sábado, 4 de junho de 2011

CATARINA SAYS...


laço. composto. atado com cuidado, dedicação e gosto.
feito de propósito para ficar bem e bonito.
e acima de tudo para que se mantenha.
dos nós não digo o mesmo: os nós criam se em confusões..é pra que não se desfaça o emaranhado da confusão, sem sentido.
por isso ser confusão. trapalhada atada em si mesma..
tem nós que são cegos, de tão fechados em si mesmos.
insistem em ficar. parece que gostam de ser assim.
os laços são extensíveis. podem ser elásticos até. estão bem resolvidos.
os laços somos nós.
os nós não são laços.
desconto os nós que formam laços, propositados, que garantem a segurança e que são úteis.
a esses chamo os nós direitos. os nós que somos nós...

Catarina Hipólito Raposo

domingo, 29 de maio de 2011

CATARINA SAYS...








Olhamos, perguntamos, procuramos, mas nada parece ser mais importante que a cor dos olhos.

São os olhos que dizem tudo.

A expressão de um olhar tem em si a possibilidade de todas as palavras do mundo, e mesmo assim não chegam por vezes, para descrever um olhar.

Os olhares quando do fundo, trocam-se na mesma medida. Só assim podem comunicar justa e encontradamente.
Mas não é fácil às vezes assumir o silêncio que pede um olhar de segundos, que no entanto pode ser eterno.
"Fui ao ver-te, tudo o que vi" escreve alguém que admiro pela posse das palavras que me dá a ler, e a reter.
Num olhar de segundos, trocado, cruzado, igualado, o mundo pára estanque, como se nada mais existisse do que esse momento. Tudo o que se vê nesse tempo, são os olhos do outro espelhando a alma.
É talvez por isso que todas as palavras não cheguem, porque, como se descreve afinal a sensibilidade da alma? São os olhos mesmo, o espelho da alma? São. Todos sabemos que sim, mesmo que por vezes tentemos escapar a essa radiografia, dizendo palavras soltas, impensadas ou pensadas, para não comprometer a soltura da alma.
Os olhares vêm com legendas.
Contam que o coração bate, que a alegria é imensa, ou que a tristeza também.
Ontem num instante apareceu-me um arco íris, estava como suspenso na minha janela.
Foi a exactidão do momento. Foram os olhos de Deus ali, em mim. Os olhos de Deus têm todas as cores, por isso eu soube.
Olhos de surpresa e alegria tive eu seguramente pelo espanto do momento. Era sim a minha alma a registar. Para sempre. Agradecendo.
Nesse instante foi tudo o que vi, foi tudo o que senti.

Catarina Hipólito Raposo

segunda-feira, 23 de maio de 2011

CATARINA SAYS...






A vida é arte do encontro. (embora haja tanto desencontro pela vida)


Dizia, escrevia o Vinicius.
Diz quem sabe da vida, a troco do preço da Vida no que ela traz de encontro e desencontro também.
A arte do encontro tem encontro marcado com a tela da vida.
Para os encontros temos de estar acordados. Descentrados de nós e abertos aos outros. A magia da vida trata do resto: Porque a geografia do lugar, o compasso do tempo e a geometria do espaço já estão desenhados em papel vegetal por cima do nosso mapa.
Quando os encontros se fazem, toca o alarme por todos os lados.
Sabemos de dentro de nós, que aquela pessoa veio para ficar. Veio para marcar terreno nos nossos dias, seja de que forma for, e porque razão for.
O encontro com os outros gera o encontro connosco: revemo-nos na linguagem, numa frase, num sorriso, numa música, nos sapatos, no olhar, na atitude..não importa.
Os encontros são equações com denominadores comuns. Estamos ligados e por isso nos encontramos.
Os encontros são abraços invisíveis, e ás vezes visíveis, à mão de semear.
Os encontros são autoritários nisto: Não se marcam, encontram-se.
Basta estar acordado.


O Paraíso encontra-se nos perdidos e achados.

Catarina Hipólito Raposo

domingo, 15 de maio de 2011

CATARINA SAYS...





Pessoas grandes que nos fazem grandes.

A Luisa durante muito tempo entrou em mim. Sabia mais de mim do que eu. Porque me via de fora, vendo de dentro. E foi por isso uma enorme ajuda.
A ela contei os meus segredos em voz alta. Sairam de mim sem fronteiras, directos para o espaço que foi nosso durante 3 anos de frequência constante. Saíram de mim, para nunca mais voltarem. Limparam-se as feridas e assim se curaram. Fui ficando mais leve. Fui ficando mais direita, de olhos em frente, a aprender que vida se vence e se abraça ao largo.
Somos as nossas circunstâncias.
Somos o que fomos, e alegria é a de saber que podemos ser agora o que queremos.
O passado já não pesa, porque já passou.
Muitas vezes quis abraçar a Luisa. Era sempre (por questões éticas) um abraço imaginário, mas estava lá na corrente das coisas que a gente sabe, mesmo que invisíveis...
A Luisa contou-me a minha história em preto e branco. Porque na altura eu vivia num nevoeiro.
A Luisa lembrou-me que o Céu tem cor, e que os papagaios de papel voam livres, que é bom comer chocolate, que as mimosas cheiram bem mesmo que sejam amarelas, e que a música é para ser ouvida no carro aos berros.
Muitas vezes penso nela. Estará a pintar as vidas de outras pessoas, com uma tela de cores infindável.
Para sempre, obrigada Luisa.


Catarina Hipólito Raposo

NOTA EDITORIAL

Por causa de um problema técnico que afectou este blogue, a coluna semanal «Catarina Says...» só agora irá ser publicada.

sábado, 7 de maio de 2011

CATARINA SAYS...





"Ao desígnio da matéria opõe-se um outro,
Onde o perfume da eternidade é tão intenso que basta fechar os olhos para a ver"

Partilhar está na ordem do dia. Partilhar deve ser a palavra posta em pratica sem hesitações.
Partilhar é dar o que se sente.
Ordenar a ordem da realidade na partilha da verdade.
Estamos ligados, não estamos sozinhos.
Que a globalização sirva exactamente para contrariar as ilhas do individualismo, e que se desenhe através dos meios que temos, (e não são poucos, diga-se) um mapa mundo de comunicação comum.
De que serve guardar para nós, as coisas boas que temos, que pensamos, que criamos, que imaginamos? Não nos leva a lugar nenhum, porque os outros não nos adivinham...A partilha é o oposto disto, é dar o que sabemos pensar, é deixar entrar os outros nos nossos sonhos que assim se tornam mais possíveis, é estar atento e multiplicar.
A partilha gera partilha, e assim se contagia.
Este é o networking que vale a pena, pelo encontro e mais valia que surge, no reconhecimento de não sermos únicos, sendo, mas pelo resgate da compreensão dos outros por nós.
E depois é escolher, porque na liberdade de expressão que temos, em boleia gratuita, podemos escolher quem queremos pela diferença ou igualdade de pensamento, de atitude.
É muito através dos outros que crescemos aprendendo. Há pessoas no meu mapa que já sei que não abro mão. Porque passaram a fazer parte dele. E preciso dessas pessoas para que a minha vida se ria e respire melhor..
Só me faz sentido que assim seja. Não vale tudo, claro. Não se dá ao desbarato impondo as nossas regras aos outros. Eu falo de partilha humilde, falo de dar o melhor que sabemos e temos, porque algures alguém pode vibrar e crescer com isso.
É evidente que a partilha requer transparência acima de tudo. Requer que se assuma o que se é numa verdade estanque e sem batotas. Essa contabilidade interna que podemos todos fazer, quando nos apetecer sem cobranças, sem facturas.
E esta é a verdadeira liberdade: a da escolha.
Mas, para se escolher, é preciso estar aberto e mostrar o que se é.
A Alma não se deve poupar num acto egoísta ou solitário...para a Economia da Alma, existe igualmente a lei da oferta e da procura, ou seja: dar e receber e assim evoluir.
Numa medida equilibrada e ponderada.

Partilhar é dar de nós, é o direito nosso e dos outros de existir assim mesmo. E sê-lo. Percebemos assim melhor para que serve a eternidade. Ficamos mais perto de nós, através dos outros.

Catarina Hipólito Raposo

sábado, 30 de abril de 2011

CATARINA SAYS...





Há lugares que nos fazem voltar sempre ao mesmo sítio, dentro de nós.
É como se fosse sempre a primeira vez, na descoberta confirmada das sensações que se revelam no verbo espantar.
Sempre que ali volto, percebo mais e mais, porque gosto tanto.
E talvez por isso de cada vez que sei que vou voltar, tudo em mim se prepara abertamente, para o que vou receber. Quando revejo a paisagem, que já é antiga em mim, no álbum de fotografias interno, surpreende-me a euforia, revelada em agradecimento que silenciosamente faço, pela beleza das coisas que se mostram a nós tão gratuitas, apenas porque existem assim.
O espanto hidrata, por via dos sentidos.
Sinto-me viva, muito acordada naquela praia, naquele Alentejo que sempre confere, com a expectativa que levo sem medo.
Aberta ao que sei, vou como num sonho. Volto sonhada, cheia e hidratada. Até que o tempo e as obrigações, me dêem tempo para outra vez voltar.
Os sonhos, da realidade, são terras prometidas para cultivar desejos à mão de semear.
As sementes são então desejos com certificado de garantia.
Há momentos, paisagens, pessoas, cheiros, sons, e cores, que juro eternos, porque se reflectem em mim, e perpetuam-se sem fim. Através deles sinto vida para sempre.


Catarina Hipólito Raposo

sábado, 16 de abril de 2011

CATARINA SAYS...




A MÚSICA DESAGUA NA NASCENTE, ONDE O CORAÇÃO NUNCA ENVELHECE.

Tenho sorte. Gosto de musica. Gosto tanto que não vivo sem.
Penso, vivo e sonho música.
Traz alegria todos os dias aos meus dias.
A música renasce-me. Porque me toca directo ao coração. Pode ser num genérico dum filme, num concerto de rock, na telefonia, ou no disco que escolho de propósito para aquele momento que invento.
Admiro quem com 7 notas escreve e desenha harmonias de sons que contam uma história.
Porque, quando se trata de criar, uma história do que se sente está lá sempre.
Hoje pensava no alento que tenho em saber, que também a música é infinita: pode não acabar nunca de se inventar.
Pode não acabar nunca de se ouvir, até se querer.

Apanho boleia da música, e ponho-a dentro de mim.
Canto alto a inventar, e às vezes não sei onde vou parar.

Cargas do mesmo sinal também se atraem:
Sei declaradamente que amo mais, quem ouve o mesmo que eu.
É tudo afinal uma questão de sintonia.

Catarina Hipólito Raposo

sábado, 9 de abril de 2011

CATARINA SAYS...




A resistência à dor é sensível ao amor.
Perguntas sem resposta à letra.



onde estás? para onde vais? de onde vens? o que te faz rir, e chorar? o que fizeste?
qual o sentido do teu coração?
qual a direcção? porque sentes assim? porque foges? porque procuras o que não há?
porque complicas? porque disseste e não fizeste? o que te eleva?
o que te põe contente?
o que te faz ser gente?
o que te enche as medidas? o que te tira do sério? o que te aquece?
como sabes? o que queres afinal?
não sabes. pois, bem me parecia.
ora então, não te perguntes. sente, porque assim és gente.
vive, porque assim os dias se fazem leves. deixa te ir, só sabes o bom, se fores.
sabes o que sei?
é que somos maiores do que pensamos, mais fortes do que imaginámos, mais capazes do que julgamos,
mais heróis quando nos surpreendemos,
mais frágeis
porque deixamos...e assim o coração nosso vai e volta cheio,
porque contente está.

E valeu a pena?

Catarina Hipólito Raposo

sábado, 2 de abril de 2011

CATARINA SAYS...



Está mais do que provado que o coração se oferece.
Voluntariar : É dar e voltar a dar, recebendo no que se dá.

Tinha um mês de férias sem destino.
Olhava para o mapa do mundo buscando inspiração magnética.
Um dia chegou ao pé de mim: Vou para a India, disse-me.
Partiu esta semana. Meteu-se num avião rumo á India- Calcutá.
Foi daqui para lá, dar o seu tempo, as suas mãos, o seu coração, a sua alegria, a sua ternura. Tudo gratuito.
Dar de si, do que vem de lá de dentro.
Efeito multiplicador: numa equação lógica de que quanto mais se dá mais se recebe, só por se dar assim, a quem não se conhece, a quem nunca se viu, mas que precisa.
E isso basta.
Partiu no incerto:
- Posso ter de fazer tudo, dizia-me: tratar de doentes, dar de comer, consolar quem está perdido, olhar nos olhos pelo alento, tocar e abraçar, dignificar o sofrimento alheio com alegria.
Dizia-lhe eu: olha bem para os olhos deles. Têm mesmo a alma espelhada. Existe algo de eterno neles.
Pedem tudo sem pedir, sem nada lhes ser devido, respeitando a tua capacidade e agradecendo na mesma.
Existe naquele povo uma liberdade muito grande. Porque existe na enorme miséria, em que tropeçamos constantemente, a noção de que a vida por si só é uma dádiva.
O respeito é a palavra de ordem neste país. Aceitação da vida como ela é. Numa humildade exemplar.
Com uma espiritualidade que é a razão de todos os corações.
E esperança lá dentro, que um dia na soma de todos os outros, as coisas vão ficar melhores.
Não vais voltar o mesmo. E ainda bem. E, eu fico a gostar ainda mais de ti.

Lições de vida aprendidas, lições de vida que nos caem aos pés.
Cada viagem desejada é um coração (ou mais) que vai para o saco.
Um dia regressa-se com excesso de bagagem. Sem taxas.

Catarina Hipólito Raposo

sábado, 26 de março de 2011

CATARINA SAYS...




amor é quando a gente mora um no outro...
(daí sentirmo-nos em casa)



- trim trim


- quem é?


- sou tu. posso entrar?


- se és eu, já estás cá, entraste.


- venho lembrar-te que um dia vamos passear de balão.


- vamos. ver o mundo com os nossos olhos, de cima do alto.


- é o balão que nos leva na mesma direcção.


- quero ir contigo prò mundo seja em que direcção for...quero tu porque tu és eu.


- o mundo contigo será melhor, porque nos cumprimos num só.


- onde me viste?


- sempre por aí..


- onde me achaste?


- no lugar de sempre, onde estavas.


- o que mudou?


- foi o vento, e a estação do tempo.


- nada mudou afinal, tudo está igual, porque eu sempre soube. e agora contei-te o meu segredo.


-então foi isso que mudou..


-sim, acrescentou-se foi isto.


- isto é nós.


-é. nunca de mais até.


- amo-te. de sempre.


-amo-te. p'ra sempre.


Catarina Hipólito Raposo

sábado, 19 de março de 2011

CATARINA SAYS...






O Plano alto é afinal, o lugar de todas as viagens.
Aqui se descobre então a linguagem dos deuses....
Hoje era para ser assim, e foi.
Quando os dias se prometem assim, parece mesmo que não caibo em mim.
Os anúncios e os avisos chegam, como telegramas encomendados.
Gozo por antecipação, como me preparando, para nada de nada esquecer, e viver plena aproveitando.
A medida minha transborda e tropeço, tropeço de ternura e alegria, não não tropeço afinal..antes me sinto a voar.
Então com os avisos digeridos, acordo hoje para o dia. Sabendo que ia ser assim.
Acordo contente, e receptiva de braços todos abertos. Venham os presentes, porque eu quero mesmo recebê-los....
Dia do Pai + Dia de Lua Maior + Véspera de Equinócio + Sol que promete brilhar na subida da temperatura...
Como posso não estar contente e cheia de tanto festejo num só dia? Agradecendo e vivendo, ou vivendo e agradecendo...desde logo. Viva me sinto de tanta vida à minha volta.
Fui para a praia, luz solta, em nada contida. O mar em chão azul que varre a areia, as ondas estão descansadas. O cheiro que estava guardado daquela praia desde o Verão..bebo cerveja e rio-me, entrego.
Volto para casa, com um fito: vou então procurar a Lua.
O céu estava desenhado, como se um cenário fosse, estrelas por todo o lado suspensas que aplaudem, e eu olho-a, A Lua Maior majestosa e segura.
Estou aqui para que me vejas, parece dizer-me em segredo. A infinitude da Lua, posta em mim naquele momento.
Tem dias assim que nos sentimos imortais, porque perpétuamos em sentimento a beleza das coisas simples.
Tem dias que nascem para nos mostrar que a alegria nos faz maiores.
Festejo a vida, que me acolhe num abraço sem fim.
Catarina Hipólito Raposo

sábado, 12 de março de 2011

CATARINA SAYS...




A PROFUNDIDADE DA INDIFERENÇA É ALÉRGICA À FLOR DA PELE.
MANIFESTAR - É DAR VOZ AO QUE SE SENTE.


DAR VOZ AO QUE SE SENTE DE BEM OU MAL É UMA FORMA DE LIBERDADE.
LIBERDADE DA EXPRESSÃO PELA EXPRESSÃO.
DEVEMOS ISSO A NÓS PRÓPRIOS POR UMA QUESTÃO DE RESPEITO E
CONSIDERAÇÃO AOS SENTIMENTOS DE CONTENTAMENTO
OU DESCONTENTAMENTO QUE NOS HABITAM, A VIDA NA ALMA, NO CORPO E NO ESPÍRITO.
PORQUE UMA SOLUÇÃO SATURADA É UM PROBLEMA, TEMOS DE AGIR E ENFRENTAR A CAUSA,
A ACREDITAR QUE A NOSSA VOZ COMUNGADA COM A DOS OUTROS, FARÁ A AGULHA MUDAR.
MUITAS VOZES A FALAREM DO MESMO TÊM MUITO MAIS FORÇA DO QUE UMA SÓ.
MUITAS VOZES EM CORO, OUVEM-SE MELHOR E CONTAGIAM A VONTADE.
AQUILO DE SER MORNO PELA INDIFERENÇA NÃO DÁ.
O MORNO NÃO TEM SENTIDO PORQUE NÃO TEM ALMA. NÃO FALO DO SILÊNCIO,
FALO SIM DA INDIFERENÇA EGOÍSTA QUE NOS LEVA A FICAR QUIETOS
E A ENGOLIR A CUSTO AQUILO DE QUE DESISTIMOS SEM TER TENTADO,
SÓ PORQUE SIM.


POR ISSO VAMOS, DEVEMOS IR. DAR O CORPO, A ALMA E A VOZ AO MANIFESTO.
FICAR CALADO, NESTE CASO, É CONFORMAR-SE, É DIZER QUE SE ACEITA,
AQUILO QUE NÃO SE ACEITA.
IR EM FRENTE, PARA MUDAR, IR EM FRENTE PARA RECUSAR O ESTADO DAS COISAS,
QUE JÁ NEM TÊM ESTADO - DE TÃO POUCO CONSISTENTES QUE SE TORNARAM.


OS OUTROS NÃO NOS ADIVINHAM, NÃO SABEM O QUE SABEMOS,
NEM O QUE SENTIMOS SE CALARMOS A VOZ.
DAR VOZ À VOZ É ESTAR VIVO, É REVELAÇÃO DA FIDELIDADE A NÓS MESMOS.
TORNAMO-NOS MAIS FORTES POR ISSO.
PORQUE NOS CONFIRMAMOS, ATRAVÉS DE NÓS E DOS OUTROS.


MAIS DO QUE UM DIREITO - ESSE É UM DEVER, NOSSO,
E DOS OUTROS QUE FAZEM PARTE DO MAPA.
A ENERGIA CONVIDA À SINERGIA.VAMOS? JÁ LÁ ESTAMOS.
Catarina Hipólito Raposo

sábado, 5 de março de 2011

CATARINA SAYS...




Justificar completamente
EM CADA MUNDO, AS VONTADES DESENHAM OUTROS MUNDOS
E ASTROS PARA OS AQUECEREM.
É SUPOSTO VIVER-SE UNIVERSALMENTE, ASSIM.
é suposto e vive-se. ou vivo, eu. se bem que por vezes os astros parecem não ter o aquecimento ligado.
porque os outros mundos podem não reger-se pelo mesmo termóstato.
é aí que as temperaturas diferem, num desencontro silencioso, sem linguagem que caiba.
porque a liberdade gera a hipótese de não se escolher as estrelas como luz de fundo, ao fundo do fundo de nós,
que sabemos que, se quisermos podem lá estar sempre.
as vontades desiguais, gerem por vezes mundos desiguais, porque outros.
vale-nos a diferença essa, pelo consolo de saber que não são nunca intermitentes os focos de luz que as estrelas nos dão.
Vai dar tudo ao mesmo afinal... porque de uma outra forma todos procuramos o mesmo, só que uns sabem disso, à velocidade da luz, outros não..
os foguetões não andam na mesma velocidade..
mas que interessa isso afinal, se a linha do horizonte está lá sempre à nossa frente... universalmente assim..
P.S.- ..."a temperatura ambiente cuida do amor à primeira vista!"
Catarina Hipólito Raposo

terça-feira, 1 de março de 2011

REVISÃO DA MATÉRIA DADA AO SÁBADO

«Catarina Says...», por Catarina Hipólito Raposo.

sábado, 26 de fevereiro de 2011

CATARINA SAYS...


Es-colher é semear
A vidaJustificar completamente leva-se a escolher. Sabemos isso desde logo. As escolhas fazem parte do caminho:
qual a cor preferida, qual o brinquedo eleito, qual o clube de futebol, se queremos croquetes ou feijoada, se gostamos mais de praia ou de campo, se a musica é rock, pop, clássica ou outras.
Na medida em que não temos a capacidade de tudo ter, de tudo fazer, de tudo acontecer, passamos a vida a tomar decisões, a escolher, o que se quer colher.. decidir é semear. É semear apostando na escolha, acreditando que por ela, pomos tudo e encontramos mais de nós em nós.
Livre possibilidade nas escolhas que são possíveis.
Uma vez feita e realizada a escolha, sobra o contentamento de a viver na certeza de saber que aquela era, ou é, a melhor. E a melhor escolha é invariavelmente a que nos faz sentir melhor.
Vou por ali, porque a luzinha verde dentro de mim me diz em voz baixa:
"por ali é melhor, mesmo que não seja mais fácil"- a verdade da escolha, na escolha da verdade.
Nem sempre se deve seguir à risca as escolhas espontâneas e tentadoras que se nos deparam.
Seguir à risca pode ser arriscado. Andando na Vida, e escolher para semear, na vantagem do tempo mestre que quanto mais passa, mais nos ensina.
E assim, a favor do vento ou em contra luz, a ideia na escolha reluz.
Catarina Hipólito Raposo

domingo, 20 de fevereiro de 2011

REVISÃO DA MATÉRIA DADA I

«Catarina Says...», por Catarina Hipólito Raposo.

sábado, 19 de fevereiro de 2011

CATARINA SAYS...


Paint the sky, make it yours.


DIGITALIZADA, A NOSTALGIA DEVERIA CONSUMIR-SE SEM GRANDE ESFORÇO.
Há vezes, que são cada vez mais raras, em que a tristeza invade o dia e a noite, a memória como um livro de capa preta assume o tempero e comanda o meu estado, manda-me imagens e sensações velhas como se as estivesse a viver agora.
Sem saber como nem porquê, perpetuam-se numa noite que parece não querer acabar e variam a sensação do eterno com luz.
É como se o eterno que não imagino fosse um túnel escuro, do qual não acho a saída.. depois adormeço numa espécie de consolo sabendo que o dia vem, e a luz também.
Mas, na contagem dos dias quase todos, o eterno tem sempre Luz.
Porque para mim a nostalgia tem romantismo lá dentro.
Assim a digitalizo.
É afinal a única forma que conheço, e sei, de guardar as coisas na Alma.
Nostalgia misturada com saudade, faz-me rever a matéria.
E tudo por causa da memória.
A memória é como uma máquina, um motor de busca interna que nos apresenta as sensações de ontem ou de muito longe, numa moldura de hoje.
Nos botões da memória minha, revejo cheiros e sabores, músicas e cores, paisagens e vozes, pessoas e lugares.
É me dado saber por aí, que tudo isso que revejo foi vivido por mim.
É a minha história de vida registada em contextos e cenários que me fazem tanto sentido, porque através desse álbum percebo onde estou e como cheguei aqui.
Somos de facto as nossas circunstâncias.
Únicos responsáveis pela felicidade, os desejos vão sendo espalhados pelas paredes da minha casa.. e assim vivo, contente.
Catarina Hipólito Raposo

sábado, 12 de fevereiro de 2011

CATARINA SAYS...

ser pássaro, é ser mais alto.
Do lugar alto, a paisagem inventa-se. Ou, tudo se emoldura à passagem do olhar.
Porque gostava muito de voar, olho muitas vezes os pássaros...
Os pássaros são um bocadinho donos do Céu, só porque estão mais perto.
Percorrem as alturas e vêem-nos de cima. Acredito que são livres porque nessa perspectiva relativizam melhor a importância ou a insignificância das coisas.
É sempre uma questão de foco.
Vendo de perto tudo parece maior, mais pesado. Vendo de longe, sem fugas, vê-se com mais distância, vê-se com mais luz, com mais clareza.
Tem vezes que imagino ver o mundo dessa altura, basta elevar-me. E quando isso acontece a leveza toma conta dos pesos que deixam de ser pesados.
Quantas vezes olhamos a paisagem? Quantas paisagens olhamos de uma vez?
Um ano, um dia, uma hora, têm de diferente o que parece igual.
Um dia ao começar, parece um ano. Um ano ao acabar parece um dia.
Quem não sabe às quantas anda, às tantas é melhor parar, ver, ler, escrever, ouvir, e olhar o Céu.
Olhar de baixo para cima, não é o mesmo que olhar de cima para baixo.
Às vezes é preciso imaginar que temos asas. Ganhamos na vantagem de podermos sentir o que vimos, seja de que degrau for.
Os pássaros, gosto deles, porque me lembram a possibilidade de o fazer, na liberdade da escolha.
Começo a ver de perto o que podia ver ao longe e vice versa.
Assim foi, o passado fim de semana, num Alentejo nosso:
estava tudo á vista, numa dádiva gratuita, que só a Natureza sabe ser.
O Céu estava por conta, como se nos agradecesse o facto de estarmos ali.
Afinal o dia não acabava só deste lado..
Catarina Hipólito Raposo

sábado, 5 de fevereiro de 2011

CATARINA SAYS...



Injustamente, o homem justo tem de se ajustar à falta de justiça.


"Calam-se as vozes da razão, ressoam mais alto as do lucro, com a astúcia dos seus disfarces:
os homens abandonam a linguagem articulada,
para se reduzirem a ventríloquos na grande
feira das vaidades e dos interesses,
em que não é possível descobrir apóstolos de fé e exemplo, mas vendedores de palavras."


Hipólito Raposo, 1940


assim escrevia o meu avô...escreveria hoje igual caso pudesse.


A questão é quase sempre a mesma. O pior o mais caro de todos os vícios, a vaidade.
A vaidade é vaidosa, por isso é tão difícil sair dela.
Vaidade fútil do ter: achar-se quem se acha dono do mundo, dos outros, das coisas, das verdades.
Vaidade cega, surda e muda.
Vaidade viciante, de quem nada tinha, e julga tudo ter, por causa do poder.
Como se fazem os acertos na contabilidade analítica interna de todos nós?
Fazem-se a acertar em nós, aquilo que não gostamos de ver nos outros.
Depois, vem alento, porque nos é dado sempre saber, que de uma ou outra forma,
num qualquer dia desigual,
o mais importante no fundo, está no Alto.
Esta é a maior verdade: totalmente isenta de vaidade. Daí ser verdade.

Catarina Hipólito Raposo