segunda-feira, 21 de maio de 2018

DA FOTOGRAFIA

sexta-feira, 18 de maio de 2018

AINDA E SEMPRE OS ANOS 20

O que é que os anos 20 do século XX tiveram?
Esteticamente, foram vanguardistas. Ideologicamente, foram tradicionalistas. E, assim sendo, produziram uma nova e inovadora síntese histórico-cultural.
Cheira-me que os anos 20 do século XXI também trarão uma renovada e renovadora síntese para Portugal e para a Europa. 

QUEM É ANTÓNIO LOPES RIBEIRO?

António Lopes Ribeiro (Lisboa, 1908 — Lisboa, 1995) é cineasta, jornalista e crítico de Cinema. Entenda-se aqui a palavra cineasta na sua acepção total: Lopes Ribeiro foi realizador, argumentista, produtor, director artístico e montador. Temos, assim, um homem que respira Cinema.

Estudou engenharia no Instituto Superior Técnico, mas logo o abandonou, em 1929, para se entregar à Sétima Arte a tempo inteiro.

Nos anos 20, dedica-se ao jornalismo; e, estreia-se na crítica cinematográfica no Diário de Lisboa com uma página própria, «Arte Cinematográfica — O Claro-Escuro Animado», onde usa as iniciais A. R. e o pseudónimo Retardador, a partir de 1927; esta rubrica terá sido a primeira — em todo o Mundo — dedicada exclusivamente ao Cinema num jornal diário. De seguida, funda e dirige as revistas especializadas Imagem (1928), Kino (1930) e Animatógrafo (1933). Colabora ainda, ao longo de toda a sua longa vida, nas seguintes publicações, entre outras: A Bola, Diário Popular, Cine-Jornal, A Revista de Portugal e A Rua.

Inicia-se como realizador, em 1928 — aos 20 anos de idade —, com o documentário artístico Bailando ao Sol. Lança-se, a partir daí, numa carreira que terá mais de 100 títulos e que só será interrompida — à força! — em 1974. Nessa vasta Obra, encontramos documentários, adaptações literárias, dramas, e comédias. O arranque da sua actividade cinematográfica encontra-se fortemente enraizado nos conhecimentos técnicos que adquiriu em visitas aos estúdios alemães e russos (um bom exemplo do amor à arte e à estética quebrando fronteiras políticas e ideológicas).

Foi, enquanto teórico, um apologista do Cinema Sonoro, contrariando muitos dos seus camaradas de ofício da época, que viam no Sonoro um desvirtuar do Cinema como forma de expressão artística, pois passaria a ser — segundo eles — um mero meio de reprodução da realidade. Lopes Ribeiro viu, antes de todos, que o Som — se bem utilizado — poderia ajudar o Cinema a crescer como Arte. Assim foi.

Os seus documentários são, na sua maior parte, encomendas do Estado Novo, através de vários Organismos. Mostrar-se-á, neste domínio, um Autor rigoroso, do ponto-de-vista histórico, e com um fino sentido estético. Destacaria, nesta área, os seguintes documentários: A Exposição do Mundo Português (1941), Inauguração do Estádio Nacional (1944), A Morte e a Vida do Engenheiro Duarte Pacheco (1944), O Cortejo Histórico de Lisboa (1947), Jubileu de Salazar (1953), Rainha Isabel II em Portugal (1957). Se quisermos conhecer a História de Portugal do Século XX, teremos de vê-los a todos — dezenas de títulos, de semelhante nível técnico-artístico e igual valor histórico, repartidos entre curtas-metragens e longas-metragens documentais. Um olissipógrafo que se preze deverá visionar os seus documentários sobre Lisboa, antes de escrever o que quer que seja sobre a antiga Capital do Império.

Quanto ao Cinema de ficção, Lopes Ribeiro saberá integrar muito bem nas suas equipas um conjunto de luxo de técnicos provenientes da Alemanha, e assegurar, desta forma, um sentido visual apurado — na luz, nos enquadramentos, e nos movimentos de câmara — nos seus filmes. A sua primeira longa-metragen de ficção — Gado Bravo (1934) — irá logo deixar bem à vista do público essas marcas. Note-se que a propósito desta fita rodou um documentário («making-of», no vocabulário técnico de hoje; coisa inédita à época).

António Ferro — que sabia, como ninguém, detectar talentos — vai desafiá-lo a rodar uma película sobre a Revolução Nacional de 28 de Maio de 1926, a fim de Comemorar os seus 10 anos. O argumento é escrito por António Lopes Ribeiro e pelo próprio António Ferro (com os pseudónimos de Baltazar Fernandes e Jorge Afonso, respectivamente) e terá a produção assegurada pelo Secretariado de Propaganda Nacional. Sobre esta fita — A Revolução de Maio (1937) —, não resisto a relembrar aqui o sucedido, há uns anos, quando algum «especialista» de programação da RTP decidiu exibir este filme, no 1.º de Maio, julgando tratar-se de uma película panegírica da data...! Ia caindo o Carmo e a Trindade!...

A partir de 1938, na sua nova responsabilidade de director artístico da Missão Cinegráfica às Colónias de África, visita e trabalha — supervisionando e dirigindo produções — nas Províncias Ultramarinas. Resultante desta aproximação a África, surge Feitiço do Império (1940); ainda hoje um filme de grande escala e enredo cativante, e a necessitar de urgente reposição para que as novas gerações digam de sua justiça.

Em 1941, cria as Produções Lopes Ribeiro, com o objectivo de produzir longas-metragens de ficção, ou filmes de fundo, entre os quais temos a nata do Cinematografia Portuguesa do Século XX: O Pátio das Cantigas (1942), de Francisco Ribeiro (seu irmão «Ribeirinho»); Aniki-Bóbó (1942), de Manoel de Oliveira; Camões (1946), de Leitão de Barros; para além de todas as Comédias Portuguesas que iluminaram a Época de Ouro do Cinema Nacional.

Para podermos avaliar convenientemente a genialidade heterodoxa deste Autor, esplanada em géneros cinematográficos tão distintos, basta referir O Pai Tirano (1941), que representa um certo paradigma da Comédia Portuguesa, e Amor de Perdição (1943), exemplo perfeito de como se pode obter êxito comercial com adaptações de qualidade de clássicos da Literatura Portuguesa.

Toda esta Obra Cinematográfica foi construída a par de uma outra carreira como Homem de Teatro. Fundou a Companhia «Os Comediantes de Lisboa», que actuou sucessivamente no Teatro da Trindade, no Teatro Avenida, e no Teatro Apolo; e, em 1952, fundou o «Teatro do Povo», que levou à cena desde Gil Vicente até peças da sua própria autoria.

Numa outra frente, traduziu Tchekov, Maeterlinck, Pagnol, Maugham e Giradoux, entre outros.

Como escritor, publicou O Livro de Aventuras (1939) e O Livro das Histórias (1940) — colectâneas de sonetos e poemas; editou ainda as várias compilações das suas crónicas, destacando-se: Esta Pressa de Agora (1962), Anti-Coisas & Tele-Coisas (1963) e Belas-Artes & Malas-Artes (1964).

Na televisão, ficou na memória de várias gerações de famílias portuguesas com o seu programa semanal Museu do Cinema, fazendo dupla com o famoso pianista «mudo» António Melo, entre 1957 (ano de fundação da RTP) e 1974 (ano do não desejado fim da sua brilhante carreira).

Homens destes já não existem hoje, em 2018. Saibamos merecê-los; e, para isso, comecemos por conhecê-los. 

AINDA A LISBOA DOS LOUCOS ANOS 20

Com o objectivo de celebrar sessenta anos de existência, a «Coleccção Vampiro», da Editora Livros do Brasil, lançou, em Março de 2007, o seu volume n.º 700:
Memórias de um Chauffeur de Táxi, de Reinaldo Ferreira (Repórter X).

Isto é um tiro no escuro, ou uma lança em África, num País sem tradição de literatura policial; e, surge, ainda, como um impulso para as novas gerações conhecerem a obra de um genial escritor — e jornalista, e cineasta, e tudo! — que introduziu por cá a novela policial.

Reunindo as diversas partes de um folhetim publicado na imprensa no início dos anos 30 (Reinaldo Ferreira morreria, como Fernando Pessoa, em 1935), o livro faz-nos viajar na Lisboa dos «loucos anos 20», com todas as suas personagens características — cheias de charme e mistério —, e por lugares para sempre perdidos — cafés, hotéis, cabarets e clubes nocturnos —, que faziam da Capital, nos anos 20 e 30, um centro cosmopolita — ponto de chegada e partida de enigmáticas figuras — e um verdadeiro cenário de filme policial.

Todas as histórias têm como fio-condutor Juca — «o Menju da Estefânia» —, taxista e profundo conhecedor do bas-fond alfacinha (ou do underground, em vocabulário contemporâneo), que nos narra peripécias extraordinárias por ele observadas — qual voyeur, numa fascinante Lisboa que não volta mais.

Para ler de um só fôlego!

quinta-feira, 17 de maio de 2018

A PROPÓSITO DE FESTAS RIJAS DE OUTRORA

Os Night Clubs de Lisboa nos Anos 20, Júlia Leitão de Barros, Lucifer Edições, Lisboa, 1990.

quarta-feira, 16 de maio de 2018

RECORDANDO A MELHOR FESTA DA DÉCADA PASSADA [2009]

segunda-feira, 14 de maio de 2018

NA HORA DA MORTE DE UM HOMEM ÀS DIREITAS

Relembro agora as notas de leitura que escrevi e aqui publiquei quando li pela primeira vez e de um só fôlego as Memórias de um Rústico Erudito —  Viagem à volta de lentes, terras e políticos, de Raul Miguel Rosado Fernandes.

Estamos perante um homem culto e não defronte a um «rústico erudito», como ele afirma ser (penso que em tom displicente ou blasé). Digo-o na certeza de que pela palavra escrita — e que belo domínio da língua lusa o livro mostra — encontrei um senhor da terra, à antiga portuguesa, que consegue partir por essa Europa fora, em sucessivas viagens iniciáticas, bebendo nas raízes da nossa cultura, depois de um profundo estudo académico dos clássicos — a eterna fonte, que separa quem dela se alimenta da barbárie.

A estada na América também é deliciosa, com divertidas peripécias contadas num estilo cativante.

A passagem pela política interna e externa talvez surja como o capítulo menos interessante; contudo, quanto a isso, já sabemos do que é que a casa gasta... Foi, apesar de tudo, terreno privilegiado para ele mostrar a sua — tão rara nos políticos demo-liberais — coragem (e, não me refiro ao episódio que lhe concedeu a fama televisiva; mas, sim, à luta que travou contra a roubalheira agrária dos lacaios locais da URSS, primeiro, e de Bruxelas, depois).

Percebemos aqui, se restassem dúvidas, que um português de carácter forte e bem preparado — desbravando caminho, contra a corrente, na universidade e no país (e que tristes meandros nos são aqui revelados) — pode fazer boa figura, ao mais alto nível académico, cultural e social, em qualquer parte do mundo.

Finalmente, há ainda todo o (bom-)gosto pela vida — o profundo conhecimento da Natureza, a gastronomia, a paisagem, as artes e letras, as gentes, os lugares, as línguas, os aromas, as luzes e as cores, de todo o Ocidente. Apetece-me afirmar que, neste caso, o homem culto é fruto do que aprendeu com os livros que leu, as mulheres que teve, as viagens que fez, as lutas que travou.

Enfim, tomámos contacto com um cavalheiro, na tradição da «velha escola» desta piquena grande Casa Lusitana. Foi um prazer e uma honra, lê-lo.

domingo, 13 de maio de 2018

DA CLASSE SOCIAL AO CLUBE PRIVADO

A pertença a uma determinada classe social é definida por cinco factores: genes, meio, beleza, bom-gosto e cultura. Basta receber uma bola preta num destes itens para não entrar no clube privado.

COMO NUM FILME DE BERGMAN

Os amplos corredores das velhas casas são as avenidas, para aquelas famílias antigas que decidiram não mais sair à rua burguesa, e as salas são as ágoras, onde ainda se conserva o gosto pela conversa, quais nobres espaços da antiguidade clássica. 

DA SÉTIMA ARTE AO ROCK


DA PRINCIPAL MISSÃO REAL DA FUTURA MONARQUIA PORTUGUESA

Na futura Monarquia o português  Rei de Portugal defenderá intransigentemente a sua Nação dos ataques de corruptos, cleptómanos, agiotas, usurários, plutocratas, pulhíticos e bandidos. 

DA ORTOGRAFIA NO ETERNAS SAUDADES DO FUTURO

Ao longo de muitos e bons séculos, durante a quase oito vezes centenária saudosa Monarquia Lusitana, a Língua Portuguesa cresceu bem e evoluiu ainda melhor, de forma natural e orgânica, tendo sempre a guiá-la, na sua ortografia, como sábios quadrantes orientadores, a etimologia e o bom-gosto.
Depois, veio a República e tentou «reformá-la», logo em 1911. E, de lá para cá, tem sido um desvario de famigerados «acordos»: 1945, 1973, 1975, 1986, 1990; enfim, a famosa pulsão igualitária, unificadora e ditatorial, da Revolução, que quer fazer  — à má-fila e à viva força  — tábua-rasa da Tradição.
Contra ventos e marés, desprezando modas passageiras, no Eternas Saudades do Futuro continuar-se-á a escrever do modo que o autor aprendeu, na certeza de que resistir às efémeras injustiças é meio caminho andado para vencê-las. 


VIDA E OBRA DOS AUTORES DA SÉTIMA ARTE

O autor dos filmes é o realizador.
Para que meio-mundo acreditasse nisto, foi necessário os «jovens turcos» dos Cahiers du Cinéma produzirem vasta teoria sobre a matéria, vertida em letra de forma em artigos da sua referida revista.
Cá para mim, no entanto, quem tivesse olhos de pensar já teria percebido, ao ver os grandes filmes da «golden age» de Hollywood, que, embora agrupados em géneros — categorias de produção industrial, mas também estéticas —, as ditas fitas tinham uma assinatura, toda ela marca d’água autoral, por parte do realizador.
Faça-se o teste: entremos numa qualquer sala de cinema, a meio da exibição de um filme, vendados (sem saber ao que vamos, olhos e ouvidos tapados); depois, libertados, recuperados os dois sentidos, e após dois minutos em contacto audiovisual com a película projectada na tela, tentemos adivinhar quem é o seu realizador. Arriscado e divertido jogo voyeur este...
Porém, parece-me que quem for verdadeiramente cinéfilo — amigo do Cinema —, e tiver uma cultura filmográfica à altura, logo acertará na mouche: Antonioni, Fellini, Dreyer, Bergman, Ford, Hawks, Bresson, Truffaut, Kurosawa, Ozu — nomes saídos automaticamente, ao correr da pena —, e muitos outros, que poderíamos acrescentar por aí fora, têm linguagens estéticas de tal forma fortes que ninguém que ame verdadeiramente a Sétima Arte poderá confundi-los entre si.
Esta conversa toda tem por objectivo servir de introdução à defesa de uma abordagem — infelizmente pouco canónica para os padrões académicos culturalmente correctos — da História do Cinema através da Vida e Obra dos Autores.
Bem sei que não podemos ignorar as três grandes épocas: mudo, sonoro e moderno; nem as principais correntes: expressionismo alemão, impressionismo francês, mudo russo, neo-realismo italiano, nouvelle-vague francesa, etc. e tal; nem tão pouco os géneros clássicos, que atingem o paradigma nos EUA, com os seus genres indígenas: western, gangsters, musical, aos quais eu gosto de acrescentar o film-noir.
Contudo, olhando noutra direcção, proponho que revisitemos esta Arte, que já atingiu a bela e matura idade de cem anos, tendo os realizadores — grandes mestres técnicos e criadores estéticos — como fios-condutores da sua História. 

sexta-feira, 11 de maio de 2018

QUANDO OS CAVALHEIROS CANTAVAM


quinta-feira, 10 de maio de 2018

DO SAGRADO ALIADO AO PROFANO

Hoje comemoramos duas Festas: Quinta-Feira da Ascensão e Dia da Espiga.

DO VENTO VIRIL

Na Primavera, para que as plantas se eternizem, o vento fecundador sopra com força.

O QUE É QUE AS TIPUANAS TÊM?

As Tipuanas estão sombrias e parecem mortas, no início duma semana; no fim da semana seguinte, apresentam-se frondosas e refulgentes de amarelo. Por estas e outras, são árvores mágicas. 

quarta-feira, 9 de maio de 2018

O QUE É QUE AS CEREJEIRAS TÊM?

As Cerejeiras (árvore que é árvore grafa-se com maiúscula) dão flôr (assim mesmo, como deve ser, com acento circunflexo e tudo) antes das folhas. São mistérios assim que nos levam à contemplação da Natureza. Saibamos retirar ensinamentos dos simbólicos sinais da Flora. 

segunda-feira, 7 de maio de 2018

DAS MINHAS PESSOALÍSSIMAS ESTAÇÕES MUSICAIS

Gosto de ouvir música lânguida, na Primavera; enérgica, no Verão; melancólica, no Outono; e, introspectiva, no Inverno. Toda ela profunda e com alma. Celebrando assim a alegria de viver, ao ritmo da Natureza.

sábado, 5 de maio de 2018

VISÕES DO SÉTIMO IMPÉRIO (VII)

O Sétimo Império será erguido
quando chegar a Hora
e soar o Sinal
do Encoberto
pelos que permaneceram de pé
fidelissimamente estóicos e silenciosos
por entre as ruínas do Quinto.

VISÕES DO SÉTIMO IMPÉRIO (VI)

No Sétimo Império
a ética
e a estética
e ainda e sempre a poética
formarão uma invisível trilogia
una e indivisível.

VISÕES DO SÉTIMO IMPÉRIO (V)

No Sétimo Império
à ética
e
à estética
chamar-se-á
simplesmente
 estilo.

VISÕES DO SÉTIMO IMPÉRIO (IV)

No Sétimo Império
tudo será permitido
desde que feito com estilo.

VISÕES DO SÉTIMO IMPÉRIO (III)

O Sétimo Império
é
um mistério.

VISÕES DO SÉTIMO IMPÉRIO (II)

O Sétimo Império
será ibérico
e transoceânico
com corpo lusitano
e alma lusíada
e terá Capital
em Lisboa.