domingo, 18 de março de 2012

DO ÁLBUM DE FAMÍLIA [TIO-BISAVÔ CARLOS]

Carlos Moreira da Costa Pinto
(Sousel, São João Baptista da Ribeira, 18.02.1871 —
  — Lisboa, São Sebastião da Pedreira, 28.03.1944)

Lavrador, Proprietário e Político.

Filho de Joaquim Pereira da Costa Pinto e de D. Leonor do Carmo Moreira, irmão mais novo de Mariano Moreira da Costa Pinto, Carlos Moreira da Costa Pinto, que recebe o mesmo nome próprio de seu avô-paterno, Carlos da Costa Pinto da Fonseca, nasce na Herdade da Revenduda, propriedade de seu Pai.
Descendente de famílias tradicionais, ligadas à Igreja e à Coroa, que serviram a Pátria através das armas, das leis, das letras, das artes e das ciências: Magalhães (sua varonia), do Minho, Pintos da Fonseca, Moreiras e Costas Ramos, da Beira, por via paterna; Moreiras de Carvalho, Cordeiros Vinagres e Barreiros Godinhos, do Alentejo, por via materna.
Será na casa de habitação da referida herdade que ficará a residir, mesmo depois de casado, com D. Joana da Conceição Chaveiro (também ela duma família, à semelhança dos Costa Pinto, da principalidade local, de grandes lavradores, proprietários e políticos), e é a partir desta morada que dirigirá a sua vasta e moderna casa agrícola de mais de 2000 hectares, sucedendo a seu Pai — após a morte deste e da partida de seu mano Mariano, como rendeiro, para a Herdade de Torre de Palma — como proprietário e lavrador da Herdade da Revenduda.
Os seus métodos de lavoura mereceram a atenção e o estudo de especialistas como Acrísio Canas Mendes e D. Manuel de Bragança.
Avesso a títulos e a cargos, à semelhança do seu irmão mais velho, Mariano, só os aceitando quando, de facto, serviam para servir directamente as populações das suas terras, recusou várias vezes, entre outros, o convite para ser Ministro da Agricultura, um dos quais feito pessoalmente por Bernardino Machado.
Republicano desde os tempos da Monarquia, apesar de neto e homónimo de um miguelista, a sua adesão ao Partido Republicano Português (PRP) foi um factor de credibilidade do mesmo, devido à sua seriedade e ao seu prestígio a nível regional e nacional; e, logo foi nomeado membro da Comissão Distrital de Portalegre do PRP, chegando rapidamente a seu Presidente, ainda antes da implantação da República.
Mais tarde, rompeu com o referido partido e foi evolucionista. Depois, patriota e republicano conservador, que sempre foi, apoiou Sidónio Pais e exerceu o cargo de Administrador do Concelho de Sousel (pela segunda vez) durante o consulado do Presidente-Rei . De seguida, filiou-se no Partido Unionista do seu amigo Brito Camacho. Finalmente, na sequência de toda esta coerente e dinâmica linha de pensamento e acção, aderiu ao Estado Novo.
Por outro lado, homem culto, teve como amigos António Sérgio, Câmara Reys e Cruz Malpique, bem como outras importantes figuras da Oposição; esteve ligado à revista Seara Nova, que ajudou a sobreviver em pleno Estado Novo; e, subscreveu o Manifesto Nação (1923).
Pode pois concluir-se que a guiá-lo esteve sempre a sua consciência, contra modas, ventos e marés.
Filantropo activo, preocupou-se também com a alimentação e a assistência médica dos mais carenciados e para isso fundou e dirigiu os Socorros Mútuos de Sousel.
Benemérito cultural, ofereceu gratuitamente peças ao Museu Etnológico Português (actual Museu Nacional de Arqueologia).
Mecenas das artes e letras, custeou generosamente os estudos de pessoas em que soube antever talento e que vieram a ser reconhecidos pintores e escritores.
Jaz sepultado em jazigo próprio no Cemitério de Sousel («Jazigo de Carlos Moreira Costa Pinto e de sua Esposa D. Joana Chaveiro Costa Pinto»).

- Presidente da Comissão Distrital de Portalegre do Partido Republicano Português (1909).
- Administrador do Concelho de Sousel (16.10.1911-... e 24.12.1917-16.03.1918).
- Fundador e Presidente da Assembleia-Geral da Associação de Socorros Mútuos de Sousel (1914-...).
- Governador Civil do Distrito de Portalegre (11.06.1921-14.11.1921).
- Orador do Triângulo n.º 185 da Maçonaria de Rito Francês (iniciado em 31.07.1911 no referido Triângulo de Sousel com o nome simbólico de «Magalhães»).
Etc.

Bibliografia e Arquivos:
- Álbum Republicano, J. Ramos e Luís Derouet, Typographia Adolpho de Mendonça, Lisboa, 1908.
- Colecção Oficial de Legislação Portuguesa, Imprensa Nacional, 1909.
- De Terra em Terra — Excursões Arqueológico-Etnográficas através de Portugal (Norte, Centro e Sul), José Leite de Vasconcellos, Imprensa Nacional de Lisboa, 1927.
- Álbum Alentejano, Pedro Muralha, Imprensa Beleza, Lisboa, 1931.
- Grande Enciclopédia Portuguesa e Brasileira, Editorial Enciclopédia, Lisboa e Rio de Janeiro, 1936-1960.
- O Alentejo na Fundação e Restauração: Canal ou Ameixial?, Marques Crespo, Brados do Alentejo, 1941.
- Uma Filosofia da Cultura — Aspectos Pedagógicos, Manuel da Cruz Malpique, Edição do Autor, Porto, 1962.
- Aquilino, o Homem e o Escritor, Cruz Malpique, Divulgação, 1964.
- Miguéis — to the seventh decade, John Austin Kerr, Romance Monographs, EUA, 1977.
- Guia de História da 1.ª República Portuguesa, A. H. de Oliveira Marques, Editorial Estampa, Lisboa, 1981.
- Estremoz e o seu Termo Regional, Marques Crespo, Centro Social Paroquial, Estremoz, 1987 (2.ª edição fac-similada).
- Nobiliário das Famílias de Portugal, Felgueiras Gaio, Carvalhos de Basto, Braga, 1989 (2.ª edição).
- Pelas Searas da Vida, Felizardo António Martins, Câmara Municipal de Sousel, Sousel, 1992.
- Entre a República e a Acracia: o Pensamento e a Acção de Emílio Costa (1897-1914), António Ventura, Edições Colibri, 1995.
- Costados Alentejanos, António Pestana de Vasconcellos, Edição do Autor, Évora, 1999.
- Costados Alentejanos II, António Pestana de Vasconcellos, Edição do Autor, Évora, 2005.
- A Maçonaria no Distrito de Portalegre (1903-1935), António Ventura, Caleidoscópio, 2007.
- Revista O Arqueólogo Português, Museu Etnográfico Português, Lisboa, 1914 e 1929.
- Revista Gazeta das Aldeias, 1937.
- Revista Seara Nova, 1939.
- Revista Vida Alentejana.
- Jornal Brados do Alentejo, Estremoz, secção «Latifúndio» e nº 202, 9 de Dezembro de 1934.
- Arquivo Distrital de Évora.
- Arquivo Distrital de Portalegre.
- Arquivo-Museu da Diocese de Lamego.
- Arquivo Particular de João Miguel Costa Pinto Marchante (Autor do blogue Eternas Saudades do Futuro e desta resenha biográfica sobre Carlos Moreira da Costa Pinto).
- 1.º draft do livro Mariano Moreira da Costa Pinto — Vida, Antepassados e Descendentes dum Grande Lavrador Alentejano, de João Miguel Costa Pinto Marchante (Autor do blogue Eternas Saudades do Futuro).

Nota: Este texto será actualizado sempre que surjam novos dados na minha investigação bem como serão acrescentados livros à bibliografia à medida que forem saindo novas obras sobre a matéria do estudo.