, medo, voyeurismo, paixões frias mas arrebatadoras.

Porém, antes de chegar à realização de fitas, começa por desenhar intertítulos para filmes mudos, escrever argumentos e trabalhar como assistente de realização. Esta conjugação, de conhecimento prático da técnica cinematográfica com a cultura que ia adquirindo pela leitura, possibilita uma mestria na criação das suas narrativas fílmicas, apimentadas com o tão apregoado suspense.

Na sétima arte, Hitch (gostava de ser assim tratado) bebeu de várias fontes: Fritz Lang (1890 — 1976) e F. W. Murnau (1888 — 1931) — esses dois mestres do mudo alemão — foram determinantes para a estruturação da sua linguagem estética. Esteve na UFA — os grandes estúdios de Berlim — e conheceu-os pessoalmente. Lá trabalhou e lá filmou. Esta marca será visível, claramente, nos seus filmes mudos; e, mais subtilmente, nos sonoros.

O seu género eleito será o melodrama policial, pontuado de fantástico e de mistério. Esbate, pois, assim, as fronteiras de vários géneros convencionais, criando uma abordagem própria, com elementos retirados de todos eles.

No que toca à realização, o seu estilo é essencialmente visual, dando-nos a sensação de que aquelas histórias só fazem sentido em cinema; ou seja, por escrito não teriam o mesmo impacto. Sabia de tal forma o que queria que a montagem das suas películas seguia ao milímetro o que ele próprio tinha definido na planificação (última fase do argumento, em que este fica pronto a ser filmado). A esta atitude chama-se trabalhar com «guião de ferro». Hitch dizia que o acto de rodar era uma maçada, pois já sabia exactamente como seria o filme ao tê-lo definido na planificação. Esta ideia traduz uma inabalável confiança do cineasta em si próprio, enquanto director de actores, e uma invulgar capacidade de visualização.

Hitchcock assentava a sua estética numa cumplicidade com o espectador. Dava-lhe alguns conhecimentos secretos sobre a acção, mantendo-o ansioso pelo desfecho da narrativa. Esta tensão psicológica pode até levar o espectador a querer comunicar com a personagem ameaçada na tela, para a avisar do perigo... Eis a força manipuladora do suspense.

Não havendo, no entanto, técnica que resista à falta de ideias, é preciso deixar bem explícito que o cinema de Hitch assenta em temas fortes, já atrás referidos. Recapitulando, e desenvolvendo: culpa — com o inocente falso culpado como fio-condutor da narrativa, entrando aqui, por vezes, a troca de identidades; medo — pontuado pelo susto, e nas margens do terror; desejo — com simbologia e alegorias sexuais; ansiedade — mantida pelo suspensevoyeurismopeeping-tom, em bom inglês, espreitando e violando a esfera privada e íntima; autoridade — que assegura a investigação criminal, mas também pode ser desafiada (detestava polícias vulgares, de «ronda»); morte — sob a forma de assassínio, o crime mais grave, e que os espectadores, morbidamente, gostam de ver no recatado conforto da sala escura. Todos eles temas de identificação e projecção psicológica do espectador. Eis o cinema, na sua mais poderosa forma alquímica, servido pela mão do mestre Hitchcock.

Importante é vencer o medo, esperar para ver o desfecho, e perceber que a chave dos seus filmes é o triunfo final da luz sobre as trevas. Toda a sua obra é uma variação sobre este principal grande tema.

E, se não menciono um único filme do realizador, a justificação é simples: devem ser vistos todos, cronologicamente — dos mudos aos sonoros, dos ingleses aos americanos, dos filmados a preto-e-branco aos rodados a cores —, com o objectivo de se conseguir captar, na sua plenitude, agora em 2015 mais do que nunca, toda a sua temática de fundo, e todo o seu estilo visual e sonoro profundo; enfim, todas as suas indeléveis marcas autorais.

Nota: Escrevi este artigo para a revista online Alameda Digital. Foi republicado em novas versões no blogue Eternas Saudades do Futuro e no jornal O Diabo.

sexta-feira, 11 de dezembro de 2015

CONFESSO-ME DOIDO POR MARY


DA IMPORTÂNCIA DE SE CHAMAR ERNST OU DO FUTURO DA EUROPA

Tenho estado a reler todo o Ernst Jünger que tenho à mão e que não é pouco. Mergulharmos num autor que atravessou com a sua aventureira vida e a sua visionária obra quase todo o século passado é a melhor maneira de nos prepararmos para este. Constatar que praticamente tudo o que profetizou já entretanto ocorreu faz-nos segui-lo com redobrada atenção procurando nas entrelinhas o que ainda está por cumprir.   

quinta-feira, 10 de dezembro de 2015

5 SIGNIFICADOS DA PALAVRA MARCHANTE (QUAL DELES O MAIS DELICIOSO)

1. Homem que mantém uma ou mais amantes.
2. Negociante de obras de arte.
3. Negociante de cabeças de gado.
4. Participante nas Marchas Populares de Lisboa.
5. Praticante de marcha atlética (modalidade olímpica).

TEMPO DE ENCONTRO

Aproximando-se o Natal e o Ano Novo há logo umas pessoas que começam a querer combinar imensas e intensas andanças sociais. Durante muitos anos considerei essas almoçaradas e jantaradas supérfluas; pois, se estava sempre que queria com esses amigos, por que razão haveria necessidade de marcarem-se actividades por obrigação? O que é um facto é que, entretanto, as décadas foram decorrendo, cada um foi para o seu lado e à sua vida; e, agora, não aparecendo as tais almas caridosas a quererem reunir os grupos, estaríamos na iminência de pura e simplesmente deixarmos de nos ver. Bem-hajam, portanto.

BLOGUE QUE VISITA ESTE E QUE ESTE VISITA (COM HONRA E PRAZER)

quarta-feira, 9 de dezembro de 2015

DOS LIVROS E DOS BOLETINS DE VOTO

Portugal tem o povo mais iletrado e inculto da Europa. Tem também o eleitorado mais à esquerda de todos os países da Europa. Estarão ambos os factos relacionados? Cheira-me que sim.

terça-feira, 8 de dezembro de 2015

DUPLA MISSÃO PARA O DIA DA IMACULADA CONCEIÇÃO


Fazer o Presépio em Família e pendurar à janela o Estandarte de Natal do Menino Jesus. Dupla missão cumprida — de véspera, e tudo!  

PINTURA DO DIA

Imaculada Conceição, 1618
DIEGO VELÁZQUEZ (1599 — 1660)

HINO DO DIA

Salve, nobre Padroeira
Do Povo, teu protegido,
Entre todos escolhido,
Para povo do Senhor.

Ó glória da nossa Terra,
Que tens salvado mil vezes,
Enquanto houver Portugueses,
Tu serás o seu amor.

Com tua graça e beleza
Um jardim não ornas só,
Linda flor de Jericó,
De Portugal és a Flor!

Flor de suave perfume,
Para toda a Lusa gente,
Entre nós, em cada crente
Tens esmerado cultor.

Acode-nos, Mãe piedosa,
Nestes dias desgraçados,
Em que vivemos lançados
No pranto, no dissabor.

Lobos famintos, raivosos
O teu rebanho atassalham,
As ovelhas se tresmalham,
Surdas à voz do pastor.

Da fé a lâmpada santa,
Que tão viva outrora ardia,
Se teu zelo a não vigia,
Perde o restante fulgor.

Ai! da Lusa sociedade,
Se o sol do mundo moral
Se apaga… Ó noite fatal!
Ó noite de negro horror!

És a nossa Padroeira,
Não largues o padroado
Do rebanho confiado
A teu poder protector.

Portugal, qual outra Fénix,
À vida torne outra vez.
Não se chame Português
Quem cristão de fé não for.

Composto por Padre Francisco Rafael da Silveira Malhão (1794 — 1860).

O Hino da Padroeira foi composto por ocasião da proclamação do dogma da Imaculada Conceição, pelo Papa Pio IX, em 8 de Dezembro de 1854.

segunda-feira, 7 de dezembro de 2015

AINDA E SEMPRE A DOCE E BELA FRANÇA FRANCESA


DA DOCE FRANÇA


domingo, 6 de dezembro de 2015

DO ALCANCE UNIVERSAL DUM BLOGUE NACIONAL

Sendo o Eternas Saudades do Futuro um blogue português — portuguesíssimo até — é com um sentimento misto de surpresa e alegria que constato através das estatísticas oficiais cá da casa ter leitores nos seguintes importantes, distantes e díspares países: Portugal, Estados Unidos da América, Brasil, Rússia, Alemanha, França, Reino Unido, China, Ucrânia e Espanha (top ten por ordem decrescente e referente aos dados totais de visualizações de páginas desde 1 de Julho de 2010).

sábado, 5 de dezembro de 2015

ENQUANTO HOUVER PORTUGUESES

8 de Dezembro é dia da Imaculada Conceição ou de Nossa Senhora da Conceição.
Padroeira de
Portugal a partir das Cortes de 1645-1646 do Reinado de D. João IV, 8.º Duque de Bragança, em cujas veias corria o sangue de D. Nuno Álvares Pereira / S. Nuno de Santa Maria. Este Rei devolveu aos Portugueses uma Pátria livre, na sequência da Restauração da Independência Nacional levada a cabo pelos 40 Conjurados no 1.º de Dezembro de 1640.

Este é também o verdadeiro Dia da Mãe.

E é ainda o dia em que se deve fazer o Presépio em Família.

sexta-feira, 4 de dezembro de 2015

SANTO DO DIA

Beato Adolph Kolping (Kerpen,08.12.1813 — Köln, 04.12.1865). Sacerdote.

Precursor da Encíclica Rerum Novarum, base da Doutrina Social da Igreja.

Beatificado pelo Papa João Paulo II no dia 27 de Outubro de 1991.

Na homilia da missa solene da beatificação, o Santo Padre apresentou os quatro principais pontos do pensamento e da acção pastoral deste Servo de Deus:
Igreja, Família, Trabalho e Política.

IDENTIDADE CULTURAL

Um Povo é a Música que compõe e ouve, a Gastronomia que confecciona e saboreia, a Literatura que cria e lê, a Pintura que faz e aprecia, a Arquitectura que edifica e admira, os Espectáculos que concebe e frequenta.

VIAJAR É PRECISO

A globalização, o multiculturalismo e o turismo de massas vieram uniformizar de tal maneira as grandes cidades — descaracterizando-as — que não tenho hoje a mínima vontade de ir visitar as minhas outrora queridas capitais europeias. As próximas incursões que farei serão certamente ao mundo rural. Porque aí ainda se respira genuína identidade cultural. Entretanto, vou passeando através de livros, pinturas, fotografias, discos e filmes. São as minhas pessoalíssimas viagens interiores.

quinta-feira, 3 de dezembro de 2015

EIS A RAZÃO DO NATAL

quarta-feira, 2 de dezembro de 2015

TEMPO DE ADVENTO — TEMPO DE ESPERANÇA

Tempo para sentimentos de aproximação e confiança, partilha e amizade, solidariedade e aliança.

LITERATURA E BLOGOSFERA

Os livros eternos são escritos por quem ama a bela literatura e os melhores blogues são feitos por quem gosta da blogosfera culta.

ELOGIO DO BLOGUISMO

Já por aqui e por ali se disse que a vida começa aos 40. No que toca às mulheres, direi até que as senhoras atingem aí uma resplandecente e mágica maturidade, que sabiamente poderão fazer prolongar por toda essa década de ouro. O que ainda não tinha dito, por só agora ter chegado a esta conclusão, é que estou convencido de que os referidos 40 são a idade certa para a criação de um blogue. Ora experimentem lá!

terça-feira, 1 de dezembro de 2015

PARA UM 1.º DE DEZEMBRO SEM FALÁCIAS


Quando vejo a malta republicana toda entusiasmada com o 1.º de Dezembro, pergunto-me se em 1640 terá sido implantada a República ou restaurada a Monarquia...