sexta-feira, 26 de abril de 2013

CARTEIRA DE SENHORA

DIA 64
Mas eu não quero falar sobre o 25 de Abril! A carteira, que é muitíssimo mais nova, queria saber à força a razão do feriado. Usei todos os meus argumentos. Agora não, quero guardar para as minhas memórias! Em vão… Bateu o pé e cedi. Não serão então memórias, apenas algumas reflexões, embora de certo modo intimistas. Conheço a posição do dono deste blogue, que respeito, e sei que respeita a minha, por isso corro o risco, empurrada pela carteira.
À minha volta sempre estiveram todos os lados da barricada. Ainda não consigo que tenham, uns e outros, leituras desapaixonadas. Nem eu. Dividida em pedaços. Cada um dos pedaços que afecta cada um dos que conheço. De diferentes maneiras. 
Geralmente a lembrança do dia despoleta ou exaltação ou ódio. Para alguns, fingida aceitação. Para outros ainda, completa indiferença. E é o fado deste dia, que em vez de unir, como o 1º de Dezembro, divide.
Em primeiro lugar, separo o dia do que se lhe seguiu. O dia, para muitos, quase todos, diria, constituiu esperança. Para outros, desgraça. 
Os meus não eram pró Segunda República, como também não tinham sido pró Primeira. Não apoiaram um sistema autoritário, cesarista, que se eternizou e afogou todos os espíritos que lhe faziam frente, fossem eles quais fossem. Assim, continuaram a estar do lado considerado na altura errado. E quando o dia aconteceu, festejámos. Lembro-me da alegria e da esperança.
Também outros viram no dia uma oportunidade de concretizar o seu próprio sonho. 
O que se lhe seguiu, o que os meus voltaram a padecer (parece sina essa do estar do contra!) não quero associar ao dia. 
Visto por quem está completamente ao lado, agora, passados 39 anos, há curiosamente algumas posições comuns à direita e à esquerda, pois poucos de um lado ou de outro dirão que estão satisfeitos com a situação que agora se vive. Mas uns acham que Abril não se cumpriu, outros que Abril daria nisto mesmo.
Tal como para mim, o sistema anterior estava condenado, o que se tem passado desde há 39 anos demonstra à saciedade a falência deste sistema, que nos fez perder quase tudo, incluindo a soberania.
Continuo a ter esperança. Numa mudança verdadeira. Num sistema e num regime diferentes. À nossa medida. Português, acima de tudo. 
Aposto que o dono do blogue não queria isto. Eu também não. A culpa foi da carteira.
Leonor Martins de Carvalho

segunda-feira, 23 de março de 2009

BLOGUE DO DIA (71)

Blogue do dia e dia do blogue
O Pasquim da Reacção, de O Corcunda.
Completa hoje cinco anos de vida. Parabéns!!!!! (com cinco pontos-de-exclamação, tipo velinhas, e tudo.) Os que não sabem do que estou a falar — será possível?... —, têm cinco anteriores mensagens minhas à distância de um toque.

terça-feira, 28 de abril de 2009

BLOGUE DO DIA (81)

Blogue do dia e dia do blogue
Pena e Espada, de Duarte Branquinho.
Parabéns! Faz hoje 5 anos. E mantém sempre o seu rumo, o que é obra nos dias que correm. Um abraço ao Duarte! Homem firme, que me honra com a sua leal amizade.

quinta-feira, 4 de dezembro de 2008

BLOGUE DO DIA (37)

Nota 1: Não, não estou gagá. Sei bem que este blogue já tinha sido «blogue do dia».
Nota 2: E não, não estou cheché. Também sei que o disco anterior já tinha sido «disco para hoje».
Nota 3: Para acabar de vez com a conversa: já vos tenho dito que prefiro de longe repetir o que gosto do que dar um tiro no escuro, mas quando arrisco apontar para uma novidade não me costumo arrepender.

quinta-feira, 19 de maio de 2011

BLOGUE DO DIA (150)


Chegado ao n.º 150, encerro, da melhor maneira, esta série «Blogue do Dia». A partir de agora, arranjarei outras formas, mais criativas, de destacar e divulgar os blogues da minha preferência.

quinta-feira, 14 de maio de 2009

BLOGUE DO DIA (81)

A Conspiração das Teorias, de António Vieira da Cruz.
Graças a Deus, tem sido sempre assim: quando começo a esmorecer, nesta minha inglória e solitária caminhada, descubro um blogue que me dá ânimo para prosseguir. Acabado de encontrar, ei-lo elevado à categoria de meu «blogue do dia». Já tenho leitura em linha para os próximos dias.

sexta-feira, 8 de março de 2013

CARTEIRA DE SENHORA


DIA 58

O dia 7 de Março, ontem para vocês, hoje para quem escreve, é um dia muito especial. Faz anos o proprietário deste blogue e até a carteira sabe. Aproveitamos por isso para o felicitar neste dia. Gostamos tanto de o ter como patrão que, natural mas também interesseiramente, lhe desejamos imensos anos de vida.

Já agora os anos do João Marchante podem servir de mote para divagar sobre a vida, na sua faceta incontrolável que é a passagem dos anos.

É um velho com artifícios, o tempo.

Quando somos pequenos, a quase todos nos faz crer que qualquer sua ínfima divisão contém o infinito. Tão eterno é o segundo em que aprendemos a letra “a” como eterno é aquele em que mergulhamos no mar. Mas pode também ser desesperante essa eternidade. Nunca mais é hora do recreio, nunca mais são férias, nunca mais aprendemos aquela parte do livro que parece tão interessante... Lembro-me de achar que estava há alguns séculos à espera que o 6 do 1960 e tal, que escrevia todos os dias nos cadernos, passasse a 7. Rejubilei nesse dia. No entanto, contrariamente ao que tinha acontecido antes, essa novidade de escrever o 7 senti-a ainda como tal por mais uns anos.

Nalgumas situações já nos ia o tempo avisando que algo ia mudar. Quem não reagia com um pesaroso “Já?” quando os pais interrompiam a brincadeira com os amigos na hora de partir?

Mas esses foram os anos em que o tempo só estava a tomar balanço. Mal demos por isso e agora mesma divisão do tempo afinal tem a finitude do milésimo de segundo. É a idade em que ainda estamos de ressaca da passagem de ano e no dia seguinte é véspera de Natal. Custa-nos a acreditar, achamos injusto, percebemos finalmente a vergonhosa trapaça que o tempo nos escondia. Ficamos então com saudades do infinito e custa-nos gerir um outro tempo que nos ultrapassa pela direita desrespeitando todos os limites de velocidade. Em luta desesperada, tentamos eternizar momentos.

Penso que a astúcia não fica por aqui e que muito mais tarde o tempo nos voltará a conceder a eternidade no milésimo de segundo. Não já a da infância, mas uma outra, mais serena. Ou será que afinal isso é apenas a sabedoria que nos vai ensinar a domar o tempo? Não lutamos para o ultrapassar. Montamos, tomamos as rédeas e imprimimos o ritmo. O nosso.

Leonor Martins de Carvalho

sexta-feira, 8 de junho de 2012

CARTEIRA DE SENHORA


DIA 19

Hoje nem olhei para a carteira. Quem manda sou eu, e já tinha tema escolhido. Por isso, vão estranhar. É diferente (porventura para pior), mas se a senhora não mostra de vez em quando que é dona da carteira, qualquer dia é a carteira a dona da senhora.

O João Marchante, dono e senhor deste paço/blogue, fez uma exposição de trabalho seu. Fotografia. Nem sonhem que vou aqui fazer uma crítica ao trabalho. Não sei. Muito menos a carteira. Sabemos que gostámos, mesmo que pareça suspeito.

Uma série de fotografias gigantes de uma adolescente em vários ambientes/cenários posando (mesmo!) em actividades do dia-a-dia que aparentemente seriam normais, mas onde o João pôs sempre elementos contraditórios com a adolescência (que é também a altura das contradições, nem criança, nem adulto) ou com a actualidade. Uma menina em actividades que podiam ser as suas mas com elementos de adulto ou de outra época. Retratos/janelas que representam a própria adolescência, a fase da terra-de-ninguém. Foi o que vi e “li”. Outros terão visto e “lido” outra coisa qualquer, mas é assim mesmo, a arte. São os nossos sentidos que lhe dão forma.

Disse ao João que iria escrever sobre o ambiente. O que é que me passou pela cabeça? Vou confessar-vos uma coisa: esta “artista” convidada não conhecia pessoalmente o dono deste castelo. Só pode ter sido o nervosismo que me fez dizer aquilo.

E agora? É quinta-feira, último dia de Corpo de Deus como feriado, são 19 horas e 36 minutos e não sei. Entretanto, 21 horas e 8 minutos, e na mesma.

O espaço escolhido foi uma sala do Museu de História Natural e tanto o edifício como os que o rodeiam proporcionam um ambiente único, muito séc. XIX, que contrasta bem com o contemporâneo. Os ingredientes que fazem com que o bolo tenha a cereja no topo estavam lá todos e eram de boa qualidade: a comida, a bebida, a música… Bastou juntar a cobertura de chocolate, as pessoas, e claro que só podia correr bem.

Acabei de imitar uma revista cor-de-rosa.

Não sou nada perita em vernissages, fui a muito poucas na vida. Não quer dizer que não possa fazer as minhas habituais generalizações com o desplante a que já se habituaram. Por isso, vou passar a vias de facto, e dissertar não sobre esta em particular, mas como é costume, sobre todas as outras.

Primeiro a família do artista. Vem sempre. É o apoio seguro, incondicional. Depois os amigos, o outro pilar. São estes a principal animação. Apoio incondicional não quer dizer aplauso. Os pilares estão tão seguros que se permitem dizer mal se for preciso. Não caem.

Fora destes dois círculos há toda uma série de pessoas que vão às vernissages. Dos conhecidos aos desconhecidos, dos críticos aos curiosos. Os discretos e tímidos não vão à inauguração. Vão depois.

Entre os que gostam de ir ao primeiro dia do resto da vida de uma exposição, encontram-se várias espécies, famílias ou géneros. Os que entram para sair logo. Os que ficam até serem expulsos. Os que vão pela comida. Os que vão pela bebida. Os que não percebem nada (como eu) e se armam em críticos. Os que percebem imenso e logo ali utilizam aquela linguagem hermética que lhes é particular e que não ajuda nada os que não percebem. Os espontâneos. Os que pensam que estão na praia. Os que se vestem à artista. Os que adoram o social. Os solitários.

Voltando à inauguração da exposição do João Marchante, nem sei se lá estavam todos estes ou só alguns. Sei que o João estava resplandecente, cirandando por todo o lado, feliz da vida. Parabéns, João!

Ninguém me mandou ir de saltos altos. Manias.

Leonor Martins de Carvalho

sexta-feira, 25 de janeiro de 2013

CARTEIRA DE SENHORA


DIA 52

Fez seis anos, no dia 21 de Janeiro, este blogue do João Marchante, o blogue que decidiu adoptar-me. Mesmo que quisesse, não podia ficar calada e não fico, claro.

Não acompanhei o Eternas Saudades do Futuro desde o princípio, confesso. Quando apanhei o comboio já a viagem ia a mais de meio. A partir daí, a distracção foi de tal ordem que esqueci-me de me apear na estação e continuei viagem, textos fora, imagens fora, vídeos fora, saboreando todas essas paisagens que o correr da pena e da mente do João nos oferecem…

Lembro-me de no meu blogue pessoal brincar com as estatísticas que o João apresentava, para comparar a formiga com o elefante (acho que usei planetas, na altura). Fascinaram-me as histórias do cinema, os aforismos, a estética, algum, se não todo, o pensamento coincidente… Admirei especialmente a coragem, a determinação e a verticalidade de quem caminha contracorrente e não é politicamente correcto.

Mal imaginávamos ambos o resto de uma história em que ninguém vai acreditar se contada. Um dos maiores responsáveis chama-se Mark Zuckerberg e podemos mover-lhe um processo se a coisa correr mal.

E é assim que, quase uma semana depois de o Eternas Saudades do Futuro ter idade para entrar para a escola, celebra esta crónica um ano. Ou seja, de fraldas, a balbuciar palavras que ainda não consegue dominar e olhando com veneração para os mais velhos.

Cinquenta e duas crónicas contando com esta (a isto chama-se fazer batota). Cinquenta e dois temas que tentei fossem variados.

Os leitores dirão se cumpri o que previa no dia 1: “Escreverei com a maré dos dias, uns melhores que outros, alguns de raiva, outros de puro divertimento.”

Claro que a indisciplina não arredou pé. Com uma semana inteira entre crónicas, a minha costela preguiçosa, estranhamente a mais activa e dominadora, não me dá tréguas e obriga-me a deixar tudo para o último dia (prova viva de que sou portuguesa) contribuindo decisivamente para atabalhoamentos, fraco vocabulário e tudo o mais de que sois testemunhas.

Hoje não quero mesmo nada escrever qualquer coisa que se assemelhe ao discurso de um político em dia de inauguração ou de despedida. A minha relação com essa carreira profissional não é das melhores, como certamente já se aperceberam. Por isso peço desculpa se não conseguir o intento.

À casa que nos concede hospedagem - a mim e à carteira – na pessoa do seu simpático proprietário, agradeço a confiança com que instintivamente me escolheu e apadrinhou, a paciência e o estímulo com que sempre fui acarinhada.

Aos que lêem esta crónica, bem hajam pela paciência, o olhar compreensivo, as palavras encorajantes, a mão protectora e o coração grande. Com ternura agradeço também a quem me ampara desde sempre nas angústias das quintas.

Possa a Carteira de Senhora sobreviver mais um ano aos atropelos infligidos por quem tem boa intenção e pouca prática.

Leonor Martins de Carvalho

domingo, 24 de maio de 2009

SÉTIMA ARTE 8

O Pioneiro de Lisboa*
Manuel Maria da Costa Veiga inicia a sua actividade cinematográfica como exibidor de filmes estrangeiros em Lisboa. Embora residente em Algés, era uma típica figura da Capital na viragem do século XIX para o XX — dandy alto e espadaúdo, de farta mas cuidada barba à moda. Além do mais, era um curioso e especialista em mecânica e electricidade, o que lhe conferia uma aura de mágico, nesses tempos da iluminação a gaz.
Costa Veiga ajudou Edwin Rousby na primeira exibição em Portugal de imagens em movimento, que decorreu no Real Coliseu da Rua da Palma (hoje desaparecido, para dar lugar a caixotes pós-modernos); sessão essa que teve na assistência o Infante D. Afonso, irmão do Rei D. Carlos I, o que revela o empenho da Casa Real nas novidades científicas e artísticas que estavam a surgir, na Europa, na sequência da primeira apresentação pública — em Paris, a 28 de Dezembro de 1895 — de imagens captadas, reveladas e projectadas pelos irmãos Lumière, com a sua maravilhosa máquina Cinématographe.
A referida estreia lisboeta aconteceu em Junho de 1896 e nela foram projectadas fitas rodadas à volta do Mundo por operadores do pioneiro londrino Robert-William Paul. Foi um sucesso público, esta iniciativa do misterioso exibidor itinerante (húngaro ou americano, ninguém sabe) Edwin Rousby, «o electricista de Budapeste». Este, em Setembro, propicia nova sessão pública em Lisboa, agora com películas já filmadas no nosso País, pelo operador Harry Short, que Paul mandara para o sul da Europa à caça de imagens. A Cinemateca Portuguesa possui dois destes filmes: A Boca do Inferno e A Praia de Algés na Ocasião dos Banhos. Em Janeiro de 1897, Rousby parte definitivamente de Portugal, mas deixa em Lisboa a semente da cinefilia.
Depois deste flask-back, para enquadramento histórico da aparição do Cinema («Animatógrafo», nas palavras de então) em Lisboa, vamos ao nosso pioneiro: Costa Veiga, após várias tentativas falhadas nesse sentido, conseguiu estabelecer-se como exibidor, inaugurando o Éden Concerto, aos Restauradores, e a Esplanada D. Luiz Filipe, em Cascais. Não tardou, no entanto, a dar o salto para a produção de filmes. Assim, aproveitando a estada sazonal do Rei D. Carlos em Cascais, no Verão de 1899, filma a Pessoa Real na praia, capta mais algumas vistas da então famosa estância balnear, e, finalmente, apresenta a sua primeira película: Aspectos da Praia de Cascais.
Foi o início de uma carreira de grande actividade como documentarista (palavra e conceito inexistentes à época, mas é disso que se trata), que atravessará toda a primeira década do século XX, registando os principais acontecimentos sociais e políticos, com a sua câmara inglesa Urban.
As vindas a Portugal de Chefes de Estado, e outras altas figuras, não lhe escaparam; e, temos, assim, a Série — interessante e fundamental para a compreensão da História da Europa — «Visitas a Lisboa»: Eduardo VII (1903), Afonso XIII (1903), Duques de Connaught (1903) Imperador da Alemanha Guilherme II (1905), Presidente de França Émile Loubet (1905), Rei de Saxe (1908).
Por este motivo, ficou conhecido por «Cineasta dos Reis», em oposição jocosa ao seu contemporâneo Aurélio da Paz dos Reis, «o Reis Cineasta», do Porto — primeiro português a dar à manivela uma câmara de filmar; e, revolucionário republicano, por sinal… Deste, falaremos noutro dia.
Entretanto, Costa Veiga fundou uma empresa produtora de Cinema — Portugal Filme —, continuando ainda a sua actividade profissional nos ramos da exibição e distribuição de fitas. Descobriu também, para o Cinema Português, Artur Costa de Macedo, que viria a ser um dos nossos melhores directores de fotografia, decisivo na Época de Ouro do Cinema Português (décadas de 1930 e 1940), e que trabalhava antes na garagem Auto-Palace, ao Rato.
Num tempo muito anterior ao advento da Televisão, era através do Cinema que os Estados comunicavam com os seus cidadãos e passavam para o exterior as imagens do País. Neste contexto, os filmes de Costa Veiga fizeram parte de uma grande e última ofensiva diplomática da Monarquia Portuguesa. A já referida Série «Visitas a Lisboa» foi distribuída por toda a Europa, com o apoio do Rei D. Carlos, mostrando Lisboa, como capital cosmopolita, acolhendo as principais figuras políticas do Mundo.
Note-se que os filmes, embora numa fase embrionária da Sétima Arte — em formato de curtas-metragens, a preto-e-branco, mudos —, eram um negócio rentável; e, Costa Veiga pôde enriquecer com a produção, distribuição e exibição de fitas, despertando, desta maneira, o apetite de muitos outros para esta indústria, os quais não tardaram a aparecer, em força, em Lisboa.
Sendo Costa Veiga «O Cineasta dos Reis», de facto, pode também dizer-se que a sua carreira sofre um grande abalo com o horrível Regicídio de 1 de Fevereiro de 1908 no Terreiro do Paço. Temos assim — simbolicamente — como uma das últimas obras do realizador: Os Funerais de S. M. El-Rei D. Carlos I e do Príncipe Real D. Luiz Filipe (1908).
Às portas de passarem cem anos sobre o cobarde crime do Terreiro do Paço, não será a hora de se desenterrarem e exibirem os filmes do pioneiro lisboeta — do Cinema Nacional — Manuel Maria da Costa Veiga?
João Marchante
*Texto que escrevi para a revista Alameda Digital (Ano I — N.º 8, Maio/Junho de 2007). Republico-o agora nesta nova versão com ligeiras alterações no blogue Eternas Saudades do Futuro).

quarta-feira, 30 de março de 2016

DA GENEALOGIA [BISAVÔ MARIANO E SEUS/MEUS ANTEPASSADOS MOREIRAS ALENTEJANOS]

I — SEBASTIÃO CARVALHO (nasce cerca de 1600)
Casa com D. FRANCISCA LUÍS (nasce cerca de 1600).
Tiveram, pelo menos, o seguinte filho:

II — FRANCISCO CARVALHO [que também é referido como FRANCISCO DE CARVALHO, entre outros sítios, na obra Biblioteca Lusitana de Diogo Barbosa Machado e no registo de casamento de seu filho Jerónimo Moreira de Carvalho (tratado a seguir)] (n. Estremoz, Santo André, c. 1635).
Casa, em Estremoz, Santa Maria, aos 27.03.1656, com D. MARIA FERREIRA [que também é referida como D. MARIA RIBEIRA, entre outros sítios, na obra Biblioteca Lusitana de Diogo Barbosa Machado e no registo de casamento de seu filho Jerónimo Moreira de Carvalho (tratado a seguir)] (n. Estremoz, Santa Maria, c. 1635), filha de António Fernandes e de D. Catarina Ferreira.
Tiveram 6 Filhos, entre os quais este com que seguimos:

III — JERÓNIMO MOREIRA DE CARVALHO (Estremoz, c. 1673 — c. 1748). Médico, Cirurgião e Escritor. Formado em Medicina pela Universidade de Coimbra (1697). Médico do Partido da Universidade de Coimbra, Médico dos Exércitos da Província do Alentejo, Físico-Mór da Gente de Guerra do Reino do Algarve. Médico em Sousel e em Lisboa (nas Cortes de D. Pedro II e D. João V). Compôs uma massa, que intitulou «Pedra de David», com a qual curou várias doenças e a ele se deve o primeiro tratamento para problemas de uretra. Escreveu e traduziu vários livros, de Medicina, Cirurgia, História e Romances de Cavalaria, entre os quais se destacam as seguintes publicações: Método verdadeiro para curar radicalmente as carnosidades (Lisboa, 1721), História do Imperador Carlos Magno e dos doze Pares de França (Lisboa, 1728), História do Grande Roberto, Duque da Normandia e Imperador de Roma, etc. (Lisboa, 1733), História das Guerras Civis de Granada (1735).
Casa, 1.ª vez, no concelho e freguesia de Sousel, aos 22.09.1699, com D. ROSA MARIA DA SiILVEIRA (Sousel, Sousel, baptizada aos 11.09.1673 — Sousel, Sousel, 09.02.1715), filha de Manuel Madeira Gil (Sousel, Sousel, c. 1640 — Sousel, Sousel, 28.10.1717), Cirurgião, e de sua mulher D. Brites da Silveira Fidalga (Sousel, Sousel, c. 1640 — Sousel, Sousel, 19.11.1712).
Casa, 2.ª vez, depois de viúvo, em Lisboa, Santa Engrácia, 04.10.1723, com D. Isabel Teresa Cordeiro (Vila Viçosa, Nossa Senhora da Conceição 07.01.1672), filha de Francisco Fernandes Cordeiro (Borba, Santa Bárbara, c. 1640 — Vila Viçosa, Nossa Senhora da Conceição, 16.08.1690), Alferes, e de D. Maria da Conceição, e neta pela parte paterna de Manuel Fernandes e de D. Catarina Cordeiro, casados em Borba, Santa Bárbara, 1638.
Deste 2.º Casamento não teve Filhos.
Do 1.º Casamento teve 8 Filhos:
Quatro raparigas, de que adiante falarei de uma, e quatro rapazes — destes, o primeiro morreu menor, seguindo-se outro, como era hábito, com o mesmo nome, que se tratará mais adiante; sendo o penúltimo mais novo o Padre António Moreira (Lisboa, Castelo, 28.05.1710 — Almeida, Almeida, 01.05.1760),  Jesuíta, Missionário, Professor, Naturalista, Escritor, ingressou na Companhia de Jesus aos 19.02.1728, membro da 46.ª Missão dos Jesuítas para o Maranhão e Grão-Pará, Missionário no rio Tapajós, Professor de Filosofia e de Prima de Teologia no Colégio Jesuíta do Maranhão,  escreveu Declaração das Raridades do Maranhão, de Peixes, Aves, etc., cujo manuscrito se encontra em depósito na Torre do Tombo, foi mandado regressar e encarcerar pelo Marquês de Pombal e morreu prisioneiro no Forte de Almeida; seguiu-se ainda o Padre Jerónimo Moreira de Carvalho (homónimo de seu pai), que foi Pároco da Paróquia de Nossa Senhora do Rosário de Santa Luzia, Pirenópolis, Goiás, Brasil; e, por último, o mais velho, com o qual seguimos:

IV — MANUEL MOREIRA DE CARVALHO (Vila Viçosa, Nossa Senhora da Conceição, bp. 31.01.1704 — Estremoz, Santa Maria, 01.10.1741). Engenheiro-Militar e Escritor. Assentou praça como Soldado na Corte e foi Ajudante-Engenheiro na Província do Alentejo. Deixou manuscritos inéditos. Publicou História das Fortunas de Sempriles e Generodano, pelo doutor João Henriques de Zuñiga (Lisboa, 1735). Jaz sepultado na Igreja Matriz de Santa Maria de Estremoz.
Casa, no concelho de Lisboa, na freguesia de Santa Engrácia, aos 04.10.1723, com D. LUÍSA TERESA LEONOR (Lisboa, São Julião, c. 1704 — Sousel, Sousel, 17.07.1782), filha do Coronel Francisco Cordeiro Vinagre (Vila Viçosa, Nossa Senhora da Conceição, bp. Borba, Santa Bárbara, 26.12.1678 — c. 1750), Quartel-Mestre-General, Engenheiro-Militar, Cavaleiro da Ordem de Cristo, filho de Francisco Fernandes Cordeiro, Alferes, e de D. Maria da Conceição [ver III], o qual, viúvo de sua primeira mulher, D. Maria Ana Teresa Furtado de Mendonça [surge em vários documentos também como D. Maria Ana Teresa Furtado, ou Mariana Furtado de Mendonça, ou Mariana Furtado] (Lisboa, São Julião, c. 1680 — c. 1719), casa também, na mesma freguesia e na mesma data, com D. Leonor Joana da Silveira (Sousel, Sousel, bp. 23.11.1700 — ), filha do Doutor Jerónimo Moreira de Carvalho e de sua mulher D. Rosa Maria da Silveira [ver III].
(Não posso deixar de abrir aqui parêntesis para destacar os três casamentos que ocorrem na mesma Igreja no mesmo dia: Francisco Cordeiro Vinagre cc D. Leonor Joana da Silveira; Jerónimo Moreira de Carvalho cc D. Isabel Teresa Cordeiro; Manuel Moreira de Carvalho cc D. Luísa Teresa Leonor).
Tiveram, pelo menos, duas Filhas e dois Filhos, sendo o mais novo dos varões Joaquim José Moreira de Carvalho (também usa  Joaquim José Moreira de Carvalho e Mendonça) e o mais velho o seguinte:

V — FRANCISCO MOREIRA DE CARVALHO (Lisboa, Santa Engrácia, bp. 15.12.1727 — Sousel, Sousel, 04.12.1769). Tabelião do Judicial e Notas de Sousel.
Casa, no concelho e freguesia de Sousel, aos 23.07.1752, com D. MARIA FARINHA BARREIROS GODINHO (Sousel, Sousel, bp. 22.05.1732 — ), filha de José Rodrigues Roque (Estremoz, Santa Vitória do Ameixial, bp. 03.02.1686  — Sousel, Sousel, 20.01.1767) e de sua segunda mulher, D. Inês de Andrade Barreiros Godinho (Sousel, Sousel, bp. 07.05.1695 — Sousel, Sousel, 28.08.1766), e trineta, por via desta, de Clemente Pires Farinha Barreiros (Sousel, Sousel, c. 1590), Fidalgo de Cota de Armas, que teve Carta de Brasão de Armas para Barreiros aos 27.08.1616 .
Tiveram, que se saiba, apenas um Filho (que morreu menor) e uma Filha com quem seguimos:

VI — D. JOANA LEONOR MOREIRA (Sousel, Sousel, bp. 29.06.1756 — ).
Casa, 2.ª vez, depois de ficar viúva de Custódio da Silveira Preto (Sousel, Sousel — Sousel, Sousel, 03.06.1782), filho de Diogo da Silveira Preto (Fronteira, Fronteira — ) e de sua mulher D. Joana da Cunha Feio (Sousel, Sousel — ), no concelho e freguesia de Sousel, aos 24.06.1783, com BONIFÁCIO JOSÉ DA COSTA (Sousel, Sousel, bp. 01.11.1758 — ), filho de Domingos José Boino (Gouveia, Arcozelo — ) e de sua mulher D. Maria de Jesus da Costa (Sousel, Sousel, bp. 21.10.1725 — ).
Teve 5 Filhos do 1.º Casamento.
Teve 8 Filhos do 2.º Casamento; e, morrendo menor o primogénito, ficou como varão mais velho o segundo deste nome, com o qual seguimos:

VII — JOÃO RODRIGUES MOREIRA (Sousel, Sousel, bp. 13.10.1790 — Sousel, Sousel, 22.03.1872). Lavrador e Proprietário.
Casa, no concelho e freguesia de Sousel, aos 16.10.1808, com D. ANA DA CONCEIÇÃO BELÉM [também usou D. ANA DA CONCEIÇÃO SILVEIRA, como por exemplo é referida no registo de óbito da sua filha D. Maria da Orada Moreira (madrinha de baptismo de Mariano Moreira da Costa Pinto, aqui em baixo no IX)] (Sousel, Sousel, 12.09.1791 — ), filha de José Fernandes (Gouveia, Vila Nova de Tazem — ) e de sua mulher D. Ana de Belém (Sousel, Sousel, bp 28.07.1748 — ), e bisneta pelo lado desta de Manuel Rodrigues (Leiria, Leiria, São Cristóvão — ) e de sua mulher D. Faustina Maria da Silveira (Sousel, Sousel, bp. 01.01.1698 — ), os quais são igualmente bisavós do Cantor, Professor de Canto, Compositor e Empresário Teatral António Felizardo Porto (Sousel, Sousel, 27. 06.1793 — Lisboa, Lisboa, 01.10.1863).
Tiveram 11 Filhos, dos quais a quarta, Guilhermina do Espírito Santo Moreira (Sousel, Sousel, 01.01.1818 — Sousel, Sousel, 05.06.1892), casada com Joaquim António Beato (morre em Sousel, Sousel, 19.081876), é mãe do Professor Catedrático António Moreira Beato (Sousel, Sousel, 01.06.1860 — Lisboa, Camões, 22.06.1937), sendo a décima a seguinte:

VIII — D. LEONOR DO CARMO MOREIRA (Sousel, Sousel, 26.02.1835 — Sousel, Sousel, 31.08.1892). Jaz sepultada juntamente com seu marido no jazigo de seu filho-segundo no Cemitério de Sousel (tem a seguinte inscrição: «Jazigo de Carlos Moreira Costa Pinto e de sua Esposa D. Joana Chaveiro Costa Pinto»).
Casa, no concelho e freguesia de Sousel, aos 01.06.1863, com JOAQUIM PEREIRA DA COSTA PINTO (Fronteira, Fronteira, 29.11.1835 — Sousel, Sousel, 05.11.1891), Grande Lavrador e Proprietário, Senhor da Herdade da Revenduda, Tronco da Família Costa Pinto, do Alentejo, filho de Carlos da Costa Pinto da Fonseca (Fronteira, Fronteira, 24.11.1794 — Fronteira, Fronteira, 01.04.1857) [e, sempre por varonia: neto do Capitão José da Costa Ramos (Cinfães, Santiago de Piães, bp. 08.07.1759 — Fronteira, Fronteira, 04.09.1811), Capitão agregado a um dos Regimentos de Ordenanças da Corte (01.12.1806); 6.º neto de Gaspar Pinto da Fonseca (Cinfães, Travanca — Cinfães, Tarouquela, 20.08.1638), Rendeiro do Mosteiro de Tarouquela e, por casamento com D. Ana Moreira (Cinfães, Tarouquela — Cinfães, Tarouquela, 17.10.1656) (a qual era bisneta de António Pires Moreira, Capitão e Juiz do Couto de Tarouquela, Procurador das Freiras Beneditinas do Mosteiro de São Bento de Avé-Maria, no Porto, Senhor da Casa e Quinta do Outeiro e da Casa de Paços, em Tarouquela, que usou brasão de armas dos Moreiras, concedido a Diogo Moreira de Campos, Chanceler da cidade do Porto), Senhor da atrás referida Casa e Quinta do Outeiro, em Tarouquela; 17.º neto de Afonso Rodrigues de Magalhães, Fidalgo da Casa Real, Senhor da Quinta e Torre de Magalhães, primeiro a usar o apelido Magalhães], Lavrador e Proprietário, activo militante miguelista — antes, durante, e depois do Reinado de D. Miguel —, e de sua mulher D. Teresa Carolina Pereira (Sousel, Santo Amaro, 02.03.1801 — Fronteira, Fronteira, 01.05.1862), Lavradora e Proprietária, em viúva, a qual é trineta, sempre por linha feminina, de Manuel Dias Serra (Sousel, Casa Branca, bp. 20.09.1670) e de sua mulher Isabel Gião (Sousel, Casa Branca, c. 1670), os quais  têm, pelo menos, dois filhos varões, Manuel Gião (que será o trisavô por varonia de Joaquim José Gião, 1.º Visconde de Gião) e Francisco Dias Serra, que virá a professar com o nome de Padre Francisco Dias Gião, e uma filha, Isabel Gião, de quem a supradita é bisneta [ver linha Gião].
Tiveram 6 Filhos (destes, uma rapariga e dois rapazes morreram menores), ficando como varão mais velho o seguinte:

IX — MARIANO MOREIRA DA COSTA PINTO (Sousel, São João Baptista da Ribeira, 31.10.1868 — Monforte, Vaiamonte, 26.04.1930). [Teve como Padrinho de Baptismo o seu tio paterno Francisco da Costa Ramos Pinto da Fonseca, Grande Lavrador e Proprietário em Fronteira, e como Madrinha a sua tia materna D. Maria da Orada Moreira, Proprietária em Sousel, e recebeu o nome do seu falecido tio materno Mariano Rodrigues Moreira, Grande Lavrador e Proprietário em Sousel.] Grande Lavrador e Proprietário Agrícola. Político. Activo militante regionalista e republicano, desde os tempos da Monarquia. Presidente da Comissão Administrativa da Câmara Municipal de Monforte, Presidente da Junta de Paróquia de Vaiamonte, Juiz de Paz de Vaiamonte, Presidente do Triângulo N.º 169 da Maçonaria de Rito Francês (iniciado em 14.05.1911, no referido Triângulo de Monforte, com o nome Simbólico de «Alma»). Senhor das Herdades de Samarruda, Nora, Courelas de Valverde (as duas últimas anexas à primeira), Palhinha, Gis, Picão (estas três anexas umas às outras), Vale dos Homens, Tapadão de Alter, Esquerdos, Relvacho, Asseca, Pintas, Torradas, Sernila, Matança e Reguengo. Rendeiro da Herdade de Torre de Palma, etc.
Segue...

Fonte bibliográfica:
In 2.º draft do livro Mariano Moreira da Costa Pinto — Vida, Antepassados e Descendentes dum Grande Lavrador Alentejano, de João Miguel Costa Pinto Marchante (Autor do blogue Eternas Saudades do Futuro).

sábado, 12 de setembro de 2015

BLOGUES LIGADOS

Confesso que cada vez mais leio menos blogues. Consciente porém da importância da sinergia entre estes espaços de liberdade decidi reactivar uma rubrica em que possa destacar alguns. Em tempos idos, cheguei a ter as séries «blogue do dia», «blogue da semana» e «blogue do mês», entre outras do mesmo género . Em Abril deste ano, nessa mesma linha, e na da reciprocidade (coisa de cortesia, mas não só, pois faço-a com prazer), lancei a secção «blogue que visita este e que este visita (com honra e prazer)». Para o efeito, baseio-me nas estatísticas fornecidas pelo contador de visitas desta casa. Como certamente já perceberam os meus atentos leitores, esta rubrica acabou de ser relançada com a mensagem anterior.

sábado, 19 de janeiro de 2013

ENTREVISTA CONCEDIDA PELO AUTOR DO BLOGUE

Na sequência duma interessantíssima conversa que tive ontem numa rija tertúlia de cavalheiros da velha guarda que se orientam pela trilogia Deus-Pátria-Rei, publico novamente a entrevista que concedi, no dia 27 de Fevereiro de 2009, ao Manuel Azinhal, autor do saudoso blogue O Sexo dos Anjos. E se a republico aqui e agora é porque voltaria hoje a responder a tudo da mesma maneira. Ei-la:
1 - "Eternas Saudades do Futuro" é um projecto assumidamente individual. O que o levou a optar por esse modelo?
- O Eternas Saudades do Futuro é, de facto, um blogue pessoal — pessoalíssimo, até. Não resulta da razão, mas, sim, do coração, isto é, o que lá publico ocorre-me intuitivamente. Portanto, não se pode falar em opção. Porém, acredito que o que nos sai automaticamente é resultado da cultura que transportamos connosco: a que vem do berço, e a que adquirimos nas voltas da vida, com as respectivas opções estéticas e éticas, fruto dos mestres que nos ensinaram a ver, compreender e escolher.
2 - Gosta de se sentir um "redresseur des torts"?
- Não sei se estou à altura de tão nobre tarefa, correspondente a tal epíteto. Certo, certinho, é que nasci na época errada e tento viajar no tempo — afinal, temos 900 anos de História por explorar, com heróis, sábios e santos — procurando energia nas lições do passado para me projectar num renovado futuro. Sinto-me um vanguardista nas formas e um tradicionalista nos valores; contudo, procuro ainda a coerência que advirá da síntese desses dois vectores. Na arte e na vida.
3 - Quais as razões para que seja tão curto o tempo médio de vida dos blogues?
- Os portugueses têm muita dificuldade em acabar aquilo que começam. Também não lidam bem com a pontualidade. São, ainda, preguiçosos. Detesto todas essas características, que me fazem, aliás, assumir cada vez mais uma atitude misantrópica perante a gente que me rodeia e ter nos livros os melhores amigos. É ridículo observar que há blogues muito bem escritos mas totalmente vazios de ideias e vice-versa. Aproveito esta divagação, em tom de desabafo, para dizer que um blogue tem de ser sustentado por autenticidade e cultura. Estas duas características escasseiam, igualmente, hoje.
4 - Depois destes anos todos a observar a blogosfera, o que lhe parece que esta trouxe de novo à batalha das ideias e da informação?
- Perante o espanto e a admiração geral, a blogosfera portuguesa veio mostrar que há pessoas, desalinhadas com o pensamento único ditado pelo politicamente correcto, que pensam pela sua própria cabeça e que não se conformam com a ditadura cultural consentida por um sistema que há muito entregou aos intelectuais de esquerda a hegemonia cultural. O sistema trata da economia e dá de mão-beijada as artes e as letras a esses intelectuais. Uns e outros, ficam todos contentinhos com o acordo.
5 - O que espera ainda da blogosfera?
- Tudo. Pois só aqui Portugal poderá recuperar as tradicionais liberdades (que não a fictícia Liberdade) que nos foram legadas por D. Afonso Henriques e seus cavaleiros e que se têm vindo a perder irreversivelmente de há 200 anos para cá. Ena pá!, o que eu fui dizer...
6 - A forma mais eficaz de fazer política passa por dizer que não se faz?
- Não sei, eu não faço política...
7 - Comente as seguintes afirmações:
a) Só pode progredir o que permanece.
- Sem dúvida. Resistir é vencer, e vencer corporiza-se na belíssima imagem de um homem de pé entre as ruínas. O futuro é feito do que permanece depois de evaporada a espuma dos dias. Esse caudal que avança — de geração em geração —, unido por um invisível fio-condutor, é a Tradição. É por aí que vou.
b) Bloguismo rima com narcisismo.
- Já se sabe que bloguismo rima com diarismo; no entanto, importante é ter consciência que bloguismo rima com activismo: os blogues são as catacumbas do nosso tempo.
c) A internet abriu o caminho a um gramscismo tecnológico.
- Percebo pouco disso... Mas, a despropósito, apetece-me dizer, para rematar, que só haverá mudança de paradigma político se existir um ambiente cultural propício. Este, terá de ser necessariamente enformado por uma nova estética. Para mal dos nossos pecados, a esquerda percebeu isso no século XVIII. Reedificar a comunidade nacional orgânica, assente em valores tradicionais, que tem vindo a ser destruída desde aí, será tarefa só possível através da argamassa cultural fabricada na internet.

domingo, 7 de fevereiro de 2016

DA GENEALOGIA [8.º AVÔ JERÓNIMO]

Jerónimo Moreira de Carvalho
(Estremoz, c. 1672 — c. 1748) 

Médico, Cirurgião, Médico-Militar, Escritor e Tradutor.

Filho de Francisco Carvalho e de D. Maria Ferreira (que também é referida como D. Maria Ribeira, na Biblioteca Lusitana de Diogo Barbosa Machado e no registo de casamento de Jerónimo Moreira de Carvalho), que casam em Estremoz, Santa Maria, no ano de 1657.

Casa em Sousel, aos 22.02.1699, com D. Rosa Maria da Silveira (Sousel, Sousel, bp. 11.09.1673 — Sousel, Sousel, 09.02.1715), filha de Manuel Madeira Gil (Sousel, Sousel, c. 1640 — Sousel, Sousel, 28.10.1717), Cirurgião, e de D. Brites da Silveira Fidalga (Sousel, Sousel, c. 1640 — Sousel, Sousel, 19.11.1712).
Têm 8 Filhos (4 Varões e 4 Filhas), nascidos em Sousel, Vila Viçosa e Lisboa; entre esses Filhos, estão:

- Manuel Moreira de Carvalho, Engenheiro-Militar, Escritor e Tradutor.
- Padre António Moreira, Jesuíta, Missionário no Brasil, Professor, Naturalista e Escritor.
- Padre Jerónimo Moreira de Carvalho, Pároco de Nossa Senhora do Rosário de Santa Luzia, Pirenópolis, Goiás, Brasil.
- Uma filha, D. Leonor Joana da Silveira, casa com o viúvo, seu compadre (o atrás referido seu filho Manuel casa com uma filha - D. Luísa Teresa Leonor - dele e de sua primeira mulher - D. Maria Ana Teresa Furtado de Mendonça), genro (como se viu) e cunhado (de seguida se verá), Coronel Francisco Cordeiro Vinagre, Engenheiro-Militar, Quartel-Mestre-General, Cavaleiro da Ordem de Cristo.

Depois de viúvo, voltará a casar, em Lisboa, Santa Engrácia, aos 04.10.1723, com D. Isabel Teresa Cordeiro (Vila Viçosa, Nossa Senhora da Conceição 07.01.1672), filha de Francisco Fernandes Cordeiro (Borba, Borba, c. 1640 — Borba, Borba, 20.08.1690), Alferes, e de D. Maria da Conceição, e irmã portanto do recorrente Francisco Cordeiro Vinagre, tornando-se assim também cunhado deste.
Estes três casamentos ocorrem na mesma Igreja e no mesmo dia, reforçando assim extraordinariamente os laços entre ambos.

Doutor em Medicina pela Universidade de Coimbra (1697).
Bacharel e Licenciado em Artes pela Universidade de Coimbra (1692 e 1694).
Médico do Partido da Universidade de Coimbra.
Médico dos Exércitos da Província do Alentejo.
Físico-Mór da Gente de Guerra do Reino do Algarve.
Médico nas Cortes de D. Pedro II e D. João V.
Médico em Lisboa e em Sousel.
Compôs uma «misteriosa massa» com que curou várias doenças.
Deve-se a ele o primeiro tratamento para problemas da uretra.
Escreveu e traduziu vários livros de Medicina, Cirurgia, História e Romances de Cavalaria.

Nesta última categoria literária, a sua História do Imperador Carlos Magno e dos Doze Pares de França (Lisboa, 1728), tradução e livre adaptação dum autor anónimo espanhol, onde Jerónimo Moreira de Carvalho também se inspira em Ariosto e Boiardo, e nas gestas medievais, tem sido objecto de inúmeras reimpressões, reedições e continuações, em diversos países, até aos dias de hoje, como atesta uma recente edição em inglês no Reino Unido, bem como alvo de variados estudos académicos, à semelhança do sua mística História do Grande Roberto, duque da Normandia e imperador de Roma: em que se trata da sua conceição, nascimento e depravada vida, por onde mereceu ser chamado Roberto do Diabo: e do seu grande arrependimento, e prodigiosa penitência, por onde mereceu ser chamado Roberto de Deus: e prodígios, que por mandado de Deus obrou em batalhas (Lisboa, 1733). Um e outro foram dos livros mais lidos em Portugal (incluindo o Brasil) durante o século XVIII.

Bibliografia e Arquivos:
- Biblioteca Lusitana, História, Crítica e Cronologia, Diogo Barbosa Machado, Oficina de António Isidoro da Fonseca, Lisboa, 1741.
- Dicionário Bibliográfico Português: Estudos Aplicáveis a Portugal e ao Brasil, Inocêncio Francisco da Silva, Imprensa Nacional, Lisboa, 1858.
- Grande Enciclopédia Portuguesa e Brasileira, Editorial Enciclopédia, Lisboa e Rio de Janeiro, 1936-1960.
- Estudos de Cultura Medieval, Mário Martins (S.J.), Editorial Verbo, 1972.
- A Guide to Studies on Chanson de Roland, Joseph J. Duggan, 1976.
- Dicionário do Folclore Brasileiro, Luís da Câmara Cascudo, Edições Melhoramentos, 1979.
- Estremoz e o seu Termo Regional, Marques Crespo, Centro Social Paroquial Santo André —  Estremoz, Vila Viçosa, 1987 (2.ª edição — fac-similada).
- New Trends and Developments in African Religions, Peter Bernard Clarke, 1998.
- Reinventing Religions: Syncretism and Transformation in Africa and the Americas, Sydney M. Greenfield e A. F. Droogers, 2001.
- Nova História de Portugal: Portugal  — da Paz da Restauração ao Ouro do Brasil, Joel Serrão, Artur Boavida Madeira e A. H. de Oliveira Marques, Editorial Presença, 2001.
- História da Companhia de Jesus no Brasil, Serafim Leite (S.J), Edições Loyola, 2004.
- Ocidente: Revista Portuguesa de Cultura, N.º 285, Janeiro, 1962.
- Revista Brotéria, 1987.
- Revista Estudos Ibero-Americanos, Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul, Departamento de História, 1999.
- Gazeta de Lisboa, N.º 7, 18 de Fevereiro de 1723.
- Jornal de Coimbra, 1815.
- Arquivo da Universidade de Coimbra.
- Arquivo Distrital de Évora.
- Arquivo Distrital de Portalegre.
- Arquivo Particular de João Miguel Costa Pinto Marchante (Autor do blogue Eternas Saudades do Futuro e desta síntese biográfica sobre Jerónimo Moreira de Carvalho).
 

domingo, 19 de novembro de 2017

HISTÓRIAS DE BIBLIÓFILOS

Ainda sou do tempo em que entrando em qualquer boa casa portuguesa logo se avistavam livros. Nalguns casos, com direito a livraria (fórmula pela qual era designada a biblioteca particular, antes do comércio se ter apropriado totalmente da palavra). Hoje em dia, pelo contrário, são escondidos nos corredores, quando existem. A mudança deu-se numa só geração.
Dizem-me agora que os livros já não têm valor e que ocupam muito espaço. Assim, viúvas e filhos quase que pagam para se verem livres dos livros deixados por quem muitas vezes levou uma vida inteira a coleccioná-los.
Nestas andanças, um coleccionador designa-se por bibliófilo — alguém que tem amizade aos livros. Movido por esta amizade, que logo passa a paixão e culmina em amor, o bibliófilo não resiste a parar e entrar em todo e qualquer sítio que tenha o objecto do seu desejo, desde a livraria comercial, com as últimas novidades nos escaparates, até — e principalmente — aos velhos alfarrabistas, que contêm as obras antigas e raras, ou apenas arredadas do mercado, pois que cada vez mais, na sua febre de lucro, as lojas reenviam para as editoras os livros não vendidos, após uma ou duas semanas, para darem rapidamente lugar a outros acabados de vir a lume; e, assim, pouco depois, como que por artes mágicas, os primeiros aparecem nos livreiros-alfarrabistas. Esta velocidade pode mesmo ser alucinante.
Certa vez, aconteceu-me receber um convite para o lançamento de um livro, ao qual não pude comparecer. No dia seguinte, à hora do almoço, passei num alfarrabista e aí estava essa monografia à venda, com dedicatória e tudo! Alguém lá foi, o comprou (ou recebeu como oferta do autor), recolheu o autógrafo do escritor, leu-o na diagonal ao serão, e de imediato o empandeirou na manhã seguinte.
Mais triste do que isto só mesmo quando me deparo com livros à venda marcados por ex-libris de pessoas com quem convivi e admirei e sei terem descendentes directos, os quais optaram portanto por nem sequer dividi-los entre si nas partilhas. Às tantas, mais valendo isto, porque possibilita um bibliófilo criterioso comprar essa biblioteca, ou núcleos dela com interesse, fazendo-a até chegar a uma instituição pública nacional, onde todos os que gostam de ler possam ter acesso às obras, do que ir a casa de alguém e ver nas prateleiras, à laia da biblots, ao sabor das cores das encadernações, livros dispersos de obras em vários volumes — uma enciclopédia, a obra completa de um escritor, etc.
Para rematar estas histórias trágico-cómicas, não resisto a contar aqui a melhor que presenciei: estando eu numa loja dum conhecido livreiro-alfarrabista, vejo entrar uma emproada criatura de meia-idade, toda aperaltada, que dispara para a jovem que lá estava a trabalhar: «Tem livros antigos de Direito?». Responde a rapariga: «Que autores procura?» Vocifera a serigaita: «O que eu quero são boas encadernações, para o escritório do meu marido». Conclui a empregada, revelando-se bibliófila: «Enganou-se no sítio, isto aqui não é uma loja de decoração».
Bibliófilo é pois alguém que tem um profundo respeito pelos livros, como entes amados, e dedica grande parte do tempo ao seu convívio — procurando-os, mirando-os, namorando-os, acariciando-os, cheirando-os, conquistando-os, aprendendo com eles, guardando-os perto de si. Note-se que o bibliófilo tem em princípio e por princípio um género preferencial ao qual dedica as suas apaixonadas energias de busca e aquisição; por exemplo: Poesia inglesa, ou História de Portugal, ou Romance francês do século XIX, ou Incunábulos, ou primeiras edições de Camilo e Eça, ou Livros de Arte, etc. e tal.
Ah!, e há ainda, por estranho que pareça, um pequeno nada que é tudo: o bibliófilo lê os seus livros.
Por fim, contrariamente a outros amores, este pode e deve ser partilhado. Surgem assim as tertúlias literárias, que têm como principal tema os livros e que servem para despertar ou consolidar amizades entre pessoas com afinidades culturais. Aí se partilham experiências, se mostram livros, se fala sobre eles, e muitas vezes surgem projectos comuns. Também estes encontros, infelizmente, se têm vindo a perder, invocando alguns membros destes grupos a famigerada «falta de tempo», que faz pendant com a «falta de espaço», a tal que leva a expulsar os livros de casa.
Nota: Texto que escrevi como convidado do blogue Delito de Opinião e que agora publico no Eternas Saudades do Futuro.

terça-feira, 21 de abril de 2015

BLOGUES LIGADOS

Confesso que cada vez mais leio menos blogues. Consciente porém da importância da sinergia entre blogues decidi activar uma rubrica em que possa destacar alguns. Em tempos cheguei a ter as rubricas «blogue do dia» e, até, se bem me lembro, «blogue da semana» e «blogue do mês». Agora, nessa mesma linha, e na da reciprocidade (coisa de cortesia, mas não só, pois faço-a com prazer), lançarei a secção «blogue que visita este e que este visita (com honra e prazer)». Para o efeito, basear-me-ei nas estatísticas fornecidas pelos dois contadores de visitas desta casa. A nova secção começa já a seguir...

quinta-feira, 15 de abril de 2010

ENTREVISTA

A pedido de vários amigos, volto a publicar a entrevista que concedi, no dia 27 de Fevereiro de 2009, ao Manuel Azinhal, autor do saudoso blogue O Sexo dos Anjos. E, se a republico, aqui e agora, é porque voltaria hoje a responder, a tudo, da mesma maneira. Ei-la:
1 - "Eternas Saudades do Futuro" é um projecto assumidamente individual. O que o levou a optar por esse modelo?
- O Eternas Saudades do Futuro é, de facto, um blogue pessoal — pessoalíssimo, até. Não resulta da razão, mas, sim, do coração, isto é, o que lá publico ocorre-me intuitivamente. Portanto, não se pode falar em opção. Porém, acredito que o que nos sai automaticamente é resultado da cultura que transportamos connosco: a que vem do berço, e a que adquirimos nas voltas da vida, com as respectivas opções estéticas e éticas, fruto dos mestres que nos ensinaram a ver, compreender e escolher.
2 - Gosta de se sentir um "redresseur des torts"?
- Não sei se estou à altura de tão nobre tarefa, correspondente a tal epíteto. Certo, certinho, é que nasci na época errada e tento viajar no tempo — afinal, temos 900 anos de História por explorar, com heróis, sábios e santos — procurando energia nas lições do passado para me projectar num renovado futuro. Sinto-me um vanguardista nas formas e um tradicionalista nos valores; contudo, procuro ainda a coerência que advirá da síntese desses dois vectores. Na arte e na vida.
3 - Quais as razões para que seja tão curto o tempo médio de vida dos blogues?
- Os portugueses têm muita dificuldade em acabar aquilo que começam. Também não lidam bem com a pontualidade. São, ainda, preguiçosos. Detesto todas essas características, que me fazem, aliás, assumir cada vez mais uma atitude misantrópica perante a gente que me rodeia e ter nos livros os melhores amigos. É ridículo observar que há blogues muito bem escritos mas totalmente vazios de ideias e vice-versa. Aproveito esta divagação, em tom de desabafo, para dizer que um blogue tem de ser sustentado por autenticidade e cultura. Estas duas características escasseiam, igualmente, hoje.
4 - Depois destes anos todos a observar a blogosfera, o que lhe parece que esta trouxe de novo à batalha das ideias e da informação?
- Perante o espanto e a admiração geral, a blogosfera portuguesa veio mostrar que há pessoas, desalinhadas com o pensamento único ditado pelo politicamente correcto, que pensam pela sua própria cabeça e que não se conformam com a ditadura cultural consentida por um sistema que há muito entregou aos intelectuais de esquerda a hegemonia cultural. O sistema trata da economia e dá de mão-beijada as artes e as letras a esses intelectuais. Uns e outros, ficam todos contentinhos com o acordo.
5 - O que espera ainda da blogosfera?
- Tudo. Pois só aqui Portugal poderá recuperar as tradicionais liberdades (que não a fictícia Liberdade) que nos foram legadas por D. Afonso Henriques e seus cavaleiros e que se têm vindo a perder irreversivelmente de há 200 anos para cá. Ena pá!, o que eu fui dizer...
6 - A forma mais eficaz de fazer política passa por dizer que não se faz?
- Não sei, eu não faço política...
7 - Comente as seguintes afirmações:
a) Só pode progredir o que permanece.
- Sem dúvida. Resistir é vencer, e vencer corporiza-se na belíssima imagem de um homem de pé entre as ruínas. O futuro é feito do que permanece depois de evaporada a espuma dos dias. Esse caudal que avança — de geração em geração —, unido por um invisível fio-condutor, é a Tradição. É por aí que vou.
b) Bloguismo rima com narcisismo.
- Já se sabe que bloguismo rima com diarismo; no entanto, importante é ter consciência que bloguismo rima com activismo: os blogues são as catacumbas do nosso tempo.
c) A internet abriu o caminho a um gramscismo tecnológico.
- Percebo pouco disso... Mas, a despropósito, apetece-me dizer, para rematar, que só haverá mudança de paradigma político se existir um ambiente cultural propício. Este, terá de ser necessariamente enformado por uma nova estética. Para mal dos nossos pecados, a esquerda percebeu isso no século XVIII. Reedificar a comunidade nacional orgânica, assente em valores tradicionais, que tem vindo a ser destruída desde aí, será tarefa só possível através da argamassa cultural fabricada na internet.

segunda-feira, 21 de janeiro de 2013

NO DIA DOS 6 ANOS DO BLOGUE


Saudade

Para o João

Um texto para o aniversário de uma casa blogosférica de um amigo, que frequento amiúde, corre sempre o risco de se tornar um exercício laudatório desprovido de qualquer interesse. Vou tentar evitá-lo; é apenas o que prometo.

O meu encontro com o João foi há mais tempo do que é possível contar. Nestas Eternas Saudades do Futuro encontro-o sempre que quero – sempre igual a si próprio. E encontro-me com ele na Cultura, seja no Cinema, na Fotografia, na Pintura, nos livros – sempre os livros – e, claro, em Portugal, numa História que nos une, numa identidade que nos marca, numa essência que é nossa.

Escreveu António Quadros que “a saudade do futuro é uma paixão que animou toda a nossa história, como inspira toda a nossa cultura, fautora de acertos ou de erros, mas sempre omnipresente. O hoje é uma passagem evanescente entre um ontem que remonta às origens e um amanhã que é para nós mais, bem mais do que um mundo simplesmente melhor do que este, é um reino da primazia do espírito e dos seus valores, para o qual, consciente ou inconscientemente, trabalha tudo o que em cada um de nós é altruísta, dadivoso, generoso, visionário”. Como o João encarna na perfeição estas sábias e profundas palavras! O nome do seu blog não é um acaso, é uma exactidão.

Podia rever todos os bons momentos que passámos, mas para mim, como para ele, as saudades são do futuro.


Duarte Branquinho

quinta-feira, 4 de outubro de 2012

DO MELHOR QUE PODEMOS LEVAR DESTA VIDA

O almoço da melhor tertúlia gastronómico-literária de Lisboa teve hoje como convidados especiais dois colaboradores deste blogue: o Francisco Cabral de Moncada, que aqui assinou a sua coluna semanal «Sem Agenda» durante 6 meses, e a Leonor Martins de Carvalho, que escreve nesta casa vai para 1 ano a sua crónica das sextas-feiras «Carteira de Senhora». Razões mais do que suficientes para os leitores do Eternas Saudades do Futuro irem espreitar o Jovens do Restelo e aceitarem lá o nosso desafio a propósito do referido encontro deste dia. A porta de entrada é por aqui.

quinta-feira, 28 de abril de 2011

BLOGUE DO DIA (146)

Pena e Espada, de Duarte Branquinho.

Destaco-o, por fazer hoje 7 anos; o que, como quem anda nestas coisas da esfera dos blogues sabe, é obra! Além do mais: é um blogue para ser lido dos 7 aos 77!