segunda-feira, 6 de julho de 2015

DO DESPERTAR DAS NAÇÕES EUROPEIAS

As sucessivas crises económico-financeiras provocadas na decadente Europa pelo ganancioso sistema demo-liberal dos EUA, bem como as pressões internas e externas a que o Velho Continente é sujeito por parte do agressivo expansionismo do Islão, levam a que as diversas Nações europeias se fechem sobre si próprias para melhor resistirem. O Reino Unido, que sabe da póda há séculos, já o fez, até porque sempre gostou de ter um pé de fóra dos utópicos «projectos europeus», os quais são geralmente feitos contra os Povos e as Pátrias da Europa.  Ninguém diria é que seria a Grécia a primeira, à sua maneira, a seguir os sábios passos da Velha Albion.  

domingo, 5 de julho de 2015

CULTURA E DEMOGRAFIA

Gramsci, no século passado, chamou a atenção para a importância da Cultura. Maomé, in illo tempore, definiu o papel decisivo da Demografia. Ambos, hábeis políticos que eram, tinham razão; e, na realidade, a combinação dos dois factores revelou-se sempre determinante, ao longo da História Universal, para o sucesso de qualquer projecto Geopolítico. Todos os Impérios se expandiram enquanto dominaram estes vectores e caíram quando deixaram de o fazer.
Atendendo a que «o fim da História» afinal ainda não aconteceu, nem tampouco se deu «o choque das Civilizações», as lições deles voltam a estar na ordem do dia.
E a conclusão é, portanto, simples: a Civilização que tiver mais crianças e que conseguir educá-las nos seus Valores acabará, mais tarde ou mais cedo, inevitavelmente, por triunfar; e, desta, vez, talvez seja para todo o presente milénio . É uma óbvia constatação de realpolitik.
Para mal dos nossos pecados, a Europa Cristã definha, dia após dia, a olhos vistos, em ambas as coordenadas.

sexta-feira, 3 de julho de 2015

DA PODEROSA RECENTE OBRA DUM ESCRITOR INSUBMISSO

Oxalá a política fosse tão criativa e dinâmica como acontece em Submissão de Michel Houellebecq. Islâmicos e Identitários, mais o pensamento económico de Chesterton, aliados no poder, em nome do combate ao inimigo comum, e maior, que se chama mundialismo (ateu, individualista, materialista, demo-liberal ou socialista). Uma ficção aparentemente surreal, para quem nada conhece de História, Religião, Filosofia e Política; mas, híper-real, em potência, para quem aprofunda as referidas matérias. Já se sabia que Houellebecq era o maior romancista francês no activo, só não se conhecia ainda que é também um génio visionário — na linha de Aldous Huxley e H. G. Wells —, pois apenas alguém assim conseguiria combinar os dados ideológicos, desta extraordinária maneira, a fim de nos dar um espantoso regime novo! Esta ficção política tem sido recebida por disparates ditos pelos críticos (a cartilha kulturalmente correcta, por onde se guiam, não tem clichés prontos a aplicar a uma obra assim) e pelo silêncio dos comentadores (formatados pela ditadura de pensamento único, do sistema, não encontram chavões para debitar sobre este livro). E, porém, pelo que se vai vendo, um pouco por toda a Europa, irá, certamente, num futuro não muito longínquo, dar bastante que falar... 

EU CÁ PARA MIM...


quinta-feira, 2 de julho de 2015

AVISO AOS RAPAZES POR CAUSA DOS LIVROS E DAS RAPARIGAS

Deitei os olhos a alguns trechos do Livro do Desassossego, de Bernardo Soares, e deixei-me adormecer, escabeceando, sentado no sofá. Estranho soporífero esse. Lembro-me bem dos tempos da adolescência em que a sua leitura me provocava febril vigília, pela noite dentro, impedindo-me de conciliar o sono. Depois, chegaram as primeiras namoradas à séria; e, com elas, o verdadeiro desassossego dos sentimentos e dos sentidos. E os livros foram às urtigas. Tenho cá para mim — aqui que ninguém nos ouve — que as raparigas podem ser, em determinadas fases da vida, as principais inimigas dos livros. Assegurem-se pois de ter lido o essencial antes de se lançarem nos seus braços, até para não serem tomados por parvos.

DA FILOSOFIA PRÁTICA

Releio a obra Die Spatziergänge oder die Kunst spatzieren zu gehen, de Karl Gottlob Schelle, na edição francesa, da Rivages Poche / Petit Bibliothèque, intitulada l'Art de se Promener, e prefaciada e traduzida por Pierre Deshusses.
A propósito: quando é que em Portugal se começam finalmente a fazer edições boas para o bolso e para a bolsa? Por enquanto, são feíssimas e caríssimas.
Este livrinho, escrito em 1802 por um amigo de Kant e correspondente de Goethe, permanece para mim como o mais útil manual da arte de bem passear (não confundir com as famigeradas caminhadas e corridas). Dúvidas houvesse e ficaria demonstrado neste pequeno ensaio que a simples prática física do passeio, de preferência feito em boa companhia, propicia prazer estético, ao mesmo tempo que nos transporta a uma elevada dimensão espiritual.

VIVER HABITUALMENTE

Ultimamente, tenho vindo a perder um hábito que alimentei durante muito tempo (os costumes têm de ser cultivados, como as plantas; senão, como estas, morrem). Todos os dias transcrevia factos da agenda do ano anterior para a actual. Desta forma, nunca me esquecia dos anos das pessoas, nem dos santos de cada dia. Era ainda uma boa oportunidade para recordar acontecimentos que tinham sido importantes, e que lá registava. Vai-me valendo a memória, que, contrariamente o que se apregoa, no meu caso, tem aumentado com a idade.

QUANDO CERTAS COISA MUDAM JÁ NADA FICARÁ NA MESMA

Duas coisas se perdem neste meio de comunicação. Sim, meio de comunicação porque é de pôr em comum que se trata; pois, embora escreva estas notas soltas, ao correr do teclado, como se de um diário pessoal secreto se tratasse, sei bem que os meus queridos leitores estão aí desse lado. Afinal, é como se deixasse o caderno de apontamentos propositadamente esquecido na mesa do café, ou no compartimento do comboio, para poder ter, duplamente, o perverso prazer voyeur de ver alguém pegar nele e lê-lo — atitude  que, vice-versa, por educação e pudor, nunca teria em relação ao de outrém.
Dizia eu que duas coisas se perdem nesta «escrita à máquina» na «rede global»: são o tom e a caligrafia.
O primeiro, vai todo pelo som e é o núcleo fundamental da linguagem oral, na medida em que reforça — ou cria, até, em certos casos — o verdadeiro significado das palavras.
A derradeira, será a caligrafia. Sobre esta, múltiplas análises podem os especialistas produzir. Para já, constato com tristeza que está em vias de extinção. É portanto com nostalgia que deito os olhos a cartas escritas à mão, redigidas ainda na boa tradição epistolar —  registo literário por onde passou tanta correspondência dos nossos antepassados: assim se namorou, se relataram viagens, se fizeram negócios, se participaram casamentos e nascimentos, se tomaram decisões privadas e públicas. Assim se fez História. E a grafologia não deixava mentir...
Vem tudo isto a propósito (ou a despropósito) de ter descoberto, não sem estranheza, que a minha letra está a mudar.

segunda-feira, 29 de junho de 2015

ACTUAL BIZANTINISMO E NOVO CALIFADO

Enquanto os actuais líderes dos povos europeus perdem tempo a discutir interminavelmente as fúteis matérias do deus dinheiro, a guarda avançada do Estado Islâmico infiltra a Europa, e os seus exércitos cercam-na, com o objectivo claro de integrá-la, a curto prazo, no seu novo Califado.

DO CHEIRO DOS LIVROS

Tenho o hábito de cheirar os meus livros. São, quase todos, velhos. Alguns, muito antigos. Portanto, os seus aromas transportam-me, longamente e largamente, no tempo e no espaço. Fragrâncias de tabacos, lareiras, madeiras, perfumes, flores, vinhos... Assim se vão recordando, ou imaginando, pessoas e lugares.

DA ARTE DE BEM CONVERSAR

Tenho cá para mim como certo e sabido que a coisa que melhor distingue as pessoas entre si — sim, porque não somos todos iguais — é a sua capacidade de boa conversação.
Nesta matéria, geração após geração, os que passam o crivo do bom senso e do bom gosto são cada vez menos. Nas actuais reuniões sociais, o panorama é desolador: uns, entram mudos e saem calados; outros, debitam estéreis banalidades (quando não são inconveniências); finalmente, há um pequeníssimo escol — infelizmente, mais pequeno de dia para dia — que ainda cultiva a arte de bem conversar.

SANTOS DO DIA

S. Pedro e S. Paulo.

domingo, 28 de junho de 2015

SLOW DE FIM DE FESTA


sexta-feira, 26 de junho de 2015

DO PRAZER DA LEITURA

O Prazer da Leitura, de Marcel Proust, é um livro sobre livros. Proust parte das sensações propiciadas pela leitura e acaba formulando um elogio dos Clássicos. O autor da monumental obra que inaugura o romance moderno dá-nos desta forma a sua pessoalíssima visão da História da Literatura. Tudo isto num delicioso volumezinho que se consome de um só fôlego. Ensaio feito por um homem culto, e não um erudito, que aqui, contrariando as deliciosas diletâncias da sua magistral Recherche, é conciso nas referências a obras e escritores. Porém, deixa-se também por vezes divagar, pintando o retrato — com as cores das suas memórias pessoais — duma infância iniciática nestas coisas da bibliofilia. Por isso, este livro se consome de um só trago, como um shot; e, depois, sobe, como estes, provocando-nos variadas experiências. Leva-nos por caminhos sedutores e seguros, ora sensoriais — apelando às nossas próprias recordações, a partir das suas —, ora racionais — todos eles pontuados por referências bibliográficas, devidamente explicadas —, fazendo-nos assim finalmente chegar ao (seu) porto de abrigo: os Clássicos, relidos e reescritos pelos Românticos.

AINDA SOBRE A FUNDAÇÃO DE PORTUGAL

1128 é sem dúvida alguma o ano da Fundação Nacional porque se houvéssemos aguardado por Zamora para proclamarmos Portugal independente também teríamos tido que esperar pelo reconhecimento de Espanha, em 1668, para considerarmos realizada a Restauração da Independência Nacional.

quinta-feira, 25 de junho de 2015

FUNDAMENTAIS DATAS FUNDACIONAIS

Portugal nasceu no dia 24 de Junho de 1128 (na Batalha de S. Mamede), foi baptizado no dia 25 de Julho de 1139 (na Batalha de Ourique) e foi registado no dia 5 de Outubro de 1143 (no Tratado de Zamora).

quarta-feira, 24 de junho de 2015

DIA DE S. JOÃO E NÃO SÓ

24 de Junho:
2 A. C. — Nascimento de S. João Baptista.
1128 — Batalha de S. Mamede, Fundação Nacional.
1360 — Nascimento de D. Nuno Álvares Pereira / S. Nuno de Santa Maria.

terça-feira, 23 de junho de 2015

SETE MARES — SÉTIMA LEGIÃO


A GLÓRIA DO MUNDO — HERÓIS DO MAR


segunda-feira, 22 de junho de 2015

ACTUALIZAÇÃO DOUTRINÁRIA

1. Integralismo Lusitano no centenário da sua fundação. Acção Realista Portuguesa nos noventa anos da sua fundação. Projecção no futuro.
2. Espiritualidade/identidade versus materialismo/mundialismo na História Universal. Ponto da situação.
3. Bem-Comum versus capitalismo e comunismo (duas faces da mesma moeda). Terceira-Via política, social e económica.
4. Comunidade tradicional orgânica: associativismo e municipalismo. Trabalho e território em Portugal.
5. Cultura Lusíada e Língua Portuguesa. Últimos redutos da identidade nacional.
6. Família como célula-base da sociedade. Resistir e transmitir.
7. Vida como valor. Princípio para pôr fim ao genocídio mundial.
Lancei aqui, no final do ano de 2012, estes sete temas. Tiveram acolhimento por parte de múltiplas pessoas de bem. Têm sido tratados em diversas tertúlias e variados grupos. Publicarei aqui uma síntese das conclusões, antes do final deste ano de 2015. Por Deus, Pátria e Rei.

A FILOSOFIA DA MONARQUIA PORTUGUESA

A Monarquia Portuguesa tem uma Filosofia que se chama Sebastianismo (que nasceu antes de D. Sebastião e vive para além dele). É uma Filosofia de Pensamento e Acção, porque só tem Saudades do Futuro. Levou-nos a descobrir o encoberto Mundo, em nome de Deus, Pátria e Rei, e a criar assim a Cultura Lusíada. Permitiu-nos ainda resistir e vencer, durante os trágicos tempos da ocupação espanhola e das invasões francesas. Saibam agora os Portugueses de hoje em dia senti-la e estudá-la. É a Hora? 

AINDA E SEMPRE A UNIVERSAL FILOSOFIA PORTUGUESA

FILOSOFIA PORTUGUESA. (...) Em 1957, a filosofia portuguesa como núcleo de teses e como movimento de ideias estava formulada para o exercício da bondade, da beleza e da verdade. Influenciados por Álvaro ou por Marinho, já no grupo da Cidade Nova (1950-1958) aparecem escritores motivados ou doutrinados para a compreensão do ideário monarquista e personalista pelo prisma da filosofia portuguesa. (...) O centenário do nascimento de Sampaio Bruno (1957) ficaria assinalado pelo aparecimento do jornal 57 que dimensionava a problemática da filosofia portuguesa em termos de movimento de intervenção social e cultural. O 57 reivindica uma genealogia espiritual (Aristóteles, a Bíblia, Dante, Conimbricences, Hegel, Bruno, Leonardo Coimbra...) e congrega jovens pensadores todos eles, cada um a seu modo, destinados a uma presença consistente. Mencionando apenas os discípulos da primeira geração, entre eles dispomos dos exemplos patentes nas obras de Francisco da Cunha Leão (antropologia cultural), António Quadros (crítica filosófica e estética e historiologia), Orlando Vitorino (filosofia do direito, da política e da liberdade), Afonso Botelho (estética e simbólica), António Braz Teixeira (filosofia do direito e história da filosofia), Francisco Sottomayor (filosofia das ciências e das matemáticas), João Ferreira (história da filosofia portuguesa), Fernando Sylvan (antropologia política e teoria da portugalidade), António Telmo (filologia e simbologia) e Luís Zuzarte. O 57 tem um vector polemizante: quer suscitar o debate das ideias, e este debate provocará algum radicalismo, mas sem ele o movimento teria ficado fechado em si mesmo. (...) O escopo do 57 não era o radicalismo: este era um meio para induzir as consciências à reflexão do que mais importava, o que ficou patente no colóquio sobre o tema «O que é o Ideal Português?» (1962) cujo patrono foi Álvaro Ribeiro, e que de algum modo encerra a actividade do 57 como movimento colectivo. (...)
Pinharanda Gomes, Dicionário de Filosofia Portuguesa, Publicações Dom Quixote, Lisboa, 1987.

A FILOSOFIA PORTUGUESA EXISTE?

Enquanto existirem sítios como o seguinte, quero crer que sim: Homo Viator.

DO PODER ENSAÍSTICO DAS NARRATIVAS LITERÁRIAS

Quanto mais leio mais concluo que as melhores teses são transmitidas por fascinantes ficções (não me refiro aos famigerados —  e felizmente já ultrapassados — «romances de tese», mas sim aos clássicos).

sábado, 20 de junho de 2015

SLOW DE SÁBADO À TARDE


DO SOLSTÍCIO DE VERÃO

A partir de amanhã, e até ao dia do Solstício de Inverno — momento do anti-clímax —, as noites vão crescendo e os dias diminuindo, muito lentamente. A simples observação diária desta regra da Natureza sempre constituiu para mim um suave deleite. Nada melhor do que seguir e sentir o Sol, e a sua presença entre nós, iluminando-nos e aquecendo-nos. Vindas estas palavras de um noctívago, são ainda mais verdadeiras. Gosto das longas noites; mas, também admiro os intermináveis dias banhados pela luz quente do Astro-Rei, para viver em plena sintonia com a equilibrada harmonia da Natureza.

CELESTIAL MÚSICA SOLSTICIAL


SENSUALIDADE À FLOR DO PÉ

As senhoras das melhores famílias portuguesas deram, de há uns anos para cá, em andar de chinelas. Pela amostra, falta-lhes ainda imenso tempo para conseguirem atingir a graciosidade e a sensualidade do chinelar das mulheres do povo. Só estas, por enquanto, conseguem ter movimentos felinos nesses ligeiros preparos. Porque tudo o que é superior leva várias gerações a ser edificado. E, portanto, o longo corpo bamboleante deslizando sobre chinelas, que demorou séculos a esculpir e a coreografar, de uma sensual rapariga de um bairro tradicional e popular, não será ultrapassado do pé para a mão, ou, neste caso, da mão para o pé, sem mais nem menos e de um dia para o outro, por arrivistas aristocratas. Está visto que as lindíssimas mulheres do povo português não abdicam dos seus históricos pergaminhos. Não fossem elas as mais belas mulheres do mundo.

SLOW DE SEXTA À NOITE


quarta-feira, 17 de junho de 2015

DE BANCO A BANDO

Pelo que se vai vendo e ouvindo, a sigla BES deixou de designar o Banco Espírito Santo e passou a significar Bando Espírito Santo.
Maldita usura.

DA INCONSISTÊNCIA CONSTITUCIONAL

Portugal nasceu saudável e cresceu robusto, durante 700 pujantes anos, sem Constituição. Nos últimos 200, desataram a fazê-las, revê-las, desfazê-las e fazê-las de novo. Qualquer dia já não há País, mas certamente ainda existirão umas luminárias a produzir belos textos constitucionais.

terça-feira, 16 de junho de 2015

FUNDAMENTOS DA CONSISTÊNCIA DOUTRINÁRIA

Um católico tem de ser nacionalista e monárquico, um nacionalista tem de ser católico e monárquico, um monárquico tem de ser católico e nacionalista. Para qualquer dúvida, consulte-se a História de Portugal e estudem-se as biografias dos santos, sábios e heróis que edificaram a Nação Portuguesa e expandiram o Império Português. As raras e honrosas excepções servem para confirmar a regra.

segunda-feira, 15 de junho de 2015

CONSERVADORISMO VERSUS TRADICIONALISMO

Não sou conservador, pois não quero conservar o presente. Sou tradicionalista, porque quero construir o futuro com o passado bem estudado.

sábado, 13 de junho de 2015

O FACTOR PONTIFEX

Em recente simpática reunião social, na qual irrompi de passagem, a dona da casa, às tantas, disse que não compreendia como certa pessoa da minha geração tinha carisma e liderança desde os tempos da adolescência. Isto depois de se terem contado extraordinárias histórias  sobre o meu liceu, várias das suas inesquecíveis personagens e muitos dos seus originalíssimos grupos. A autora da afirmação, que não andou na mesma escola, estranhava o facto de haver uma mulher que, segundo ela, não sendo bonita nem simpática, tinha esse poder. Ora a figura mencionada, da minha idade e do meu liceu, limitava-se a fazer aquele pequeno nada que é tudo, e aí residia o segredo do seu sucesso: lançava pontes entres as referidas personagens e entre os respectivos grupos; todos eles, à partida, aparentemente, inconciliáveis. Estamos assim perante um moderno exemplo de alguém a quem já na antiguidade pré-cristã se chamava pontifex. Em português traduz-se por pontífice e é precisamente por definição um construtor de pontes. Nas comunidades tradicionais, desde tempos ancestrais, os povos escolhiam as pessoas com esta qualidade para chefes.   

sexta-feira, 12 de junho de 2015

GALICISMOS QUE FAZEM PENDANT COM ANGLICISMOS

As coquettes são mulheres de flirt e as cocottes de fling.

DA MÚSICA ENQUANTO MÁQUINA DE MEMÓRIA



PORQUE HOJE É SEXTA-FEIRA


quinta-feira, 11 de junho de 2015

MISTÉRIOS DA MEIA-IDADE

Chegados à meia-idade surge uma súbita claridade que ilumina as coisas que deixámos para trás devido às opções que tomámos nas encruzilhadas da vida.

terça-feira, 9 de junho de 2015

DAS AFINIDADES NA SOCIEDADE

Ultimamente, tenho andado muito mais interessado nas pessoas que conheço (refiro-me especialmente aos amigos de sempre) do que curioso em relação às que não conheço. Fases houve em que procedi exactamente ao contrário. Talvez seja esta uma conclusão lógica à qual se chega com o advento da maturidade própria da «meia-idade». Verdade se diga que, aqui e ali, vão surgindo raríssimos casos que nos fazem furar esta regra — são as luminosas excepções.     

DO FUTURO DOS LIVROS

Alertam-me frequentemente, com alguma preocupação, para o facto material de a marca de posse — carimbo com o meu nome completo como consta no CC da RP — que aplico em todos os meus livros poder «desvalorizar» os respectivos volumes. O parecer técnico é certamente bem verdadeiro e bem intencionado. Porém, não tendo eu os livros para vendê-los, mas sim para lê-los, conservá-los e deixá-los aos meus descendentes, não vislumbro razão para ficar inquieto. Antes pelo contrário. Todos ficarão assim, no futuro, a saber a quem pertenceram e de onde vieram os referidos livros, facilitando desta forma a vida aos vindouros. Contudo, tenho a clara noção de que, nestes tempos ferozmente individualistas, isto soa a excentricidade. Pensar nos outros (ainda para mais, em alguns que ainda nem nasceram, como seja o caso dos netos) é uma tolice...!

segunda-feira, 8 de junho de 2015

AS CINCO ORDENS RELIGIOSO-MILITARES QUE FIZERAM PORTUGAL

Templo, Hospital, Santiago, Avis e Cristo.
A pedido de vários interessados, na sequência duma proveitosa conversa, darei aqui notícias históricas de todas, sob a forma de fichas, com indicações bibliográficas e tudo.

LAST NIGHT I DREAMT THAT SOMEBODY LOVED ME — THE SMITHS



Dizem que Johnny Marr afirmou em tempos ser esta a sua canção preferida dos seus Smiths.
Para o fã Johnny Mar também esta é a sua canção favorita da mítica banda.

SWEET AND TENDER HOOLIGAN — THE SMITHS


domingo, 7 de junho de 2015

DO FUTEBOL APÁTRIDA E DA IDENTIDADE NACIONAL

Espera-se que ao fim de múltiplas trocas e baldrocas de treinadores e jogadores, e outras tantas andanças com sinistros fundos financeiros que só servem para para afundar o futebol, o Povo finalmente acorde e transforme a sua estéril paixão pelos clubes em fecundo amor pela Pátria. Tanta energia desperdiçada tem de ser urgentemente canalizada. Quando esse momento chegar, Portugal (e as restantes nações europeias) poderá finalmente despertar da triste letargia que o entorpece. Caso contrário, acordaremos todos um dia, na Europa, na curiosa qualidade de súbditos do novo califado islâmico (porque estes não dormem em serviço). É a Hora? 

sexta-feira, 5 de junho de 2015

CLUBES DE SWING

Os clubes desportivos decidiram acrescentar às modalidades tradicionais o swing.

DO DESGRAÇADO DESPORTO-REI

Os ingleses dizem, com graça e bem, que o rugby é um jogo inventado por proletários, mas jogado por cavalheiros, e que o  football é um jogo inventado por cavalheiros, mas jogado por proletários.
Porém, atendendo ao que se vai vendo cada vez mais, infelizmente já de há muito tempo para cá, este clássico aforismo britânico precisa hoje de ser actualizado com um remate: o futebol é um jogo inventado por cavalheiros, jogado por proletários e estragado por usurários.

quinta-feira, 4 de junho de 2015

A REFORMA DE JORGE JESUS

Jorge Jesus atingiu o seu auge profissional na Luz, irá agora gozar uma merecida e bem remunerada reforma em Alvalade.

quarta-feira, 3 de junho de 2015

A MODELO (II)


A MODELO


terça-feira, 2 de junho de 2015

DAS ESTATÍSTICAS DO ETERNAS SAUDADES DO FUTURO

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Não tenho palavras...!

VENTO REDENTOR E TÍLIAS EM FLOR

A nortada que habitualmente varre Lisboa em Junho, além de purificar o poluído ar da cidade, transporta, desde o Campo Grande até às Avenidas Novas, o delicioso aroma das tílias em flor.

segunda-feira, 1 de junho de 2015

CONTEMPLAR EM MAIO E PASSEAR EM JUNHO

Mais do que ver os jacarandás em flor no mês de Maio, confesso que tenho um especial prazer em esperar por Junho para poder finalmente caminhar sobre os tapetes de cor azul-lilás feitos das suas flores caídas.

A RAIZ DO MAL

O mundo é (des)governado por indivíduos que não gostam de árvores nem de livros. Em Portugal é igual. Quando é que os erradicamos?

DAS ÁRVORES SIMBÓLICAS

A pedido de vários leitores, escrevo esta mensagem para revelar que a árvore do cabeçalho do blogue se chama paineira (Chorisia speciosa). Esteticamente belíssima a cor das suas flores. Especialmente simbólico o facto de os seus troncos e ramos serem cobertos de cónicos espinhos afiados que ajudam a conservar a água para posteriores períodos de seca.

DAS ÁRVORES MÁGICAS

Nesta época pré-solsticial, a mais bela árvore da cidade é a monumental tipuana do Jardim Botânico da Universidade de Lisboa. Estará já certamente em flor; e, quando assim é, estende-nos um tapete amarelo para nos receber. Além disso, acolhe-nos e abriga-nos, generosamente, à sua sombra. Este ano ainda não fui lá visitá-la. Já tenho saudades dela.  

DAS ÁRVORES E DAS PÁTRIAS

As Árvores e as Pátrias querem-se antigas e grandes.

EM HARMONIA COM A NATUREZA

No mês das tílias em flor bebo chá de tília para dormir melhor.

DAS ESTATÍSTICAS DO ETERNAS SAUDADES DO FUTURO

Histórico total de visualizações de páginas desde Julho de 2010:
197 911.

domingo, 31 de maio de 2015

CONTEMPLAR EM PAZ

Ó crua
luz vegetal
da minha rua
natal...

Contemplo os jacarandás,
que me olham com apego...
(Que negro
carrego
traz,
às costas, esse mancebo...!

A flor dos jacarandás
cobre-o de paz
e sossego...)

Tudo o que fui, de rapaz
sem ter cura nem conserto,
de boémio, ferrabrás
e estoira-vergas faceto:

tudo o que fui, de rapaz,
aqui jaz,
quando aqui chego...

No meio deste lilás,
o Sol dá comigo em cego.

Que sossego
tu me dás,
túnel de jacarandás...!

Que véu de paz
e sossego!...

RODRIGO EMÍLIO
(1944 — 2004)

sábado, 30 de maio de 2015

SANTA DO DIA

sexta-feira, 29 de maio de 2015

NOSSA SENHORA DA ROCHA E D. MIGUEL

No dia 28 de Maio de 1822 apareceu uma Imagem de Nossa Senhora da Conceição  a uns jovens que brincavam numa gruta junto à ribeira do Jamor no lugar da Rocha (freguesia de Carnaxide, concelho de Oeiras, distrito de Lisboa).
Transcrevo de seguida o texto dum folheto da época sobre a referida Aparição:
«Sempre acontece em todos os tempos à Nação Portuguesa, nas épocas em que a mesma precisa de protecção superior, para se levantar dos precipícios a que se tem visto exposta! Então, a Divina Providência agracia esta Nação, com um singular, ou particular, prodígio: tal é a fé com que muitas almas boas, conservando-se firmes, e constantes, no bem estar da Religião, oram incessantemente a Deus pelas necessidades da Pátria.»
Acrescente-se, a título de curiosidade, que, no ano seguinte, precisamente na véspera do aniversário desta Aparição, o futuro Rei D. Miguel fará a sua primeira grande arrancada nacional com a Vilafrancada. Nestas coisas de Deus e da Pátria, não há coincidências —  existem, isso sim, convergências.

quinta-feira, 28 de maio de 2015

28 DE MAIO DE 1926

É costume esquecer que os futuristas são contemporâneos dos integralistas e dos rapazes do CADC, de quem já nos ocuparemos adiante: em Fevereiro de 1912 aparece em Coimbra o «Imparcial» dos jovens católicos, em Abril de 1914 é a «Nação Portuguesa» dos integralistas que inicia a sua marcha, em Abril de 1915 surge o «Orpheu»; António Sardinha nasce em 1887, Fernando Pessoa em 1888, Oliveira Salazar em 1889. Quer dizer que se processam simultaneamente essas três reacções nacionais — a que havia de seguir-se, na década imediatamente posterior, a dos «seareiros» —, uma de tipo sobretudo estético, outra de carácter principalmente político e uma terceira de índole essencialmente religiosa, contra a decadência, o estrangeirismo, e a fragmentação partidária que o liberalismo instalara entre nós, processaram-se ao mesmo tempo e fatalmente se influenciaram e interpenetraram (Pessoa colabora no «Eh Real!» do integralista João do Amaral, Sardinha colabora na «Contemporânea» do futurista José Pacheko, Salazar vem a encontrar apoios fundamentais no integralista Manuel Múrias e no futurista António Ferro).
In História do 28 de Maio, Eduardo Freitas da Costa, Edições do Templo, Lisboa, 1979.

DEUS, PÁTRIA E REI

Sem Deus e a Pátria, para a Filosofia política portuguesa, o Rei é um fantasma, uma sombra, carimbo ou chancela, títere ou absurdo.
Onde falta Deus, o Rei é como uma árvore sem raíz, casa sem alicerce, poder sem legitimidade; onde falta a Pátria, o Rei não tem razão de ser, porque precisamente o conceito de Pátria é incompleto, se lhe falta aquilo que torna indispensável a existência da Realeza hereditária.
Estas três verdades são irredutíveis; porque se, sem Deus, a Pátria é um mito, sem o Rei, nem o poder de Deus encontra o seu legítimo executor, no mundo da Política, nem a Pátria possui o elo que prende eficazmente, através dos tempos, as gerações, e as torna solidárias ou colaboradoras na procura normal dos seus destinos. É por isto que me oponho sempre ao lugar-comum estafado da «Pátria ao alto!», muito da predilecção de certos pataratas, e não considero doutrinariamente monárquico o que o repete e aplaude.
(...)
E rejeito o lugar-comum, não porque subalternize a Pátria, é evidente; mas porque não distingo a Pátria da Realeza, visto a Pátria portuguesa ter sido obra da Realeza hereditária.
Há quem não goste de que se diga isto e de que se escreva isto. Mas os que não gostam fariam melhor se, em vez de não gostarem, estudassem a História do seu País...
ALFREDO PIMENTA
(1882 — 1950)

quarta-feira, 27 de maio de 2015

DO ETERNO RETORNO E SUAS VANTAGENS

Andarmos em círculos propicia podermos descobrir algo que nos tenha escapado nas voltas anteriores.

terça-feira, 26 de maio de 2015

DO MISTÉRIO DA RAZÃO

Quanto mais pratico o pensamento racional mais ele me reconduz à minha congénita mentalidade mítica.

segunda-feira, 25 de maio de 2015

MONARQUIA PORTUGUESA E CINEMA NACIONAL

Manuel Maria da Costa Veiga inicia a sua actividade cinematográfica como exibidor de filmes estrangeiros em Lisboa. Embora residente em Algés, era uma típica figura da Capital na viragem do século XIX para o XX — dandy alto e espadaúdo, de farta mas cuidada barba à moda. Além do mais, era um curioso e especialista em mecânica e electricidade, o que lhe conferia uma aura de mágico, nesses tempos da iluminação a gaz.

Costa Veiga ajudou Edwin Rousby na primeira exibição em Portugal de imagens em movimento, que decorreu no Real Coliseu da Rua da Palma (hoje desaparecido, para dar lugar a tristes pseudo-arquitectónicos caixotes pós-modernos); sessão essa que teve na assistência o Infante D. Afonso, irmão do Rei D. Carlos I, o que revela o empenho da Casa Real nas novidades científicas e artísticas que estavam a surgir, na Europa, na sequência da primeira apresentação pública — em Paris, a 28 de Dezembro de 1895 — de imagens captadas, reveladas e projectadas pelos irmãos Lumière, com a sua maravilhosa máquina Cinématographe.

A referida estreia lisboeta aconteceu em Junho de 1896 e nela foram projectadas fitas rodadas à volta do Mundo por operadores do pioneiro londrino Robert-William Paul. Foi um sucesso público, esta iniciativa do misterioso exibidor itinerante (húngaro ou americano, ninguém sabe) Edwin Rousby, «o electricista de Budapeste». Este, em Setembro, propicia nova sessão pública em Lisboa, agora com películas já filmadas no nosso País, pelo operador Harry Short, que Paul mandara para o sul da Europa à caça de imagens. A Cinemateca Portuguesa possui dois destes filmes: A Boca do Inferno e A Praia de Algés na Ocasião dos Banhos. Em Janeiro de 1897, Rousby parte definitivamente de Portugal, mas deixa em Lisboa a semente da cinefilia.

Depois deste flashback, para enquadramento histórico da aparição do Cinema («Animatógrafo», nas palavras de então) em Lisboa, vamos ao nosso pioneiro: Costa Veiga, após várias tentativas falhadas nesse sentido, conseguiu estabelecer-se como exibidor, inaugurando o Éden Concerto, aos Restauradores, e a Esplanada D. Luiz Filipe, em Cascais. Não tardou, no entanto, a dar o salto para a produção de filmes. Assim, aproveitando a estada sazonal do Rei D. Carlos em Cascais, no Verão de 1899, filma a Pessoa Real na praia, capta mais algumas vistas da então famosa estância balnear, e, finalmente, apresenta a sua primeira película: Aspectos da Praia de Cascais.

Foi o início de uma carreira de grande actividade como documentarista (palavra e conceito inexistentes à época, mas é disso que se trata), que atravessará toda a primeira década do século XX, registando os principais acontecimentos sociais e políticos, com a sua câmara inglesa Urban.

As vindas a Portugal de Chefes de Estado, e outras altas figuras, não lhe escaparam; e, temos, assim, a Série — interessante e fundamental para a compreensão da História da Europa — «Visitas a Lisboa»: Eduardo VII (1903), Afonso XIII (1903), Duques de Connaught (1903) Imperador da Alemanha Guilherme II (1905), Presidente de França Émile Loubet (1905), Rei de Saxe (1908).

Por este motivo, ficou conhecido por «Cineasta dos Reis», em oposição jocosa ao seu contemporâneo Aurélio da Paz dos Reis, «o Reis Cineasta», do Porto — primeiro português a dar à manivela uma câmara de filmar; e, revolucionário republicano, por sinal… Deste, falaremos noutro dia.

Entretanto, Costa Veiga fundou uma empresa produtora de Cinema — Portugal Filme —, continuando ainda a sua actividade profissional nos ramos da exibição e distribuição de fitas. Descobriu também, para o Cinema Português, Artur Costa de Macedo, que viria a ser um dos nossos melhores directores de fotografia, decisivo na Época de Ouro do Cinema Português (décadas de 1930 e 1940), e que trabalhava antes na garagem Auto-Palace, ao Rato.

Num tempo muito anterior ao advento da Televisão, era através do Cinema que os Estados comunicavam com os seus cidadãos e passavam para o exterior as imagens do País. Neste contexto, os filmes de Costa Veiga fizeram parte de uma grande e última ofensiva diplomática da Monarquia Portuguesa. A já referida Série «Visitas a Lisboa» foi distribuída por toda a Europa, com o apoio do Rei D. Carlos, mostrando Lisboa, como capital cosmopolita, acolhendo as principais figuras políticas do Mundo.

Note-se que os filmes, embora numa fase embrionária da Sétima Arte — em formato de curtas-metragens, a preto-e-branco, mudos —, eram um negócio rentável; e, Costa Veiga pôde enriquecer com a produção, distribuição e exibição de fitas, despertando, desta maneira, o apetite de muitos outros para esta indústria, os quais não tardaram a aparecer, em força, em Lisboa.

Sendo Costa Veiga «O Cineasta dos Reis», de facto, pode também dizer-se que a sua carreira sofre um grande abalo com o horrível Regicídio de 1 de Fevereiro de 1908 no Terreiro do Paço. Temos assim — simbolicamente — como uma das últimas obras do realizador: Os Funerais de S. M. El-Rei D. Carlos I e do Príncipe Real D. Luiz Filipe (1908).

Agora, em 2015, depois de passados 107 anos sobre o cobarde crime que foi o assassinato à traição do Chefe de Estado no Terreiro do Paço, não será a hora de se desenterrarem e exibirem os filmes do pioneiro lisboeta — do Cinema Nacional — Manuel Maria da Costa Veiga?

PELA LEI E PELA GREI

Trono e Altar continuam a sofrer ataques diários. Não vale a pena dar exemplos, há-os aos pontapés nos merdia. Agora, parece que a última especialidade é bater em mortos reais assassinados violentamente à traição. Perante isto, católicos e monárquicos, volta e meia, quando a coisa passa os limites da decência, perdem a paciência e lá reagem. Mas assim não vamos a lado nenhum. Só quando houver uma renovada aliança entre as variadas forças vivas da Tradição poderemos fazer frente à imparável ofensiva ateia e republicana. E contra-atacar. Por Deus, Pátria e Rei.

sábado, 23 de maio de 2015

DA AMIZADE

Mais ainda do que partilharem recordações únicas de momentos que viveram juntos, o que une para a vida os verdadeiros amigos é possuírem um sentido de humor inacessível aos demais.

DO SENTIDO DO HUMOR

Considero a ironia como a mais elevada forma de humor. Infelizmente, esta arte é totalmente estranha aos tristes portugueses de hoje em dia. Pequeno-burgueses e grandes burgessos à deriva nestes tempos pós-modernos e pré-apocalípticos. Esses tão betos quão semi-analfabetos indivíduos só soltam o riso com larachas brejeiras. Porém, volta e meia, vale a pena insistir na purificadora ironia. Água mole... 

HÁ LETRAS E LETRAS

Os jornais mostram o efémero e os livros guardam o eterno.

JÁ BAIXÁMOS AO 3.º MUNDO?

Será impressão minha ou — atendendo a design, cores, caras e mensagens —  os outdoors desta pré-campanha eleitoral têm como target criaturas semi-analfabetas do 3.º mundo? Depois venham-me cá falar da geração portuguesa «mais qualificada de sempre».

DIZ-ME COMO DIZES E DIR-TE-EI QUEM ÉS

Eu digo Estádio Nacional.

quinta-feira, 21 de maio de 2015

DESPERSONALIZAÇÃO ATRAVÉS DO PROGRESSO

Quando deixei de usar caneta-de-tinta-permanente, cedendo por preguiça ao comodismo da esferográfica, muito se ressentiu a minha caligrafia. Agora, que passei a escrever directamente neste maldito teclado, digo definitivamente adeus à marca identitária da escrita à mão.   

quarta-feira, 20 de maio de 2015

DASABAFO HISTÓRICO-SOCIOLÓGICO

Detesto o facto mundano de as mulheres adoptarem e usarem os apelidos dos maridos (mais um mau hábito introduzido pelo Liberalismo em meados do século XIX), na medida em essa prática corriqueira me troca as voltas nas deduções genealógicas. Isto é: fico sem saber «quem é quem».

DA GINÁSTICA GENEALÓGICA

Num jantar social, dos raros a que vou, e que guardo na memória com gosto, fui encaixado entre duas jovens senhoras. Sabendo eu que o anfitrião, todo ele protocolar e palaciano, não dá ponto sem nó, calculei logo haver afinidades entre nós os três. Confrontado com os nomes — ilustres, mas de paragens distantes — das bonitas vizinhas de mesa, não vislumbrei qualquer ligação a mim, nem à minha gente. Estranhei então que se referissem ambas a antepassados meus, com familiaridade, contando episódios do Alentejo de outras eras. Depois de vários exercícios de ginástica mental da minha parte, solitários e sem sucesso, não hesitei mais e perguntei-lhes quem eram. Afinal, tratava-se de irmãs — uma loira, outra morena —, e de uma família que conviveu com a minha ao longo de várias gerações; mas, como ostentavam orgulhosamente os apelidos dos senhores seus maridos, longe estava eu de poder adivinhar quem seriam. Tudo isto me levou a concluir, mais uma vez, que triste é este hábito, introduzido pelo Liberalismo e consagrado pela República, de as senhoras adoptarem o nome dos maridos e de deixarem cair o do seu sangue — de pai, mãe, e avós. Assim, arriscamo-nos a falar uma noite inteira com primas sem o saber. Mudem lá isso!

MODERNICES OU PASSADICES

Recebo um mail proveniente de alguém que, aparentemente, não conheço. De seguida, atendo um telefonema indignado: «— Então?!... Não me ligas nenhuma!». Reconheço-a pela voz. Esta velha amiga tem por hábito adoptar os apelidos dos sucessivos maridos. É para aí o quinto nome com que se me (re)apresenta. O mais curioso é que mantém sempre também os apelidos dos anteriores maridos após os divórcios. Assim, o seu nome completo assemelha-se ao de uma senhora da alta nobreza do século XVIII.

BLOGUE QUE VISITA ESTE E QUE ESTE VISITA (COM HONRA E PRAZER)

Saudoso blogue colectivo onde escrevi. Nasceu de uma tertúlia semanal gastronómico-cultural de um grupo de amigos bibliófilos e bloguistas. O almoço literário deixou de realizar-se e o blogue tem as publicações suspensas. Curiosamente, mesmo assim, de lá provêm, ainda hoje, grande parte das visitas do Eternas Saudades do Futuro

terça-feira, 19 de maio de 2015

VIVA O BENFICA!

Não sendo hábito escrever aqui sobre Futebol, abro hoje uma excepção para referir o Benfica. Já agora, explico que não costumo falar desse assunto porque sou contra a profissionalização de todo e qualquer ramo dessa nobre actividade humana chamada Desporto. Dito isto, falo do Benfica na medida em que este grandioso e glorioso Clube transcende essa limitação, pois é uma comunidade de destino comum que tem muito mais a ver com uma Nação do que com uma simples agremiação ou empresa. Além do mais, possui uma dimensão universal; aliás, como o verdadeiro nacionalismo português, todo ele católico. Remato então dizendo que tive este Domingo uma grande alegria, como não tinha nesta matéria desde os meus queridos idos 18 anos de idade, quando o Benfica foi, na vez anterior a esta, vencedor, por duas vezes seguidas, do Campeonato Nacional.

sábado, 16 de maio de 2015

DA ESSÊNCIA DO BLOGUISMO (OU DIARISMO)

A maturidade de bloguista atinge-se quando ele publica as suas mensagens como se as estivesse a escrever só para si num caderno de apontamentos pessoal, qual diário privado. Sem fazer nada por isso, senti, de um dia para o outro, que cheguei a essa fase. Repentinamente e recentemente. Escrever como se ninguém estivesse a ler. Sublime prazer libertador, este.
E, contudo, fazendo-me despertar deste solitário sonho, diz-me o Blogger em relação ao Eternas Saudades do Futuro que o histórico total de visualizações de páginas desde Julho de 2010 (não há estatísticas anteriores) é de 195 966.
 
 

sexta-feira, 15 de maio de 2015

PARA A COMPREENSÃO DO ISLÃO

O Islão e o Ocidente — A Grande Discórdia, Jaime Nogueira Pinto, Publicações Dom Quixote, Lisboa, 2015.

DA IMORTALIDADE

É sempre agradável descobrirmos que certa pessoa não é exactamente como esperávamos que fosse, que não corresponde à ideia que dela tínhamos. Quando um homem pertence a um tipo determinado é porque está morto, condenado. E se ele não pertence a nenhuma das categorias catalogadas, se não é representativo de nenhuma, então tem já metade das qualidades que dele deveremos exigir: libertou-se de si mesmo, detém uma parcela da imortalidade.
In O Doutor Jivago, de Boris Parternak

quinta-feira, 14 de maio de 2015

DA ORTOGRAFIA NO ETERNAS SAUDADES DO FUTURO

Ao longo de muitos e bons séculos, durante a quase oito vezes centenária saudosa Monarquia Lusitana, a Língua Portuguesa cresceu bem e evoluiu ainda melhor, de forma natural e orgânica, tendo sempre a guiá-la, na sua ortografia, como sábios quadrantes orientadores, a etimologia e o bom-gosto.
Depois, veio a República e tentou «reformá-la», logo em 1911. E, de lá para cá, tem sido um desvario de famigerados «acordos»: 1945, 1973, 1975, 1986, 1990; enfim, a famosa pulsão igualitária, unificadora e ditatorial, da Revolução, que quer fazer  — à má-fila e à viva força  — tábua-rasa da Tradição.
Contra ventos e marés, desprezando modas passageiras, no Eternas Saudades do Futuro continuar-se-á a escrever do modo que o autor aprendeu, na certeza de que resistir às efémeras injustiças é meio caminho andado para vencê-las. 

POEMAS MARIANOS PARA O MÊS DE MARIA

Matando a Sede nas Fontes de Fátima, Rodrigo Emílio, Antília Editora, Porto, 2006.

segunda-feira, 11 de maio de 2015

O EXTRAORDINÁRIO CASO DA BANDA DO CASACO

Recebi vários mails de leitores querendo saber mais sobre a Banda do Casaco, da qual aqui publiquei recentemente dois vídeos. Remeto-os para a respectiva entrada da Wikipédia (clicar aqui), mas prometo que tentarei em breve escrever um pequeno texto sobre esta tão grande quão desconhecida banda nacional.

PAÍS: PORTUGAL — BANDA DO CASACO


BLOGUE QUE VISITA ESTE E QUE ESTE VISITA (COM HONRA E PRAZER)

O Inimputável.
Nota: Infelizmente, desapareceu (nem sequer já se encontra online). O Inimputável continua ainda, porém, a ocupar um lugar de destaque nas fontes de tráfego do Eternas Saudades do Futuro, juntamente com os blogues anteriormente referidos na série de mensagens com este título.

sábado, 9 de maio de 2015

SALVÉ MARAVILHA — BANDA DO CASACO


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Corta-fitas.

Nota: Entretanto, constatei, com estranheza, que o Corta-fitas já não tem nas suas ligações o Eternas Saudades do Futuro.

MANUELA MOURA GUEDES CANTA MIGUEL ESTEVES CARDOSO


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sexta-feira, 8 de maio de 2015

DO ILUSIONISMO SOCIALISTA E DO REALISMO CONSERVADOR

Rio-me ao ver os resultados das eleições no Reino Unido. Depois de jornalistas, comentadores políticos e espertos das sondagens, todos eles formatados pelo marxismo cultural, terem anunciado, durante semanas a fio, a vitória dos trabalhistas (equivalentes aos socialistas cá do rectângulo), eis que os conservadores vencem com maioria absoluta.
Para compreender a razão fundamental — bem como o verdadeiro alcance — da vitória conservadora, vale a pena ouvir com atenção o discurso de Páscoa de Cameron (aqui). 

quinta-feira, 7 de maio de 2015

DA SÉTIMA ARTE COM MÚSICA AO VIVO E TUDO

Os leigos não costumam saber; mas, é certo e sabido, entre os cinéfilos, que os filmes do Cinema Mudo tinham uma partitura musical que se destinava a ser interpretada, ao vivo, na sala, aquando da sua projecção. Os grandes realizadores dessa Época de Ouro da Sétima Arte tinham por hábito encomendar a um compositor da sua confiança estética esse trabalho criativo. O resultado da conjugação das imagens em movimento com a música dava a essas fitas uma força que as elevava ao nível de grandioso espectáculo, num curioso paralelo com a Ópera (expoente máximo de Arte Total).
Dito isto, após ter assistido a muitas dessas sessões, que, em boa hora, têm vindo a acontecer desde os anos de 1990 para cá, num interessante movimento de redescoberta da saudosa Era cinematográfica de 1895-1930, em instituições como a Cinemateca Portuguesa, Centro Cultural de Belém, etc., acabei de presenciar, pela primeira vez na vida, uma exibição de um filme sonoro em que a música foi interpretada ao vivo, sendo os restantes elementos da Banda Sonora (ambiente e voz) mantidos nas respectivas pistas da película.
Ainda por cima, a fita é um dos filmes da minha vida e da autoria de um dos realizadores do Cinema Moderno que mais admiro. Só posso dizer que valeu a pena viver até aqui para ver e ouvir! Acabadinho de chegar do ensaio-geral, ou ante-estreia, aconselho vivamente o espectáculo aos meus leitores e deixo-lhes aqui o link.

quarta-feira, 6 de maio de 2015

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segunda-feira, 4 de maio de 2015

DA ARMÉNIA, PRIMEIRO PAÍS CRISTÃO DO MUNDO

Hoje é dia de S. Gregório, o Iluminador. Viveu entre 240 e 325. Primo do Rei da Arménia, e seu director espiritual, foi responsável por este ter tornado a Arménia o primeiro país do mundo a adoptar o Cristianismo como Religião de Estado (muitas décadas antes do Império Romano fazer o mesmo). Este Bispo tirou assim os Arménios das trevas e levou-os à verdadeira luz que é Cristo. 

sábado, 2 de maio de 2015

ESPERANÇAS DE PORTUGAL, QUINTO IMPÉRIO DO MUNDO

A verdadeira prova do espírito profético nos homens é o sucesso das causas profetizadas. Assim o prova a Igreja nas canonizações dos santos, e os mesmos profetas canónicos, que são parte da Escritura Sagrada, fora dos princípios da Fé não têm outra prova de verdade das suas revelações ou profecias, senão a demonstração de ter sucedido o que eles tantos anos profetizaram.
PADRE ANTÓNIO VIEIRA
(1608 — 1697)

quinta-feira, 30 de abril de 2015

MODERNO ONTEM, ANTIGO HOJE

Uma família é considerada como antiga quando tem pelo menos um antepassado de há mais de 100 anos que foi visto como moderno na sua época. 

quarta-feira, 29 de abril de 2015

DOS RUSSOS

Quando hoje volto a Tolstói, percebendo ser ele um herdeiro espiritual de Gógol, compreendo-o de maneira mais profunda. O mesmo me acontece, exactamente pela mesma razão, com Dostoiévski; para já não falar de Turguénev, no qual ainda não mergulhei tão fundo quanto nos anteriores.

DOS LIVROS

Desde que comecei a escolher os livros que leio, calculo que deva ter lido cerca de 12775. Espero vir a ter o mesmo tempo, para poder ler outros tantos.

segunda-feira, 27 de abril de 2015

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sábado, 25 de abril de 2015

A IDADE DE OURO DA LITERATURA PORTUGUESA

A Idade de Ouro da Literatura Portuguesa foi o Século XVI. De tal forma que Portugal deu ao mundo, nessa época de Quinhentos, um dos maiores escritores de sempre.
E, porém, Luís Vaz de Camões é apenas o primus inter pares de uma extraordinária e irrepetível plêiade de autores portugueses constituída por Garcia de Resende, Diogo Brandão, Francisco de Sousa, Luís Henriques, João Roiz de Sá, João Rodrigues de Castel-Branco, D. João Manuel, condestável D. Pedro, Diogo Lopes de Azevedo, Jorge de Resende, Duarte da Gama, João Afonso de Aveiro, Gil Vicente, Francisco Sá de Miranda, Bernardim Ribeiro, Afonso de Albuquerque (o próprio!), Cristóvão Falcão, António Ferreira, João de Barros, Fernão Mendes Pinto, Diogo do Couto, Diogo Bernardes, Pedro de Andrade Caminha, Frei Agostinho da Cruz, Francisco de Morais, Jorge de Montemor, Jorge Ferreira de Vasconcelos, António Ribeiro Chiado, Baltasar Dias, Simão Machado, António Prestes, Frei Heitor Pinto, Frei Tomé de Jesus, D. Frei Amador Arrais, Damião de Góis, D. Jerónimo Osório, etc.
Mas foi também a partir deste altíssimo ponto, em que a Cultura Lusíada atingiu o seu luminoso auge, que se iniciou a decadência intelectual de Portugal. E assim continuou, salvo refulgentes intermitências, até hoje.