domingo, 6 de março de 2016

DA GENEALOGIA [8.º AVÔ FRANCISCO]

Francisco Cordeiro Vinagre
(n. Vila Viçosa, Nossa Senhora da Conceição, bp. Borba, Santa Bárbara, 26.12.1678 — m. c. 1750)

Coronel. Quartel-Mestre-General. Engenheiro-Militar. Cavaleiro da Ordem de Cristo. 

Filho de Francisco Fernandes Cordeiro (n. Borba, Santa Bárbara, c. 1640 — m. Vila Viçosa, Nossa Senhora da Conceição, 16.08.1690), Alferes, e de D. Maria da Conceição (n. Vila Viçosa, Nossa Senhora da Conceição, c. 1640).

Nasce na freguesia de Nossa Senhora da Conceição, de Vila Viçosa, mas é baptizado na de Santa Bárbara (actualmente extinta e anexada à Matriz), de Borba. Tem como padrinho Fernando de la Masure, Cônsul da Flandres, e madrinha Dona Margarida Teresa de Macedo Milles.
Tem sete irmãs.

Casa, pela 1.ª vez (Lisboa, Lisboa, 1703), com D. Maria Ana Teresa Furtado de Mendonça [surge em vários documentos também como D. Maria Ana Teresa Furtado, ou D. Mariana Furtado de Mendonça, ou D. Mariana Furtado, ou D. Mariana Teresa Furtado] (n. Lisboa, São Julião, c. 1680 — m. Montemor-o-Novo, Nossa Senhora do Bispo, 26.09.1716). Está sepultada no Convento de Nossa Senhora da Conceição, na atrás referida freguesia do óbito].
Tem, pelo menos, quatro filhos (dois rapazes e duas raparigas), do 1.º casamento.

Casa, pela 2.ª vez (Lisboa, Santa Engrácia, 04.10.1723), com D. Leonor Joana da Silveira (n. Sousel, Sousel, bp. 23.11.1700 — m.), filha do Doutor Jerónimo Moreira de Carvalho (n. Estremoz, c. 1673 — m. c. 1748), Médico dos Exércitos da Província do Alentejo e Físico-Mór da Gente de Guerra do Reino Algarve, e de D. Rosa Maria da Silveira (n. Sousel, Sousel, bp. 11.09.1673 — m. Sousel, Sousel, 09.02.1715).
Tem, pelo menos, dois filhos (dois rapazes), do 2.º casamento.

E tem, além do já falado Doutor Jerónimo Moreira de Carvalho, como principais amigos, os seguintes vultos:  José da Silva Pais, Coronel, Engenheiro, Administrador colonial, Fundador da cidade de Rio Grande, Governador da Capitania de Santa Catarina; João Bressane Leite, Superintendente da Contadoria Geral da Guerra; D. Fernando Mascarenhas, 2.º Marquês de Fronteira, Governador das Armas do Alentejo; D. João de Sousa, 3.º Marquês das Minas, Tenente-General de Cavalaria. Sobre as aventuras e desventuras de toda esta extraordinária plêiade, aqui darei em breve algumas notícias.

Bibliografia e Arquivos:
- História Orgânica e Política do Exército Português, Cristóvão Ayres de Magalhães Sepúlveda, Imprensa Nacional, 1929.
- D. João V e a Arte do Seu Tempo, Armindo Ayres de Carvalho, Edição do Autor, 1962.
- Memórias de Vila Viçosa, José Joaquim da Rocha Espanca, Câmara Municipal de Vila Viçosa.
- Grande Enciclopédia Portuguesa e Brasileira
, Editorial Enciclopédia, Lisboa e Rio de Janeiro, 1936-1960.
- Revista de História das Ideias, Universidade de Coimbra, 1999.
- Gazeta de Lisboa, 1833.
- Arquivo Distrital de Évora.
- Arquivo Distrital de Portalegre.
- Arquivo Paroquial de Santa Engrácia (Lisboa).
- Registo Geral das Mercês do Reinado de D. João V.
- Arquivo Particular de João Miguel Costa Pinto Marchante (Autor do blogue Eternas Saudades do Futuro e desta síntese biográfica sobre Francisco Cordeiro Vinagre).


quarta-feira, 30 de março de 2016

DA GENEALOGIA [BISAVÔ MARIANO E SEUS/MEUS ANTEPASSADOS MOREIRAS ALENTEJANOS]

I — SEBASTIÃO CARVALHO (nasce cerca de 1600)
Casa com D. FRANCISCA LUÍS (nasce cerca de 1600).
Tiveram, pelo menos, o seguinte filho:

II — FRANCISCO CARVALHO [que também é referido como FRANCISCO DE CARVALHO, entre outros sítios, na obra Biblioteca Lusitana de Diogo Barbosa Machado e no registo de casamento de seu filho Jerónimo Moreira de Carvalho (tratado a seguir)] (n. Estremoz, Santo André, c. 1635).
Casa, em Estremoz, Santa Maria, aos 27.03.1656, com D. MARIA FERREIRA [que também é referida como D. MARIA RIBEIRA, entre outros sítios, na obra Biblioteca Lusitana de Diogo Barbosa Machado e no registo de casamento de seu filho Jerónimo Moreira de Carvalho (tratado a seguir)] (n. Estremoz, Santa Maria, c. 1635), filha de António Fernandes e de D. Catarina Ferreira.
Tiveram 6 filhos, entre os quais este com quem seguimos:

III — JERÓNIMO MOREIRA DE CARVALHO (Estremoz [Santo André ou Santa Maria], c. 1673 — c. 1748). Médico, Cirurgião e Escritor. Formado em Medicina pela Universidade de Coimbra (1697). Médico do Partido da Universidade de Coimbra, Médico dos Exércitos da Província do Alentejo, Físico-Mór da Gente de Guerra do Reino do Algarve. Médico em Sousel e em Lisboa (nas Cortes de D. Pedro II e D. João V). Compôs uma massa, que intitulou «Pedra de David», com a qual curou várias doenças e a ele se deve o primeiro tratamento para problemas de uretra. Escreveu e traduziu vários livros, de Medicina, Cirurgia, História e Romances de Cavalaria, entre os quais se destacam as seguintes publicações: Método verdadeiro para curar radicalmente as carnosidades (Lisboa, 1721), História do Imperador Carlos Magno e dos doze Pares de França (Lisboa, 1728), História do Grande Roberto, Duque da Normandia e Imperador de Roma, etc. (Lisboa, 1733), História das Guerras Civis de Granada (1735).
Casa, 1.ª vez, no concelho e freguesia de Sousel, aos 22.09.1699, com D. ROSA MARIA DA SILVEIRA (Sousel, Sousel, baptizada aos 11.09.1673 — Sousel, Sousel, 09.02.1715), filha de Manuel Madeira Gil (Sousel, Sousel, c. 1640 — Sousel, Sousel, 28.10.1717), Cirurgião, e de sua mulher D. Brites da Silveira Fidalga (Sousel, Sousel, c. 1640 — Sousel, Sousel, 19.11.1712).
Casa, 2.ª vez, depois de viúvo, em Lisboa, Santa Engrácia, 04.10.1723, com D. Isabel Teresa Cordeiro (Vila Viçosa, Nossa Senhora da Conceição 07.01.1672), filha de Francisco Fernandes Cordeiro (Borba, Santa Bárbara, c. 1640 — Vila Viçosa, Nossa Senhora da Conceição, 16.08.1690), Alferes, e de D. Maria da Conceição (Vila Viçosa, Nossa Senhora da Conceição, c. 1640), e neta pela parte paterna de Manuel Fernandes e de D. Catarina Cordeiro, casados em Borba, Santa Bárbara, em 1638.
Do 2.º casamento não teve filhos.
Do 1.º casamento teve 8 filhos:
Quatro raparigas, de que adiante falarei de uma, e quatro rapazes — destes, o primeiro morreu menor, seguindo-se outro, como era hábito, com o mesmo nome, que se tratará mais adiante; sendo o penúltimo mais novo o Padre António Moreira (Lisboa, Castelo, 28.05.1710 — Almeida, Almeida, 01.05.1760),  Jesuíta, Missionário, Professor, Naturalista, Escritor, ingressou na Companhia de Jesus aos 19.02.1728, membro da 46.ª Missão dos Jesuítas para o Maranhão e Grão-Pará, Missionário no rio Tapajós, Professor de Filosofia e de Prima de Teologia no Colégio Jesuíta do Maranhão,  escreveu Declaração das Raridades do Maranhão, de Peixes, Aves, etc., cujo manuscrito se encontra em depósito na Torre do Tombo, foi mandado regressar e encarcerar pelo Marquês de Pombal e morreu prisioneiro no Forte de Almeida; seguiu-se ainda, como 8.º e último filho, o Padre Jerónimo Moreira de Carvalho (homónimo de seu pai), Bacharel, Procurador da Coroa e Fazenda da Cidade do Rio de Janeiro, o qual, depois de escolher e tomar o estado clerical (1749),  foi Pároco, entre outras, da Igreja de Nossa Senhora do Rosário de Santa Luzia, a qual ajudou a edificar, sendo membro da comissão responsável pela sua construção e celebrando a sua missa inaugural (1769), no  Bairro do Rosário, Cidade de Luziânia, Estado de Goiás, Brasil; e, por último, o mais velho, com o qual seguimos:

IV — MANUEL MOREIRA DE CARVALHO (Vila Viçosa, Nossa Senhora da Conceição, bp. 31.01.1704 — Estremoz, Santa Maria, 01.10.1741). Engenheiro-Militar e Escritor. Assentou praça como Soldado na Corte e foi Ajudante-Engenheiro na Província do Alentejo. Deixou manuscritos inéditos. Publicou História das Fortunas de Sempriles e Generodano, pelo doutor João Henriques de Zuñiga (Lisboa, 1735). Jaz sepultado na Igreja Matriz de Santa Maria de Estremoz.
Casa, no concelho de Lisboa, na freguesia de Santa Engrácia, aos 04.10.1723, com D. LUÍSA TERESA LEONOR (Lisboa, São Julião, c. 1704 — Sousel, Sousel, 17.07.1782), filha do Coronel Francisco Cordeiro Vinagre (Vila Viçosa, Nossa Senhora da Conceição, bp. Borba, Santa Bárbara, 26.12.1678 — c. 1750), Quartel-Mestre-General, Engenheiro-Militar, filho de Francisco Fernandes Cordeiro, Alferes, e de D. Maria da Conceição [ver III], o qual, viúvo de sua primeira mulher, D. Maria Ana Teresa Furtado de Mendonça [surge em vários documentos também como D. Maria Ana Teresa Furtado, ou D. Mariana Furtado de Mendonça, ou D. Mariana Furtado, ou D. Mariana Teresa Furtado] (Lisboa, São Julião, c. 1680 — Montemor-o-Novo, Nossa Senhora do Bispo, 26.09.1716) [está sepultada no Convento de Nossa Senhora da Conceição, na atrás referida freguesia do óbito], casa também, na mesma freguesia e na mesma data, com D. Leonor Joana da Silveira (Sousel, Sousel, bp. 23.11.1700 — ), filha do Doutor Jerónimo Moreira de Carvalho e de sua mulher D. Rosa Maria da Silveira [ver III].
(Não posso deixar de abrir aqui parêntesis para destacar os três casamentos que ocorrem na mesma Igreja no mesmo dia: Francisco Cordeiro Vinagre cc D. Leonor Joana da Silveira; Jerónimo Moreira de Carvalho cc D. Isabel Teresa Cordeiro; Manuel Moreira de Carvalho cc D. Luísa Teresa Leonor — sendo as duas testemunhas, de todos, João Bressane Leite, Superintendente da Contadoria Geral da Guerra, e o Coronel José da Silva Pais).
Tiveram, pelo menos, que se conheçam, três filhos e duas filhas, sendo o mais velho dos varões o Tenente-Coronel Jerónimo Moreira de Carvalho, o mais novo Joaquim José Moreira de Carvalho (também usa  Joaquim José Moreira de Carvalho e Mendonça), e o do meio o seguinte:

V — FRANCISCO MOREIRA DE CARVALHO (Lisboa, Santa Engrácia, bp. 15.12.1727 — Sousel, Sousel, 04.12.1769). Tabelião do Judicial e Notas de Sousel.
Casa, no concelho e freguesia de Sousel, aos 23.07.1752, com D. MARIA FARINHA BARREIROS GODINHO (Sousel, Sousel, bp. 22.05.1732 — ), filha de José Rodrigues Roque (Estremoz, Santa Vitória do Ameixial, bp. 03.02.1686  — Sousel, Sousel, 20.01.1767) e de sua segunda mulher, D. Inês de Andrade Barreiros Godinho (Sousel, Sousel, bp. 07.05.1695 — Sousel, Sousel, 28.08.1766), e trineta, por via desta, de Clemente Pires Farinha Barreiros (Sousel, Sousel, c. 1590), Fidalgo de Cota de Armas, que teve Carta de Brasão de Armas para Barreiros aos 27.08.1616 .
Tiveram, que se saiba, apenas um filho (que morreu menor) e uma filha, com quem seguimos:

VI — D. JOANA LEONOR MOREIRA (Sousel, Sousel, bp. 29.06.1756 — ).
Casa, 2.ª vez, depois de ficar viúva de Custódio da Silveira Preto (Sousel, Sousel — Sousel, Sousel, 03.06.1782), filho de Diogo da Silveira Preto (Fronteira, Fronteira — ) e de sua mulher D. Joana da Cunha Feio (Sousel, Sousel — ), no concelho e freguesia de Sousel, aos 24.06.1783, com BONIFÁCIO JOSÉ DA COSTA (Sousel, Sousel, bp. 01.11.1758 — ), filho de Domingos José Boino (Gouveia, Arcozelo — ) e de sua mulher D. Maria de Jesus da Costa (Sousel, Sousel, bp. 21.10.1725 — ).
Teve 5 filhos do 1.º casamento.
Teve 8 filhos do 2.º casamento; e, morrendo menor o primogénito, ficou como varão mais velho o segundo deste nome, com o qual seguimos:

VII — JOÃO RODRIGUES MOREIRA (Sousel, Sousel, bp. 13.10.1790 — Sousel, Sousel, 22.03.1872). Lavrador e Proprietário.
Casa, no concelho e freguesia de Sousel, aos 16.10.1808, com D. ANA DA CONCEIÇÃO BELÉM [também usou D. ANA DA CONCEIÇÃO SILVEIRA, como por exemplo é referida no registo de óbito da sua filha D. Maria da Orada Moreira (madrinha de baptismo de Mariano Moreira da Costa Pinto, aqui em baixo no IX)] (Sousel, Sousel, 12.09.1791 — ), filha de José Fernandes (Gouveia, Vila Nova de Tazem — ) e de sua mulher D. Ana de Belém (Sousel, Sousel, bp 28.07.1748 — ), e bisneta pelo lado desta de Manuel Rodrigues (Santarém, Torres Novas — ) e de sua mulher D. Faustina Silveira (Sousel, Sousel, bp. 01.01.1698 — ), os quais são igualmente bisavós do Cantor, Professor de Canto, Compositor e Empresário Teatral António Felizardo Porto (Sousel, Sousel, 27. 06.1793 — Lisboa, Lisboa, 01.10.1863).
Tiveram 11 filhos, dos quais a quarta, Guilhermina do Espírito Santo Moreira (Sousel, Sousel, 01.01.1818 — Sousel, Sousel, 05.06.1892), casada com Joaquim António Beato (morre em Sousel, Sousel, 19.081876), é mãe do Professor Catedrático António Moreira Beato (Sousel, Sousel, 01.06.1860 — Lisboa, Camões, 22.06.1937), sendo a décima a seguinte:

VIII — D. LEONOR DO CARMO MOREIRA (Sousel, Sousel, 26.02.1835 — Sousel, Sousel, 31.08.1892). Jaz sepultada juntamente com seu marido no jazigo de seu filho-segundo no Cemitério de Sousel (tem a seguinte inscrição: «Jazigo de Carlos Moreira Costa Pinto e de sua Esposa D. Joana Chaveiro Costa Pinto»).
Casa, no concelho e freguesia de Sousel, aos 01.06.1863, com JOAQUIM PEREIRA DA COSTA PINTO (Fronteira, Fronteira, 29.11.1835 — Sousel, Sousel, 05.11.1891), Grande Lavrador e Proprietário, Senhor da Herdade da Revenduda, Tronco da Família Costa Pinto, do Alentejo, filho de Carlos da Costa Pinto da Fonseca (Fronteira, Fronteira, 24.11.1794 — Fronteira, Fronteira, 01.04.1857) [e, sempre por varonia: neto do Capitão José da Costa Ramos (Cinfães, Santiago de Piães, bp. 08.07.1759 — Fronteira, Fronteira, 04.09.1811), Capitão agregado a um dos Regimentos de Ordenanças da Corte (01.12.1806); 6.º neto de Gaspar Pinto da Fonseca (Cinfães, Travanca — Cinfães, Tarouquela, 20.08.1638), Rendeiro do Mosteiro de Tarouquela e, por casamento com D. Ana Moreira (Cinfães, Tarouquela — Cinfães, Tarouquela, 17.10.1656) (a qual era bisneta de António Pires Moreira, Capitão e Juiz do Couto de Tarouquela, Procurador das Freiras Beneditinas do Mosteiro de São Bento de Avé-Maria, no Porto, Senhor da Casa e Quinta do Outeiro e da Casa de Paços, em Tarouquela, que usou brasão de armas dos Moreiras, concedido a Diogo Moreira de Campos, Chanceler da cidade do Porto), Senhor da atrás referida Casa e Quinta do Outeiro, em Tarouquela; 17.º neto de Afonso Rodrigues de Magalhães, Fidalgo da Casa Real, Senhor da Quinta e Torre de Magalhães, primeiro a usar o apelido Magalhães], Lavrador e Proprietário, activo militante miguelista — antes, durante, e depois do Reinado de D. Miguel —, e de sua mulher D. Teresa Carolina Pereira (Sousel, Santo Amaro, 02.03.1801 — Fronteira, Fronteira, 01.05.1862), Lavradora e Proprietária, em viúva, a qual é trineta, sempre por linha feminina, de Manuel Dias Serra (Sousel, Casa Branca, bp. 20.09.1670) e de sua mulher Isabel Gião (Sousel, Casa Branca, c. 1670), os quais  têm, pelo menos, dois filhos varões, Manuel Gião (que será o trisavô por varonia de Joaquim José Gião, 1.º Visconde de Gião) e Francisco Dias Serra, que virá a professar com o nome de Padre Francisco Dias Gião, e uma filha, Isabel Gião, de quem a supradita é bisneta [ver linha Gião].
Tiveram 6 filhos (destes, uma rapariga e dois rapazes morreram menores), ficando como varão mais velho o seguinte:

IX — MARIANO MOREIRA DA COSTA PINTO (Sousel, São João Baptista da Ribeira, 31.10.1868 — Monforte, Vaiamonte, 26.04.1930). [Teve como Padrinho de Baptismo o seu tio paterno Francisco da Costa Ramos Pinto da Fonseca, Grande Lavrador e Proprietário em Fronteira, e como Madrinha a sua tia materna D. Maria da Orada Moreira, Proprietária em Sousel, e recebeu o nome do seu falecido tio materno Mariano Rodrigues Moreira, Grande Lavrador e Proprietário em Sousel.] Grande Lavrador e Proprietário Agrícola. Político. Activo militante regionalista e republicano, desde os tempos da Monarquia. Presidente da Comissão Administrativa da Câmara Municipal de Monforte, Presidente da Junta de Paróquia de Vaiamonte, Juiz de Paz de Vaiamonte, Presidente do Triângulo N.º 169 da Maçonaria de Rito Francês (iniciado em 14.05.1911, no referido Triângulo de Monforte, com o nome Simbólico de «Alma»). Senhor das Herdades de Samarruda, Nora, Courelas de Valverde (as duas últimas anexas à primeira), Palhinha, Gis, Picão (estas três anexas umas às outras), Vale dos Homens, Tapadão de Alter, Esquerdos, Relvacho, Asseca, Pintas, Torradas, Sernila, Matança e Reguengo. Rendeiro da Herdade de Torre de Palma, etc.
Segue...

Fonte bibliográfica:
In 3.º draft do livro Mariano Moreira da Costa Pinto — Vida, Antepassados e Descendentes dum Grande Lavrador Alentejano, de João Miguel Costa Pinto Marchante (Autor do blogue Eternas Saudades do Futuro).

sábado, 4 de julho de 2020

DA GENEALOGIA [BISAVÔ MARIANO E SUA LINHA MOREIRA DE CARVALHO] (3.ª VERSÃO — REVISTA E AUMENTADA)

I — SEBASTIÃO CARVALHO (nasce cerca de 1600 — morre... ).
Casa com D. FRANCISCA LUÍS (nasce cerca de 1600 — morre... ).
Tiveram, pelo menos, o seguinte filho:

II — FRANCISCO CARVALHO [que também é referido como FRANCISCO DE CARVALHO, entre outros sítios, na obra Biblioteca Lusitana de Diogo Barbosa Machado na entrada sobre o seu filho Jerónimo Moreira de Carvalho (tratado a seguir)] (n. Estremoz, Santo André, c. 1635 — m. ).
Casa, em Estremoz, Santa Maria, aos 27.03.1656, com D. MARIA FERREIRA [que também é referida como D. MARIA RIBEIRA, entre outros sítios, na obra Biblioteca Lusitana de Diogo Barbosa Machado na entrada sobre o seu filho Jerónimo Moreira de Carvalho (tratado a seguir)] (n. Estremoz, Santa Maria, c. 1635 — m. ), filha de António Fernandes e de sua mulher D. Catarina Ferreira.
Tiveram 6 filhos, entre os quais este com quem seguimos:

III — JERÓNIMO MOREIRA DE CARVALHO (Estremoz [Santo André ou Santa Maria], c. 1673 — c. 1748). Médico, Cirurgião e Escritor. Formado em Medicina pela Universidade de Coimbra (1697). Médico do Partido da Universidade de Coimbra, Médico dos Exércitos da Província do Alentejo, Físico-Mór da Gente de Guerra do Reino do Algarve. Médico em Sousel e em Lisboa (nas Cortes de D. Pedro II e D. João V). Compôs uma massa, que intitulou «Pedra de David», com a qual curou várias doenças, e a ele se deve o primeiro tratamento para problemas de uretra. Escreveu e traduziu vários livros — de Medicina, Cirurgia, História e Romances de Cavalaria —, entre os quais se destacam as seguintes publicações: Método verdadeiro para curar radicalmente as carnosidades (Lisboa, 1721), História do Imperador Carlos Magno e dos doze Pares de França (Lisboa, 1728), História do Grande Roberto, Duque da Normandia e Imperador de Roma, etc. (Lisboa, 1733), História das Guerras Civis de Granada (1735).
Casa, 1.ª vez, no concelho e freguesia de Sousel, aos 22.09.1699, com D. ROSA MARIA DA SILVEIRA (Sousel, Sousel, baptizada aos 11.09.1673 — Sousel, Sousel, 09.02.1715), filha de Manuel Madeira Gil (Sousel, Sousel, c. 1640 — Sousel, Sousel, 28.10.1717), Cirurgião, e de sua mulher D. Brites da Silveira Fidalga (Sousel, Sousel, c. 1640 — Sousel, Sousel, 19.11.1712).
Casa, 2.ª vez, depois de viúvo, em Lisboa, Santa Engrácia, 04.10.1723, com D. Isabel Teresa Cordeiro (Vila Viçosa, Nossa Senhora da Conceição, bp. 07.01.1672 — ), filha do Alferes Francisco Fernandes Cordeiro (Borba, Santa Bárbara, c. 1640 — Vila Viçosa, Nossa Senhora da Conceição, 16.08.1690), militar que serviu em postos de cavalos e infantaria na Província do Alentejo, entre 1658 e 1690 (até à véspera da sua morte), combatendo nas principais Campanhas e Batalhas da época — Linhas de Elvas, Ameixial, Montes Claros, etc.  —, procedendo em tudo com notável valor e dando sempre grande exemplo, e de sua mulher D. Maria da Conceição (Vila Viçosa, Nossa Senhora da Conceição, c. 1640 — ), e neta pela parte paterna de Manuel Fernandes e de  sua mulher D. Catarina Cordeiro, casados em Borba, Santa Bárbara, em 1638.
Do 2.º casamento não teve filhos.
Do 1.º casamento teve 8 filhos:
Quatro raparigas, das quais adiante falarei de uma, e quatro rapazes — destes, o primeiro morreu menor, seguindo-se outro, como era hábito, com o mesmo nome, que será tratado no próximo capítulo; sendo o penúltimo mais novo o Padre António Moreira (Lisboa, Castelo, 28.05.1710 — Almeida, Almeida, 01.05.1760),  Jesuíta, Missionário, Professor, Naturalista, Escritor, ingressou na Companhia de Jesus aos 19.02.1728 e neste mesmo ano deixou a Capital do Império como Irmão Estudante e membro da 46.ª Missão dos Jesuítas para o Maranhão e Grão-Pará, aos 15.08.1745 fez a sua Profissão Solene na Igreja do Maranhão, foi Missionário no rio Tapajós, Professor de Filosofia e de Prima de Teologia no Colégio Jesuíta do Maranhão,  escreveu Declaração das Raridades do Maranhão, de Peixes, Aves, etc., cujo manuscrito se encontra em depósito na Torre do Tombo, e na sequência da expulsão da Companhia de Jesus, de Portugal e dos seus domínios ultramarinos, foi mandado regressar e encarcerar pelo Marquês de Pombal e morreu prisioneiro no Forte de Almeida; seguiu-se ainda, como 8.º e último filho, o Padre Jerónimo Moreira de Carvalho (Sousel, Sousel, 09.02.1715 — ) [homónimo de seu pai], Religioso, Bacharel pela Universidade de Coimbra, Procurador da Coroa e Fazenda da Cidade do Rio de Janeiro, o qual, depois de escolher e tomar o estado clerical (1749),  foi Pároco de Nossa Senhora do Rosário, em Goiás (1749-1754), e de Santa Luzia, paróquia desanexada da anterior (1757-), e membro da comissão responsável pela construção da nova Igreja de Nossa Senhora do Rosário de Santa Luzia, celebrando a sua missa inaugural, no  Bairro do Rosário, Cidade de Luziânia, Estado de Goiás, Brasil (-1769); e, por fim, o mais velho, com o qual seguimos:

IV — MANUEL MOREIRA DE CARVALHO (Vila Viçosa, Nossa Senhora da Conceição, bp. 31.01.1704 — Estremoz, Santa Maria, 01.10.1741). Engenheiro-Militar e Escritor. Assentou praça como Soldado na Corte e foi Ajudante-Engenheiro na Província do Alentejo. Deixou manuscritos inéditos. Publicou História das Fortunas de Sempriles e Generodano, pelo doutor João Henriques de Zuñiga (Lisboa, 1735). Jaz sepultado na Igreja Matriz de Santa Maria de Estremoz.
Casa, no concelho de Lisboa, na freguesia de Santa Engrácia, aos 04.10.1723, com D. LUÍSA TERESA LEONOR (Lisboa, São Julião, c. 1704 — Sousel, Sousel, 17.07.1782), filha do Coronel Francisco Cordeiro Vinagre (Vila Viçosa, Nossa Senhora da Conceição, bp. Borba, Santa Bárbara, 26.12.1678 — c. 1750), Quartel-Mestre-General, Engenheiro-Militar, Cavaleiro da Ordem de Cristo (filho do Alferes Francisco Fernandes Cordeiro e de sua mulher D. Maria da Conceição [ver III]), e de sua primeira mulher D. Maria Ana Teresa Furtado de Mendonça [surge em vários documentos também como D. Maria Ana Teresa Furtado, ou D. Mariana Furtado de Mendonça, ou D. Mariana Furtado, ou ainda D. Mariana Teresa Furtado] (Lisboa, São Julião, c. 1680 — Montemor-o-Novo, Nossa Senhora do Bispo, 26.09.1716) [está sepultada no Convento de Nossa Senhora da Conceição, na atrás referida freguesia do óbito], o qual, viúvo desta, casa também, na mesma freguesia e na mesma data, com D. Leonor Joana da Silveira (Sousel, Sousel, bp. 23.11.1700 — ), filha do Doutor Jerónimo Moreira de Carvalho e de sua primeira mulher D. Rosa Maria da Silveira [ver III]. A supradita, por seu lado, depois de ficar viúva, casa com Inácio Ferreira de Andrade (c. 1710 — c. 1780), Escudeiro Fidalgo da Casa Real, filho de Belchior Ferreira de Andrade.
(Não posso deixar de abrir aqui parêntesis para destacar os três casamentos que ocorrem na mesma Igreja no mesmo dia: Francisco Cordeiro Vinagre casa com D. Leonor Joana da Silveira; Jerónimo Moreira de Carvalho cc D. Isabel Teresa Cordeiro; Manuel Moreira de Carvalho cc D. Luísa Teresa Leonor — sendo as duas Testemunhas, de todos, João Bressane Leite, Superintendente da Contadoria Geral da Guerra, e o Coronel José da Silva Pais).
Tiveram, pelo menos, que se conheçam, três filhos e duas filhas, sendo o mais velho dos varões o Tenente-Coronel Jerónimo Moreira de Carvalho (Lisboa, Lisboa, c. 1726 — Brasil, Colónia do Sacramento, 1766) [homónimo de seu avô], que embarca para o Brasil para ocupar um posto de Alferes e aí virá a ser Capitão de Artilharia da Praça do Rio de Janeiro e Tenente-Coronel  do Regimento da Praça da Nova Colónia do Sacramento, o mais novo Joaquim José Moreira de Carvalho [também usa  Joaquim José Moreira de Carvalho e Mendonça] (Lisboa, São Nicolau, 02.02.1742 — ), e o do meio o seguinte:

V — FRANCISCO MOREIRA DE CARVALHO (Lisboa, Santa Engrácia, bp. 15.12.1727 — Sousel, Sousel, 04.12.1769). Tabelião do Judicial e Notas de Sousel.
Casa, no concelho e freguesia de Sousel, aos 23.07.1752, com D. MARIA FARINHA BARREIROS GODINHO (Sousel, Sousel, bp. 22.05.1732 — ), filha de José Rodrigues Roque (Estremoz, Santa Vitória do Ameixial, bp. 03.02.1686  — Sousel, Sousel, 20.01.1767) e de sua segunda mulher, D. Inês de Andrade Barreiros Godinho (Sousel, Sousel, bp. 07.05.1695 — Sousel, Sousel, 28.08.1766), trineta, por via desta, de Clemente Pires Farinha Barreiros (Sousel, Sousel, c. 1590 — ), Fidalgo de Cota de Armas, teve Carta de Brasão de Armas para Barreiros aos 27.08.1616, e tetraneta, pela mesma linha, de Pedro Afonso Farinha (Sousel, Sousel, c. 1560 — ), o qual institui uma Capela que fará parte do «Morgado de Sousel» — conjunto formado pelas Capelas (conhecidas por «Capelas dos Barreiros») instituídas por Fernão (ou Fernando) Martins, João Pires Farinha, Pedro Afonso Farinha (o próprio acima referido), Maria Martins, Francisco Godinho Barreiros, Luísa Catela e Padre João Fernandes [ver linha Barreiros].
Tiveram, que se saiba, apenas um filho (que morreu menor) e uma filha, com quem seguimos:

VI — D. JOANA LEONOR MOREIRA (Sousel, Sousel, bp. 29.06.1756 — Sousel, Sousel, 04.05.1827).
Casa, 2.ª vez, depois de ficar viúva de Custódio da Silveira Preto (Sousel, Sousel — Sousel, Sousel, 03.06.1782), filho de Diogo da Silveira Preto (Fronteira, Fronteira — ) e de sua mulher D. Joana da Cunha Feio (Sousel, Sousel — ), no concelho e freguesia de Sousel, aos 24.06.1783, com BONIFÁCIO JOSÉ DA COSTA (Sousel, Sousel, bp. 01.11.1758 — ), filho de Domingos José Boino (Gouveia, Arcozelo — ) e de sua mulher D. Maria de Jesus da Costa (Sousel, Sousel, bp. 21.10.1725 — ).
Teve 5 filhos do 1.º casamento.
Teve 8 filhos do 2.º casamento; e, morrendo menor o primogénito, ficou como varão mais velho o segundo deste nome, com o qual seguimos:

VII — JOÃO RODRIGUES MOREIRA (Sousel, Sousel, bp. 13.10.1790 — Sousel, Sousel, 22.03.1872). Lavrador e Proprietário.
Casa, no concelho e freguesia de Sousel, aos 16.10.1808, com D. ANA DA CONCEIÇÃO BELÉM [também usa D. ANA DA CONCEIÇÃO SILVEIRA, como, por exemplo, é referida no registo de óbito da sua filha D. Maria da Orada Moreira (madrinha de baptismo de Mariano Moreira da Costa Pinto, aqui em baixo no IX)] (Sousel, Sousel, 12.09.1791 — ), filha de José Fernandes (Gouveia, Vila Nova de Tazem — ) e de sua mulher D. Ana de Belém (Sousel, Sousel, bp 28.07.1748 — ), e bisneta pelo lado desta de Manuel Rodrigues (Leiria, Caranguejeira [antiga Paróquia de São Cristóvão] — ) e de sua segunda mulher D. Faustina Silveira (Sousel, Sousel, bp. 01.01.1698 — ), os quais são igualmente bisavós do Cantor, Professor de Canto, Compositor e Empresário Teatral António Felizardo Porto (Sousel, Sousel, 27. 06.1793 — Lisboa, Lisboa, 01.10.1863), o qual foi um dos melhores baixos da época, sendo conhecido na Europa por «voce di testa», Cantor da Capela Real, partiu com a Corte Portuguesa para o Rio de Janeiro em 1808 e lá permaneceu até 1821, Mestre de Canto de D. Maria II em Londres (1828-1834), Director Técnico do Teatro de S. Carlos em 1843, etc., do Alferes António Felizardo Silveiro e de Francisco Felizardo Silveiro, Sargento-Mór das Ordenanças da Vila de Sousel (01.11.1814) [estes dois últimos são irmãos entre si — filhos do Capitão António dos Santos Silveiro (Sousel, Sousel, 01.07.1753 — Sousel, Sousel, 05.07.1812), Capitão da 2.ª Companhia das Ordenanças da Vila de Sousel (27.05.1811),  e de D. Maria do Mileu (  — Sousel, Sousel, 12.08.1811) — e primos co-irmãos do anterior, sendo portanto todos primos-segundos da supradita D. Ana da Conceição Belém].
Tiveram 11 filhos, dos quais a quarta, D. Guilhermina do Espírito Santo Moreira (Sousel, Sousel, 01.01.1818 — Sousel, Sousel, 05.06.1892), casa com Joaquim António Beato (morre em Sousel, Sousel, 19.081876) e são pais do Professor Catedrático António Moreira Beato (Sousel, Sousel, 01.06.1860 — Lisboa, Camões, 22.06.1937), sendo a décima a seguinte:

VIII — D. LEONOR DO CARMO MOREIRA (Sousel, Sousel, 26.02.1835 — Sousel, Sousel, 31.08.1892). Jaz sepultada juntamente com seu marido no jazigo de seu filho-segundo no Cemitério de Sousel (tem a seguinte inscrição: «Jazigo de Carlos Moreira Costa Pinto e de sua Esposa D. Joana Chaveiro Costa Pinto»).
Casa, no concelho e freguesia de Sousel, aos 01.06.1863, com JOAQUIM PEREIRA DA COSTA PINTO (Fronteira, Fronteira, 29.11.1835 — Sousel, Sousel, 05.11.1891), Grande Lavrador e Proprietário, Senhor da Herdade da Revenduda, Tronco da Família Costa Pinto, do Alentejo, filho de Carlos da Costa Pinto da Fonseca (Fronteira, Fronteira, 24.11.1794 — Fronteira, Fronteira, 01.04.1857) [e, sempre por varonia: neto do Capitão José da Costa Ramos (Cinfães, Santiago de Piães, bp. 08.07.1759 — Fronteira, Fronteira, 04.09.1811), Capitão agregado a um dos Regimentos de Ordenanças da Corte (01.12.1806); tetraneto de António Pinto da Fonseca (Cinfães, Tarouquela, c. 1670 —  ), Morador na Quinta do Castanheiro, em Souselo, no concelho de Cinfães [contemporâneo do remoto parente, por múltiplas linhas e em vários graus, D. Frei Manuel Pinto da Fonseca, Grão Mestre da Ordem de Malta (Lamego, Sé, 24.05.1681 — Malta, Valletta, 24.01.1773)]; 5.º neto de Bartolomeu Pinto da Fonseca (Cinfães, Tarouquela, bp. 31.08.1631 — Cinfães, Tarouquela, 13.12.1715), Senhor da Quinta do Outeiro, em Tarouquela, Homem Nobre, que vive das suas fazendas, Escrivão de uma das Varas de Meirinho da Relação e Casa do Porto, jaz sepultado no Igreja de Tarouquela; 6.º neto de Gaspar Pinto da Fonseca (Cinfães, Travanca — Cinfães, Tarouquela, 20.08.1638), Rendeiro do Mosteiro de Tarouquela e, por casamento com D. Ana Moreira (Cinfães, Tarouquela — Cinfães, Tarouquela, 17.10.1656) (a qual era bisneta de António Pires Moreira, Capitão e Juiz do Couto de Tarouquela, Procurador das Freiras Beneditinas do Mosteiro de São Bento de Avé-Maria, no Porto, Senhor da Casa e Quinta do Outeiro e da Casa de Paços, em Tarouquela, que usou brasão de armas dos Moreiras, concedido a Diogo Moreira de Campos, Chanceler da cidade do Porto), Senhor da atrás referida Casa e Quinta do Outeiro, em Tarouquela; 17.º neto de Afonso Rodrigues de Magalhães, Fidalgo da Casa Real, Senhor da Quinta e Torre de Magalhães, primeiro a usar o apelido Magalhães (ver varonia de Mariano Moreira da Costa Pinto — linha Magalhães)], Lavrador e Proprietário, Miguelista — juntamente com três  irmãos e paralelemente a quatro remotos parentes nortenhos —, e de sua segunda mulher D. Teresa Carolina Pereira (Sousel, Santo Amaro, 02.03.1801 — Fronteira, Fronteira, 01.05.1862), Lavradora e Proprietária, em viúva, a qual é trineta, sempre por linha feminina, de Manuel Dias Serra (Sousel, Casa Branca, bp. 20.09.1670 — ) e de sua mulher Isabel Gião (Sousel, Casa Branca, c. 1670 — ), os quais  têm, pelo menos, dois filhos varões, Manuel Gião (que será o trisavô por varonia de Joaquim José Gião, 1.º Visconde de Gião) e Francisco Dias Serra, que virá a professar com o nome de Padre Francisco Dias Gião, e uma filha, Isabel Gião, de quem a supradita é bisneta [ver linha Gião].
Tiveram 6 filhos (destes, uma rapariga e dois rapazes morreram menores), ficando como varão mais velho o seguinte:

IX — MARIANO MOREIRA DA COSTA PINTO (Sousel, São João Baptista da Ribeira, 31.10.1868 — Monforte, Vaiamonte, 26.04.1930). [Teve como Padrinho de Baptismo o seu tio paterno Francisco da Costa Ramos Pinto da Fonseca (Fronteira, Fronteira, 12.05.1841 — Fronteira, Fronteira, 16.01.1897),  Grande Lavrador e Proprietário em Fronteira, e como Madrinha a sua tia materna D. Maria da Orada Moreira (Sousel, Sousel, 26.12.1809 — Sousel, Sousel, 04.08.1890), Proprietária em Sousel, e recebeu o nome do seu falecido tio materno Mariano Rodrigues Moreira (Sousel, Sousel, 20.11.1812 — Sousel, Sousel, 13.12.1861), Grande Lavrador e Proprietário em Sousel.] Grande Lavrador e Proprietário Agrícola. Político. Activo militante regionalista e republicano, desde os tempos da Monarquia. Presidente da Comissão Administrativa da Câmara Municipal de Monforte, Presidente da Junta de Paróquia de Vaiamonte, Juiz de Paz de Vaiamonte, Presidente do Triângulo N.º 169 da Maçonaria de Rito Francês (iniciado em 14.05.1911, no referido Triângulo de Monforte, com o nome Simbólico de «Alma»). Senhor das Herdades de Samarruda, Nora, Courelas de Valverde (as duas últimas anexas à primeira), Palhinha, Gis, Picão (estas três anexas umas às outras), Vale dos Homens, Tapadão de Alter, Esquerdos, Relvacho, Asseca, Pintas, Torradas, Sernila, Matança e Reguengo. Rendeiro da Herdade de Torre de Palma, etc.
Segue...

Fonte bibliográfica:
In 3.º draft do livro Mariano Moreira da Costa Pinto — Vida, Antepassados e Descendentes dum Grande Lavrador Alentejano, de João Miguel Costa Pinto Marchante (Autor do blogue Eternas Saudades do Futuro).

domingo, 7 de fevereiro de 2016

DA GENEALOGIA [8.º AVÔ JERÓNIMO]

Jerónimo Moreira de Carvalho
(n. Estremoz [Santo André ou Santa Maria], c. 1672 — m. c. 1748) 

Médico, Cirurgião, Escritor.

Filho de Francisco Carvalho [que também é referido como Francisco de Carvalho, entre outros sítios, na obra Biblioteca Lusitana de Diogo Barbosa Machado e no registo de casamento deste seu filho Jerónimo Moreira de Carvalho] (n. Estremoz, Santo André, c. 1635). e de D. Maria Ferreira [que também é referida como D. Maria Ribeira, entre outros sítios, na Biblioteca Lusitana de Diogo Barbosa Machado e no registo de casamento deste seu filho Jerónimo Moreira de Carvalho] (n. Estremoz, Santa Maria, c. 1635),  que casam em Estremoz, Santa Maria, no ano de 1657.

Casa em Sousel, aos 22.02.1699, com D. Rosa Maria da Silveira (n. Sousel, Sousel, bp. 11.09.1673 — m. Sousel, Sousel, 09.02.1715), filha de Manuel Madeira Gil (n. Sousel, Sousel, c. 1640 — m. Sousel, Sousel, 28.10.1717), Cirurgião, e de D. Brites da Silveira Fidalga (n. Sousel, Sousel, c. 1640 — m. Sousel, Sousel, 19.11.1712).
Têm 8 Filhos (4 Varões e 4 Filhas), nascidos em Sousel, Vila Viçosa e Lisboa; entre esses Filhos, estão:

- Manuel Moreira de Carvalho, Engenheiro-Militar, Escritor e Tradutor.
- Padre António Moreira, Jesuíta, Missionário no Brasil, Professor, Naturalista e Escritor.
- Padre Jerónimo Moreira de Carvalho, Pároco de Nossa Senhora do Rosário de Santa Luzia, Estado de Goiás, Brasil.
- Uma filha, D. Leonor Joana da Silveira, casa com o viúvo, seu compadre (o atrás referido seu filho Manuel casa com uma filha - D. Luísa Teresa Leonor - dele e de sua primeira mulher - D. Maria Ana Teresa Furtado de Mendonça), genro (como se viu) e cunhado (de seguida se verá), Francisco Cordeiro Vinagre, Coronel, Quartel-Mestre-General, Engenheiro-Militar, Cavaleiro da Ordem de Cristo.

Depois de viúvo, voltará a casar, em Lisboa, Santa Engrácia, aos 04.10.1723, com D. Isabel Teresa Cordeiro (n. Vila Viçosa, Nossa Senhora da Conceição, 07.01.1672), filha de Francisco Fernandes Cordeiro (n. Borba, Santa Bárbara, c. 1640 — m. Vila Viçosa, Nossa Senhora da Conceição, 16.08.1690), Alferes, e de D. Maria da Conceição (n. Vila Viçosa, Nossa Senhora da Conceição, c. 1640), e irmã portanto do recorrente Francisco Cordeiro Vinagre, tornando-se assim também cunhado deste.

Doutor em Medicina pela Universidade de Coimbra (1697).
Bacharel e Licenciado em Artes pela Universidade de Coimbra (1692 e 1694).
Médico do Partido da Universidade de Coimbra.
Médico dos Exércitos da Província do Alentejo.
Físico-Mór da Gente de Guerra do Reino do Algarve.
Médico nas Cortes de D. Pedro II e D. João V.
Médico em Lisboa e em Sousel.
Compôs uma «misteriosa massa» com que curou várias doenças.
Deve-se a ele o primeiro tratamento para problemas da uretra.
Escreveu e traduziu vários livros de Medicina, Cirurgia, História e Romances de Cavalaria.

Nesta última categoria literária, a sua História do Imperador Carlos Magno e dos Doze Pares de França (Lisboa, 1728), tradução e livre adaptação dum autor anónimo espanhol, onde Jerónimo Moreira de Carvalho também se inspira em Ariosto e Boiardo, e nas gestas medievais, tem sido objecto de inúmeras reimpressões, reedições e continuações, em diversos países, até aos dias de hoje, como atesta uma recente edição em inglês no Reino Unido, bem como alvo de variados estudos académicos, à semelhança do sua mística História do Grande Roberto, duque da Normandia e imperador de Roma: em que se trata da sua conceição, nascimento e depravada vida, por onde mereceu ser chamado Roberto do Diabo: e do seu grande arrependimento, e prodigiosa penitência, por onde mereceu ser chamado Roberto de Deus: e prodígios, que por mandado de Deus obrou em batalhas (Lisboa, 1733). Um e outro foram dos livros mais lidos em Portugal (incluindo o Brasil) durante o século XVIII.

Bibliografia e Arquivos:
- Biblioteca Lusitana, História, Crítica e Cronologia, Diogo Barbosa Machado, Oficina de António Isidoro da Fonseca, Lisboa, 1741.
- Dicionário Bibliográfico Português: Estudos Aplicáveis a Portugal e ao Brasil, Inocêncio Francisco da Silva, Imprensa Nacional, Lisboa, 1858.
- Grande Enciclopédia Portuguesa e Brasileira, Editorial Enciclopédia, Lisboa e Rio de Janeiro, 1936-1960.
- Estudos de Cultura Medieval, Mário Martins (S.J.), Editorial Verbo, 1972.
- A Guide to Studies on Chanson de Roland, Joseph J. Duggan, 1976.
- Dicionário do Folclore Brasileiro, Luís da Câmara Cascudo, Edições Melhoramentos, 1979.
- Estremoz e o seu Termo Regional, Marques Crespo, Centro Social Paroquial Santo André —  Estremoz, Vila Viçosa, 1987 (2.ª edição — fac-similada).
- New Trends and Developments in African Religions, Peter Bernard Clarke, 1998.
- Reinventing Religions: Syncretism and Transformation in Africa and the Americas, Sydney M. Greenfield e A. F. Droogers, 2001.
- Nova História de Portugal: Portugal  — da Paz da Restauração ao Ouro do Brasil, Joel Serrão, Artur Boavida Madeira e A. H. de Oliveira Marques, Editorial Presença, 2001.
- História da Companhia de Jesus no Brasil, Serafim Leite (S.J), Edições Loyola, 2004.
- Ocidente: Revista Portuguesa de Cultura, N.º 285, Janeiro, 1962.
- Revista Brotéria, 1987.
- Revista Estudos Ibero-Americanos, Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul, Departamento de História, 1999.
- Gazeta de Lisboa, N.º 7, 18 de Fevereiro de 1723.
- Jornal de Coimbra, 1815.
- Arquivo da Universidade de Coimbra.
- Arquivo Distrital de Évora.
- Arquivo Distrital de Portalegre.
- Arquivo Particular de João Miguel Costa Pinto Marchante (Autor do blogue Eternas Saudades do Futuro e desta síntese biográfica sobre Jerónimo Moreira de Carvalho).
 

segunda-feira, 30 de setembro de 2013

CADERNOS INTERATLÂNTICOS (36)

José Custódio de Sá e Faria, engenheiro militar português, teve uma larga e importante trajectória nos territórios que hoje constituem o Brasil, a Argentina e o Uruguai. Enviado à América na sequência do Tratado de Madrid (1750), iniciou as suas tarefas como membro da Comissão Demarcadora que assentaria os limites entre as possessões ultramarinas dos reinos de Portugal e Espanha.

Um extraordinário preparo técnico e um grande talento para o desenho cartográfico levaram Gomes Freire de Andrade a nomear Sá e Faria como primeiro comissário da Terceira Partida Demarcadora (o estudo cartográfico da zona compreendida entre os rios Paraná e Paraguai, o plano da Colónia de Sacramento e o mapeamento do Salto Grande do Paraná são tarefas que o engenheiro luso realiza no período 1753-54).

O quase permanente estado de guerra entre as duas coroas ibéricas pela hegemonia na região leva Sá e Faria a abandonar o esquadro em favor da espada em inúmeras ocasiões, principalmente durante a conquista e ocupação da extensa região de São Pedro do Rio Grande (actual Rio Grande do Sul, Brasil) pelos exércitos espanhóis e as subsequentes tentativas de liberação. Após uma tentativa falhada de reconquista do Rio Grande Sá e Faria deu seguimento aos trabalhos de engenharia no Forte de Nossa Senhora de Igatimí, na fronteira com o Paraguai, e em várias obras de carácter militar no Rio de Janeiro, para onde havia sido convocado pelo Conde de Azambuja.

Em 1777 a Espanha ocupa a ilha de Santa Catarina. José Custódio de Sá e Faria, enviado à pressa para comandar a defesa da fortificação, é derrotado pelas forças organizadas pelo Vice-Rei do Rio da Prata, Pedro de Ceballos. Confrontado com a possibilidade de ser executado por ordem do Marquês de Pombal - o todo-poderoso ministro de D. José I determinara que assim fossem tratados os oficiais portugueses que se rendessem -, Sá e Faria resolve desertar e oferecer seus serviços à Coroa d'Espanha, com a ressalva de que jamais actuaria contra o Reino de Portugal.
 
Com os bens confiscados e vendidos em hasta pública o engenheiro militar inicia vida nova radicado em Buenos Aires e, em pouco tempo, torna-se o arquitecto mais importante da região. Paralelamente aos trabalhos cartográficos, Sá e Faria realiza uma verdadeira reurbanização da capital vice-reinal, assim como de Montevidéu, da Colónia do Sacramento, de Maldonado, etc.
 
Rapidamente designado director de obras públicas da cidade, a actividade de Sá e Faria foi febril: da correcção de deficiências urbanísticas e edilícias à construção (então grande novidade) de "casas redituantes" (prédios para arrendamento); da pavimentação de ruas e estudos sobre reservas minerais ao estabelecimento de aldeias na região patagónica; da construção de portos e docas à de igrejas e catedrais.


Em 1791, cansado e doente, Sá e Faria solicita a aposentação e retira-se para Luján, onde vem a falecer em 1792, após quinze anos de intenso trabalho no Rio da Prata. Está enterrado no Convento de Santo Domingo em Buenos Aires.
 
Algumas das obras de José Custódio de Sá e Faria que importa referir:
 
No Brasil:
 
Fortificações várias no Rio de Janeiro (1769); Forte de Nossa Senhora dos Prazeres de Igatimí (1774); fortificações da ilha de Santa Catarina (1763-1777); Igreja de Nossa Senhora da Conceição (Viamonte, 1763); Igreja da Nossa Senhora do Bom Jesus (Triunfo, 1765); paróquia de São José de Taquarí (1765); Igreja da Santa Cruz dos Militares (1a construcção: 1623); Igreja de São Bento (São Paulo); etc.
 
No Rio da Prata:
 
Construção de prédio para a primeira gráfica em Buenos Aires (equipamento trazido de Córdoba); "casas redituantes", incl. as pertencentes à Universidade de Buenos Aires; várias obras na "Manzana de las Luces"; "Casa de Comedias" e edifício "Capitular"; Catedral de Buenos Aires (reconstrucção já iniciada por outro português: o mestre de obras Manuel Álvares da Rocha); a "Real Renta de Tabacos"; o Noviciado do Convento de São Francisco; o Armazém e Quartel do Retiro; a Praça de Touros de Montserrat; várias pontes e caminhos (Barracas, São Isidro, etc.); a Catedral de Montevidéu (Uruguai); o templo da vila de Guadalupe (Canelones, Uruguai); a Igreja Matriz de Maldonado (Uruguai); etc.

Até para a semana, se Deus quiser.

Marcos Pinho de Escobar

quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

AFEIÇÃO DE MÃE

Homilia na Missa de sufrágio por El-Rei D. Carlos I e o Príncipe Real
(Lisboa, Igreja de Nossa Senhora da Encarnação, 1-II-2011)

1. Introdução. O Evangelho desta terça-feira da quarta semana do tempo comum recorda, em simultâneo, dois milagres de Nosso Senhor: a cura da mulher que havia doze anos padecia um fluxo de sangue e a ressurreição da filha de Jairo, um dos chefes da sinagoga (cfr. Mc 5, 21-43).
Ambos nos falam do extraordinário poder que, pela fé, opera milagres, num convite àquela conversão que, mais do que uma momentânea prece num momento de particular aflição, se deve traduzir no habitual abandono das nossas vidas nas paternais mãos do nosso providente Criador. O sentido da nossa vida é o de uma incessante peregrinação para a casa do Pai e o instante da nossa morte mais não é do que o fim desse breve período terreno da nossa existência e o começo da sua etapa definitiva, na eternidade de Deus. Por isso, todos os instantes da nossa vida deveriam reflectir esse sentido de transcendência, sem o qual a existência humana resultaria um trágico absurdo.

2. Cumprimentos. Todos os anos, no dia primeiro de Fevereiro, a Casa Real manda celebrar uma Santa Missa de sufrágio por Sua Majestade Fidelíssima El-Rei D. Carlos I, e por Sua Alteza Real o Príncipe Dom Luís Filipe, que em igual data do ano de 1908 tombaram, por Deus e pela Pátria, no Terreiro do Paço.
Quis a Providência que, tendo no ano passado assegurado este serviço litúrgico a pedido do Presidente da Real Associação de Lisboa, por impedimento do Senhor Cónego João Seabra, de novo o faça este ano, graças ao mesmo amável convite, que muito me honra. Por isso, cumpre-me agradecer a fidalga hospitalidade do meu Pároco e titular desta belíssima Igreja de Nossa Senhora da Encarnação, bem como oportunidade que se me dá de me associar a tão justa homenagem às vítimas do regicídio. É para mim especialmente grata a ocasião que assim se me oferece de servir a Família Real, que cumprimento nas reais pessoas do Senhor Dom Duarte e da Senhora Dona Isabel, Duques de Bragança, pedindo-lhes que aceitem os meus respeitos pela Instituição que encarnam, na comunhão dos ideais cristãos que professam com exemplar fidelidade. Peço ainda que contem sempre com o modesto óbolo da minha oração, que os não esquece nunca, nem a seus filhos, Suas Altezas o Príncipe da Beira e os Infantes de Portugal.
Consta-me também a presença de representantes oficiais das Reais Ordens dinásticas de Santa Isabel e de Nossa Senhora da Conceição da Vila Viçosa, bem como da Ordem Soberana e Militar de São João de Jerusalém, dita de Malta, e da Ordem de Cavalaria do Santo Sepulcro de Jerusalém: a todos saúdo, bem como aos presidentes de outras instituições que também se quiseram associar a esta efeméride, nomeadamente a Causa Real, o Instituto da Nobreza Portuguesa, a Associação da Nobreza Histórica de Portugal e a Juventude Monárquica. Envolvo na mesma bênção todos os numerosos fiéis que devotamente se propõem igualmente participar nesta Eucaristia e quantos, embora fisicamente ausentes, nos acompanham com as suas orações.

3. O sentido da celebração. Importa recordar que esta comemoração, mais do que um acto de afirmação monárquica ou de fervor patriótico, assume-se essencialmente como acção litúrgica, ou seja, como um acto de adoração, de súplica, de acção de graças e de desagravo a Deus Uno e Trino. Por isso, se a comum nacionalidade e a idêntica filiação monárquica une todos os fiéis hoje aqui reunidos, necessário é que, por maioria de razão, todos comunguem a mesma fé, sem a qual não faria sentido esta evocação religiosa.
Uma tal atitude cristã deve-se traduzir não apenas pela fervorosa oração por El-Rei D. Carlos e pelo Príncipe Real, mas também pelos seus assassinos, uma vez que é timbre dos discípulos de Cristo, em contraposição aos seguidores de outras religiões, o mandamento novo da caridade (cfr. Jo 13, 34-35), que obriga ao amor dos inimigos (cfr. Mt 5, 43-48). E, porque a Igreja é, pela sua própria natureza, católica, ou seja, universal, esta nossa prece não se limita apenas àqueles protagonistas da tragédia que antecedeu e propiciou, há mais de um século, a implantação da república portuguesa, antes abarca todos os heróis da nossa Pátria e da nossa fé, e também todas as vítimas inocentes da intolerância e do fanatismo, bem como todos os criminosos e homicidas, na esperança de que a misericórdia divina os perdoe e acolha, com a mesma espantosa magnanimidade que experimentou, no momento da sua morte, o bom ladrão (cfr. Lc 23, 39-43).

4. A dimensão íntima de um drama nacional. Já depois de curada a hemorroíssa que, com a sua extemporânea intervenção, atrasou Nosso Senhor no seu caminho para casa de Jairo, «vieram dizer da casa do chefe da sinagoga: “A tua filha morreu. Porque estás ainda a importunar o Mestre?” Mas Jesus, ouvindo estas palavras, disse ao chefe da sinagoga: “ Não temas; basta que tenhas fé”» (Mc 5, 35).
Impressiona a frieza como é comunicada ao desconsolado pai a morte da sua filha de doze anos: os próprios amigos, que lhe transmitem a dolorosa notícia do óbito, censuram a sua insistência junto do Mestre, única esperança para o seu amargurado coração paterno. O que para alguns mais não é do que um acontecimento brutal é, para os seus mais próximos familiares, causa de um imenso desgosto. Neste sentido, a dimensão nacional ou política do regicídio, de tão funestas consequências para a História de Portugal, não deve levar a esquecer a dimensão mais propriamente familiar do terrível drama que, com aquele duplo crime, se abateu sobre a nossa Família Real.
Numas Notas absolutamente íntimas sobre aquele trágico acontecimento, El-Rei D. Manuel II conta que sua augusta Mãe, logo que saiu da carruagem em que jazia El-Rei D. Carlos e agonizava o Príncipe D. Luís Filipe, gritou «com uma voz que fazia medo: “Mataram El-Rei! Mataram o meu Filho!”» (D. Manuel II, Notas absolutamente íntimas, 21-5-1918, cit. in Miguel Sanches de Baena, Diário de D. Manuel e estudo sobre o regicídio, Alfa, Lisboa 1990, pág. 51). Não há palavras que possam traduzir a dor daquele duplo luto de quem acabara de presenciar, indefesa, ao assassínio do marido e do seu filho primogénito. Ferida por uma tão grande mágoa, a Rainha subitamente desfaleceu, caindo no chão, mas logo se ergueu, «quase envergonhada por ter caído» (Idem, págs. 52-53), segundo o relato do seu filho sobrevivente, então já, de facto, Rei de Portugal, que depois afirma: «Quem dera a muitos homens terem a décima parte da coragem que minha Mãe tem. Tem sido uma verdadeira mártir!» (Idem, pág. 53). Entretanto, chegou a Rainha Dona Maria Pia que, dirigindo-se à Senhora Dona Amélia, disse: «Mataram o meu filho!». A que a Rainha respondeu: «E o meu também!» (Idem, pág. 52).
Talvez aos políticos interesse, sobretudo, a situação política decorrente do regicídio, no complexo estudo das suas causas e efeitos nacionais e internacionais. Talvez os historiadores se ocupem do facto, no âmbito mais alargado da evolução colectiva deste povo que, não obstante os seus momentos gloriosos, conhece também páginas manchadas pelo sangue dos mártires da Pátria, como certamente foram El-Rei D. Carlos e o Príncipe Real. Talvez os juristas se interessem sobretudo pela decorrente questão penal e ajuízem a responsabilidade criminal dos executores do acto e das associações secretas que agiram por seu intermédio. Talvez o público se satisfaça com a notícia alarmista, o escândalo mediático, o relato mais impressivo e chocante do tão sensacional acontecimento mas, uma vez ultrapassada a sua palpitante actualidade, logo cai no ingrato esquecimento da grei, que arrasta consigo, como foi o caso, a total impunidade dos seus responsáveis.
Se o regicídio foi uma tragédia nacional, foi também e principalmente um drama familiar. Se nenhum bom português pode ser alheio a esta convulsão política e social, nenhum cristão pode ficar indiferente ante a tragédia que o regicídio representou para a Família Real que, por ser a primeira da nação e a que melhor encarna a nossa memória e identidade, é também, de algum modo, a família de todos nós.

5. Deus é família. Segundo São Marcos, «depois de Jesus ter atravessado de barco para a outra margem do lago» (Mc 5, 21), chegou «um dos chefes da sinagoga, chamado Jairo. Ao ver Jesus, caiu a seus pés e suplicou-Lhe com insistência: “A minha filha está a morrer. Vem impor-Lhe as mãos, para que se salve e viva”» (Mc 5, 22-23).
Era chefe da sinagoga, mas não se vale da sua autoridade, nem do correspondente prestígio, para alcançar a graça da cura, que impetra humildemente na sua qualidade de pai, para a filha moribunda. Esquece-se da compostura que porventura seria de esperar de alguém com a sua posição social e cai aos pés de Jesus, num acto de tão profundo abatimento que Nosso Senhor «foi com ele» (Mc 5, 24), como que compelido pelo seu amor paterno e fazendo seu o sofrimento de Jairo.
Muito antes da encarnação do Verbo, Deus já se tinha revelado ao seu povo, sobretudo através dos patriarcas e dos profetas. Os judeus, ao contrário dos outros povos, conheciam Yahvé e acreditavam na sua existência e nos seus atributos. Mas a revelação de Deus não ia além da percepção da sua infinita majestade, da omnipotência da sua realeza, da sua condição única e singular de Senhor de todo o universo. Será preciso que se cumpra, em Nosso Senhor Jesus Cristo, «a plenitude dos tempos» (Gal 4, 4), para que o Deus uno três vezes santo se revele na sua intimidade, ou seja, como Pai, Filho e Espírito Santo. A referência a uma paternidade e filiação no seio da própria vida trinitária, bem como a revelação do amor, como essência da natureza que Deus é (cfr 1Jo 4, 8), expressam uma realidade surpreendente: Deus, que é amor na unidade da sua essência, é família na pluralidade das suas Pessoas.
Há ainda quem pense que Deus é uma espécie de Gigante Egoísta (cfr Oscar Wilde, O Gigante Egoísta, in Obra completa, Ed. José Aguilar Ltda., Rio de Janeiro 1961, págs. 244-247), que observa, impávido e sereno, as alegrias e os sofrimentos das criaturas, como se mais não fossem do que uma sua sádica distracção. Mas a fé cristã ensina, pelo contrário, que Deus é Pai de Nosso Senhor Jesus Cristo e nosso, pela infusão do amor do Espírito Santo nos nossos corações. Por isso, não somos apenas criaturas feitas à imagem e semelhança de Deus, mas seus filhos caríssimos, na medida em que, pela graça, nos foi dada a participar a natureza divina (cfr 2Pd 1, 4).
Ciente desta tão gozosa e deslumbrante realidade, São Paulo cantava a grandeza desta nossa filiação divina: «tenho por certo que os sofrimentos do tempo presente não têm proporção com a glória que se manifestará em nós. Pelo que este mundo espera ansiosamente a manifestação dos filhos de Deus. De facto, a criação foi sujeita à vaidade […] com a esperança de que também a própria criação será livre da sujeição à corrupção, para participar da liberdade gloriosa dos filhos de Deus» (Rm 8, 18-21). E São Pedro concluía que os cristãos, por obra e graça do Baptismo, são «uma geração escolhida, um sacerdócio real, uma nação santa, um povo adquirido por Deus» (1Pd 2, 9).

6. Deus, família e monarquia. Se Deus é família e as instituições do Estado devem de algum modo reproduzir, na sociedade civil, a estrutura dessa relação das criaturas com o seu Criador, não será descabido, do ponto de vista teológico, concluir a conveniência de uma chefia do Estado que, como Deus, seja familiar. Neste sentido, sem querer dogmatizar em temas políticos opináveis, nem excluir outras formas legítimas de organização social, pode-se afirmar que a monarquia, na medida em que outorga a chefia e representação do Estado a uma família, mais do que a um indivíduo, é a forma política que mais se aproxima da realidade divina revelada no mistério da Santíssima Trindade e a que melhor corresponde e mais convém à preservação da célula fundamental da sociedade. Se a família natural, nas relações que estabelece entre pais e filhos, é imagem e semelhança da filiação divina, pela participação que aos pais cabe da própria paternidade de Deus (cfr Ef 3, 15), então um sistema de chefia do Estado que respeite e consagre esta realidade familiar é o que mais naturalmente se adequa à natureza social do ser humano e melhor expressa, na autoridade do poder público soberano, a imagem familiar de Deus.
Neste sentido, talvez não seja temerário afirmar que a razão teológica da instituição monárquica se encontra na revelação trinitária do mistério de Deus, ou seja, na sua estrutura familiar. Para além deste fundamento transcendente ou sobrenatural, que eventualmente não colhe para quem não professa a religião cristã, pode-se também afirmar que a instituição monárquica, pela sua natureza profundamente familiar, tem um carácter essencialmente natural, porque institui, na cúpula da organização política, o modelo familiar, que é a base antropológica de qualquer organização social.
Esta conaturalidade do regime monárquico, devida à sua estrutura essencialmente familiar, manifesta-se de muito modos, mas sobretudo na proximidade da nação em relação à Família Real. Não em vão, o Chefe da Casa Real francesa e a sua geração recebe um significativo nome: a Família de França. É assim porque os Reis e os seus descendentes são, de algum modo, a expressão mais representativa da soberania, não apenas na sua actualidade, mas também na sua origem e evolução. Se a pátria é, etimologicamente, a «terra dos pais», não pode ser simbolizada senão através da família que estabelece a relação histórica com os fundadores da nacionalidade, até porque um representante eleito por sufrágio é sempre um homem de facção, que tende a beneficiar os seus próprios eleitores contra os restantes cidadãos, não se identificando nunca, por conseguinte, com todos os seus compatriotas.
Com efeito, a concepção republicana da chefia do Estado é individualista, porque conta única e exclusivamente com a pessoa eleita e investida nessas funções, enquanto a concepção monárquica é familiar, porque não assenta apenas na pessoa do soberano, mas em toda a sua família, que participa nas suas funções e, por isso, está também ao serviço da comunidade nacional.

7. A responsabilidade moral da Família Real. Se a participação, pela Família Real, das funções de chefia e representação do Estado, a fazem credora de uma especial consideração política e social, também acrescem a sua responsabilidade social. Aos Reis e Príncipes deve-se-lhes prestar a honra que lhes é devida, mas na condição de que, pelo seu próprio comportamento, se afirmem dignos dessa homenagem. Se, como se costuma dizer, à mulher de César não lhe basta ser honesta, porque deve também parecê-lo, com mais razão se pode e deve exigir aos membros de uma Família Real aquela exemplaridade ética que é razão da sua proeminência. A distinção entre a vida pública e privada não faz sentido quando referida às pessoas reais, porque essa sua condição significa que toda a sua existência deve estar ao serviço da nação e, portanto, vivida de forma moralmente exemplar.
A este propósito, é significativa a actuação de João Baptista, que publicamente reprovou ao Rei Herodes a sua vida dissoluta (cf. Mt 14, 1-12). Fê-lo, certamente, porque o seu comportamento era escandaloso para qualquer judeu, mas também porque, enquanto monarca, estava obrigado a ser uma referência para o seu povo e, por isso, o seu pecado era maior. É verdade que a sua falta dizia respeito à sua intimidade, mas um rei digno desse nome não se pode permitir baixezas contrária à alteza da sua condição, a qual implica uma constante virtude, que seja lição e orgulho para todos os seus súbditos.
8. Homenagem às Rainhas de Portugal. Ainda a este propósito, permita-se-me uma breve alusão ao papel fundamental desempenhado pelas Rainhas de Portugal, sobretudo como exemplo de fidelidade matrimonial e de dedicação maternal. Outros exaltarão as suas virtudes patrióticas, bem como as suas obras de benemerência, mas não é menos digna de menção a sua tantas vezes heróica dedicação à família, quer na fidelidade aos seus compromissos matrimoniais, tanto mais meritória quanto nem sempre os casamentos régios se realizavam por iniciativa dos nubentes, quer ainda na instrução, com o seu exemplo e a sua palavra, de ínclitas gerações de Infantes de Portugal.
Embora não atingidas pelos disparos dos regicidas, as Rainhas Dona Maria Pia e Dona Amélia foram, ainda que incólumes, umas das principais vítimas do regicídio. Ambas Rainhas sofreram, respectivamente, a morte de filhos seus, tendo a Senhora Dona Maria Pia perdido também um seu neto e a Senhora Dona Amélia, seu augusto marido.
Dois significativos gestos atestam o heroísmo maternal destas duas últimas Rainhas, que o regicídio irmanou na mesma saudade e dor.
Quando, a 2 de Outubro de 1873, a Senhora Dona Maria Pia passeava, no sítio do Mexilhoeiro, com os seus filhos, uma onda arrebatou o Príncipe Dom Carlos, então com dez anos, e o seu irmão, o Infante Dom Afonso. Sem se deixar intimidar pela fúria da maré, a Rainha atirou-se de imediato à água, para salvar os seus filhos, pondo também em risco a sua própria vida. Os três vieram a ser salvos pelo ajudante do faroleiro da Guia, que foi por este motivo condecorado com a Torre-e-Espada, tendo sido também atribuída uma medalha à Senhora Dona Maria Pia. A coragem deste seu gesto foi a razão que levou à projecção de um monumento em seu louvor, muito significativamente denominado Afeição de Mãe. A estátua não chegou a ser erguida, mas o seu modelo, em barro, ainda se conserva no Palácio Real da Ajuda (Rui Ramos, D. Carlos, Círculo de Leitores, Rio de Mouro 2006, pág. 32).
Por sua vez, a atitude da Senhora Dona Amélia, por ocasião do regicídio, não poderia ter sido mais valerosa. Ante o estrondo dos disparos, que irromperam, segundo o relato de D. Manuel II, «como numa batida às feras», «uma perfeita fuzilada» (D. Manuel II, Notas absolutamente íntimas, 21-5-1918, cit., pág. 49), a Rainha não só não se amedrontou – como a grande maioria dos presentes, que, apavorados, fugiram à desfilada – como se pôs de pé na carruagem, dando assim o corpo ao manifesto. Quereria, decerto, defender os seus, nem que fosse a troco da sua própria vida. Ficou para a História a sua reacção patética, bramindo o ramo de flores que, no cais, momentos antes, lhe tinha sido oferecido por uma sua afilhada, ao mesmo tempo que gritava: «Infames, infames!» (Rui Ramos, D. Carlos, Círculo de Leitores, Rio de Mouro 2006, pág. 316). A infâmia dos que traiçoeiramente abateram, pelas costas, El-Rei, foi o pedestal de que a Providência se serviu para elevar este imperecível monumento ao heroísmo desta Rainha de Portugal, esposa e mãe mártir (D. Manuel II, Notas absolutamente íntimas, 21-5-1918, cit., pág. 53).
No esteio das suas augustas antecessoras, e em especial destas duas últimas Rainhas de Portugal, a Senhora Dona Isabel tem sido um extraordinário exemplo de virtude cristã, prestando deste jeito um inestimável serviço à Instituição e a Portugal. Bem haja, Alteza Real, por este vosso eficacíssimo apostolado que, não obstante a sua silenciosa descrição, é sonoro pregão dos ideais cristãos! Aceitai a nossa homenagem pela vossa fidelidade aos valores espirituais que, desde a sua fundação, nortearam este Reino que é de Maria e que é vosso e que, juntamente com o Senhor Dom Duarte, tão dignamente representais. Queira Deus que todos quanto se revêem neste mesmo ideário se comprometam, de acordo com o exemplo de Vossas Altezas Reais, a honrar os seus compromissos cristãos e familiares, na certeza de que, deste modo, não só prestam um valioso serviço à pátria e à Casa Real, como contribuem principalmente para a construção do Reino de Deus.

9. Cumprir Portugal. Uma curiosa coincidência numérica une os dois episódios evangélicos agora considerados: não só a hemorroíssa padecia há doze anos a doença de que foi pelo Senhor milagrosamente curada (cfr Mc 5, 25), como doze eram também os anos da jovem filha de Jairo, que Jesus ressuscitou (cfr Mc 5, 42). É provável que esse tempo signifique, no primeiro caso, uma doença tão persistente que seria, em termos humanos, incurável. Em relação à adolescente, os seus breves doze anos reforçam a tristeza provocada pelo seu inesperado óbito, porventura mais tolerável se a idade fosse provecta.
Não exagerarei se comparar o nosso país àquela doente «que tinha um fluxo de sangue havia doze anos, que sofrera muito nas mãos de vários médicos e gastara todos os seus bens, sem ter obtido qualquer resultado, antes piorava cada vez mais» (Mc 5, 25-26). O nosso Estado padece uma imparável hemorragia de mundos e fundos, que conduziu o nosso país a uma quase inimaginável situação de endividamento e de pobreza. Os recorrentes sacrifícios que são pedidos à população, não só não produzem frutos de um maior bem-estar social, como parecem contribuir para o agravamento diário da já agonizante situação. Os muitos «médicos» que se abeiraram da Pátria moribunda, sempre com juras de prodigiosas receitas, em nada contribuíram para a desejada e prometida cura e, com os seus generosos honorários, agravaram ainda mais o seu empobrecimento.
Mesmo as instituições que pareciam o mais sólido fundamento da sociedade – como a justiça, a saúde e a educação – soçobram nas mãos de mercenários aventureiros que, esquecido o ideal do bem comum e o princípio de serviço que deveria inspirar todos os governantes e funcionários do Estado, oferecem hoje um deplorável espectáculo de incrível amadorismo e da mais aflitiva e impune irresponsabilidade.
Sem saúde, sem receitas, sem recursos que bastem para a nossa digna sustentação, sem hipóteses de saldar a gigantesca dívida pública e sem políticos capazes de gizarem uma solução nacional, só nos cabem duas possíveis reacções: o desespero dos incrédulos, ou a esperança da fé.
Quando a Polónia cristã padecia o jugo comunista, um prelado, tendo em conta que o seu país se encontrava cercado, em todas as suas fronteiras, por nações satélites da então poderosa União Soviética, assim se dirigiu aos fiéis:
- Já que não nos podemos voltar para norte, nem para sul, para oeste, nem para leste, dirijamo-nos para a única direcção que nos resta: para cima, para o alto, para o Céu!
Quando Jesus disse que a filha de Jairo não estava morta, mas apenas adormecida, «riram-se d’Ele» (Mc 5, 40). Adivinho esse mesmo esgar trocista nos que agora pensam que Portugal é morto e enterrado e, por isso, descrêem esta palavra final de alento. Que seja. Mas peço o arrojo da esperança aos filhos desta bendita terra de Santa Maria, para que, como os nossos antepassados em 1385 e em 1640, também agora perseverem na ousadia da fé. Elevai pois, de novo, o estandarte das quinas e fazei vida da vossa vida a oração do poeta: «Senhor, falta cumprir-se Portugal!» (Fernando Pessoa, O Infante, último verso, in Mensagem, Edição clonada do original da Biblioteca Nacional, Guimarães Editores, 2009, pág. 61).

Padre Gonçalo Portocarrero de Almada

sexta-feira, 8 de abril de 2016

DA GENEALOGIA [BISAVÔ MARIANO E SUA VARONIA]

I — AFONSO VAZ (c. 1250 — ) casa com D. SANCHA DE NOVAIS. Têm:
II — AFONSO RODRIGUES DE MAGALHÃES (c. 1280 — ), Fidalgo da Casa Real, Senhor da Quinta e Torre de Magalhães, 1.º a usar o apelido MAGALHÃES, cc D. ALDONÇA MARTINS DE CASTELÕES, filha de João Martins de Castelões, O Moço. Têm:
III — RODRIGO AFONSO DE MAGALHÃES (c. 1310 — ), Senhor da Quinta e Torre de Magalhães, cc D. INÊS VASQUES (c. 1315 — ), filha de Vasco Mendes de Sousa. Têm:
IV — AFONSO RODRIGUES DE MAGALHÃES (c. 1340 — ), Alcaide-Mór do Castelo da Nóbrega, Senhor da Quinta e Torre de Magalhães, cc D. TERESA FREIRE DE ANDRADE (c. 1340), filha de D. Nuno Rodrigues Freire de Andrade (La Coruña, c. 1315 — 1372), 6.º Mestre da Ordem de Cristo, e de D. Clara Martins (c. 1320 — ). Têm:
V — DIOGO AFONSO DE MAGALHÃES (c. 1360 — ), Senhor da Quinta e Torre de Magalhães e do Couto da Fonte da Arcada, cc D. INÊS VASQUES DE URRÔ (c. 1360 — c. 1454) , Senhora do Couto de Rebordões, filha de Álvaro Gil Durro, Senhor do Couto de Rebordões, «Fidalgo ingles que veio a este reyno com o Duque de Lencastro, q. outros chamão Gil Duro, e dezia um brazão q. vi ser descendente de Dioglo Glz q. morreo na batalha do Campo de Ourique, q. era f.o de D.Gonçalo Vasques, irmào de S.Theotonio, Prior e Fundador do Mostero de S.Cruz de Coimbra», e de D. Leonor Vasques. Entre outros filhos, dos quais se destaca Gil Afonso de Magalhães, por ser avô de Fernão de Magalhães, o Navegador, têm:
VI — JOÃO DE MAGALHÃES (c. 1390 — ), 1.º Senhor de Ponte da Barca, Senhor de Vila Chão e Larim, cc D. ISABEL DE SOUSA (c. 1390 — ), filha de Rui Vasques Ribeiro (c. 1360 — ), 2.º Senhor de Figueiró e Pedrógão, e de D. Violante de Sousa (c. 1380 — ) [filha de D. Lopo Dias de Sousa (Coimbra, c. 1362 — Pombal, 09.02.1435), Senhor de Mafra, Ericeira e Enxara de Cavaleiros, trineto de D. Afonso III, Rei de Portugal, e, portanto, 6.º neto de D. Afonso Henriques, Rei de Portugal, e de D. Maria Ribeiro (Leiria, Pombal, c. 1365 —)]. Têm:
VII — RUI PERES DE MAGALHÃES (c. 1420  — ), Clérigo, Prior em Lousã, Deão em Coimbra, c D. MARIA AFONSO (c. 1440 — ). Têm:
VIII — JOÃO DE MAGALHÃES (Amarante, c. 1460 — ) cc D. MARIA DE BASTO, filha de Gonçalo de Basto, Abade de Louredo. Têm:
IX — ANTÓNIO DE MAGALHÃES E MENEZES (c. Amarante, 1500 — ), Cavaleiro Fidalgo da Casa Real, cc D. GENEBRA TEIXEIRA (Porto, Lousada, c. 1520 — ), filha de João Teixeira de Azevedo, Alcaide-Mór de Vila Pouca de Aguiar, e de D. Brites de Macedo. Têm:
X — FERNÃO DE MAGALHÃES TEIXEIRA (c. 1540 — ), Fidalgo da Casa Real, Cavaleiro da Ordem de Cristo, Senhor da Quinta da Porta, cc D. ANA MORENO, Senhora da Quinta do Covo, em Terra da Feira, filha de Pedro Moreno de Almeida, Senhor da Quinta do Covo, e de D. Violante Fernandes. Têm:
XI — HEITOR DE MAGALHÃES (c. 1560 — ), Fidalgo da Casa Real, Senhor da Quinta de Mariz, no Concelho de Unhão, Serviu em África, casa no concelho do Porto, na freguesia de Lousada, com D. LEONOR DA ROCHA (Porto, Lousada, Torno — ), filha de D. Gomes da Rocha, Bispo de Titopoli, Prior Comendatário dos Mosteiros de Refóios do Lima e de Vila Nova de Muia, Administrador Perpétuo do Mosteiro de S. Martinho de Crasto. Têm:
XII — JOÃO DE MAGALHÃES (Cinfães, Travanca, Ortigosa, c. 1575 — ) cc D. MARIA PINTO DE AZEVEDO (c. 1575 — ), filha de Cristóvão Pinto da Fonseca (Porto, Baião, Quinta de Ambrões, c. 1550 — ), Abade de Guilhufe [filho de Duarte Pires de Altero (Marco de Canaveses, Paços de Gaiolo, Quinta de Ambrões, c. 1520 — ), Senhor da Quinta de Ambrões, em Paços de Gaiolo, o qual é trineto de D. Mécia Pereira, filha de D. Álvaro Gonçalves Pereira, Prior do Crato, sendo assim irmã de D. Nuno Álvares Pereira / S. Nuno de Santa Maria, e de D. Susana Pinto da Fonseca (Baião, Santa Leocádia, Casa da Lage, c. 1485  — ), 1.ª a usar este «apelido composto» nesta Família, filha de D. Isabel Pinto Cochofel, a qual tem um irmão, João Pinto, que reside na Quinta da Lagariça, na Régua, a quem é passada, em 1538, Carta de Brasão de Armas de PINTOS, com uma brica verde com J, «com todas as honras de fidalgo por descender da geração e linhagem dos Pintos», 11.ª neta de Paio Soares Pinto ( — 1126) , Cavaleiro que viveu, no tempo do Conde D. Henrique, na sua Quinta do Paço, na Terra de Santa Maria da Feira. Cognominado O Pinto, porque segundo a lenda combateria contra os mouros usando «pinturas de guerra». Começa nele a mui antiga (anterior à Fundação Nacional), nobre e ilustre Família Pinto.]. Têm:
XIII — GASPAR PINTO DA FONSECA (Cinfães, Travanca, Ortigosa, c. 1600 — Cinfães, Tarouquela, 20.08.1638), Rendeiro do Mosteiro de Tarouquela, casa, no concelho de Cinfães, freguesia de Tarouquela, aos 22.09.1619, com  D. ANA MOREIRA, Senhora da Casa e Quinta do Outeiro, em Tarouquela, onde morou com seu marido, filha de Francisco de Magalhães (Cinfães, Travanca — Cinfães, Tarouquela, Quinta do Outeiro, 10.05.1618), Senhor dos Prazos da Quebrada da Barroca, em Travanca, onde sucedeu a sua mãe, D. Leonor de Magalhães, e das Lavandeiras, pelo Mosteiro de S. Bento de Avé Maria [neta paterna de João de Arrifana, Tabelião do Concelho de Sanfins], e de D. Maria Moreira (Cinfães, Tarouquela, Quinta do Outeiro — Cinfães, Tarouquela, Quinta do Outeiro, 11.03.1641), Senhora da Casa e Quinta do Outeiro [neta materna de D. Cecília Antónia Moreira, Senhora da Casa e Quinta do Outeiro, bisneta de António Pires Moreira, Capitão do Couto de Tarouquela, Juiz do Couto de Tarouquela, Procurador das Freiras Beneditinas do Mosteiro de São Bento de Avé-Maria, no Porto, Senhor da Casa e Quinta do Outeiro, Senhor da Casa de Paços, em Tarouquela, usou brasão de armas dos MOREIRAS, concedido a Diogo Moreira de Campos, Chanceler da cidade do Porto, e trineta de Pedro Gonçalves Moreira (1473 — Cinfães, Tarouquela, 31.12.1520), Capitão, Senhor do Casal do Outeiro no Couto de Tarouquela (Prazo feito a 06.10.1512), Senhor das Terras da Quebrada de Dónega na Freguesia de São Cristóvão de Espadanedo no Couto de Tarouquela.]. Têm:
XIV — BARTOLOMEU PINTO DA FONSECA (Cinfães, Tarouquela, bp. 31.08.1631 — Cinfães, Tarouquela, 13.12.1715), Senhor da Quinta do Outeiro, em Tarouquela, «Homem Nobre, que vive das suas fazendas», conforme consta num Prazo que recebeu em Setembro de 1691, Escrivão de uma das Varas de Meirinho da Relação da Casa do Porto (Mercê do Rei D. Afonso VI), c D. FRANCISCA VAZ (Cinfães, Nespereira — ), filha de Martinho Vaz e D. Maria Jorge. Têm:
XV — ANTÓNIO PINTO DA FONSECA (Cinfães, Tarouquela, c. 1670 — ). Casa com D. TERESA RIBEIRO (Porto, Foz do Douro — ), filha de Maurício Ribeiro (Porto, Foz do Douro — ) e de D. Luísa da Silva da Fonseca (Porto, Foz do Douro — ). Morador no lugar de Vila Verde e depois na Quinta da Castanheira (Cinfães, Souselo, Santo André). Contemporâneo do parente, por múltiplas linhas e em vários graus, D. Frei Manuel Pinto da Fonseca, Grão Mestre da Ordem de Malta (Lamego, Sé, 24.05.1681 — Malta, Valletta, 24.01.1773). Têm:
XVI — DOMINGOS PINTO DA FONSECA (Cinfães, Souselo, Louredo, bp. 18.02.1700 — ) casa, no concelho de Cinfães, freguesia de Santiago de Piães, aos 25.11.1723, com D. CATARINA PINTO DO ESPÍRITO SANTO (Cinfães, Santiago de Piães, Bouça — ), filha de Manuel Moreira (Cinfães, Santiago de Piães, Bouça — ) e de D. Francisca Pinto (Cinfães, Santiago de Piães, Bouça — ), os quais são parentes no 4.º grau de consanguinidade e virão a ser avós de três sacerdotes: Padre Francisco de Faria Pinto, Padre Francisco da Costa Ramos e Padre João Correia da Costa Ramos. Têm:
XVII — JOSÉ CAETANO DA FONSECA (Cinfães, Santiago de Piães, Bouça, bp. 20.04.1724 — ) casa, no concelho de Cinfães, freguesia de Santiago de Piães, aos 10.06.1754, com D. MARIA QUITÉRIA DA COSTA (Marco de Canaveses, Penha Longa, Cardia, bp. 29.07.1726 — ), filha de Manuel da Costa Ramos (Cinfães, São Cristóvão de Nogueira, Mourilhe, bp. 11.04.1683 — ) e de D. Maria da Costa (Marco de Canaveses, Penha Longa, Cardia — ). Têm:
XVIII — JOSÉ DA COSTA RAMOS (Cinfães, Santiago de Piães, Bouça, bp. 08.07.1759 — Fronteira, Fronteira, 04.09.1811), Capitão, Capitão agregado a um dos Regimentos de Ordenanças da Corte (01.12.1806), casa, na cidade de Lisboa, freguesia de São Julião, aos 30.11.1788, com D. JOSEFA JOAQUINA (Tarouca, Várzea da Serra, 1761  — Fronteira, Fronteira, 02.12.1844), filha de Manuel Gaspar e de D. Joana Fernandes. Têm:
XIX — CARLOS DA COSTA PINTO DA FONSECA (Fronteira, Fronteira, 24.11.1794 — Fronteira, Fronteira, 01.04.1857), Proprietário e Lavrador, activo miguelista,  casa, no concelho e freguesia de Fronteira, aos 03.03.1830, com D. TERESA CAROLINA PEREIRA (Sousel, Santo Amaro, 02.03.1801 — Fronteira, Fronteira, 01.05.1862), Proprietária e Lavradora, em viúva, filha de Jacinto Pereira da Cruz (Monforte, Assumar, 29.04.1751 — ) e de sua mulher D. Ana Maria da Silva (Sousel, Santo Amaro — ), sendo esta última bisneta, sempre por linha feminina, de Manuel Dias Serra (Sousel, Casa Branca, bp. 20.09.1670 — ) e de sua mulher Isabel Gião (Sousel, Casa Branca, c. 1670 — ), os quais  têm, pelo menos, dois filhos varões, Manuel Gião (que será o trisavô por varonia de Joaquim José Gião, 1.º Visconde de Gião) e Francisco Dias Serra, que virá a professar com o nome de Padre Francisco Dias Gião, e uma filha, Isabel Gião, de quem a referida é neta  . Têm:
XX — JOAQUIM PEREIRA DA COSTA PINTO (Fronteira, Fronteira, 29.11.1835 — Fronteira, Fronteira, 05.11.1891), Proprietário e Lavrador, Senhor da Herdade da Revenduda, Tronco da Família Costa Pinto, do Alentejo, casa no concelho e freguesia de Sousel, aos 01.06.1863, com D. LEONOR DO CARMO MOREIRA (Sousel, Sousel, 26.02.1835 — Sousel, Sousel, 31.08.1892), filha de João Rodrigues Moreira (Sousel, Sousel, bp.13.10.1790 — Sousel, Sousel, 22.03.1872), Proprietário e Lavrador [é trineto do Doutor Jerónimo Moreira de Carvalho (Estremoz [Santo André ou Santa Maria], c. 1673 — c. 1748), Médico, Cirurgião e Escritor, Formado em Medicina pela Universidade de Coimbra (1697), Médico do Partido da Universidade de Coimbra, Médico dos Exércitos da Província do Alentejo, Físico-Mór da Gente de Guerra do Reino do Algarve, Médico em Sousel e em Lisboa (nas Cortes de D. Pedro II e D. João V), compôs uma massa, que intitulou «Pedra de David», com a qual curou várias doenças, e a ele se deve o primeiro tratamento para problemas de uretra, escreveu e traduziu vários livros — de Medicina, Cirurgia, História e Romances de Cavalaria —, entre os quais se destacam as seguintes publicações: Método verdadeiro para curar radicalmente as carnosidades (Lisboa, 1721), História do Imperador Carlos Magno e dos doze Pares de França (Lisboa, 1728), História do Grande Roberto, Duque da Normandia e Imperador de Roma, etc. (Lisboa, 1733), História das Guerras Civis de Granada (1735), sendo este pai do Padre António Moreira (Lisboa, Castelo, 28.05.1710 — Almeida, Almeida, 01.05.1760),  Jesuíta, Missionário, Professor, Naturalista, Escritor, ingressou na Companhia de Jesus aos 19.02.1728 e neste mesmo ano deixou a Capital do Império como Irmão Estudante e membro da 46.ª Missão dos Jesuítas para o Maranhão e Grão-Pará, aos 15.08.1745 fez a sua Profissão Solene na Igreja do Maranhão, foi Missionário no rio Tapajós, Professor de Filosofia e de Prima de Teologia no Colégio Jesuíta do Maranhão,  escreveu Declaração das Raridades do Maranhão, de Peixes, Aves, etc., cujo manuscrito se encontra em depósito na Torre do Tombo, e na sequência da expulsão da Companhia de Jesus, de Portugal e dos seus domínios ultramarinos, foi mandado regressar e encarcerar pelo Marquês de Pombal e morreu prisioneiro no Forte de Almeida, e do Padre Jerónimo Moreira de Carvalho (Sousel, Sousel, 09.02.1715 — ) [homónimo de seu pai], Religioso, Bacharel pela Universidade de Coimbra, Procurador da Coroa e Fazenda da Cidade do Rio de Janeiro, o qual, depois de escolher e tomar o estado clerical (1749),  foi Pároco de Nossa Senhora do Rosário, em Goiás (1749-1754), e de Santa Luzia, paróquia desanexada da anterior (1757-), e membro da comissão responsável pela construção da nova Igreja de Nossa Senhora do Rosário de Santa Luzia, celebrando a sua missa inaugural, no  Bairro do Rosário, Cidade de Luziânia, Estado de Goiás, Brasil (-1769), é também trineto do Coronel Francisco Cordeiro Vinagre (n. Vila Viçosa, Nossa Senhora da Conceição, bp. Borba, Santa Bárbara, 26.12.1678 — m. c. 1750), Quartel-Mestre-General, Engenheiro-Militar, Cavaleiro da Ordem de Cristo, e é ainda pentaneto de Clemente Pires Farinha Barreiros (n. Sousel, Sousel, c. 1590), Fidalgo de Cota de Armas (teve Carta de Brasão de Armas para BARREIROS aos 27.08.1616)], e de sua mulher D. Ana da Conceição Belém [também usou D. Ana da Conceição Silveira, como, por exemplo, é referida no registo de óbito da sua filha D. Maria da Orada Moreira (madrinha de baptismo do biografado neste livro)],  (Sousel, Sousel, 12.09.1791 — ), filha de José Fernandes (Gouveia, Vila Nova de Tazem — ) e de sua mulher D. Ana de Belém (Sousel, Sousel, bp 28.07.1748 — ), e bisneta pelo lado desta de Manuel Rodrigues (Leiria, Caranguejeira [antiga Paróquia de São Cristóvão] — ) e de sua segunda mulher D. Faustina Silveira (Sousel, Sousel, bp. 01.01.1698 — ), os quais são igualmente bisavós do Cantor, Professor de Canto, Compositor e Empresário Teatral António Felizardo Porto (Sousel, Sousel, 27. 06.1793 — Lisboa, Lisboa, 01.10.1863), o qual foi um dos melhores baixos da época, sendo conhecido na Europa por «voce di testa», Cantor da Capela Real, partiu com a Corte Portuguesa para o Rio de Janeiro em 1808 e lá permaneceu até 1821, Mestre de Canto de D. Maria II em Londres (1828-1834), Director Técnico do Teatro de S. Carlos em 1843, etc., do Alferes António Felizardo Silveiro e do Major Francisco Felizardo Silveiro, Sargento-Mór das Ordenanças da Vila de Sousel (01.11.1814) [estes dois últimos são irmãos entre si — filhos do Capitão António dos Santos Silveiro (Sousel, Sousel, 01.07.1753 — Sousel, Sousel, 05.07.1812), Capitão da 2.ª Companhia das Ordenanças da Vila de Sousel (27.05.1811),  e de D. Maria do Mileu (  — Sousel, Sousel, 12.08.1811) — e primos co-irmãos do anterior, sendo portanto todos primos-segundos da supradita D. Ana da Conceição Belém] . Têm:
XXI — MARIANO MOREIRA DA COSTA PINTO (Sousel, São João Baptista da Ribeira, Herdade da Revenduda, 31.10.1868 — Monforte, Vaiamonte, Herdade de Torre de Palma, 26.04.1930), Proprietário e Lavrador, Político, activo regionalista e republicano, Senhor das Herdades de Samarruda, Nora, Courelas de Valverde (as duas últimas eram anexas à primeira), Palhinha, Gis, Picão (estas três eram anexas umas às outras), Vale dos Homens, Tapadão de Alter, Esquerdos, Relvácho, Asseca, Pintas, Torradas, Sernila, Matança e Reguengo, Rendeiro da Herdade de Torre de Palma, Presidente da Comissão Administrativa da Câmara Municipal de Monforte, Presidente da Junta de Paróquia de Vaiamonte, Juiz de Paz de Vaiamonte, Presidente do Triângulo N.º 169 da Maçonaria de Rito Francês (iniciado em 14.05.1911, no referido Triângulo de Monforte, com o nome Simbólico de «Alma»). Etc.
 
Fonte bibliográfica:
In 3.º draft do livro Mariano Moreira da Costa Pinto — Vida, Antepassados e Descendentes dum Grande Lavrador Alentejano, de João Miguel Costa Pinto Marchante (Autor do blogue Eternas Saudades do Futuro).