quinta-feira, 24 de Julho de 2014

ADENDA 4: SITE

terça-feira, 22 de Julho de 2014

ADENDA 3: EDUCAÇÃO SENTIMENTAL

Educação Sentimental de João Marchante vista por Duarte Branquinho.

segunda-feira, 21 de Julho de 2014

ADENDA 2: EDUCAÇÃO SENTIMENTAL

Educação Sentimental de João Marchante vista por Diogo Leote.

terça-feira, 15 de Julho de 2014

ADENDA 1: EDUCAÇÃO SENTIMENTAL

terça-feira, 21 de Janeiro de 2014

SETE ANOS DE ETERNAS SAUDADES DO FUTURO

Fim.

segunda-feira, 20 de Janeiro de 2014

TRILOGIA INSPIRADORA DO BLOGUE

Árvores, livros e mulheres.

O BELO SEXO NO CINEMA

Todos os países têm o seu cineasta das mulheres. Encontrá-lo, e beber-lhe da filmografia pessoal, é meio caminho andado em direcção aos mistérios do eterno feminino. Curiosamente, ou talvez não, esses autores são sempre simultaneamente os maiores trágicos das respectivas cinematografias nacionais. Caracterizam-se ainda por superarem, nos seus filmes, as limitações mortais do erótico amor físico e do inocente amor platónico, através da redenção propiciada pelo amor louco, o qual é todo ele síntese — de corpo e alma —, porque fruto da força transgressora e libertadora — logo, criadora — da paixão, no seu profundo significado etimológico (passio), que nos convoca para a sacrificial dimensão do sofrimento pelo outro.

NOTA EDITORIAL

Amanhã o blogue completará sete anos.
Nesse mesmo dia será publicada a última mensagem.
No Outono os aforismos que aqui escrevi sairão em livro.

sábado, 18 de Janeiro de 2014

RELATÓRIO & CONTAS [3 DIAS ANTES DO ENCERRAMENTO]

— 6.134 mensagens publicadas.
— 229.844 visitas.
— 14.040 visualizações do perfil do autor.

Dizem que para um blogue independente, e que não faz salamaleques ao sistema, não está nada mal.

sexta-feira, 17 de Janeiro de 2014

DA LITERATURA

Os meus livros estão actualmente dispersos por três sítios diferentes: uma casa e dois apartamentos. Isto não acontece por ser rico; mas, muito pelo contrário, por não possuir um lugar suficientemente grande para os reunir. O meu sonho é um dia tê-los todos junto de mim, à mão de semear, numa labiríntica  biblioteca forrada a estantes de cima a baixo. Assim, cercado e perdido, encontraria a felicidade.

DO CINEMA

Fundei há exactamente 10 anos o Clube dos Amigos da Sétima Arte — CASA. Fica aqui registado para memória futura.

DO FUTURO

Tradicionalista é o que constrói o futuro com o passado bem estudado.

quinta-feira, 16 de Janeiro de 2014

DO PARADOXO

Os pequenos detalhes geram as grandes decisões.

terça-feira, 14 de Janeiro de 2014

SETE ANOS DE ETERNAS SAUDADES DO FUTURO

Dentro de sete dias o blogue completará sete anos. Cheira-me que será um óptimo dia para lhe pôr um ponto final.

EXPOSIÇÃO «A LUZ DA NOSSA IDENTIDADE»

ARTE E COMUNICAÇÃO

Ouço os álbuns do princípio ao fim, como leio os livros. Dizem-me que aqueles têm os dias contados, assim como estes, porque as novas gerações saltam de música em música na rede. Lembro-me de quando se afirmava que a televisão acabaria com o cinema e também da canção em que o vídeo matava a rádio. Para já não falar dos profetas que anunciaram o fim da pintura devido ao aparecimento da fotografia. Afinal, todas estas notícias eram manifestamente exageradas. Graças a Deus.

DA INTERNET

A Internet tem à partida todas as condições para veicular conteúdos ignorados pelos meios de comunicação social convencionais. Não acreditando eu que o meio seja a mensagem, creio porém que certos meios são mais adequados para passar certas mensagens. Até porque o sistema está montada para os mesmos de sempre; isto é, televisões e jornais não dão abébias a quem reme contra a maré. Quero com isto dizer que quem navegue contra a corrente só mesmo aqui na net conseguirá fazer-se ler. No entanto, verifica-se estranhamente que os sítios e os blogues de autores com ideias alternativas ao pensamento dominante não só são poucos como não têm adesão expressiva. Inexplicável e triste paradoxo este.   

segunda-feira, 13 de Janeiro de 2014

PRÓXIMA EXPOSIÇÃO

O meu novo trabalho fotográfico será apresentado numa exposição individual na Sala do Veado do Museu Nacional de História Natural e da Ciência da Universidade de Lisboa em Julho de 2014.

sexta-feira, 10 de Janeiro de 2014

AINDA E PARA SEMPRE «A LUZ DA NOSSA IDENTIDADE»

Agradeço do fundo do coração à Francisca Couceiro da Costa, ao Lourenço de Almada e à Sociedade Histórica da Independência de Portugal terem-me propiciado expor o meu trabalho no Palácio da Independência. O meu Pai, que tinha uma íntima relação com essa Instituição e esse Lugar, será certamente a pessoa mais contente. Espero que tenha visto tudo lá de Cima.

PENSAMENTO SÁBIO

Quem não vive para servir, não serve para viver.

Ditado popular português que serviu de inspiração para os anteriores três aforismos da minha autoria.

PENSAMENTO SOLIDÁRIO

O mundo divide-se entre aqueles que desaparecem quando os chamamos e os que encontramos mesmo sem procurá-los. Os segundos são os primeiros.

PENSAMENTO À SOLTA

Quem pensa em si em primeiro lugar, tem um solitário final.

PENSAMENTO SOLTO

Quem só recebe e nada dá, não dá valor ao que recebe.

DO PODER MAGNÉTICO DO ETERNO FEMININO

Troco uma erudita tertúlia masculina por um passeio com uma mulher bonita.

AFINIDADES DE FACTO

As afinidades ideológicas nada são ao pé das afinidades estéticas. Por estas é que vou.

ESTUDO COMPARADO

A vantagem de conhecermos pessoas estúpidas é darmos mais valor às inteligentes.

terça-feira, 7 de Janeiro de 2014

A LUZ DA NOSSA IDENTIDADE

 
Programa de Encerramento - Quinta-Feira, dia 9 de Janeiro de 2014:

17h: Visita orientada pelo Prof. Dr. Jorge Pereira Sampaio ao Palácio Almada ou do Rossio, hoje Palácio Da Independência, de acordo com sua história e arquitectura.

18h: Visita à exposição com a presença dos artistas plásticos e suas obras.

19h: Festa de Encerramento da Exposição:

Leilão* das 37 obras expostas e 3 obras da exposição anterior a esta, "Restaurar Portugal", intimamente interligado com o mesmo projecto.
Momento musical com o duo Catarina de Almada e Pedro de Faro.

Será servido um beberete graciosamente patrocinado, que embora ligeiro se espera do vosso agrado pela qualidade e categoria oferecida do mesmo, especialmente executado para brindarmos satisfeitos a futuras realizações e iniciativas, do género, no próximo ano e vindouros, cada vez melhores.

Artistas participantes na exposição e leilão:
Álvaro Leite Siza; Ana Cosme; Américo Filipe; Ana Cristina Leite; Ana Pérez-Quiroga; Ângela Belindro; António Flor; Carlos Cordeiro; Clo Bourgard; Fernando Quartin; Francisca Couceiro da Costa; Graça Cabral Moncada; Graça Delgado; Inês de Barros Baptista; Isabel Cristina; João Galrão; João Marchante; João Vilhena; Lourenço de Almada; Luís Camacho; Luísa Soeiro; Maria del Mar; Maria Ribeiro Telles; Marta Gaspar; Natércia Caneira; Paulina Evaristo; Paulo Pereira Gomes; Pedro Charters d´Azevedo; Rita Burmester; Salomé Nascimento; Sebastião Lobo; Sofia Aguiar; Susana Bravo; Teresa Almeida e Silva; Tiago Taron; Tomás Colaço; Vera Pyrrait; Vitor Pomar; Wilson Galvão.


Artista convidado para o Leilão:
Gastão Brito e Silva
Ruin'Art - Exposição Restaurar Portugal, SHIP, Novembro 2013

Coordenador do Leilão, a título gracioso:
Miguel Cabral Moncada


*25‰ do valor da venda das obras reverterá a favor da Sociedade Histórica da Independência de Portugal

Comissão do 1.º de Dezembro de 1640
Sociedade Histórica da Independência de Portugal (SHIP)
Palácio da Independência
Largo de São Domingos, 11
1150-320 Lisboa
Telef.: 21 324 14 70  /  Fax: 21 346 07 54

segunda-feira, 6 de Janeiro de 2014

CADERNOS INTERATLÂNTICOS (50)

Este vem a ser o 50.º texto que alinhavo nas Eternas Saudades do Futuro.  Infelizmente não conto com o fôlego da Leonor Martins de Carvalho, que acaba de completar a sua 100.ª crónica semanal.  É, pois, com o número redondo e não desprezível de meia centena que despeço-me desta Ilustre Casa de Marchante, agradecendo ao querido Amigo João a amabilidade do seu convite para aqui escrever o que me passasse pela alma – fosse o que fosse, fosse como fosse –, e aos estimados leitores a atenção que dispensaram a este escrevinhador semanal.  A tónica destes Cadernos foi sempre o entranhado amor a Portugal e o carinho especial à terra argentina de adopção. E neles foi feita a defesa – directa ou indirecta – de um conjunto de princípios e valores que estão na base da nossa formação e que o mundo moderno tem como missão abater.  Muitas vezes custa-nos escrever não porque faltem temas ou esmorece a criatividade, mas – justamente – porque ficamos perplexos perante a sua diversidade e esmagados sob o seu peso, a sua gravidade.  Dizer que Portugal vive uma hora sombria não é ser apóstolo do pessimismo mas observador capaz de enxergar pelo menos um palmo à frente do nariz. A hora é grave para a nacionalidade, pois quatro décadas de traição, de metódica demolição do corpo físico e moral da Pátria, pagam-se muito caro. Dizia o Mestre Maurras que o desespero em política é uma estupidez.  E, de facto, assim é. Na vida dos povos não existe sempre nem nunca; não há nada definitivo, não há nada inevitável. Portugal pode e deve ser restaurado, e  para isso basta querer e obrar com uma força de vontade inquebrantável.  

Até sempre!

Marcos Pinho de Escobar

sábado, 4 de Janeiro de 2014

DO FAZER A TEMPO E HORAS

Mais vale feito hoje do que perfeito amanhã.

POSOLOGIA — II

Um passeio por dia dá saúde e alegria.

POSOLOGIA — I

Um livro por dia dá saúde e sabedoria.

CERTEZAS DE ANO NOVO (2)

Vejo cada vez pior ao perto e melhor ao longe. Antes assim, que o tempo presente é nevoeiro. E destarte talvez consiga vislumbrar o futuro. 

CERTEZAS DE ANO NOVO (1)

Este ano é par mas não é bissexto. Assim sendo, não teremos Jogos Olímpicos. Portanto, o circo não está assegurado. Quanto ao pão, também não está garantido.

sexta-feira, 3 de Janeiro de 2014

CARTEIRA DE SENHORA

DIA 100

Decidimos ambas que a centésima crónica seria a última. Porque é um número redondo e porque chegar até aqui nos soube a vitória. 

Assuntos não faltam, ideias também não, mas às vezes é preciso um ponto final ou um ponto e vírgula, senão ninguém respira. Chegou ao fim esta aventura. Posso sempre dizer que se trata de decisão irrevogável, pois, neste país, os prefixos de negação perderam a validade.

Numa crónica a valer, escrita por pessoas a sério, deveria discorrer sobre um tema qualquer e tratar das despedidas em nota, mas esta é a crónica de uma carteira de senhora, a minha, e não quero. Se é uma despedida, que seja à grande e tema principal.

Acabámos de atracar em 2014 e tenho grandes esperanças. Grandes esperanças nas pequenas coisas, porque o pequeno David também venceu Golias. Anseio ver os portugueses fazerem finalmente algo em prol do seu país. Algo como interessarem-se por grandes, médias e até minúsculas causas, percebendo o valor desses combates e dignando-se abraçar aquilo que é importante com vontade e com paixão. Algo como deixarem de ter sempre o umbigo ou os pés no seu campo visual e levantarem a cabeça. Algo que mostre não serem afinal uns parasitas, eternamente refilões mas apenas guerreiros de sofá com a garganta em punho, numa dependência crónica do outro.

Durante cem semanas, quase dois anos, falámos de tudo um pouco, brincámos, ironizámos, criticámos, exortámos e até chorámos. Imaginava também poder estar a contribuir para relembrar o que fomos, somos e seremos, aquilo que verdadeiramente importa nas nossas vidas e no país, a amar a terra, as gentes, a paisagem e o património, ajudando assim a criar cavaleiros que os defendam. Não sei se cumpri. Tentei.

Ao João Marchante agradeço, do fundo do coração, ter-me lançado este desafio (sem sequer me conhecer!) e arranjado um cantinho no seu blogue. Aos amigos e leitores um bem-haja pela paciência, apoio e carinho sempre demonstrados.

Continuaremos, a carteira e eu, a vogar nas Eternas Saudades do Futuro. Vou ter saudades, sem dúvida, mas quem sabe se, de quando em vez, não poderei vir aqui matá-las? 

Saio a correr, fugindo das lágrimas que previsivelmente atacam esta piegas em todas as ocasiões.

Bem hajam! Até sempre!

Leonor Martins de Carvalho

quinta-feira, 2 de Janeiro de 2014

PARA VER OBRIGATORIAMENTE ATÉ AO DIA 9 DE JANEIRO DE 2014

[Clicar na imagem para aumentar e ler informações.]

Artistas participantes:
Álvaro Leite Siza; Ana Cosme; Américo Filipe; Ana Cristina Leite; Ana Pérez-Quiroga; Ângela Belindro; António Flor; Carlos Cordeiro; Clo Bourgard; Fernando Quartin; Francisca Couceiro da Costa; Graça Cabral Moncada; Graça Delgado; Inês de Barros Baptista; Isabel Cristina; João Galrão; João Marchante; João Vilhena; Lourenço de Almada; Luís Camacho; Luísa Soeiro; Maria del Mar; Maria Ribeiro Telles; Marta Gaspar; Natércia Caneira; Paulina Evaristo; Paulo Pereira Gomes; Pedro Charters d´Azevedo; Rita Burmester; Salomé Nascimento; Sebastião Lobo; Sofia Aguiar; Susana Bravo; Teresa Almeida e Silva; Tiago Taron; Tomás Colaço; Vera Pyrrait; Vitor Pomar, Wilson Galvão.

Concepção:
Francisca Couceiro da Costa

Coordenação:
Francisca Couceiro da Costa
Manuel Pessôa-Lopes


quarta-feira, 1 de Janeiro de 2014

DA TRADIÇÃO

Entrei mais uma vez no novo ano num jantar com o mesmo grupo de amigos de sempre. Tem sido assim desde que este blogue existe e até já o era uns outros tantos anos antes. Deve ser por estas e por outras que sou tradicionalista não só por pensamento mas também por acções. A conclusão a retirar é que não se deve mudar o que está bem. Conservemos portanto o essencial e alteremos apenas o acessório.

terça-feira, 31 de Dezembro de 2013

PROLEPSE

Passo de seguida a revelar os meus dois principais projectos para 2014:
1. Realização da minha quinta exposição individual de Fotografia.
2. Publicação do meu primeiro Livro.
Deus me dê engenho e arte para tanto.

ANALEPSE

Faz agora um ano, enunciei e anunciei aqui as seguintes sete intenções. Com a ajuda de poucos, mas muito bons, todas foram cumpridas.

segunda-feira, 30 de Dezembro de 2013

CADERNOS INTERATLÂNTICOS (49)

Julgo que Utopia of Usurers é a primeira e única obra que Chesterton escreve com a raiva a queimar-lhe a alma. Nas suas páginas o Príncipe do Paradoxo não apenas critica mas profetiza. É a pobreza física dos permanentemente pobres, é a pobreza moral e espiritual de uma classe média cada vez mais reduzida, é a responsabilidade dos muito ricos - os novos senhores, "reis que não prestaram juramento nem nos conduziram a nenhuma batalha". O capitalismo pode ser tão ateu, tão desalmado e tão perverso quanto o comunismo: mastiga as pessoas antes de as expelir. Ao dissociar "corpos" e "almas" o sistema esvazia o conteúdo autêntico da vida humana, transformando-a em mera rotina para o incremento da lucratividade do capital. Não é por acaso que este foi o único livro de Chesterton não publicado inicialmente em Inglaterra – ai daqueles que ousam condenar o supremo "casal" capitalismo/comunismo e propor uma alternativa superadora! Ao contrário do que as pessoas normalmente pensam, muito capitalismo não significa muitos capitalistas – significa, sim, poucos. O processo de concentração do capital materializado na hegemonia das mega-empresas e dos mega-bancos que controlam os mercados, com estes, por sua vez, cada vez mais unificados, trazem à mente o Distributismo concebido Chesterton e Belloc. A partir da condenação simultânea do capitalismo liberal e do socialismo colectivista, os dois apologistas católicos formularam uma alternativa baseada na pequena propriedade familiar, no trabalho do artesão, no regresso ao campo e à natureza. E por falar em capitalismo liberal e socialismo colectivista, parece que a História vai confirmando que tanto um como o outro são, de facto, irmãos, filhos do mesmo papá e da mesma mamã. Com o primeiro suga-se tudo, com o segundo envenena-se. Esta tem sido a receita infalível de uma certa elite mundial animada por aquilo a que o grande Padre Meinvielle chamou “um desejo insolente de dominação”. Conhecer bem o inimigo é a primeira lição. Não ter medo de o enfrentar é a segunda.

Até para a semana, se Deus quiser.

Marcos Pinho de Escobar

domingo, 29 de Dezembro de 2013

2014 D. C.

Bom Ano Novo com Saúde e Trabalho para todos os meus leitores e suas famílias.

LIVRO PARA HOJE E SEMPRE

Juízo Final, Franco Nogueira, Civilização, Porto, 1992.

sábado, 28 de Dezembro de 2013

AFINAL AINDA HÁ REVISTAS E DAS BOAS

DO FUTURO DO CINEMA PORTUGUÊS

Um País que não tenha uma Cinematografia própria, reconhecida de imediato a olho nu pelos cinéfilos do mundo inteiro através das suas marcas identitárias, não tem futuro. Não se trata de filmar o folclore e de registar as belas paisagens — a publicidade (institucional e comercial) tomou conta desse departamento, para vender o seu peixe, e até o faz bem.

O que quero dizer com isto é que Portugal precisa de fazer um Cinema com uma linguagem autêntica, que corresponda de facto ao modo de pensar e sentir dos Portugueses. O teste parece-me fácil: se o público gostar é porque os filmes são genuínos. Este tornou-se, aliás, o principal problema; as pessoas andam zangadas com os filmes portugueses. Como às vezes sucede na vida, até se zangam com o que desconhecem; mas, cheira-lhes que nem vale a pena espreitar. E — atente-se —, o povo é sábio nos seus instintos, por mais ignorante que possa parecer e — hoje, infelizmente — ser.

O Cinema é uma necessidade cultural do século XXI, como já tinha sido, também, durante todo o século XX — ou, pelo menos, desde que criou, para si próprio, as bases estéticas para se exprimir de forma autónoma em relação às outras Artes (esse nascimento da linguagem cinematográfica deu-se com Griffith, em 1915). Portanto, se um País não for capaz de criar produtos no domínio da maior indústria cultural conhecida, é lícito afirmar-se que está a abrir uma brecha para a entrada de filmes estrangeiros que venham ocupar esse espaço. Não há aqui qualquer nostalgia do tipo «patriotismo da sardinha assada», que, desde sempre, me repugna. Há, isso sim, a consciência de que um Povo só tem futuro se existir culturalmente, e que, sendo o Cinema a maior e mais moderna forma de expressão artística, quem não tem filmes, a que possa chamar seus, é como quem não tem Língua.

Os filmes de uma Cinematografia Nacional reconhecem-se de imediato. Todos nos quedamos fascinados perante o Cinema Clássico Americano (o das décadas de 1930 e 1940), como certamente admiramos — os que o conhecemos… — o Cinema Mudo Alemão e Russo, ou, ainda, nos identificamos com o Cinema Moderno Italiano e Francês, para só falar dos exemplos mais divulgados da História do Cinema.

A estas fitas associamos rostos e corpos — as «estrelas» (do que os americanos chamaram «Star System»). Reside aqui uma lacuna nacional a superar urgentemente: o Cinema Português precisa de novas estrelas, como de pão para a boca. São elas que alimentam os sonhos dos espectadores na sala escura, através de processos de identificação ou negação, amor ou ódio, fascínio ou repulsa (sem entrar em tretas psicanalíticas, que só servem par esvaziar de magia e sensualidade personagens e pessoas). Certo, certinho, é que sem o brilho das estrelas o Cinema não cativa. Uma estrela é mais do que um bom actor. Tem aquele «não sei o quê» que só o espectador, no seu íntimo, sabe reconhecer; e, primeiro do que ele, o realizador — a quem cabe a tarefa de descobrir, revelar e lançar esses seres únicos. Apesar de tudo, Portugal teve já as suas «divas» do celulóide.

Outro aspecto fundamental a não perder de vista são as histórias que estão na base dos filmes. Tecnicamente designados por argumentos ou guiões — após a sua passagem para linguagem cinematográfica —, é nestes que reside o segredo do sucesso das películas.

A propósito, ocorre-me dizer o seguinte: «Pela boca morre o peixe»; isto é, podemos ter uma iluminação magnífica, belos enquadramentos, actores irrepreensíveis, e tudo o mais; mas, se os diálogos forem ridículos — sabem do que estou a falar… —, a fita não tem pernas para andar.

Antes de chegar aos diálogos, no entanto, o tropeção pode ainda dar-se numa outra fase — na história, propriamente dita (aproveito a ocasião para perguntar se alguém sabe porque carga de água é que ultimamente aparece história impropriamente escrita?...). Esta, pode ser baseada numa obra literária (falando-se, assim, em adaptação), ou escrita de raiz (argumento original). Aqui, é obrigatório ter a noção de que escrever para Cinema não é o mesmo do que escrever um livro ou ser-se jornalista… Há toda uma técnica que urge aprender e dominar. Graças a Deus, temos bons exemplos portugueses para estudar.

Se o Cinema é a Arte da repetição (mas essa é outra conversa), aproveito para deixar aqui mais um dito que anda na boca do nosso povo há anos, e que reza mais ou menos assim: «Tendo nós novecentos anos de História, com tantas histórias, porque é que não retiramos daí inspiração para criarmos argumentos para os nossos filmes?». Pois… Não sei, ou prefiro não saber. Mas, é fácil de perceber que a vida de Dom Afonso Henriques daria uma extraordinária longa-metragem, com todos os ingredientes de que os espectadores gostam: um herói, acção, aventuras, perseguições, sexo, amor, batalhas, viagens, paisagens, mistério, segredos, traição, ódio, sangue, e por aí fora… Já que estamos lançados, aproveito para lembrar que todo e qualquer um dos nossos Reis daria um filme de fundo bom em qualquer parte do planeta. Não é exagero, é uma convicção formada no visionamento e análise de centenas de filmes históricos. Um possível slogan para estas películas de época seria: «Oitocentos anos de Monarquia são a nossa garantia».

Pelo meio — entre as histórias, que se escrevem e planificam a fim de passarem a imagens em movimento com som e tudo, e as estrelas, também já nossas conhecidas, que brilham na tela — ficam os recursos técnicos de várias áreas estéticas: imagem, som, montagem, direcção artística (cenários e guarda-roupa). Nestas matérias, não julgo haver problemas de maior. Afinal, temos dos melhores profissionais do mundo nestes ofícios artísticos. Bem sei que alguns andam lá por fora a lutar pela vida, mas talvez regressem para ajudar a criar, definitivamente, uma Indústria de Cinema em Portugal. Havendo mercado, haverá dinheiro e remuneração condigna para quem a merece.

Falemos então agora de mercado, palavra que aparentemente não cola com Arte. Mas se não casar é que é o diabo, pois a Arte ficará solitária e estéril… É chegada a hora de deitar fora todos os preconceitos contra a relação dos filmes com o público. As fitas só têm razão de ser na medida em que comuniquem com as pessoas e que estas se revejam nas películas. Tudo isto pode — e deve — ser feito sem cedências de carácter artístico. Um bom filme deve ser fruído por toda a gente (note-se que o público não é uma massa e é composto por indivíduos de culturas e sensibilidades distintas), com prazer e proveito, à medida dos seus apetites estéticos, ou, simplesmente, lúdicos.

Entendamo-nos: os mais simples contentar-se-ão com a superfície do filme, os mais atentos mergulharão na história, e os mais exigentes tirarão as suas próprias conclusões. As grandes fitas estão assim construídas. São feitas a pensar em todos, mas à medida das necessidades e capacidades culturais de cada um.

É tudo tão simples que quando oiço para aí certos pequenos e médios intelectuais da nossa praça a escreverem palavras extraordinárias sobre Cinema, que só servem para complicar o que é claro como a água límpida, até me arrepio todo.

Finalmente, guardei ainda um pouco de tinta para falar de financiamentos. Embora Portugal tenha hoje — mais do que nunca — uma burguesia burgessa, inculta, e pouco dada a investimentos culturais (salvas raríssimas e honrosas excepções), é aí — apesar de tudo — que reside a esperança para um salto de escala da produção nacional. Os cineastas do futuro terão de libertar-se dos subsídios, e começar a pensar na preparação dos seus projectos com outras mais saudáveis engenharias financeiras. Todas as grandes Cinematografias estrangeiras (tirando a Soviética) se edificaram sobre uma estrutura económico-financeira empresarial privada. Já tinham reparado nisso?

E, por aqui me fico, antes que ofenda alguma alma mais sensível de algum confrade cinéfilo...

Apesar de todo o meu desgosto, atrás expresso, em relação ao actual panorama do Cinema Português neste ano de 2013 (sendo sério, não poderia ter dito outra coisa), a minha esperança é muito maior do que o meu pessimismo e acredito no surgimento, no século XXI, de uma Indústria de Cinema em Portugal (feita por portugueses, mas aberta às co-produções lusófonas e europeias) capaz de produzir obras suficientes, em qualidade e quantidade, para serem exportadas para o planeta inteiro, superando barreiras linguísticas com boas traduções e legendagens, e, especialmente, tratando assuntos que cativem os públicos mundiais pela sua originalidade e identidade.

Em frente, Cineastas do meu País!

Nota: Artigo escrito para a revista online Alameda Digital e republicado em novas versões nos blogues Eternas Saudades do Futuro, Jovens do Restelo, Delito de Opinião, no jornal O Diabo e na revista Finis Mundi.

sexta-feira, 27 de Dezembro de 2013

CARTEIRA DE SENHORA

DIA 99 

Este foi o segundo Natal da carteira. Gosta bastante, mas nem imagina o que um Natal nos evoca de memórias. Da festa mas também dos que já não estão.

Sou sortuda. Sempre celebrei o Natal. Diria vários, até. Diferentes na celebração, iguais no significado.

Na véspera, na família do pai, avó, doze netos e respectivos pais, era um Natal com presépio e A árvore, majestosa e dominadora do olhar, com posterior direito a lugar no jardim, em perfeita reciclagem antes sequer de alguém pensar que tal coisa existia. Cantava-se em português e alemão, naquela família meio espanhola. Na árvore estavam pendurados guarda-chuvas de chocolate, um para cada neto, e nós esperávamos gulosamente a hora da sua distribuição. Terei ido algumas vezes à missa do Galo, mas poucas. A mãe levava-nos à missa do dia.

De manhã era a correria para os sapatos na ânsia de ver se o Menino Jesus tinha deixado um presente. Era o único dia do ano em que acordávamos cedo de bom grado. Já contei algures sobre um certo Natal em que a mãe nos resolveu presentear com instrumentos musicais de brinquedo (uma flauta, uma viola e um tambor) pensando, na sua inocência, serem ajuda eficaz no nosso despertar para a música. Jurou para nunca mais, porque lhe entrámos quarto adentro logo de manhãzinha, cada qual com o seu instrumento, num chinfrim indescritível, destruindo irremediavelmente o descanso da noitada anterior.

No dia 25, o almoço era outra vez com a família do pai e à tarde, visitávamos uma tia-avó que seguia a tradição açoriana do Menino Jesus, vestido de branco, com sementeiras de trigo ao lado, já germinado por esses dias. Durante a visita não perdíamos o circo Billy Smart, tradição natalícia da televisão, na altura. Para sempre ficou associada a tia-avó ao circo Billy Smart

O jantar ficava para o lado da mãe. Avó, seis filhos e dezasseis netos. Aqui não havia árvore, só um presépio, montado em cima de uma cómoda. Ao lado da avó, que nos dava o exemplo, rezávamos de joelhos ao Menino e cantávamos o “Alegrem-se os céus e a terra”. Mesa gigante e peru vindo do Alentejo, visto dois dias antes a passear no jardim tropeçando de bêbado contra os buxos. Os nossos muitos tios encarregavam-se de tornar essa noite na mais divertida do mundo, sobretudo durante a distribuição dos presentes, e os primos eram compinchas das mil e uma brincadeiras possíveis pelos muitos recantos da casa. Não havia as tecnologias do umbigo, nessa altura. E o serão continuava, connosco absortos nas conversas dos adultos, interessantes, inteligentes e divertidas, sempre acompanhadas de desenhos, que espreitávamos por entre os buracos deixados pelos seus braços ou nos intervalos das cadeiras à volta da camilha.

São os avós o alicerce da família. São as casas dos avós os quartéis-generais do Natal. Com o seu desaparecimento os Natais foram sendo reorganizados e divididos, mas não esqueceremos nunca aqueles. Os grandes. 

A diminuição do tamanho das famílias e das casas vai tornando mais difícil reviver estes Natais de outrora. São outros os Natais. 

Mas em todos eles e para todos nós há uma certeza. Nasceu-nos um Menino. A Luz.

Leonor Martins de Carvalho

terça-feira, 24 de Dezembro de 2013

NATAL

Natividade, 1650-1660
JOSEFA DE ÓBIDOS (1630 — 1684)
Óleo sobre Cobre, 16 × 21 cm
Colecção particular

DA LÍNGUA PORTUGUESA

Durante muitos e bons séculos, a Língua Portuguesa cresceu bem e evoluiu ainda melhor, de forma natural e orgânica. Depois, veio a República e tentou «reformá-la», logo em 1911. De lá para cá, tem sido um desvario: 1945, 1973, 1975, 1986, 1990; enfim, a famosa pulsão igualitária e unificadora da Revolução, que quer fazer à força tábua-rasa da Tradição. 

segunda-feira, 23 de Dezembro de 2013

CADERNOS INTERATLÂNTICOS (48)

A família de um querido amigo já falecido – um dos grandes diplomatas que já passaram pelas Necessidades – teve a bondade de facultar-me o acesso a sua correspondência com Salazar, assim como às cartas trocadas com Marcello Caetano.

Mediando os quarenta, e a chefiar uma embaixada de primera ordem, o meu amigo cogita abandonar a carreira e dar novo rumo à vida. Via Ministro dos Negócios Estrangeiros o assunto chega aos ouvidos de Salazar. De próprio punho este escreve ao diplomata uma primorosa carta de sete páginas exortando-o a reconsiderar. Com lógica implacável Salazar elenca as razões pelas quais Portugal não pode dar-se o luxo de abrir mão da colaboração de um dos seus “melhores valores”. A missiva surtiu o efeito desejado: em menos de dois meses lá estava o diplomata a assumir uma das embaixadas vitais para a política externa portuguesa em tempos de ataque ao Ultramar. É aí, em período de gravidade para a Nação, que vai desenvolver uma acção a muitos títulos brilhante, realizando plenamente os objectivos de política estabelecidos em Lisboa, e elevando o prestígio de Portugal a patamares nunca atingidos – e que nunca mais voltariam a sê-lo.

Passa o tempo. Salazar sofre o acidente vascular cerebral que o incapacita e é substituído por Marcello Caetano. Nas palavras deste, habituados tanto tempo ao governo de um “homem de génio”, os portugueses teriam de acostumar-se ao governo de “um homem como os outros”...

Ao fim de cinco exitosos anos no exercício da missão confiada por Salazar, o meu amigo resolve despedir-se da carreira. Marcello Caetano responde com uma pequena nota, na qual lamenta a decisão tomada, indicando, porém, que não tentará demovê-lo da ideia. E com isso dá-se o assunto por encerrado. Em substituição ao diplomata expoente da sua geração Caetano nomeia pessoa completamente estranha à arte das Relações Internacionais. Homem inteligente e culto, decerto, mas cuja acção política consistiria – na sua própria expressão – em “conquistar o país com vinho do Porto e queijo da Serra.” E assim, muito folcloricamente, encetou-se a descida do plano inclinado.

Se ainda tinha alguma ilusão a respeito da actuação de Marcello Caetano ao leme da nave Portugal, a leitura de um par de cartas serviu para pulverizá-la. O eminente catedrático demonstrou não importar-se com a saída voluntária de um dos grandes elementos da nossa diplomacia. Não julgou necessária a nomeação de um substituto equipado com os conhecimentos e a experiência mínimamente adecuados. Dir-se-ia que para Marcello Caetano a missão política, até então executada com mestria, deixava de importar.

De tudo isso fica a imagem de um homem que, perante graves problemas e dificuldades e, sobretudo, frente a um inimigo capaz de tudo, sempre alerta e pronto a ocupar qualquer espaço deixado sem guarda, reduz-se ao imobilismo. Não querendo, não podendo, ou não sabendo reaccionar com decisão, este homem, preso à imobilidade e à dúvida, assiste, impassível, à formação da negra tempestade sobre a linha do horizonte. Espírito derrotista, espera sentado, e com os braços cruzados, o desfecho de algo que pode e deve ser enfrentado com fé, com decisão, com acção. Mas não quer ou não pode ou não sabe agir. Nem mesmo reagir. Considerando-se vencido de antemão fecha-se em si mesmo e incarna o papel mais cómodo de eterna vítima – da voragem da História, dos acontecimentos, dos homens, próximos e longínquos.

O resto é sobejamente conhecido...

Até para a semana, se Deus quiser.

Marcos Pinho de Escobar

sábado, 21 de Dezembro de 2013

SANTO E FELIZ NATAL PARA TODOS OS LEITORES E SUAS FAMÍLIAS!

O Menino Jesus Salvador do Mundo, 1673
JOSEFA DE ÓBIDOS (1630 — 1684)
Óleo sobre Tela, 95 x 116,5 cm
Igreja Matriz de Cascais

PINTURA DE NATAL

Adoração dos Pastores, 1669
JOSEFA DE ÓBIDOS (1630 — 1684)
Óleo sobre Tela, 150 x 184 cm
Museu Nacional de Arte Antiga, Lisboa

AINDA O NATAL E SEMPRE A FAMÍLIA

Na Quadra Natalícia fica bem à vista a importância da Família. Esta, é a célula-base da sociedade, já se sabe. E é também o último reduto do Amor. E este pequeno nada é Tudo.