Segunda-feira, 20 de Maio de 2013

CADERNOS INTERATLÂNTICOS (17)

A família de um querido amigo já falecido – um dos grandes diplomatas que já passaram pelas Necessidades – teve a bondade de facultar-me o acesso à sua correspondência com Salazar, assim como às cartas trocadas com Marcello Caetano.

Mediando os quarenta, e a chefiar uma embaixada de primera ordem, o meu amigo cogita abandonar a carreira e dar novo rumo à vida. Via Ministro dos Negócios Estrangeiros o assunto chega aos ouvidos de Salazar. De próprio punho este escreve ao diplomata uma primorosa carta de sete páginas exortando-o a reconsiderar. Com lógica implacável Salazar elenca as razões pelas quais Portugal não pode dar-se o luxo de abrir mão da colaboração de um dos seus “melhores valores”. A missiva surtiu o efeito desejado: em menos de dois meses lá estava o diplomata a assumir uma das embaixadas vitais para a política externa portuguesa em tempos de agressão ao Ultramar. É aí, em período de suma gravidade para a Nação, que vai desenvolver uma acção a muitos títulos brilhante, realizando plenamente os objectivos de política estabelecidos em Lisboa, elevando o prestígio de Portugal a patamares nunca dantes atingidos.

Passa o tempo. Salazar sofre o acidente vascular cerebral que o incapacita e é substituído por Marcello Caetano. Nas palavras deste, habituados tanto tempo ao governo de um “homem de génio”, os portugueses teriam de acostumar-se ao governo de “um homem como os outros”...

Ao fim de cinco exitosos anos no exercício da missão confiada por Salazar, o meu amigo resolve despedir-se da carreira. Marcello Caetano responde com um pequeno cartão de uma só frase, onde lamenta a decisão tomada, indicando, porém, que não tentará demovê-lo da ideia. E com isso dá-se o assunto por encerrado. Em substituição ao diplomata expoente da sua geração Caetano nomeia pessoa completamente estranha à arte das relações internacionais. Homem inteligente e culto, decerto, mas cuja acção política consistiria – na sua própria expressão – em “conquistar o país com vinho e queijo da serra.” E assim, muito folcloricamente, encetou-se a descida do plano inclinado.

Se ainda tinha alguma ilusão a respeito da actuação de Marcello Caetano ao leme da nave Portugal, a leitura de um par de cartas serviu para pulverizá-la. O eminente catedrático demonstrou não importar-se com a saída voluntária de um dos grandes elementos da nossa diplomacia. Não julgou necessária a nomeação de um substituto equipado com os conhecimentos e a experiência mínimamente adecuados. Dir-se-ia que para Marcello Caetano a missão política até então executada com mestria deixava de importar.

De tudo isso fica a imagem de um homem que perante graves problemas e dificuldades, sobretudo frente a um inimigo capaz de tudo, sempre alerta e pronto a ocupar qualquer espaço deixado sem guarda, reduz-se ao imobilismo. Não querendo, não podendo, ou não sabendo reaccionar com decisão, este homem, preso à imobilidade e à dúvida, assiste, impassível, à formação da negra tempestade sobre a linha do horizonte. Espírito derrotista, espera sentado, e com os braços cruzados, o desfecho de algo que pode e deve ser enfrentado com fé, com decisão, com acção. Mas não quer ou não pode ou não sabe agir. Nem mesmo reagir. Considerando-se vencido de antemão fecha-se em si mesmo e incarna o papel mais cómodo de eterna vítima – da voragem da História, dos acontecimentos, dos homens, próximos e longínquos.

O resto é sobejamente conhecido...

Até para a semana.

Marcos Pinho de Escobar

Domingo, 19 de Maio de 2013

AINDA A SINERGIA BLOGOSFÉRICA

Chamo agora a atenção dos meus leitores para um livro escrito em verdadeira Língua Portuguesa e que será certamente fundamental para a desmontagem desse dejecto feito projecto que merece ser tratado de aborto ortográfico. Tomem nota:  Vogais e Consoantes Politicamente Incorrectas do Acordo Ortográfico, de Pedro Correia. Mais notícias aqui.

DA SINERGIA BLOGOSFÉRICA

Agradeço ao Pedro Correia, culto e dinâmico bloguista do Delito de Opinião, ter dado destaque, na sua interessante rubrica Ler, a um post da minha autoria publicado no Jovens do Restelo. Daqui o saúdo e convido-o a ler-me também neste meu pessoalíssimo Eternas Saudades do Futuro.

DE UM DOS OUTROS SÍTIOS ONDE ESCREVO

Volta e meia publico uma mensagem no blogue colectivo que surgiu na sequência de uma das melhores tertúlias gastronómico-literárias que Lisboa já viu. Infelizmente, hoje em dia, esses almoços, outrora famosos, andam em banho-maria. Eis o meu mais recente post:
Adeus, Pátria e Família
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Sábado, 18 de Maio de 2013

DA MÚSICA

Assisti ontem a um magnífico concerto, de um erudito compositor europeu do século XIX, interpretado por uma extraordinária orquestra portuguesa. Depois, voltei a sentir a sensação de sempre: a música popular moderna, que habitualmente ouço, sob a forma de jazz ou rock, quase toda ela americana, soa-me a lixo. Urge voltar a frequentar as temporadas musicais de qualidade que várias instituições portuguesas oferecem. E, depressa, antes que desapareçam...  

Sexta-feira, 17 de Maio de 2013

CARTEIRA DE SENHORA

DIA 67
A carteira encontrou uma causa só dela e anda atarefadíssima a tecer estratégias e a organizar as suas congéneres. Pediu-me segredo e assim não vai ser por mim que saberão.
Sou combatente visceral, quase genética, no que se refere a causas. Podem até alguns apelidá-las de perdidas. Não desisto facilmente e não gosto de perder, mas aceito, desde que tenha a consciência cheia de provas de que tentei. 
Em Portugal há um extenso menu de variadas causas à espera que os portugueses as tomem como suas: políticas (mudança de regime, de sistema, de governo, contra ministros e decisões), sociais (apoio a crianças, velhinhos, sem-abrigo, doentes, pobres), culturais (defesa da língua, do património, de tradições), ambientais (defesa da paisagem, dos animais, das sementes). Não falta uma causa literalmente em cada esquina, nem que seja para defender a casa ou o jardim que querem destruir.
Com excepção das causas sociais, as mais prementes, em que os portugueses são normalmente extraordinários e discretos, olhando à minha volta, para a família, amigos próximos e colegas, a atitude de alguns normalmente desalenta-me. Mais ainda porque os tenho como conscientes de situações pelas quais poderiam dar a cara e ajudar. Faço logo a extrapolação para o resto da população portuguesa e fico a pensar que realmente muitos portugueses são indiferentes. Refilam para o colega do lado, barafustam no café ou no autocarro, e depois vão à sua vidinha. Há quem fique satisfeito com um apoio a um texto nas redes sociais. Descansa-lhes a consciência. 
Por isso também na nossa História recente a guerra tem tido um vencedor à partida: o facto consumado.
É verdade que ninguém sabe bem o que é afinal preciso fazer. Cada vez menos pessoas acreditam no sistema, nos políticos, na justiça, duvidam de petições e acções semelhantes, acham que tudo o que fizerem cai em saco-roto e preferem nem perder tempo. 
O pior é que provavelmente têm razão. O sistema está assim montado, controlado e parece que tudo é inatingível, por mais aberrante que seja o caso. 
Também não sei o que fazer na maioria das vezes. Espero, como outros esperam, que haja alguém entendido no assunto e saiba exactamente o que tem de ser feito e como. Não precisa de ser líder, mas que tenha o conhecimento necessário e possa ajudar na elaboração de uma estratégia. 
Depois, vem outra etapa dura. Convencer os outros, os indignados mas indiferentes. Os que refilam por aí mas se encolhem na altura certa. Convencê-los de que vale a pena. De que estar de braços caídos é uma figura non grata. Para fazer com que os portugueses descalcem os chinelos e iniciem a descolagem são precisos objectivos bem definidos e pessoas que se mexam e façam mexer os outros. Que conheçam a ignição do foguetão para que até o sofá saia de casa, se for preciso.
Tenho tido a sorte de encontrar algumas pessoas assim, às vezes inesperadamente, e a minha fé na capacidade dos portugueses renasce em cada um desses encontros.
Leonor Martins de Carvalho

Quinta-feira, 16 de Maio de 2013

OS ANTIBENFIQUISTAS VISTOS POR BRUNO OLIVEIRA SANTOS

Dos vários géneros de antibenfiquistas, gosto dos emplastros. Alegram-me os dias ao fim de cada derrota. O emplastro antibenfiquista diz que odeia o clube, trata os seus adeptos de lampiões, mas assiste em silêncio religioso aos jogos do Benfica. Chega a ver mais partidas do que os sócios. Imagino-os sempre aos saltinhos no sofá com a língua de fora à espera do golo dos adversários.
O Facebook permite um registo único do fenómeno. Ao cabo de cada revés, sincronizado com o apito do árbitro, o emplastro antibenfiquista começa a comentar. Estava colado ao ecrã. Os jogos do Benfica mobilizam toda a gente, a favor e contra. Quando jogam os clubes deles, por vezes nem me lembro. Ser grande é isto.
Bruno Oliveira Santos

MINHA ETERNA DÚVIDA DE VELHO DO RESTELO

Será que deveríamos ter partido ou seria melhor termos ficado e reforçado e alargado a nossa presença na Península Ibérica  — nomeadamente contrariando a primeira cláusula de Zamora e conquistando a Galiza  —, nas Ilhas Atlânticas (ai as Canárias...) e no Norte de África — qual tampão-guardião do Ocidente?  

Quarta-feira, 15 de Maio de 2013

DAS METRAGENS

Curto curtas. São sintéticas e de longo alcance. Fazem-se com objectividade temática e coerência estética. As filmagens e a montagem  mantêm-se firmemente fiéis ao estilo visual e sonoro previamente definido. A linguagem cinematográfica está totalmente ao serviço da ideia.      

Terça-feira, 14 de Maio de 2013

DAS AFINIDADES

Por mais voltas que dê na vida, chego sempre à mesma conclusão: as afinidades mais fortes são as de educação. Digo eu, que até gostava que fossem as estéticas; e, também, as ideológicas. Mas, não há nada a fazer, é assim mesmo. Graças a Deus!

VALORES PERMANENTES

Beleza, Verdade, Alma Portuguesa.

PARA QUE SERVEM OS VALORES?

Servem para os servirmos.

DO ETERNO RETORNO E SUAS VANTAGENS

Andarmos em círculos propicia podermos descobrir algo que nos tenha escapado nas voltas anteriores.

O QUE É QUE SE FAZ NAS REDES SOCIAIS?

Traz-se gente para a blogosfera.
Calculo que perto de duas mil pessoas (parece mentira, mas é verdade!) tenham chegado a este blogue pela primeira vez através do Facebook e que, de entre estas, cerca de duzentas tenham ficado visitantes regulares.

Segunda-feira, 13 de Maio de 2013

CADERNOS INTERATLÂNTICOS (16)

Quando o governo francês – democratérrimo, republicaníssimo, símbolo máximo da trilogia de 1789 – resolve ignorar o resultado do plebiscito de Setembro de 1958 e abandona as populações da Argélia às mãos dos terroristas do FNL, houve quem ousou dizer não à traição e ao abandono (recorde-se o giro de cento e oitenta graus executado pelo mesmo de Gaulle dos “vivas” à Argélia francesa). Um destes franceses dignos do nome foi o General Raoul Salan. Brilhante militar, com o peito coberto por condecorações e uma invejável folha de serviços repleta de menções elogiosas, recusou-se a assistir passivamente à amputação da Argélia francesa, onde várias gerações de europeus e muçulmanos mourejaram na construção da pátria comum. Entre ser cúmplice de de Gaulle no martírio da Argélia, Salan prefere ficar do lado das populações e da pátria que havia jurado defender. Contra a traição e o abandono opta por entrar na luta clandestina ao comando da OAS – Organisation de l’Armée Secrète. Começam os ajustes de contas e à violência levada a cabo pelo governo, decidido a apoiar os terroristas assassinos de quem era fiel à França, a OAS responde com a mesma violência. De Gaulle, alvo primordial, consegue escapar ileso a um espectacular e cinematográfico règlement de comptes. Nas próprias palavras de Salan, a violência exercida pelo grupo que chefiou foi a resposta ao pior tipo de violência que pode existir e que consiste em “arrancar” a nacionalidade àqueles que recusam perdê-la. Em Abril de 1962, após um ano na clandestinidade, Salan é preso e, no mês seguinte, é condenado à prisão perpétua. Em Junho de 1968 é libertado graças a um indulto do próprio de Gaulle.

Como é possível que após meio milénio de Portugal euro-ultramarino não tenha surgido nenhum Salan, nenhuma OAS, para tentar evitar a hecatombe que sobre nós se abateu e nos destroçou para todo o sempre? Como pode ser que não haja surgido ninguém disposto a ajustar contas com os responsáveis pela traição que esfacelou Portugal e atirou milhões de pessoas à morte e à miséria? Pelo contrário: os traidores, os delinquentes e os patifes de toda ordem vêm sendo ouvidos, respeitados e premiados há trinta e nove anos. A que ponto pode chegar a descomposição generalizada de um povo, de uma vontade nacional!

Até para a semana.

Marcos Pinho de Escobar

Sábado, 11 de Maio de 2013

DA ARISTOCRACIA E DA CHEFIA

Um verdadeiro aristocrata tem a vocação inata de comandar, e fá-lo através do seu exemplo. Assim sendo, o povo é capaz de segui-lo até ao fim do mundo. Há décadas que não vejo um único, em Portugal. E não ando distraído.

DA VANTAGEM DA MONARQUIA

Na Monarquia o Rei defende o Povo dos ataques de corruptos, cleptómanos, agiotas, usurários, plutocratas, aristocretinos, pulhíticos, e outros idiotas e bandidos. 

EM BUSCA DA VERDADE HISTÓRICA

Em todas as épocas, a História que vigora é sempre a contada pelos vencedores. Essencial pois é confrontá-la com a versão dos vencidos.

Sexta-feira, 10 de Maio de 2013

CARTEIRA DE SENHORA

DIA 66
Anda a carteira preocupada com o que se passa no país da proprietária, mais o que se passa na vizinhança do país da proprietária e acrescenta ainda às suas preocupações o que se passa nos antípodas do país da proprietária. Se ela soubesse as muitas dezenas de anos de preocupação que já lá vão e as que ainda hão-de vir, acho que desistia e voltava ao país das carteiras…
Como possibilidade terapêutica lembrou-me que as lições sobre as redes sociais ainda não estavam completas. E que um curso destes não pode ser feito recorrendo a equivalências nem aos domingos. Vamos então a um outro capítulo: os grupos.
Comprova-se a réplica da sociedade real na virtual, mas os grupos virtuais de todos os tipos e para todos os gostos têm uma enorme diferença dos grupos do dia-a-dia. É que as pessoas participam muito mais virtualmente do que nas suas comunidades locais. Uma pena. Mas pode ser que esse seja um passo para, mais tarde ou mais cedo, se levantarem do sofá.
Aqueles aspectos negativos irritantes da vida em sociedade de que muitas vezes fugimos a sete pés encontram-se aqui em todo o seu esplendor. A princípio mitigados, por causa da cerimónia inicial, depressa nos apercebemos, especialmente nos grupos políticos, das quezílias entre os egos dos administradores e os egos dos participantes, ou destes entre si. É ver depois saírem pessoas para formar novo grupo, acontecer o mesmo e assim sucessivamente, até existirem dezenas de grupos com o mesmo tema, porque afinal, cada um quer o seu. Usam batotas informáticas para terem mais membros e nem é preciso lupa para perceber que essas dezenas de grupos têm no fundo sempre as mesmas pessoas, alegremente sentadas no cavalinho do carrossel.
O mais hilariante nos grupos é assistir a conversas entre vários perfis falsos e os seus homólogos verdadeiros, pertencendo o prémio Nobel às discussões entre vários perfis falsos, verdadeiros heterónimos, de uma mesma pessoa.
Como sabem, os grupos podem ser abertos (totalmente à disposição do universo), fechados (clubes privados mas ali à esquina) ou secretos (clubes exclusivos com entrada por bola branca).
Os grupos secretos servem normalmente fins políticos, estudantis ou para reunir a família, nestes tempos em que estão muitos distantes. Neste caso até dá para combinar o Natal e é uma óptima forma de mostrar fotografias antigas aos mais novos e de lhes dar a conhecer a história da família.
Há grupos temáticos que são universais, como os das músicas, os religiosos e os culinários, bem como os de carácter mais ou menos cultural.
Não sei bem o que se passa nos outros países, mas em Portugal abundam os grupos políticos: os monárquicos lutando por um lugar ao sol neste regime sufocante, os da sociedade civil a querer organizar-se sem saber bem como, os que se juntam para a defesa de valores como a língua portuguesa ou o património, natural ou edificado.
Outros grupos que penso serem muito característicos de Portugal são os dedicados às terras, desde o nível da freguesia, passando pelos concelhos (distritos, menos) até à Província, incluindo as antigas províncias ultramarinas. Coexistem com a outra variedade possível de divulgação, que é a página, mas esta permite menos interacção e os portugueses gostam é do social.
Muitos dos membros desses grupos até já lá não vivem, são emigrantes ou migrantes para as urbes. Matam assim saudades, põem fotografias, contam histórias, relembram personagens, revêem amigos de infância…
São estes os grupos pelos quais sinto mais carinho. Provam o amor às raízes que abordei na crónica anterior. Dão esperança de que os laços criados e recriados possam ser suficientemente fortes para continuarem a defender o que é seu.
Leonor Martins de Carvalho

Quinta-feira, 9 de Maio de 2013

NOTÍCIA INTERNACIONAL DE ÚLTIMA HORA. JÁ É OFICIAL:

A União Europeia foi reconhecida para todos os efeitos como legítima e única herdeira da União das Repúblicas Socialistas Soviéticas.

NOTÍCIA NACIONAL DE ÚLTIMA HORA. JÁ É OFICIAL:

Portugal alcançou mais uma exemplar série de dês: Desorganização. Destruição. Desolação. Déficit. Dívida. Desemprego. Desconfiança. Descrença. Debandada.

TRADIÇÃO PAGÃ E SOLENIDADE CRISTÃ

Dia da Espiga e Quinta-Feira da Ascensão. Portugal verdadeiro viverá enquanto cultivar as telúricas tradições ancestrais e simultaneamente se mantiver crente e fiel à liturgia cristã.

Quarta-feira, 8 de Maio de 2013

DOS LIVROS E DOS HOMENS

Folheando rapidamente alguns volumes, num sítio de livros usados, dei-me conta que vários deles eram provenientes da biblioteca particular de alguém que conheci bem, pois estavam marcados com o seu ex-libris. Não foi a primeira vez que algo semelhante me aconteceu. Na verdade, vai-me sucedendo cada vez mais. E fiquei novamente a matutar sobre as razões que levarão as viúvas, os filhos e o netos a empandeirar assim colecções que foram construídas durante longos anos, e com tanto amor, por parte de notáveis bibliófilos. 

DAS ÁRVORES E DOS HOMENS

Atravessando apressadamente um jardim onde existe uma árvore que há muito me suscita a dúvida sobre o seu nome, encontrei finalmente lá hoje um jardineiro e pedi-lhe para me dizer que espécie era aquela. Respondeu-me que realmente trabalhava ali mas que não percebia muito de árvores e portanto não sabia. Mais um sinal evidente do fim de um mundo onde outrora era conservada e transmitida uma sabedoria popular que enriquecia a cultura geral.    

SÉTIMA ARTE E HISTÓRIA UNIVERSAL

Film noir é um género fílmico que sempre apreciei. E os tempos que vivemos dão o mote que faltava para revermos essas fitas. Décadas depois, a História e as histórias repetem-se. Já se sabe... 

Segunda-feira, 6 de Maio de 2013

CADERNOS INTERATLÂNTICOS (15)

Diziam as mentes muito sofisticadas que Portugal, para ser moderno, teria que desvencilhar-se do Trono e do Altar - e assim foi feito. Diziam os bem-pensantes que Portugal, para ser moderno, teria de "partir-se em partidos" e viver em permanente guerra civil. Diziam os arautos da evolução que Portugal, para ser moderno, deveria ter o "bem" e o "mal" definidos pela aritmética. Diziam as criaturas muito evoluídas que Portugal, para ser moderno, teria de correr com gentes e terras que eram parte integrante do corpo nacional, entregando-as ao comunismo soviético, ao custo do sangue de milhões de inocentes. Diziam os solícitos luminares que Portugal, para ser moderno, deveria abdicar da sua soberania e diluir-se em algo que dá pelo nome de União Europeia. Diziam incontáveis sumidades que Portugal, para ser moderno, deveria proceder à liquidação da agricultura, das pescas, da indústria. Diziam os de inteligência muito afiada que Portugal, para ser moderno, deveria reger-se segundo a cartilha e os interesses de outros “grandes” países. Diziam os de mentalidade muito evoluída que Portugal, para ser moderno, deveria liberar a tortura e a execução dos nascituros, inocentes e indefesos. E que deveria fazer da sua nacionalidade um ordinário papelinho entregue a quem quer que aparecesse por estas bandas. E que deveria considerar “matrimónio” o emparelhamento de pessoas do mesmo sexo. Pois assim tem sido feito: com afinco, alegria e a certeza de um serviço bem prestado. Mais modernos do que isto é impossível. Falta muito pouco para atingirmos a plenitude da modernice.  

Até para a semana.

Marcos Pinho de Escobar

Sábado, 4 de Maio de 2013

SOBERANIA E LIBERDADE

Portugal voltará a ser soberano e os portugueses livres quando abandonarmos a união europeia e sairmos da moeda única.

LUFADA DE AR FRESCO

Numa rua por onde às vezes passo, comecei a cruzar-me com atléticas jovens senhoras em trajes desportivos. E logo me interroguei sobre a causa de tão belas visões. Ontem descobri a razão. Deve-se este doce movimento à recente abertura de um ginásio feminino. Curiosamente, esta coisa dos estabelecimentos exclusivamente para mulheres deve configurar delito de discriminação de género (parece que é assim que agora se diz). Mas, por outro lado, abençoados sejam estes lugares. Fazem soprar uma brisa purificadora sobre a actual fealdade da cidade de Lisboa. 

OUTROS SÍTIOS

OUTROS BLOGUES

Volta e meia publico uma mensagem no blogue colectivo que surgiu na sequência de uma das melhores tertúlias gastronómico-literárias que Lisboa já viu. Infelizmente, hoje em dia, esses almoços, outrora famosos, andam em banho-maria. Eis o meu mais recente post:
Limpinho.

Sexta-feira, 3 de Maio de 2013

CARTEIRA DE SENHORA

DIA 65
 
Como não era exactamente para fora, trouxe a carteira, sem apelo nem agravo. Nem quis dar ouvidos às reclamações constantes pelo caminho. Tive de parar a meio e enfiá-la junto com o resto da bagagem, bem longe do meu alcance auditivo. Pediu explicações para esta deslocação extemporânea. Tê-las-á à chegada.
 
Quando tinha uma dúzia de anos e os meus irmãos pouco menos, a nossa mãe decidiu levar-nos a conhecer mais das nossas raízes. Num caso era mais reencontrar, pois tinha feito parte da nossa infância (Cinfães do Douro. Não há outro mas gosto assim) e noutro, foi a aventura do Minho e da Galiza. Nunca mais esquecemos. Ajudou-nos a recriar laços, a fortalecer o sentimento de pertença, neste caso alargado a uma parte que é quase como nossa. 
 
Resolvi manter a tradição com a minha filha. Quando era mais pequena mostrei-lhe a praia onde passei férias durante muitos anos e toda a região circundante, que conhecia bem por causa dos passeios que os longos Verões proporcionavam. Agora, trouxe-a bem mais a norte, e voltei a Cinfães. Não é nada estranho o quão em casa me sinto. Ainda guardo memórias e crio outras.
 
Sejam todas do mesmo sítio, de vários ou de um local novo, é impossível dispensar as raízes. Não é coisa que se possa deitar fora sem consequências. Graves.
 
Reconhecemos os desenraizados quando vemos aqueles a quem pouco lhes importa se vai abaixo uma parte da vila ou da aldeia, ganhem ou não com isso. Sem saberem que perdem sempre.
 
Alguém desenraizado não consegue apegar-se, não consegue sentir a terra como sua. Não tendo passado, não pode ter futuro.
 
Saber de onde se vem, ter-se orgulho disso, manter e regar as raízes, deve ser-nos inerente. Algo nos liga à terra. E são essas raízes, cada uma delas, que nos fazem amar Portugal. 
 
Sem raiz não sobrevive a planta. Sem gente com raízes não sobrevive um país. Sem amor às raízes, quem o defenderá? 
 
Leonor Martins de Carvalho

Quinta-feira, 2 de Maio de 2013

REFLEXÃO ETIMOLÓGICA

Compreendo perfeitamente que se diga que a televisão é um escape; de facto, também ela, quase sempre, polui a atmosfera.

Quarta-feira, 1 de Maio de 2013

CONTEMPLAR EM MAIO E PASSEAR EM JUNHO

Mais do que ver os Jacarandás em flor no mês de Maio, confesso que tenho um especial prazer em esperar por Junho para poder finalmente caminhar sobre os tapetes de cor azul-lilás feitos das suas flores caídas.

DICIONÁRIO DO FUTURO

Louco — Nome pelo qual a sociedade actual designa uma pessoa lúcida.
Pessimista — Nome pelo qual a sociedade actual designa uma pessoa realista.

Terça-feira, 30 de Abril de 2013

COISAS DO DEMO...

O contador deste blogue, cujo ícone se encontra à vista aqui ao lado na base da coluna da direita, deixou de funcionar no passado Sábado e nunca mais deu sinal de vida. Tinham-me dito que a quantidade de visitas do Eternas Saudades do Futuro incomodava muita gente; no entanto, darem-se ao trabalho de piratearem o referido sitemeter e o respectivo mostrador, parece-me excessivo. Enfim: não acredito em bruxas, mas lá que as há...  

Segunda-feira, 29 de Abril de 2013

CADERNOS INTERATLÂNTICOS (14)

Semana que passou foi pródiga em datas carregadas de simbologia – 25, 27 e 28 de Abril. Sobre a primeira não vale a pena aqui discorrer, a não ser para recordar o dia do evangelista São Marcos e o aniversário da aclamação de D. Miguel Rei de Portugal.  Enquanto os coveiros de Portugal comemoram o seu “25” e outros – eu incluído – choram a tragédia física e moral que vem conduzindo a Pátria ao aniquilamento, o “27” e o “28”, como que combinados, merecem um par de reflexões. Foi num dia 27 de Abril, de 1928, que Salazar tomou posse como Ministro das Finanças de um país arruinado. No dia seguinte cumpria trinta e nove anos.  

Ao abraçar a pasta ministerial disse o seguinte:

Senhor Presidente do Ministério: - Duas palavras apenas, neste momento que V. Exa., os meus ilustres colegas e tantas pessoas amigas quiseram tornar excepcionalmente solene.

Agradeço a V. Exa. o convite que me fez para sobraçar a pasta das Finanças, firmado no voto unânime do Conselho de Ministros, e as palavras amáveis que me dirigiu. Não tem que agradecer-me ter aceitado o encargo, porque representa para mim tão grande sacrifício que por favor ou amabilidade o não faria a ninguém. Faço-o ao meu País como dever de consciência, friamente, serenamente cumprido.

Não tomaria, apesar de tudo, sobre mim esta pesada tarefa, se não tivesse a certeza de que ao menos poderia ser útil a minha acção, e de que estavam asseguradas as condições dum trabalho eficiente. V. Exa. dá aqui restemunho de que o Conselho de Ministros teve perfeita unanimidade de vistas a esse respeito e assentou numa forma de íntima colaboração com o Ministro das Finanças, sacrificando mesmo nalguns casos outros problemas à resolução do problema financeiro, dominante no actual momento. Esse método de trabalho reduziu-se aos quatro pontos seguintes:

a) Que cada Ministério se comprometa a limitar e a organizar os seus serviços dentro da verba global que lhes seja atribuída pelo Ministério das Finanças;

b) Que as medidas tomadas pelos vários Ministérios, com repercussão directa nas receitas ou despesas do Estado, serão préviamente discutidas e ajustadas com o Ministério das Finanças;

c) Que o Ministério das Finanças pode opor o seu "veto" a todos os aumentos de despesa corrente ou ordinária, e às despesas de fomento para que se não realizem as operações de crédito indispensáveis;

d) Que o Ministério das Finanças se compromete a colaborar com os diferentes Ministérios nas medidas relativas a reduções de despesas ou arrecadação de receitas, para que se possam organizar, tanto quanto possível, segundo critérios uniformes.

Estes princípios rígidos, que vão orientar o trabalho comum, mostram a vontade decidida de regularizar por uma vez a nossa vida financeira e com ela a vida económica nacional.

Debalde porém se esperaria que milagrosamente, por efeito de varinha mágica, mudassem as circunstâncias da vida portuguesa. Pouco mesmo se conseguiria se o País não estivesse disposto a todos os sacrifícios necessários e a acompanhar-me com confiança na minha inteligência e na minha honestidade - confiança absoluta mas serena, calma, sem entusiasmos exagerados nem desânimos depressivos. Eu o elucidarei sobre o caminho que penso trilhar, sobre os motivos e a significação de tudo que não seja claro de si próprio; ele terá sempre ao seu dispor todos os elementos necessários ao juízo da situação.

Sei muito bem o que quero e para onde vou, mas não se me exija que chegue ao fim em poucos meses. No mais, que o País estude, represente, reclame, discuta, mas que obedeça quando se chegar à altura de mandar.

A acção do Ministério das Finanças será nestes primeiros tempos quase exclusivamente administrativa, não devendo prestar larga colaboração ao Diário do Governo. Não se julgue porém que estar calado é o mesmo que estar inactivo.

Agradeço a todas as pessoas que quiseram ter a gentileza de assistir à minha posse a sua amabilidade. Asseguro-lhes que não tiro desse acto vaidade ou glória, mas aprecio a simpatia com que me acompanham e tomo-a como um incentivo mais para a obra que se vai iniciar.

E a “obra” que então se iniciava foi fazer Portugal ressurgir na grandeza da sua dimensão histórica.

O grande Papa Pio XII, ao referir-se à "alteração radical" da vida portuguesa operada pelo Estado Novo, atribuía a salvação nacional à intervenção de Nossa Senhora de Fátima, "causa original e verdadeira".  

Em trágica hora de escuridão e angústia, quando a nave de Portugal, tendo perdido o guia das suas tradições mais gloriosas e sido afastada do seu curso por correntes anti-nacionais e anti-Cristãs, parecia dirigir-se a um naufrágio certo, inconsciente dos perigos presentes ou futuros cuja gravidade ninguém poderia humanamente prever; naquela hora o Céu, que previra esses perigos, interveio, e na escuridão brilhou a luz; no caos reinou a ordem; a tempestade amainou e o fiel Portugal pode renovar as suas gloriosas tradições como nação cruzada e missioneira [...]

Toda honra àqueles que têm sido os instrumentos da Providência nesta empresa gloriosa!

E referindo-se especificamente ao Comandante desta gesta:

Eu o abençoo com todo o meu coração, e acalento os desejos mais ardentes para que ele seja capaz de completar exitosamente a sua obra de restauração nacional, tanto espiritual como material.

Pois nesta hora sombria para a nacionalidade urge recordar este Homem excepcional. É ele a referência obrigatória a inspirar, enquadrar e orientar todos aqueles em cujos corações ainda vibra o nome de Portugal e que estejam dispostos a lutar para a restauração nacional que se impõe. Se o dia "25 de Abril" dos cravos e cravas simboliza a traição, a apostasia e a dissolução nacional, os dias "27" e "28" reverberam o patriotismo, a dignidade, a esperança. 

Fica registada a minha homenagem a António de Oliveira Salazar, Restaurador de Pátria, nos cento e vinte quarto anos do seu nascimento. Que este Santo Varão interceda por Portugal.
 
Marcos Pinho de Escobar

Domingo, 28 de Abril de 2013

BLOGOSFERA NACIONAL QUE AINDA MEXE

O Pena e Espada completa hoje 9 anos de vida. Parabéns ao Duarte Branquinho!

BLOGUE FUNDAMENTAL PARA QUEM GOSTA DE LISBOA

BLOGUE FUNDAMENTAL PARA QUEM GOSTA DE ÁRVORES

Sábado, 27 de Abril de 2013

DOS ASSASSINOS DE ÁRVORES E SUAS FAÇANHAS

Os arrivistas, novos-ricos e patos-bravos que tomaram conta disto continuam a matar árvores a torto e a direito na cidade de Lisboa. Desta vez foi no histórico e simbólico lugar da Ribeira das Naus.

Sexta-feira, 26 de Abril de 2013

CARTEIRA DE SENHORA

DIA 64
Mas eu não quero falar sobre o 25 de Abril! A carteira, que é muitíssimo mais nova, queria saber à força a razão do feriado. Usei todos os meus argumentos. Agora não, quero guardar para as minhas memórias! Em vão… Bateu o pé e cedi. Não serão então memórias, apenas algumas reflexões, embora de certo modo intimistas. Conheço a posição do dono deste blogue, que respeito, e sei que respeita a minha, por isso corro o risco, empurrada pela carteira.
À minha volta sempre estiveram todos os lados da barricada. Ainda não consigo que tenham, uns e outros, leituras desapaixonadas. Nem eu. Dividida em pedaços. Cada um dos pedaços que afecta cada um dos que conheço. De diferentes maneiras. 
Geralmente a lembrança do dia despoleta ou exaltação ou ódio. Para alguns, fingida aceitação. Para outros ainda, completa indiferença. E é o fado deste dia, que em vez de unir, como o 1º de Dezembro, divide.
Em primeiro lugar, separo o dia do que se lhe seguiu. O dia, para muitos, quase todos, diria, constituiu esperança. Para outros, desgraça. 
Os meus não eram pró Segunda República, como também não tinham sido pró Primeira. Não apoiaram um sistema autoritário, cesarista, que se eternizou e afogou todos os espíritos que lhe faziam frente, fossem eles quais fossem. Assim, continuaram a estar do lado considerado na altura errado. E quando o dia aconteceu, festejámos. Lembro-me da alegria e da esperança.
Também outros viram no dia uma oportunidade de concretizar o seu próprio sonho. 
O que se lhe seguiu, o que os meus voltaram a padecer (parece sina essa do estar do contra!) não quero associar ao dia. 
Visto por quem está completamente ao lado, agora, passados 39 anos, há curiosamente algumas posições comuns à direita e à esquerda, pois poucos de um lado ou de outro dirão que estão satisfeitos com a situação que agora se vive. Mas uns acham que Abril não se cumpriu, outros que Abril daria nisto mesmo.
Tal como para mim, o sistema anterior estava condenado, o que se tem passado desde há 39 anos demonstra à saciedade a falência deste sistema, que nos fez perder quase tudo, incluindo a soberania.
Continuo a ter esperança. Numa mudança verdadeira. Num sistema e num regime diferentes. À nossa medida. Português, acima de tudo. 
Aposto que o dono do blogue não queria isto. Eu também não. A culpa foi da carteira.
Leonor Martins de Carvalho

Quarta-feira, 24 de Abril de 2013

NASCIMENTO E MORTE DO INTEGRALISMO LUSITANO

Em termos de Pensamento, o Integralismo Lusitano nasceu em Abril de 1914, com o lançamento da sua revista Nação Portuguesa, e morreu em Janeiro de 1925, com o desaparecimento de António Sardinha.
Em termos de Acção, o Integralismo Lusitano nasceu em Abril de 1916, com a criação da sua Junta Central, e morreu em Abril de 1922, com a assinatura do Pacto de Paris.

Segunda-feira, 22 de Abril de 2013

CADERNOS INTERATLÂNTICOS (13)

Filho de emigrantes italianos – e pai anarquista –, Jordán Bruno Genta cresceu em ambiente ateu, formou-se no marxismo e morreu autêntico mártir católico.  Conta-se que certo dia, ainda rapaz, ao entrar em uma Igreja com a intenção de a vandalizar, ficou paralisado, e tal como Saulo na Estrada de Damasco, converteu-se instantaneamente, quiçá por algum raio celeste a envolvê-lo com a sua claridade. Catedrático de filosofia e grande teórico do nacionalismo católico argentino, Genta foi assassinado a 27 de Outubro de 1974 pelo bando castro-trotskista Ejército Revolucionario del Pueblo. Era Domingo e dirigia-se à missa com a família, quando é alvejado com onze tiros à queima-roupa.

Enquanto a linda juventude "idealista" seguia os conselhos do Che e matava a torto e a direito para instalar um paraíso terrestre versão cubana, Genta, combatente das ideias, buscava a superação da "confusão ideológica" e das "tendências desagregadoras", tanto do capitalismo liberal como do comunismo ateu, ambos essencialmente anti-cristãos e apátridas. O seu "nacionalismo hierárquico", baseado na verdade e no sacrifício, buscava a restauração do princípio da autoridade, a ordem hierárquica e a liberdade possível, em todos os corpos sociais e no Estado Nacional, promovendo a justiça e a caridade cristã.

Na obra fundamental Guerra Contrarrevolucionaria Genta elabora um autêntico manual para o combate contra-revolucionário global - uma dupla disciplina formativa: a doutrina positiva (princípios, valores e instituições fundamentais que devem ser afirmados, servidos e defendidos em todos os campos, teóricos e práticos) a enfrentar a doutrina negativa (desencadeada pela guerra revolucionária total - o comunismo -, assim como seus antecedentes e aliados ideológicos; a sua estratégia, táctica e armas dialécticas). Tem plena consciência de que esta guerra é total: religiosa, mental, moral, política, física; e combatida todos os dias e em todos os ambientes. Seu pensamento fica plasmado em volumes de leitura obrigatória tais como Las ideas y las ideologías, Libre examen y comunismo, Edición crítica del “Manifiesto Comunista” ou a síntese – que veio a ser uma despedida – Testamento politico.

Doutrinador de um nacionalismo hierárquico, em cuja base estão os valores da Cristandade, do Ocidente Católico e Romano, o autor, reconhecendo que tudo depende da vontade de Deus, recorda que os homens têm a obrigação de empenhar-se como se tudo dependera exclusivamente deles. "É o que Deus quer e espera dos Seus."

Todos aqueles que não discutem Deus e a Pátria, e que assumem a vida como serviço, têm muito a aprender com a obra e o exemplo deste grande argentino e católico modelar que foi Jordan Bruno Genta.

Até para a semana.

Marcos Pinho de Escobar

Sábado, 20 de Abril de 2013

REAGIR E VENCER

A França da Vendeia está viva e recomenda-se. Tenhamos esperança que desta feita saia vitoriosa. E depois esperemos que esses bons ventos soprem sobre toda a Europa.

Sexta-feira, 19 de Abril de 2013

CARTEIRA DE SENHORA

DIA 63

Deixei a carteira em casa, não de castigo embora ela possa pensar que sim, mas porque nem sempre dá jeito levar para o estrangeiro uma carteira que fala demais. Para isso estou cá eu e dispenso concorrentes.

Quando estamos longe, as ilusões tecnológicas mentem piedosamente. Dão a sensação de que os nossos estão ali mesmo à mão de semear e que basta combinar para nos encontrarmos no café da esquina depois do almoço. Na verdade até basta. Afinal de permeio apenas nos separam umas tantas horas e uns quantos transportes de todos os formatos e cores, incluindo taxistas manhosos. 

Não sou caso único de certeza: comigo as saudades têm sempre encontro marcado, mas estranhamente deixam em aberto o local exacto e a data. Gostam de me surpreender. É verdade que sempre que chegamos a um sítio ainda desconhecido, o deslumbramento toma conta de nós, do nosso primeiro olhar, da descoberta dos cheiros e sabores, dos recantos, da curiosidade sobre os outros. Andamos tontos da novidade, bêbados do achado. Mas ao fim de certo tempo, quando são territórios já desbravados e se Portugal está bem, quero voltar, sem hesitações. Quando está mal, já dei por mim a imaginar uma vida fora. O onde não teria grande importância. A capacidade de adaptação é-nos intrínseca e é o que nos tem valido.

É engraçado ou até ternurento que todos os meus amigos europeus me perguntem delicadamente como vai a vida em Portugal. Calculo que não queiram que não responda ou que a resposta seja um simples ça va. Conhecendo-me, sabem que obtêm uma resposta sincera. Não tenho vocação para diplomata.

Sem notícias daí e do Mundo há três dias, porque quis mesmo desligar, espero que ainda haja um Portugal para onde voltar. Seria sonhar alto regressar e de repente dar de caras com o Portugal que há tanto espero, mas pelo menos resiste há quase novecentos anos apesar de tudo o que tem passado. Já não é mau e amamo-lo na mesma.

Chegou a hora do encontro marcado com as saudades. São imensas, ocupam muito espaço. Ainda bem que volto amanhã.

Leonor Martins de Carvalho

Quinta-feira, 18 de Abril de 2013

DO FACEBOOK (5)

Estamos perante um sítio que, embora apenas virtualmente social, faz lembrar os saudosos lugares da noite dos anos 80 do século passado. Quando abriam, e durante o primeiro ano, eram óptimos, porque só tinham pessoas conhecidas, isto é, os nossos amigos. No segundo ano, começavam a aparecer caras novas, mas bonitas, o que nos fazia continuar a frequentar o local. No terceiro ano, estando na pista a dançar, olhávamos em volta e sentíamos, subitamente, que aquele espaço, outrora familiar, tinha sido invadido pelos bárbaros.

PORTUGAL FOI TOMADO POR ESTRANGEIROS E ESTRANGEIRADOS

Portugal foi tomado por estrangeiros, e por estrangeirados traidores à Pátria. Já tinha sido assim noutros momentos doutros séculos desta Nação Valente e Imortal. Apesar disso, de seguida veio sempre a reafirmação ou a restauração da Independência Nacional. Tenhamos esperança, estejamos preparados, e saibamos escutar o sinal quando soar a Hora.

Terça-feira, 16 de Abril de 2013

UM BLOGUE QUE TEM CONVIDADOS* ASSIM, TEM TUDO!

A especialíssima convidada semanal desta blogue, que estreia mundialmente aqui as suas crónicas às Sextas-Feiras na sua coluna Carteira de Senhora, tem um texto publicado ontem no Diário Digital. Monárquicos?, por Leonor Martins de Carvalho.

* Além da Leonor Martins de Carvalho, refiro-me ainda aos especialíssimos convidados que igualmente já passaram semanalmente por esta casa —  Francisco Cabral de Moncada e Pedro Guedes da Silva —, e ainda ao Marcos Pinho de Escobar, que continua também connosco todas as Segundas-Feiras. 

Segunda-feira, 15 de Abril de 2013

CADERNOS INTERATLÂNTICOS (12)

En 1968, poucos meses antes de sofrer o acidente vascular cerebral que o afastaria da Presidência do Conselho, Salazar concedeu uma entrevista ao jornalista argentino Bernardo Neustadt – referência incontornável nos meios de comunicação do país sul-americano, testemunha privilegiada de momentos-chave da história local, pioneiro e líder dos programas televisivos de entrevistas. Há alguns anos tive o ensejo de estar na apresentação de um dos seus livros, em cujas páginas  tentava esboçar uma explicação para as sucessivas crises que se vem abatendo sobre a Argentina e que culminaram com a débâcle económica e política de 2001. Qual a minha surpresa quando Neustadt desata a falar da entrevista de Lisboa e de como Salazar o havia impressionado. Na altura sentira-se um tanto ofendido com o diagnóstico que o asceta de São Bento fazia da Argentina e dos argentinos. O passar do tempo fê-lo reconhecer o acerto da análise e o carácter profético do juízo emitido. Desde então, arrependido de sua reacção inicial, passou a render constante homenagem ao estadista português. Nunca mais esqueceu-se da distinção fundamental – e que constitui a opção fundamental na vida individual e colectiva – entre SER MELHOR e ESTAR MELHOR.

Dizia Bismarck que os povos superiores aprendem com a experiência dos outros, os medíocres aprendem com a própria, e os incapazes não aprendem nunca. Os portugueses tiveram o raro privilégio de contar com um Salazar que restaurou a Nação, reconduzindo-a na senda do seu destino histórico. Aprenderam a lição? Não. Optaram por deixar que um grupelho de desqualificados fizesse tábua rasa do esforço de duas gerações capitaneadas por um homem de génio. Agora colhem os frutos bem maduros.

Vamos, pois, à entrevista:


REVISTA EXTRA - AÑO IV - Nº 35 - JUNIO 1968
40 AÑOS EN EL PODER
Entrevista a António de Oliveira Salazar


Entre 1910 y 1926, Portugal tuvo 8 presidentes de la República, y de todos ellos, UNO SOLO, cumplió con le mandato constitucional. En esos 16 años hubo 44 ministerios, con una duración media de cuatro meses cada gobierno. Un gabinete duró 12 horas. Otros, llegaron a 8, 11, 19, 23 y 32 días. En un Portugal individualista, así de conturbado, surge a la luz pública un experto economista, Antonio Oliveira de Salazar, nacido el 28 de abril de 1889 –tiene ahora 79 años- en una pequeña aldea, Vimieiro. Hijo de unos modestos agricultores, Antonio y María do Resgate Salazar-, desde la Universidad de Coimbra, asiste al penoso proceso de desmembración de la conciencia nacional portuguesa. Entonces decide ingresar al Centro Académico de la Democracia Cristiana, para tener una vitrina ideológica. En 1914 se gradúa en derecho; en 1917, obtiene el cargo de, profesor ayudante. En 1921 es elegido diputado católico en el Parlamento, y 5 años después, se produce la revolución que encabeza el mariscal Gomes da Costa. Lo llama a Oliveira Salazar y lo designa ministro de Hacienda. Dicta una orientación; exige una severa disciplina administrativa. Las condiciones son muy duras y entonces su programa no es aceptado íntegramente. Renuncia. Dos mese estuvo en la función; Oliveira Salazar juega al TODO o NADA. Portugal sigue a los tropiezos; en abril de 1928 –ahora se cumplieron 40 años- es nuevamente convocado a gobernar; entonces exige como condición la aplicación integral de un plan económico y de una reforma total de la estructura jurídico-político que albergaba el caos portugués.

Desde entonces, el profesor Oliveira Salazar gobierna, ampara, conduce a Portugal. Por su puesto ha recibido todos los motes propios de "los gobiernos que ponen orden en la casa" y rompen con el viejo sistema liberal. A Salazar se le dice desde Dictador hasta Totalitario, y se le aplican "ismos" con que el mundo de la etiqueta fácil suele descalificar el resultado de una obra. Para encontrarse con esa realidad, Extra estuvo en Lisboa exactamente el día que el profesor Oliveira Salazar –ahora presidente del Consejo del Gobierno- cumplía 40 años de PODER-PODER. Nunca había recibido a un periodista argentino, ni sudamericano. Además, hace ya tiempo que prefiere los largos silencios y la meditación al escaparate. Desde esa suerte de retraimiento, gobierna un Portugal sano, brioso, que se permite además el lujo de inmenso de mantener provincias africanas, en un ideal estado de convivencia, y donde el "natural" se siente totalmente portugués. 8 millones de almas en unos 160.000 km. cuadrados de Portugal, y 15 millones en Angola, Mozambique, Guinea, Macao, saben que el nombre de Oliveira Salazar, significa orden, estabilidad, progreso sin gritos.

"Renuncié a la emoción"

Durante 70 minutos Extra conversó con Oliveira Salazar, un obstinado célibe, de cuya soledad, misticismo y honestidad, hay pruebas concluyentes. Este fue el diálogo:


Antonio de Oliveira Salazar: ¿Qué les pasa a los argentinos...? ¡Qué lástima!...

Extra: Estamos buscándonos por dentro... Revisando nuestro estilo de vida. Como Uds. en 1928.

Oliveira Salazar: Yo recuerdo que por el año 1930, los pocos argentinos que llegaban a Lisboa se mostraban tan orgullosos del país que hasta me aseguraban que "la Argentina hacía llover cuando quería..." Y en los últimos años, los argentinos que pasan por aquí, sólo se quejan... se quejan... ¡Qué lástima!
Extra: Hemos tenido 7 presidentes en 22 años. Más de 200 ministros...

Oliveira Salazar: Claro, la continuidad es muy importante. Pero, además, los pueblos de América y los países del sur de Europa no pueden darse el lujo –creo yo- de vivir en una democracia representativa liberal parlamentaria. Porque tenemos mucha pasión. Y la pasión escinde. Desordena. Impide construir. Tuve que renunciar a la emoción para gobernar... No puedo evanecerme, puesto que no realicé todo lo que deseaba... Pero ejecuté lo suficiente para que no se pueda decir que fallé en mi misión. No siento, pues, la amargura de los que merecida o inmerecidamente no vieron coronados sus esfuerzos y maldicen a los hombres y a la suerte. Ni siquiera me acuerdo de haber recibido ofensas que me lleven a ser menos justo. Por el contrario; en este país donde tan a la ligera se aprecia y desprecian los hombres públicos, gozo del raro privilegio del respeto general... PUDE SERVIR...

Extra: Sin embargo hay gente que sostiene que tras 40 años de gobierno, Portugal pudo crecer más...

Oliveira Salazar: En política lo que valen son los resultados. El dirigente tiene que calcular la cantidad de ideal que soporta lo real y la dosis de libertad compatible con la salvaguardia de la autoridad y el mantenimiento del orden. Cuando llegué al Poder podía haber enajenado la nación con pedir préstamos al exterior. Un gran proceso de industrialización rápido, urgente y equivocado... No... De ningún modo; Portugal tenía que optar entre ESTAR MEJOR y SER MEJOR. Prefirió SER MEJOR...

Extra: Hemos visto mujeres y hombres de larga edad torcidos, sobre los hermosos campos, en minifundios marcados por el tiempo. Sin asistencia técnica casi... ¿Es un problema económico, educacional?

Oliveira Salazar: Es un problema sentimental. Nacieron allí. Trabajaron así... Los estamos convenciendo de que acepten por lo menos las Cooperativas para unirse allí, adquirir maquinaria y cambiar el método. ¿Pero usted cree que a mí, realmente me puede halagar que la gente se sienta esclava de la tierra, encorvada por la vida...? Una vez yo tenía un campo similar al de un vecino. Igual dimensión, igual cultivo. Lo quise cambiar. Entonces él me contestó: "NO SEÑOR DOCTOR... Yo sé que es igual que el suyo... Pero aquí yo venía cuando tenía 8 años con mi abuelo y la cabra... No lo puedo trocar..."

Extra: ¿Lo asusta la transformación?

Oliveira Salazar: (riendo mucho, mucho...) No me conoce usted. No quiero hacer pagar a mi país el precio caro de las transformaciones cuyo valor está todavía a demostrar... Por ejemplo, creo que en ese error incurrió la Argentina; seguí el proceso de Perón que parecía interesante, pero que se desvió. Llevar a un país de estructura agrícola – ganadera sin más ni más a un
proceso industrial sin transición es peligroso y ruinoso...

Extra: ¿Entonces usted qué hizo al encontrarse en el Poder?

Oliveira Salazar: Me encontré con un país desordenado y endeudado. Sin fervor. Primero, como le dije, no volver a recurrir al crédito internacional sin sentido. Resolví que el camino más indicado si queríamos Seguir siendo PORTUGAL, era el que adoptan los católicos a la hora de la cuaresma: AYUNAR. Crecer demasiado pronto hubiera sido tentar al fracaso demasiado rápido. El estado no debe ser señor de la riqueza nacional, ni colocarse en condiciones de ser corrompido por ella. Para ser árbitro supremo de todos los intereses, es preciso no dejarse maniatar por ninguno de ellos... Sin cerrar los ojos a las enseñanzas que otras formas de organización traen como remedio, consideré como saludable para el cuerpo social un margen amplio concedido a la iniciativa privada y hasta a la competencia, siempre que EL ESTADO MANTENGA LA POSICION DE ARBITRO SUPREMO ENTRE LOS INTERESES EN JUEGO. Hubo que poner mano dura. No lo niego. Pero en circunstancias así, cada uno procura bastarse a sí mismo y es inútil en las economías que tienen la agresividad enfermiza de la miseria, encontrar fórmulas de colaboración amistosa...

Extra: ¿Qué es el socialismo de Estado?

Oliveira Salazar: Es un régimen burgués por excelencia. La moneda es una medida delicada, destinada a servir y no a dominar...

Extra: Según usted, la democracia representativa parlamentaria es contraindicada para países de América y sur de Europa. ¿Por qué?

Oliveira Salazar: Porque tienen muchos Jefes. Mucha deliberación. Escaso resultado. Aquí la Asamblea Nacional funciona 3 veces al año. Nada más. Los ministros no van a su seno, sino a las comisiones. No queremos discursos espectaculares y ataques indiscriminados para "salir en los diarios". Somos un país pequeño con problemas serios y no podemos abrir frentes de debilidad con el sólo fin de proclamar que "jugamos a la democracia".

Extra: A su juicio, ¿cómo hay que crecer?

Oliveira Salazar: Con inteligencia. Ustedes los argentinos, por ejemplo, deberían crecer desde el campo hacia la industria, elaborando al pie de los trigales los productos manufacturados. Y no intentar aventuras.

Extra: Pero en un mundo tecnológico, urgido, eso significa no ya crecer despacio, sino estancarse...

Oliveira Salazar: Le insisto; hay que elegir ESTAR MEJOR O SER MEJOR...
Extra: ¿Me permite que le cuente una anécdota que puede afectarlo?

Oliveira Salazar: Como no...

Extra: Los otros días en Coimbra, concurrí a visitar una República de Estudiantes. En el cuarto de uno de ellos, estaba inscripta en la pared una frase suya: "Sin el consentimiento del pueblo no se puede gobernar un minuto... Salazar". Debajo de ella el ocupante de la habitación había escrito en rojo vivo: ENTONCES PORQUE NO SE VA...

Oliveira Salazar: (con una extraña y larga sonrisa que le nacía en los ojos ampliaba las comisuras de los labios). Sí... me imagino. A ese joven universitario usted le pregunta: ¿Lo quiere a Salazar? Le contesta: NO. Pero le pregunta: ¿Y a quién quiere? Y él no sabe. La juventud del mundo sabe TODO LO QUE NO QUIERE. En eso coincide. Pero no sabe lo qué quiere... Ellos forman EL PARTIDO DE LOS QUE NO QUIEREN PARTIDOS.

Extra: ¿Cómo ve usted desde su balcón el problema de la Sorbona, del fragor de lo que hoy vive París...?

Oliveira Salazar: Con mucha preocupación. Le aseguro. Puede ser un polvorín. Creo que mi buen amigo De Gaulle tras decir las palabras justas fue cediendo. Y eso es muy peligroso. Fíjese; en Europa hay un gran jefe: De Gaulle. Pero como tiene resentimientos inolvidables contra EEUU y con Inglaterra, cada vez que habla, siempre rosa de paso a sus adversarios.
Esto no, esto no, esto no... Me hace acordar al chico de Coimbra; sabe lo que no quiere... Si De Gaulle invirtiera los términos y empezara a sazonar lo positivo...

Extra: Justamente hablando de crecimiento, España se desarrolla vertiginosamente y no como es su gusto, profesor...

Oliveira Salazar: Nosotros y España somos dos hermanos, con casa separada. Tan vecinos que podemos hablarnos desde los balcones, pero seguramente más amigos por ser independientes y celosos de nuestra autonomía. Miro con alegría el esfuerzo español. Su progreso. Me acuerdo que al término de la guerra mundial, cuando España fue prácticamente BOYCOTEADA por casi todos los países, solo dos naciones permanecieron a su lado; dejando sus embajadores y siguiendo las relaciones comerciales: la Argentina y Portugal. Hoy –recién hoy- todos admiran la labor de Franco... En fin... Pero le digo también que el crecer como España supone un riesgo; despersonalizarse. Esto no invalida mi admiración...

Extra: Permítame otra irreverencia; aquí en Portugal se practica abiertamente la Censura de Prensa...

Oliveira Salazar: Es extraño que usted no nos llamó "incivilizados" por eso. Le quiero aclarar; existe Censura previa, pero no se practica. Después de tantos años, los periodistas ya saben lo que NO DAÑA A LA NACION. No podíamos permitirnos, le repito, "el lujo de la libertad". A veces cuando leo algún editorial, se queja de una censura previa que solo figura en las normas, llamo a los periodistas y le propongo: suprimo la norma de censura previa, pero ordenamos el secuestro de toda publicación que atente contra seguridad del país y de sus instituciones. Entonces todos saltan y dicen: "¡NO... Preferimos el actual estado de las cosas...!" Es que hay que saber vivir en libertad con responsabilidad.

Extra: Otra cosa que molesta "AL MUNDO" es que Portugal insista en mantener la autoridad sobre Angola, Mozambique, Macao...

Oliveira Salazar: ¿Al mundo? No. A los intereses del EXTRAÑO MUNDO... Angola, Mozambique, Guinea, Macao, son provincias portuguesas, de notable identificación. De estupenda convivencia. La mala información norteamericana lleva a confundir las cosas. Es raro que un país que no logra que el seno de su sociedad pueda integrarse pretos y blancos, intenten en el Africa que los pretos se autogobiernen, en una actitud que llamó demagógica e irresponsable. Piden la libertad fuera de sus límites, pero tiene problemas raciales insolubles dentro de sus fronteras. Y no sé realmente si un día no nos levantamos y estamos ante una guerra civil en EEUU.

Extra: ¿Sostiene usted entonces que los países del Africa no se pueden autogobernar?

Oliveira Salazar: Así es...

Extra: Pero, ¿cuándo podrán?

Oliveira Salazar: Es un problema de siglos. Dentro de 300 a 500 años... Mientras tanto tendrán que ir participando del proceso... Llámelo a eso neocolonialismo o como quiera, si la palabra está agotada...

Extra: ¿Y mientras tanto cuánto tiempo más podrá Portugal soportar la guerra terrorista...?

Oliveira Salazar: Indefinidamente. Es apenas en la frontera y son mercenarios. Nos cuesta 6 millones de contos que salen íntegramente del presupuesto natural... de mayores ingresos...

Extra: Pero la juventud que tiene que ir allí se queja...

Oliveira Salazar: Extraño. Porque una estadística prueba que se afirma el sentimiento nacional. Y que el 40% de los que retornan a Portugal tras cumplir la exigencia militar, vuelven a instalarse en Luanda, o en Mozambique... Conocen el país integralmente y aprenden a amarlo... Porque defenderlo es amarlo...

Extra: Le quiero hacer una pregunta difícil... Complicada...

Oliveira Salazar: Ya sé; como tengo 79 años, muchos preguntan qué va a ocurrir e Portugal cuando yo no esté... Pues nada. Respetando las instituciones creadas, no pasará nada. El Presidente de la Nación designará un nuevo Presidente del Consejo de Gabinete...

Extra: ¿Pero hay quién lo pueda suceder?

Oliveira Salazar: Hay figuras insospechadas...

Extra: Hágame nombres. Porque sino habría que buscar a Diógenes y su linterna...

Oliveira Salazar: (amplia risa). No. No hará falta... Lo único es que habrá que tener paciencia al principio y DARLE PLAZO PARA GOBERNAR. No apurarse... Darle tiempo...

Extra: ¿Qué le pediría usted a la Argentina...?

Oliveira Salazar: Que nos conociera un poco más... Conocernos, conocernos...

Extra: Nosotros también buscamos un estilo de vida o un sistema...

Oliveira Salazar: Sí, pero no hable usted de corporativismo en su país que lo van a acusar de fascista... Este traje portugués a lo mejor no le queda bien al país, pero algunas experiencias que tenemos para administrar y conducir, pueden ser dignas de estudio... Aquí los intereses de los más están representados; tenemos una Cámara Política, la Asamblea Nacional y una cámara de carácter eminentemente social que es la Cámara Corporativa. Aquí no falta ningún sector de interés. Empresarios, obreros, profesionales, técnicos, profesores universitarios. Tan mal no nos ha ido; el analfabetismo que era de un 70% en 1928 fue anulado totalmente en cuanto a la población con edad escolar; el producto bruto nacional se elevó en un 65% en los últimos 10 años; la producción industrial subió de 9 millones de contos, en 1938, a 50 millones de contos en 1967; la tasa de producción de electricidad pasó de 187 millones klw/hora en 1926 a 5.200 klw/hora en 1967. La organización mundial de la Salud ha felicitado a Portugal por su capacidad sanitaria; se cuadriplicaron las escuelas primarias. Liceos universidades, en Portugal, en Angola y en Mozambique, son otras pruebas innegables de que hemos trabajado en un tiempo en que se habla mucho, todo parece depender de los subsidios y ayuda técnicas y esto lo hemos hecho SOLOS.

Extra: Ustedes tienen relaciones diplomáticas y comerciales con Cuba...

Oliveira Salazar: Eso no puede causar extrañeza. Si Estados Unidos obligado a desempeñar casi un papel de Gendarme Mundial, aboga y practica una política de acercamiento de relaciones comerciales y hasta de auxilio a países del bloque socialista; no veo yo que Cuba amenace más la seguridad del Hemisferio Occidental más de lo que la amenaza Rusia... Yo veo que la República Arabe Unida o Ghana, hostilizan públicamente a EEUU y, sin embargo, no cesan de recibir ayuda. Washington tiene una política muy extraña.

Extra: Por fin, profesor Salazar, ¿prevé o favorece usted algunas mudanzas en el sistema político portugués para los próximos años?

Oliveira Salazar: 40 años no es nada en la vida de un pueblo. Nada... Sin embargo, hemos avanzado. ¿Sabe lo que pasa? Hoy ya no hay grandes partidos; HAY PATRULLAS POLITICAS por un lado y por el otro, ESTADOS MAYORES POLITICOS sin fuerzas importantes que lo sigan... Hay mucha gente sedienta de cambio. Todos podrían unirse, pero sólo lo hacen para la subversión. No podrían gobernar un minuto. No se puede ser liberal y socialista al mismo tiempo. Además, frente al orden ofrecen el caos... Esta experiencia es la que mejor se ajustó a nuestro modo de ser. Claro; hubo errores, injusticias, deficiencias, atrasos, abusos; todo eso lo podemos admitir, porque nada es bastante para destruir el valor de la comparación. El orden, la tranquilidad pública, el crecimiento educacional y cultural, el prestigio, la cohesión nacional, todo eso, aceptamos, que con otras personas se hubiesen podido conseguir; CON OTROS PRINCIPIOS, NO. Lo que está indicado no es volver al desorden parlamentario y a la debilidad de los gobiernos. No es destruir la experiencia que se acreditó por su eficacia, sino renovarla en personas y métodos, pero proseguir... El liberalismo económico murió. Y nosotros somos por tanto, libres de tener una organización. Fuimos hacia la organización corporativa. Y nos dio la síntesis deseable de los intereses. Sustituimos la lucha de clases. En fin... El Poder cansa, gasta, disgusta a los que lo soportan, incluso cuando no hay razón. Son como los enfermos; volviéndose al lecho, siguen con los mismos dolores, pero les parece que están mejor... Yo siempre he sido refractario a mudar por mudar. Comprendo las impaciencias o las necesidades políticas, para cuya creación, NO DESEO CONTRIBUIR. El inmovilismo es terrible; pero cambiar el orden por el caos, es peor. Estoy siempre preparado para partir; no digo sin disgusto, pero sí, sin desilusiones...

Até a próxima semana.

Marcos Pinho de Escobar

Sexta-feira, 12 de Abril de 2013

CARTEIRA DE SENHORA


DIA 62

A carteira hoje verga-se a uma introdução determinada pela proprietária (dela, que não da crónica).

A notícia da atribuição do Prémio Sir Geoffrey Jellicoe ao Arquitecto Gonçalo Ribeiro Telles tem que ser realçada, pela sua inteira justiça e pelo reconhecimento da dedicação da sua vida à arquitectura paisagista, não esquecendo a protecção da natureza e o ordenamento do território.

Mesmo que alguns assim pensem ou possam fazer crer, não são áreas estanques, estão intimamente ligadas e são interdependentes. No Arquitecto Ribeiro Telles, que os malfadados jornais acordistas teimam em transformar em arquiteto, seja lá o que isso for mas coisa boa não é com certeza, a visão sempre foi e será a da interdependência neste grande ecossistema em que vivemos.

Já assisti a sorrisos condescendentes, acenando que sim, que é muito importante, que respeitam muito o Arquitecto Ribeiro Telles, apenas para virar depois o olhar cúpido para o que verdadeiramente lhes interessa, refilando pelo que lhes parecem ser escolhos nos caminhos do lucro fácil.

A importância das hortas urbanas, a reabilitação do mundo rural e de um determinado tipo de agricultura como combate à desertificação, a protecção das aldeias, a denúncia das construções em leito das cheias, a defesa das mini-hídricas, a preservação do património urbano e paisagístico, a contestação da eucaliptização e da agricultura extensiva que faz perder a ligação à terra e provoca desequilíbrios, a criação das áreas protegidas, um olhar diferente para o ordenamento do território, foram alguns dos temas que sempre defendeu a par do exercício de uma arquitectura paisagista imbuída do mesmo espírito.

No fundo trata-se também da preservação da sabedoria de todo um povo que durante séculos aprendeu a conhecer o território que tinha em mãos e a aproveitar ao máximo aquilo que a terra e a paisagem lhe podem dar.

O arquitecto Gonçalo Ribeiro Telles teve sempre razão mais de trinta anos antes. O grave é que as pessoas sabiam e ignoraram, sabem e ignoram. Tantas catástrofes se teriam evitado e poderiam evitar se o ouvissem. Não. Não basta ouvir. É mesmo seguir-lhe os passos.

Como fica claro, não entendo nada dos assuntos que domina, mas conheci-o durante a adolescência e respeito-o desde esses tempos. O pouco que penso saber aprendi com ele e não é difícil, porque instintivamente sabemos que tem razão. São ensinamentos sobre aquilo que nos está no sangue, mesmo que a visão dita moderna e progressista queira tentar negar. Afinal não há nada de mais actual do que aquilo que é verdadeiro.

Amor à terra e amor a Portugal resume como tem vivido a sua vida. Amor ao Rei é o corolário lógico do seu pensamento.

Era para ser uma introdução. Cresceu, ganhou asas e metamorfoseou-se em crónica. Nada a fazer. Rendo-me de sorriso aberto. Por quem é.

Leonor Martins de Carvalho