sexta-feira, 31 de agosto de 2012
DIA 31
Sem carteira a
pressão é maior, porque era bem mais fácil encontrar um tema vasculhando aquela
coisa sem tino nem fundo. Por isso continuo a vadiagem.
Abalei para o Alentejo. Um Alentejo especial, é certo, arraçado de beirão e
ribatejana, mas que assim lhe permitiu herdar o que há de bom (também o mau?) das
três Províncias.
Aqui há charnecas, extensas
planícies onde se semeava o trigo por entre os sobreiros, mas também há colinas
e montes e escarpas, especialmente quando se desce até ao Tejo. Poucos quilómetros
em qualquer direcção e de repente já não é xisto, são afloramentos de granito,
mais adiante e reaparece o xisto. Uma diversidade de paisagem num tão pequeno
espaço, a exemplo do que afinal acontece numa escala maior em Portugal. A
constante são os sobreiros, as azinheiras, as oliveiras e, infelizmente cada
vez mais, os encalitros e os
pinheiros. Há pouca auga, mas também
existem oásis.
Muitos urbanos odeiam
a vida no campo, especialmente se já vão na terceira geração de cidade e
perderam todos os laços, e nós, e memórias. Odeiam os bichos, aranhas (das
grandes aos aranhiços, e as suas teias estão incluídas na noção de bicho),
formigas, escaravelhos, mosquitos, melgas, abelhas, abelhões, abêsporas, borboletas da noite, que as
de dia ainda se toleram por serem bonitinhas, moscas, varejeiras, lagartos,
lagartixas, osgas, cobras, morcegos, ratos… Dão gritinhos, chamam por socorro,
pouca falta para acharem que devem vir o 112 e os bombeiros.
Já acham graça aos “mémés”,
ainda pegam nos borregos ou cabritos ao colo mas depois largam-nos e gritam
porque lhes fizeram chichi para cima. Das marrãs
têm nojo. Dos bezerros ficam longe, e das vacas ainda mais, que respeitinho é
muito bonito e estes já são animais do grande respeito que lhes dá a cornadura.
No entanto, há sempre
uma altura da vida em que o urbano quer uma casa no campo, - sempre depois da
casa na praia, pois claro - seja por imitação, seja por um qualquer chamamento
genuíno. Está cientificamente comprovado que a taxa de sobrevivência de um
urbano no campo não é muito elevada, por isso só aguenta uns fins-de-semana por
ano.
Este urbano tenta
reproduzir no seu cantinho rural exactamente o seu cantinho urbano, mas sem
paragem de autocarro. Só que o campo tem manhas, e é preciso saber os truques
todos para sobreviver. Aprende-se. Todo um curso de formação especializada. Com
tempo e muitos gritinhos.
Não é só com os
bichos. Também se aprende que o tempo vive noutro planeta. Aqui não há tempo. Não
cabe na cabeça de ninguém dizer aqui que o tempo urge. É uma noção inventada
por urbanos. Aqui só há tempo das sementeiras e das colheitas. O resto é paisagem.
Se o nosso urbano, o
tal que nunca teve laços com a terra ou já os perdeu, quer contribuir para o
desenvolvimento da terra mais próxima do seu novo cantinho rural, procure ver o
que tem à sua disposição nessa terra antes de desandar para Lisboa ou Porto.
Se quer um vidro,
primeiro tente saber se existe vidraceiro na vila. Não se fie se não houver
propaganda à porta, não quer dizer nada. Na própria terra toda a gente sabe
onde ficam os vários mesteres: o sapateiro, a oficina de bicicletas, o mecânico
de automóveis que já não há, o vidraceiro, o carpinteiro. Não precisam de publicidade.
Só a gente de fora não sabe. Vai daí, pergunte. Não se espante se a resposta
não sair pronta, ou se indicarem primeiro a cidade mais próxima. Insista, que acabam
por se lembrar. Depois, descobrir a porta ou portão exacto já é outra aventura.
É fácil perdermo-nos em terras pequenas, fala a experiência. Feitas as
descobertas (às vezes vai surpreender-se com a acumulação de mesteres), lembre-se
sempre que não há tempo.
Os eventuais
comentários, os cochichos, nem se notam quando temos os miminhos. Os produtos
da horta oferecidos (eram tantas as alfaces que trouxemose-as), o sapateiro que faz um furo extra na coleira do cão
enquanto esperamos com o carro mesmo no meio da rua estreita e não leva nada,
as conversas nas lojas (…e a modos que
eles lá forem e fizerem isso…), as queixas no centro de saúde que já nem há
ao fim-de-semana, a disponibilidade para ajudar…
Quando abalar para Lisboa, irei em lágrimas,
porque é aqui que pertenço, é aqui que sou. A carteira nunca vai perceber.
- Atão?
- Qualquer dia avento-a.
Leonor Martins de
Carvalho
domingo, 21 de julho de 2019
IDENTIDADE NACIONAL VERSUS ICONOCLASTAS
É conhecida a pulsão iconoclasta dos ateus, republicanos e socialistas que (des)governam Portugal e Lisboa. Já tinham suprimido freguesias que correspondiam a paróquias históricas e que, como estas, tinham nomes de Santos. Todo um programa, portanto. Agora, à sorrelfa, apagaram os ícones com touros e toureiros que constavam das placas de sinaléctica indicando o Campo Pequeno. O Povo não gosta, mas finge que não vê e vai comentando à boca pequena. Até ao dia...
quinta-feira, 12 de outubro de 2017
IDENTIDADE CULTURAL E TRADIÇÃO NACIONAL EM ACÇÃO
Corrida de Gala à Antiga Portuguesa na Monumental Praça de Touros do Campo Pequeno. É hoje.
sábado, 19 de agosto de 2017
segunda-feira, 2 de dezembro de 2013
CADERNOS INTERATLÂNTICOS (45)
Nunca precisei de dias específicos ou feriados para recordar pessoas, coisas ou efemérides. Quando o sentimento intenso é profundo, quando a dor ou a alegria são sublimadas em saudade, recordar torna-se uma atitude constante, um estado permanente, uma vivência. Tudo isto vem a propósito de mais um Primeiro de Dezembro; desta vez escandalosamente suprimido pelos vendilhões e coveiros de Portugal. Infelizmente, para uma grande parte dos “portugueses de BI”– quiçá a maioria – o dia deste ano, um Domingo, será apenas mais um dia de passeio, comilânça e compras. Para outros, no entanto – e que não devem exceder uma mão cheia – é um dia de reflexão, especialmente nestes tempos de ocaso nacional. E tal exercício, se bem que tenha como pano de fundo a Restauração de 1640, seus heróis e, sobretudo, seu exemplo, cobra grande vigência quando atentamos ao processo de dissolução nacional cuja partida oficial foi dada com a revolução de Abril de 1974, processo este que hoje, sob nova roupagem, ameaça atingir a sua odiosa conclusão. Já não se trata de despedaçar Portugal e entregar os bocados, numa bandeja d’ouro, ao comunismo assassino; nem expropriar empresas, invadir herdades, prender milhares de inocentes ou enviar capitalistas e inimigos do povo para o Campo Pequeno; nem vosciferar – com fato macaco, barbicha e cara patibular – contra o fascismo, a reacção, o imperialismo, etc. Hoje a coisa fia mais fino. Com falinhas mansas, sorrisos alvares, gravatas de seda, telemóveis e automóveis de alta cilindrada, a canalha pulhítica que nos desgoverna entretem-se com as modernas ferramentas para a dissolução do que resta do país. Com a soberania real transferida à União Europeia, aos caprichos dos senhores de Bruxelas e Estrasburgo e à alta finança apátrida, os sobas do rectângulo avançam com as tarefas de casa e dão rédeas soltas a: imigração-invasão que produz desequilíbrios e descaracterização; relativização e banalização da nacionalidade portuguesa; tolerância “100%” com vários tipos de delito; promoção de comportamentos que conduzem à desestabilização da instituição familiar; ataques à consciência católica, elemento estruturante da Nação; materialismo desenfreado e inaudito; (des)educação desenraizante e anti-portuguesa da juventude – entre outras barbaridades. Em tempos de anti-Portugal e em jeito de homenagem aos Restauradores de 1640, deixo-vos aqui com as palavras pronunciadas a 26 de Outubro de 1933 por um dos maiores Portugueses de sempre – um daqueles Grandes que sempre colocaram Portugal acima de tudo:
“A Nação Portuguesa não é de ontem; estamos a reconstruí-la, mas não a edificá-la. Nos altos e baixos da sua história há muito esforço, muita inteligência, muita bravura, muito sacrifício. Aos que carrearam para a obra a sua pedra, por vezes até não aproveitada ou inútil, tem de poupar-se a intenção generosa e o trabalho despendido. Quem se coloca no terreno nacional não tem partidos, nem grupos, nem escolas: aproveita materiais conforme a sua utilidade para reconstruir o País; tem a grande, a única preocupação de que sirvam e se integrem no plano nacional. Aos que se obstinam em não servir a Nação; aos que pensam que cada qual pode servi-la e a serve realmente trabalhando como quer; aos que vão mais longe e crêem não dever servir a Pátria para servir teoricamente a Humanidade, é preciso também a esses fazer justiça – ao seu valor, ao seu carácter, à sua honorabilidade, mas é preciso combater sem tréguas, ainda pelo interesse nacional, o gravíssimo erro da sua posição antinacional.” A.O.S.
Até para a semana, se Deus quiser
Marcos Pinho de Escobar
quinta-feira, 29 de setembro de 2011
TRADIÇÃO, ARTE, HISTÓRIA E EMOÇÃO!
Decorrerá hoje, no Campo Pequeno, uma Corrida de Gala à Antiga Portuguesa. Quer isto dizer que a Corrida de Toiros é precedida de um cortejo histórico, à maneira das Touradas Reais do tempo de El-Rei D. João V, com as personagens vestidas à época e representando as funções simbólicas que exerciam nessa 1.ª metade do século XVIII. Logo de seguida, passar-se-á às cortesias contemporâneas e a faena iniciar-se-á. Ao que sei, a Monumental Praça estará completamente cheia, esperando que os cavaleiros toureiem magnificamente e os forcados sejam de extrema bravura. A RTP em boa hora decidiu transmiti-la em directo. Portanto — ao vivo ou pela televisão —, um espectáculo absolutamente a não perder!
segunda-feira, 11 de julho de 2011
EXPRESSO DO OCIDENTE
Terça-feira, 5 de Junho
Num par de meses, terá deixado de existir compatriota que não saiba o que são agências de notação financeira e em que consiste o risco de "default" de empresas e de nações. Diria mais: verifico que temos hoje um país de especialistas no assunto! E sendo assim não é de espantar que não haja quem não comente o tema do dia: a tal Moody's colocou Portugal ao nível do lixo, prometendo assim dificultar ainda mais a nossa vida - já de si pouco famosa - e aumentando a probabilidade de que nos possamos ver gregos, literalmente, mais cedo do que tarde. Deitando os olhos por televisões e pasquins (ainda que ao de leve, a bem da sanidade mental), vendo que por lá se acotovelam tantos sábios, cabe perguntar qual a razão de estarmos onde estamos, mais uma vez, no curto espaço de três décadas.
Quarta-feira, 6 de Junho
A convicção parece tão pacífica quanto generalizada: é urgente criar condições para que a economia real cresça, facilitando o empreendedorismo, limitando a burocracia, a corrupção e a asfixia fiscal. Mas nem tudo o que parece é. Pela manhã, no Campo Pequeno, a Câmara Municipal de Lisboa - através do génio incomparável do vereador Sá Fernandes -, resolveu dar uma ajudinha ao desenvolvimento local (e logo no bairro que ainda por cima é o dele…) mandando desmantelar as estruturas exteriores dos espaços de restauração aí existentes e que ajudavam a clientela a proteger-se do vento e do frio que, naquele local, tende amiúde a não dar tréguas. Que Sá Fernandes é um louco à solta, todos sabemos; que a sua acção irresponsável já custou prejuízos milionários a todos nós, também é do conhecimento generalizado; o que já não é evidente é que, sabendo-se de tudo isto, a autarquia permita que o cavalheiro continue a infernizar o dia-a-dia da cidade. A Moody's, que avalia tanta coisa, havia de avaliar também o rating deste iluminado e, não menos importante, de quem o mantém em funções.
Sexta-feira, 8 de Julho
Há uns meses, em plena desgraça socrática, Cavaco Silva afirmou, solene e categórico: "Não vale a pena recriminar as agências de rating". Hoje o país ouviu-lhe a força da convicção: "As agências de rating norte-americanas são uma ameaça". Inevitavelmente a verificação da coisa lembra-me o nosso Eça, português de outro campeonato, quando contava a história daquele governador civil que dizia: "É boa, dizem que sou sucessivamente regenerador, histórico, reformista!… Mas eu nunca quis ser senão governador civil!"…
Sábado, 9 de Julho
A notícia de fundo do i assustará qualquer português de bem. A fazer fé no jornal - e não custa muito a crer, se observado, por exemplo, o caso espanhol - são já 133 mil as famílias que deixaram de pagar as prestações mensais do crédito para habitação e, contas feitas com base em dados do Banco de Portugal, são cerca de duzentas mil as famílias que se poderão encontrar na iminência de ficar sem casa até ao final do ano - admitindo que as promessas de rapidez nas decisões judiciais feitas à troika são mesmo para levar a sério. Dá-me impressão que há mesmo muita gente que terá votado na troika interna há um mês e que ainda não se terá apercebido bem das consequências dos seus actos. Conformismo ou desinteresse? Mais uma vez o Eça: "E assim se passa, defronte de um público enojado e indiferente, esta grande farsa que se chama a intriga constitucional. Os lustres estão acesos. Mas o espectador, o país nada tem de comum com o que se representa no palco; não se interessa pelos personagens e a todos acha impuros e nulos; não se interessa pelas cenas e a todas acha inúteis e imorais. Só às vezes, no meio do seu tédio, se lembra que para poder ver, teve que pagar no bilheteiro!"
Domingo, 10 de Julho
Já o disse e escrevi vezes sem conta mas convém repetir, tanto mais que o fenómeno se agrava a olhos vistos: por comparação a França ou Itália - mesmo a Espanha, para não ir mais longe -, a política caseira é profundamente chata e monocórdica, sem pinga de interesse. No quadro actual, que ainda para mais tudo resume e submete às vicissitudes da macro-economia, o cenário piora e apenas quem tenha alguma tendência para mártir poderá seguir com alguma atenção, do governo às oposições, a pobreza do que é encenado e servido. Não espanta por isso que um domingo caseiro seja totalmente alheio à consulta da imprensa que está para além d' A Bola - e que de televisão desligada seja sereno e dedicado ao mergulho no que permanece para lá da espuma dos dias: nunca é tarde para voltar ao Eça, ao Rodrigo Emílio, ao Couto Viana. Pelo menos na letra impressa, Portugal vive e nada tem a aprender.
Num par de meses, terá deixado de existir compatriota que não saiba o que são agências de notação financeira e em que consiste o risco de "default" de empresas e de nações. Diria mais: verifico que temos hoje um país de especialistas no assunto! E sendo assim não é de espantar que não haja quem não comente o tema do dia: a tal Moody's colocou Portugal ao nível do lixo, prometendo assim dificultar ainda mais a nossa vida - já de si pouco famosa - e aumentando a probabilidade de que nos possamos ver gregos, literalmente, mais cedo do que tarde. Deitando os olhos por televisões e pasquins (ainda que ao de leve, a bem da sanidade mental), vendo que por lá se acotovelam tantos sábios, cabe perguntar qual a razão de estarmos onde estamos, mais uma vez, no curto espaço de três décadas.
Quarta-feira, 6 de Junho
A convicção parece tão pacífica quanto generalizada: é urgente criar condições para que a economia real cresça, facilitando o empreendedorismo, limitando a burocracia, a corrupção e a asfixia fiscal. Mas nem tudo o que parece é. Pela manhã, no Campo Pequeno, a Câmara Municipal de Lisboa - através do génio incomparável do vereador Sá Fernandes -, resolveu dar uma ajudinha ao desenvolvimento local (e logo no bairro que ainda por cima é o dele…) mandando desmantelar as estruturas exteriores dos espaços de restauração aí existentes e que ajudavam a clientela a proteger-se do vento e do frio que, naquele local, tende amiúde a não dar tréguas. Que Sá Fernandes é um louco à solta, todos sabemos; que a sua acção irresponsável já custou prejuízos milionários a todos nós, também é do conhecimento generalizado; o que já não é evidente é que, sabendo-se de tudo isto, a autarquia permita que o cavalheiro continue a infernizar o dia-a-dia da cidade. A Moody's, que avalia tanta coisa, havia de avaliar também o rating deste iluminado e, não menos importante, de quem o mantém em funções.
Sexta-feira, 8 de Julho
Há uns meses, em plena desgraça socrática, Cavaco Silva afirmou, solene e categórico: "Não vale a pena recriminar as agências de rating". Hoje o país ouviu-lhe a força da convicção: "As agências de rating norte-americanas são uma ameaça". Inevitavelmente a verificação da coisa lembra-me o nosso Eça, português de outro campeonato, quando contava a história daquele governador civil que dizia: "É boa, dizem que sou sucessivamente regenerador, histórico, reformista!… Mas eu nunca quis ser senão governador civil!"…
Sábado, 9 de Julho
A notícia de fundo do i assustará qualquer português de bem. A fazer fé no jornal - e não custa muito a crer, se observado, por exemplo, o caso espanhol - são já 133 mil as famílias que deixaram de pagar as prestações mensais do crédito para habitação e, contas feitas com base em dados do Banco de Portugal, são cerca de duzentas mil as famílias que se poderão encontrar na iminência de ficar sem casa até ao final do ano - admitindo que as promessas de rapidez nas decisões judiciais feitas à troika são mesmo para levar a sério. Dá-me impressão que há mesmo muita gente que terá votado na troika interna há um mês e que ainda não se terá apercebido bem das consequências dos seus actos. Conformismo ou desinteresse? Mais uma vez o Eça: "E assim se passa, defronte de um público enojado e indiferente, esta grande farsa que se chama a intriga constitucional. Os lustres estão acesos. Mas o espectador, o país nada tem de comum com o que se representa no palco; não se interessa pelos personagens e a todos acha impuros e nulos; não se interessa pelas cenas e a todas acha inúteis e imorais. Só às vezes, no meio do seu tédio, se lembra que para poder ver, teve que pagar no bilheteiro!"
Domingo, 10 de Julho
Já o disse e escrevi vezes sem conta mas convém repetir, tanto mais que o fenómeno se agrava a olhos vistos: por comparação a França ou Itália - mesmo a Espanha, para não ir mais longe -, a política caseira é profundamente chata e monocórdica, sem pinga de interesse. No quadro actual, que ainda para mais tudo resume e submete às vicissitudes da macro-economia, o cenário piora e apenas quem tenha alguma tendência para mártir poderá seguir com alguma atenção, do governo às oposições, a pobreza do que é encenado e servido. Não espanta por isso que um domingo caseiro seja totalmente alheio à consulta da imprensa que está para além d' A Bola - e que de televisão desligada seja sereno e dedicado ao mergulho no que permanece para lá da espuma dos dias: nunca é tarde para voltar ao Eça, ao Rodrigo Emílio, ao Couto Viana. Pelo menos na letra impressa, Portugal vive e nada tem a aprender.
Pedro Guedes da Silva
sexta-feira, 6 de maio de 2011
IDENTIDADE E TRADIÇÃO
Português que sou, fui ontem à corrida de toiros no Campo Pequeno. E levei os meus filhos. Encontrei lá amigos meus que fizeram exactamente o mesmo. Enquanto assim for, Portugal não morrerá.
quarta-feira, 5 de janeiro de 2011
JARDIM PARA HOJE (10)
Jardim Marquês de Marialva.
Sim, este é o verdadeiro nome do jardim que se esplana à volta da monumental Praça de Touros do Campo Pequeno.
sexta-feira, 15 de maio de 2009
LIVRO PARA HOJE (102)
Corrida — Breve História da Tauromaquia em Portugal, Mascarenhas Barreto, edição do Autor, Lisboa, 1970.
A propósito da corrida que assinalou ontem os três anos da reinauguração da Monumental do Campo Pequeno.
terça-feira, 15 de janeiro de 2008
AR PURO
Apresento aqui a minha descoberta do dia, feita a partir de uma conversa, tida sob os plátanos do Campo Pequeno, sobre blogues paisagistas e outros, com a H., a quem agradeço o link.
sexta-feira, 21 de dezembro de 2007
E AGORA...
... Vou ao encontro do meu vendedor ambulante de castanhas preferido, com o objectivo de comprar uma dúzia delas, e saboreá-las, durante este último pôr-de-Sol do Outono, dedicando-as à Isabel, que me enviou um pessoalíssimo postal electrónico ilustrado de Natal, lá a partir dos States. Assim, sim.
Post Scriptum: Já está. E foram acompanhadas por um vinho tinto alentejano a copo. Lá para as bandas das velhas hortas boémias e fadistas do Campo Pequeno. Em memória e honra, também, do velho Marquês de Marialva. À antiga, como deve ser.
quinta-feira, 6 de setembro de 2007
A CORES E ECLÉCTICO
Não sei se hei-de ir, esta noite, à corrida de toiros do Campo Pequeno ou à fita da Cinemateca Portuguesa.
sexta-feira, 10 de agosto de 2007
AINDA OS COSTADOS ALENTEJANOS
Decorreu ontem, no Campo Pequeno, uma Corrida de Gala à Antiga Portuguesa. Quer isto dizer que a Corrida de Toiros é precedida de um cortejo histórico, à maneira das Touradas Reais do tempo de El-Rei D. João V, com as personagens vestidas à época e representando as funções simbólicas que exerciam nessa 1.ª metade do século XVIII. Logo de seguida, passa-se às cortesias contemporâneas e a faena inicia-se. A Praça esteve completamente cheia, os cavaleiros tourearam magnificamente e os forcados foram de extrema bravura. A RTP em boa hora escolheu esta tourada para corrida dos seus 50 Anos. Acertou em cheio. Por cá, todo contente, pude vê-la no remanso do sofá — alentejano desnaturado que sou, não honrando os antepassados e parentes dados a essas lides de Sol e Toiros.
quinta-feira, 19 de julho de 2007
quinta-feira, 28 de junho de 2007
VOLTAS E MAIS VOLTAS
Aquele postal já não está à vista (só ficam nessa posição os últimos 50), mas será actualizado volta e meia. A propósito: vou ali dar uma volta ao Campo Pequeno. Espero não ter que mandar ninguém dar uma volta ao bilhar grande, com o mau feitio com que ando. Estas voltas todas serviram apenas para lembrar aos leitores a hipótese de irem passando no tal postal, embora este não seja nada de especial.
sábado, 9 de junho de 2007
AINDA E SEMPRE OS SAUDOSOS PLÁTANOS DO CAMPO PEQUENO
Bem sei que não trará de volta os lindíssimos plátanos à sombra dos quais brinquei e passeei ao longo de quarenta anos, mas assinei esta PETIÇÃO para que fique escrito preto no branco que não gostámos e que não somos parvos.
terça-feira, 1 de maio de 2007
SELVAGENS À SOLTA NO CAMPO PEQUENO
Afinal, há quem esteja atento às barbaridades que se andam fazendo em Lisboa. Bem-hajam!
sexta-feira, 20 de abril de 2007
POR ONDE VAI LISBOA?
Tenho constatado com espanto e tristeza que há uma qualquer fúria novo-riquista ou selvagem (vai dar ao mesmo) que leva ao arranque de árvores centenárias em Lisboa. Depois da Rotunda, chegou a hora do Campo Pequeno. Ninguém trava esta demência? E, este delicioso e aromático blogue, que diz disto?
sexta-feira, 23 de novembro de 2012
CARTEIRA DE SENHORA
DIA 43
Já deram por isso,
claro. A carteira é pior que sombra e segue-me onde quer que vá em trabalho,
embora chegada ao destino tenha programa diferente. Um programa bem mais
divertido com certeza mas desconheço-o, porque a carteira invoca segredo de justiça
sem sequer se dignar informar-me a que processo se refere afinal. Saberei depois
de sussurrado a jornalistas.
Essas viagens já levaram a duas crónicas
escritas em aviões embora o da volta não conte. É estar à porta de casa.
Esta será a primeira
crónica completamente escrita em exílio. Não há escolha possível e salta então
a saudade para a linha da frente.
Não quero saber das
definições esdrúxulas da saudade. Limito-me ao que sinto e parece-me simples. As
saudades que provoca a lonjura, pelo menos. Não vou entrar nas outras.
Que fique claro que
as saudades antecipadas são uma subespécie perfeitamente normal, não são doença
rara a necessitar tratamento especial. Quando nos emocionamos nas despedidas,
quando antes da partida procuramos reter na memória tudo o que nos rodeia, não
é o exército das saudades em pleno campo de batalha?
Nunca estive emigrada
nem nunca passei demasiado tempo fora do país. Simplesmente nunca aconteceu. Mas
já senti a necessidade premente de ouvir e falar português. Uma saudade
inesperada da língua, do seu som e sabor, que tive de matar sem contemplações.
Como todos, se tiver
de emigrar, parto. Também não desisti ainda daquelas resoluções de adolescente,
de voltas ao mundo em barco à vela, de estadias sem tempo nos mais longínquos
locais. Em qualquer caso sei que a bordo segue a saudade.
Uma aflição, uma
sensação indefinida que rebenta em torrente despoletada por uma qualquer insignificância.
Saudade da família,
dos amigos, das caras, das vozes, das conversas, dos disparates, das meiguices.
Mais tudo o que a memória nos vai deixando na baixa-mar.
Saudade da língua, da
gente, do mar, da cor do mar, do sabor a mar, do cheiro a mar, do horizonte, do
campo, da planície, do café, da comida, do bairro, do merceeiro, da cabeleireira,
das memórias, do pequeno e do infinito…
Até temos saudade dos
cheiros. O cheiro a terra molhada noutro país pode até ser agradável mas não me
traz qualquer recordação. E embora alguns sons me toquem na memória, são só mera
aproximação.
Quando a saudade avança
decidida, só apetece voltar ao colo da mãe, ao colo do país, ao aconchego da
lareira, às histórias antigas, aos serões, ao barulho das ondas, à vista sem
fim…
Ver Lisboa a chegar,
emociona sempre. Não somos nós a regressar é ela que regressa. É também o país
que regressa. Afinal, trazemo-lo sempre connosco.
Com saudade,
Leonor Martins de
Carvalho

