terça-feira, 21 de abril de 2015

BLOGUE QUE VISITA ESTE E QUE ESTE VISITA (COM HONRA E PRAZER)

BLOGUES LIGADOS

Confesso que cada vez mais leio menos blogues. Consciente porém da importância da sinergia entre blogues decidi activar uma rubrica em que possa destacar alguns. Em tempos cheguei a ter as rubricas «blogue do dia» e, até, se bem me lembro, «blogue da semana» e «blogue do mês». Agora, nessa mesma linha, e na da reciprocidade (coisa de cortesia, mas não só, pois faço-a com prazer), lançarei a secção «blogue que visita este e que este visita (com honra e prazer)». Para o efeito, basear-me-ei nas estatísticas fornecidas pelos dois contadores de visitas desta casa. A nova secção começa já a seguir...

sexta-feira, 17 de abril de 2015

DEUS, PÁTRIA E REI

Quanto mais os leio mais consolido a certeza de que os três maiores pensadores políticos portugueses do século XX foram Alfredo Pimenta (1882 — 1950), António Sardinha (1887 — 1925) e João Ameal (1902 — 1982). Quem quiser beber boa e sã doutrina pode e deve saciar a sede nestas sábias e puras fontes.

quarta-feira, 15 de abril de 2015

DEUS ESCREVE DIREITO POR LINHAS TORTAS

Nos momentos graves faz-se luz, vemos claramente quem são os nossos verdadeiros amigos e vencemos as mais terríveis adversidades com a sua ajuda.

terça-feira, 14 de abril de 2015

DA INTEMPORAL E ETERNA SABEDORIA DOS CLÁSSICOS

Horácio ensina, na sua Arte Poética, que um texto antes de ser publicado deverá ficar guardado, pelo menos, durante nove anos!
Talvez seja esse o tempo necessário para as inspiradoras Nove Musas o conferirem; e, se for caso disso, sugerirem alguma alteração...
Penso cada vez mais nisto, antes de escrever qualquer coisa.

sábado, 11 de abril de 2015

RELIGIÃO E GEOPOLÍTICA

Face às actuais ameaças, e para as poder enfrentar e derrotar, a Europa terá de voltar a ser forte. Isto só será possível com uma unidade, na acção geopolítica, entre Nações livres. Esta união, que se configurará essencialmente como uma aliança de Estados soberanos, tem um obstáculo principal a ultrapassar; depois, dado esse salto, tudo se (re)encaminhará na direcção de a Europa voltar a ser a principal potência mundial. Quando falo em obstáculo, refiro-me ao facto, que não faz qualquer sentido, de católicos, protestantes e ortodoxos (os últimos dos quais desde já daqui saúdo pela sua Páscoa celebrada amanhã) continuarem a viver de costas voltadas entre si. Depois de resolvida esta divergência e feita esta (re)união, o Velho Continente retomará a sua plenitude orgânica: de Ocidente a Oriente, de Norte a Sul.
Deste modo, perante inimigos internos ou externos, esta reencontrada e renovada Europa — una (na sua diversidade étnico-linguística complementar), grande (de Lisboa a Moscovo, de Reiquejavique a Roma) e cristã (na sua religada espiritualidade: católica, protestante e ortodoxa) — será invencível.  

EMBUÇADO — JOÃO FERREIRA-ROSA


SAUDADE DAS SAUDADES — MARIA TERESA DE NORONHA


sexta-feira, 10 de abril de 2015

DA ÉTICA REPUBLICANA

Nestes dias que desgraçadamente escorrem, todo e qualquer republicano que se preze quer ser Presidente da República. Dúvidas ainda houvesse, está agora bem à vista de todos que «laico, republicano e socialista» rima com egoísta.

terça-feira, 7 de abril de 2015

HOJE E SEMPRE CONTRA O ABORTO ORTOGRÁFICO


DO DÉCIMO CANTO D'«OS LUSÍADAS»

Fazei, Senhor, que nunca os admirados
Alemães, Galos, Ítalos e Ingleses,
Possam dizer que são para mandados,
Mais do que para mandar, os Portugueses.
Tomai conselho só de exprimentados,
Que viram largos anos, largos meses,
Que, posto que em cientes muito cabe,
Mais em particular o experto sabe.

LUÍS VAZ DE CAMÕES
(1524  — 1580)

segunda-feira, 6 de abril de 2015

DO SÉTIMO CANTO D'«OS LUSÍADAS»

Vós, Portugueses, poucos quanto fortes,
Que o fraco poder vosso não pesais;
Vós, que, à custa de vossas várias mortes,
A lei da vida Eterna dilatais:
Assim do Céu deitadas são as sortes
Que vós, por muito poucos que sejais,
Muito façais na santa Cristandade.
Que tanto, ó Cristo, exaltas a humildade!

LUÍS VAZ DE CAMÕES
(1524 — 1580)

quinta-feira, 2 de abril de 2015

RELIGIÃO, NAÇÃO E ARTE VISTAS POR MANOEL DE OLIVEIRA

Antes de mais quero agradecer este muito honroso convite para pronunciar, neste encontro, umas simples e breves palavras. Principiarei por dizer-vos ter pensado que as éticas, se não também mesmo as artes, seriam derivadas das religiões que procuram dar uma explicação da existência do ser humano face à sua inserção concreta no cosmos. Universo e homem, criações dum ser transcendente, colocam-nos problemas inquietantes para cuja solução o Verbo, que se fez carne em Cristo, nos trouxe insuperáveis graças divinas.

As Artes desde os primórdios sempre estiveram estreitamente ligadas às religiões e o cristianismo foi pródigo em expressões artísticas depois da passagem de Cristo pela terra e até aos dias de hoje.

Sou um homem do cinema, do cinema que é a sétima das artes, logo a mais recente de todas as expressões artísticas, pois não tem mais que um século, enquanto outras terão milénios. Em dois dos meus filmes, figurava um Anjo. No ACTO DA PRIMAVERA, baseado em um auto popular, da família dos chamados Mistérios ainda no século XVI. Este figurava a Paixão de Cristo, projecto que realizei em 1962, e onde a figura de um Anjo fazia parte do próprio contexto religioso desse Auto. No outro filme, CRISTOVÃO COLOMBO - O ENIGMA , realizado já em 2007, o Anjo não constava do contexto da história do livro em que me baseei. No entanto, pareceu-me bem introduzir o Anjo da Guarda, aqui o da nação portuguesa, como prévia configuração do Destino, tantas vezes adverso e tantas outras favorável às acções humanas, como aconteceu nessa feliz viagem do navegador que, pela primeira vez, encontrou as ilhas americanas de Antilhas. Isto levou-me a repensar as figuras dos Anjos fora e dentro das Igrejas, parecendo-me conotadas com prefigurações dos espíritos. Ora se os espíritos são um só, então temos nele a natureza de Deus.

Considerando, porém, a religião e a arte, ambas se me afiguram, ainda que de um modo distinto é certo, intimamente voltadas para o homem e o universo, para a condição humana e a natureza Divina. E nisto não residirá a memória e a saudade do Paraíso perdido, de que nos fala a Bíblia, tesouro inesgotável da nossa cultura europeia? Acossados pelas especulações da razão, sempre se levantam terríveis dúvidas e descrenças, a que se procura opor a fé do Evangelho que remove montanhas. E os seres humanos caminham na esperança, apesar de todos os negativismos. Como diz o padre António Vieira: «Terrível palavra é o NON, por qualquer lado que o tomeis é sempre NON...», terminando por lembrar que o NON tira a ESPERANÇA que é a última coisa que a natureza deixou ao homem.

Se as artes nada mais aspiram a ser que um reflexo das coisas e acções vivas dos procedimentos e sentimentos humanos do universo real ou em fantasias imaginadas, pode aceitar-se o que um realizador mexicano, Artur Ripstein, classificou dum modo magnífico e surpreendente o cinema como sendo o espelho da vida. E é-o de facto.

Não querendo alongar-me mais, aproveito a circunstância para, como pertencente à família cristã, de cujos valores comungo, e que são as raízes da nação portuguesa e a de toda a Europa, quer queiramos ou não, saudar com profunda veneração sua Santidade, o Papa Bento XVI em visita ao nosso País e rogar filialmente que nos deixe a Sua bênção.

MANOEL DE OLIVEIRA
(1908 — 2015)

[Discurso proferido durante o encontro de Sua Santidade o Papa Bento XVI com pessoas da Cultura Portuguesa, entre as quais tive a honra e o prazer de estar. Pude assim ouvir de viva voz este magnífico texto lido pelo próprio Autor, no Centro Cultural de Belém aos 12 de Maio de 2010.]

MORREU UM MESTRE UNIVERSAL DA SÉTIMA ARTE

Manoel de Oliveira acabou de partir, com 106 anos de vida cheia.
Cá para mim — bem sei que digo coisas estranhas para os ouvidos politicamente e culturalmente correctos —, inscrevo-o numa genealogia artística, espiritual e identitária que tem as suas profundas raízes em Luís Vaz de Camões, o seu sólido tronco no Padre António Vieira e os seus criativos ramos em Fernando Pessoa. Não me apetece agora falar sobre isto; mas, fica aqui o registo, para memória futura, porque é precisamente de Saudades do Futuro que se trata. Até lá, tentemos ver todos os seus filmes — por ordem cronológica, como deve ser —, para depois passarmos à lição seguinte (que é só para iniciados) e ficarmos assim devidamente preparados para o III Milénio Lusíada, que há-de vir um dia — numa manhã de nevoeiro, ou numa tarde de Sol, ou numa noite de Lua Cheia; ninguém sabe.
Deus lhe dê o merecido eterno descanso.

DESVENTURAS DA DESGRAÇADA CAPITAL DE PORTUGAL

O novo presidente da Câmara Municipal de Lisboa (o qual, diga-se de passagem, ninguém elegeu) nasceu no Porto. Parece mentira, mas é tudo verdade. 

quarta-feira, 1 de abril de 2015

PRIMAVERA É RENOVAÇÃO E PÁSCOA É RESSURREIÇÃO

Inicia-se hoje o maravilhoso trimestre em que a maioria das plantas portuguesas atinge o seu auge. Saibamos contemplar a Natureza — em Abril, Maio e Junho — no seu máximo esplendor: folhas, flores e frutos irromperão por toda a parte; recordando-nos, destarte, que a vida é bela e que a Primavera é Renovação como a Páscoa é Ressurreição.

terça-feira, 31 de março de 2015

APOSTILHA À MENSAGEM ANTERIOR

Leituras intercomplementares:
Nó Cego, de Carlos Vale Ferraz, edição Círculo de Leitores, 1990;
Moçambique — 1970 — Operação Nó Górdio, de Carlos de Matos Gomes, edição Prefácio, colecção Batalhas de Portugal, Lisboa, 2002.

UM GÉNERO LITERÁRIO DE QUE PORTUGAL PRECISA URGENTEMENTE

Releio o fascinante Nó Cego, de Carlos Vale Ferraz, e volto a interrogar-me: por que carga de água, sendo nós um povo de guerreiros  — além de marinheiros e poetas, já se sabe  —, não publicamos mais romances de guerra?... Não há escritores à altura desta missão? Falham os editores? Ainda para mais, quando se sabe, de ciência certa, que não existe melhor coisa do que este género literário para alimentar a alma nacional. Seriam pois estes desgraçados tempos propícios para a pobre pátria doente receber este remédio. Talvez os meus leitores nunca tenham pensado no caso, mas convido-os a verificar o seguinte: os países mais fortes, política e economicamente falando, são, coincidentemente, aqueles que produzem maior quantidade, com qualidade, de literatura (e também cinema) de guerra. Género este que consolida a identidade nacional e fornece um desígnio colectivo à juventude. Os romances de amor aquecem, ou amolecem, o espírito; os de guerra, robustecem a alma. E, precisamos de ambos, desesperadamente, para termos equilíbrio  — e sermos homens completos.  

segunda-feira, 30 de março de 2015

SÉTIMA ARTE À SEGUNDA-FEIRA

Alfred Hitchcock (1899 — 1980) nasce em Londres. Sendo, pois, à partida, um homem directamente herdeiro do espírito victoriano do século XIX, revela, no entanto, um extraordinário sentido de utilização dos modernos meios de marketing e publicidade (antecipando-os), para divulgar as suas obras. Cedo irá transformar em marca icónica o seu nome, tornando-o reconhecível e apetecível para toda a comunidade mundial de cinéfilos, e, mesmo, para os grandes e despersonalizados públicos generalistas. Revela-se, ainda, e dentro desta estratégia de comunicação global, um especialista nas relações públicas; especialmente com a imprensa, com o objectivo de se promover profissionalmente.

Dito isto, há que afirmar, de imediato, que toda esta comunicação eficaz era apenas a ponta-de-lança de uma obra complexa e profunda. Vamos a ela, que é o fulcro da questão!

Hitchcock, oriundo de uma família de classe média-baixa, é instruído pelos jesuítas. Se refiro este facto é porque os seus filmes virão a reflectir uma série de conhecimentos que terá assimilado nos seus estudos feitos numa escola católica destes, bem conhecidos pela vasta cultura que forneciam; terá, também, através dos referidos jesuítas, tomado contacto com G. K. Chesterton (1874 — 1936), que lerá entusiasmado na juventude. Outras influências literárias que o marcaram, mais tarde, como erudito auto-didacta que era, foram Edgar Allan Poe (1809 — 1849) e Oscar Wilde (1854 — 1900).

Por outro lado, devorava jornais e lia revistas de criminologia e de cinema. Curioso é constatar o casamento entre estas fontes de inspiração para o seu despertar como autor de filmes. Os seus temas serão, principalmente, os seguintes: falsos culpados, assassínios, trocas de identidade, medo, voyeurismo, paixões frias mas arrebatadoras.

Porém, antes de chegar à realização de fitas, começa por desenhar intertítulos para filmes mudos, escrever argumentos e trabalhar como assistente de realização. Esta conjugação, de conhecimento prático da técnica cinematográfica com a cultura que ia adquirindo pela leitura, possibilita uma mestria na criação das suas narrativas fílmicas, apimentadas com o tão apregoado suspense.

Na sétima arte, Hitch (gostava de ser assim tratado) bebeu de várias fontes: Fritz Lang (1890 — 1976) e F. W. Murnau (1888 — 1931) — esses dois mestres do mudo alemão — foram determinantes para a estruturação da sua linguagem estética. Esteve na UFA — os grandes estúdios de Berlim — e conheceu-os pessoalmente. Lá trabalhou e lá filmou. Esta marca será visível, claramente, nos seus filmes mudos; e, mais subtilmente, nos sonoros.

O seu género eleito será o melodrama policial, pontuado de fantástico e de mistério. Esbate, pois, assim, as fronteiras de vários géneros convencionais, criando uma abordagem própria, com elementos retirados de todos eles.

No que toca à realização, o seu estilo é essencialmente visual, dando-nos a sensação de que aquelas histórias só fazem sentido em cinema; ou seja, por escrito não teriam o mesmo impacto. Sabia de tal forma o que queria que a montagem das suas películas seguia ao milímetro o que ele próprio tinha definido na planificação (última fase do argumento, em que este fica pronto a ser filmado). A esta atitude chama-se trabalhar com «guião de ferro». Hitch dizia que o acto de rodar era uma maçada, pois já sabia exactamente como seria o filme ao tê-lo definido na planificação. Esta ideia traduz uma inabalável confiança do cineasta em si próprio, enquanto director de actores, e uma invulgar capacidade de visualização.

Hitchcock assentava a sua estética numa cumplicidade com o espectador. Dava-lhe alguns conhecimentos secretos sobre a acção, mantendo-o ansioso pelo desfecho da narrativa. Esta tensão psicológica pode até levar o espectador a querer comunicar com a personagem ameaçada na tela, para a avisar do perigo... Eis a força manipuladora do suspense.

Não havendo, no entanto, técnica que resista à falta de ideias, é preciso deixar bem explícito que o cinema de Hitch assenta em temas fortes, já atrás referidos. Recapitulando, e desenvolvendo: culpa — com o inocente falso culpado como fio-condutor da narrativa, entrando aqui, por vezes, a troca de identidades; medo — pontuado pelo susto, e nas margens do terror; desejo — com simbologia e alegorias sexuais; ansiedade — mantida pelo suspensevoyeurismopeeping-tom, em bom inglês, espreitando e violando a esfera privada e íntima; autoridade — que assegura a investigação criminal, mas também pode ser desafiada (detestava polícias vulgares, de «ronda»); morte — sob a forma de assassínio, o crime mais grave, e que os espectadores, morbidamente, gostam de ver no recatado conforto da sala escura. Todos eles temas de identificação e projecção psicológica do espectador. Eis o cinema, na sua mais poderosa forma alquímica, servido pela mão do mestre Hitchcock.

Importante é vencer o medo, esperar para ver o desfecho, e perceber que a chave dos seus filmes é o triunfo final da luz sobre as trevas. Toda a sua obra é uma variação sobre este principal grande tema.

E, se não menciono um único filme do realizador, a justificação é simples: devem ser vistos todos, cronologicamente — dos mudos aos sonoros, dos ingleses aos americanos, dos filmados a preto-e-branco aos rodados a cores —, com o objectivo de se conseguir captar, na sua plenitude, agora em 2015 mais do que nunca, toda a sua temática de fundo, e todo o seu estilo visual e sonoro profundo; enfim, todas as suas indeléveis marcas autorais.

O COMEÇO DO FIM DA SÚCIA XUXIALISTA

O Partido Socialista grego já se acabou; o francês, depois de europeias e departamentais, está-se a acabar; o português anda a brincar e levou bailinho na Madeira.

sábado, 28 de março de 2015

PELA BOCA MORRE O PEIXE

Um povo, uma cultura e uma civilização são identificados pela sua dieta. Esta, é um dos sinais da sua identidade. Sou do tempo em que nas boas casas portuguesas se comia peixe todas as Sextas-Feiras do ano. Hoje em dia, há muita gente que já nem na Quaresma respeita este simbólico acto: tristes, esses católicos que são vencidos pela gula; curiosamente, quase sempre os mais betos e beatos.

quinta-feira, 26 de março de 2015

DA ALMA LUSÍADA E DA PÁTRIA ADORMECIDA

Toda e qualquer Nação tem uma Alma só sua. E a nossa é luminosamente Lusíada. Mas para a encontrarmos é necessário encetarmos uma caminhada iniciática. Por uma série de lugares mágicos. No espírito do Bem, na estrada da Verdade e em busca da Beleza. Esta é a nossa natureza. Sempre em comunhão com a Natureza. Quem chegar ao fim do percurso, todo ele alquímico, quedar-se-á arrebatadoramente enamorado. Porque não há Amor como aquele que nos desperta a nossa Pátria adormecida. 

MULHERES E POETAS AOS OLHOS DUM MESTRE DE AFORISMOS

Gosto de todas as mulheres desde que tenham Corpo... Gosto de todos os poetas desde que tenham Alma... A alma é o corpo dos poetas. O corpo é a a alma das mulheres.
ANTÓNIO FERRO
(1895 — 1956)

terça-feira, 24 de março de 2015

POESIA DO DIA

Poesia Toda, de Herberto Helder, edição de Assírio & Alvim, Lisboa, 1990. 

DA MINHA PESSOALÍSSIMA ÉTICA CATÓLICA E MONÁRQUICA

Não discuto o Papa nem o Rei.

segunda-feira, 23 de março de 2015

SÉTIMA ARTE À SEGUNDA-FEIRA

Em 1953, ano em que apenas se produzem e estreiam cinco filmes em Portugal, anunciando assim uma tendência de empobrecimento, após os Anos de Ouro das décadas de 1930 e 1940, surge — como lufada de ar fresco e tiro no escuro — o melhor filme de sempre, da nossa cinematografia, sobre o Ultramar.

Chaimite, de Jorge Brum do Canto — autor maior da História do Cinema Português, completamente apagado nos dias de hoje pela historiografia oficial —, é a segunda longa-metragem nacional sobre a matéria. Facto estranho este, que confirma o inexplicável desinteresse dos nossos produtores pelo tema (que tem pano para mangas, aliás). É o primeiro filme da empresa de produção Cinal, dirigida pelo Professor Luís Pinto Coelho, que se caracteriza por películas de qualidade.

Jorge Brum do Canto atingiu, nesta obra, uma autenticidade nas reconstituições de época e militares, como nunca mais o nosso Cinema logrou alcançar. Se, no que diz respeito à imagem, ao som e à montagem, percebemos que estamos na presença de um esteta — Brum do Canto iniciou-se com a Geração de 1930, profundamente ligada à modernidade cultural portuguesa, onde também se perfilaram, como cinéfilos ou cineastas, Leitão de Barros, Cottinelli Telmo, António Lopes Ribeiro, Chianca de Garcia, Dr. Ricardo Jorge (médico, cinéfilo, escritor), João Ortigão Ramos, Dr. Félix Ribeiro (médico, cinéfilo, fundador e primeiro director da Cinemateca Portuguesa), Domingos Mascarenhas, e muitos outros, de igual calibre, que se constituíram como tertúlia cinematográfica no Cine-Teatro S. Luís (aberto em 1928) —, por outro lado, no que se refere à História, é um cineasta profundamente conhecedor do assunto abordado que avança para este arriscado registo épico de Chaimite.

O filme — na linha de Feitiço do Império (1940), de António Lopes Ribeiro — mostra o heróico esforço português para defender o Ultramar dos ataques estrangeiros — neste caso inglês, sendo assim premonitório das cobiças americana e soviética —, e não é, como muitas vezes erradamente se refere, uma fita contra a revolta vátua, nem, muito menos, contra a sua identidade enquanto povo. Digamos que é um filme pela positiva: eleva Portugal, respeitando os que se lhe opunham directamente; mas denuncia os ingleses, que pretendem levar os moçambicanos à revolta contra Portugal para alimentar os seus apetites imperiais.

Mouzinho de Albuquerque (interpretado por Jacinto Ramos) destaca-se como grande protagonista, herói e fio-condutor da narrativa, não apagando, note-se, os outros camaradas de armas — Caldas Xavier (Augusto Figueiredo) e Paiva Couceiro (o próprio Brum do Canto, num notável trabalho de actor).

É que este cineasta era o protótipo do artista-total: neste filme assina o argumento, os diálogos, a planificação, a realização, a montagem, e actua. Sabia-se ainda fazer rodear dos melhores: a demonstrá-lo encontramos na música Joly Braga Santos, e na fotografia — de belíssimos e ousados enquadramentos — César de Sá e Aurélio Rodrigues, para além de termos o Major Vassalo Pandayo como consultor militar.

A biografia de um criador contém, quase sempre, a chave para a sua Obra. Neste caso, a tradição familiar, em que Jorge Brum do Canto bebeu, revela-se fundamental. Nascido e criado numa família católica e monárquica — próxima da Família Real e amiga de Paiva Couceiro —, habituou-se a pensar pela sua própria cabeça — nunca se envolveu institucionalmente com o Estado Novo, embora dele fosse simpatizante — e foi um homem culto e livre. Sabemos que apreciava António Ferro, pelo projecto que este tinha para as Artes Nacionais, e, por sua vez, era admirado por Carmona.

Encontramos como tema principal do seu Cinema, nas suas próprias palavras, «a Terra e o Povo». Portugal e os Portugueses vão ser, assim, os protagonistas de uma filmografia que se esplana, entre 1929 e 1984, por 23 filmes — do vanguardista A Dança dos Paroxismos (1929) ao policial O Crime de Simão Bolandas (1984), passando por documentários e obras de ficção. Quem quiser encontrar a nação em toda a sua diversidade e plenitude, terá de ver A Canção da Terra (1938), Lobos da Serra (1942), Fátima, Terra de Fé (1943), Um Homem às Direitas (1945), e A Cruz de Ferro (1968).

Voltando a Chaimite: a acção desenrola-se, temporalmente, entre 1894, momento do ataque a Lourenço Marques pelos africanos, e 1897, altura em que Mouzinho, Comissário Régio de Moçambique, vence definitivamente os vátuas, derrotando Maguiguana, que tinha escapado durante a captura de Gungunhana. A fita alia este lado épico a um tom intimista, ao mostrar a Mulher de Mouzinho, presença discreta mas firme, verdadeira apoiante e companheira das empresas do herói. Paralelamente, o realizador dá-nos ainda uma história de amor entre um soldado e uma bela rapariga, com um final feliz. Cabe aqui destacar que Chaimite tem também valor como documento histórico para o estudo da vida colonial da época, que é retratada com verosimilhança e mestria, desde a da cidade até à do mato.

Para a «coisa militar», Brum do Canto baseou-se no livro A Guerra de África em 1895, de António Ennes, e em textos do próprio Mouzinho, o que assegura o rigor histórico-militar. Ainda no campo da autenticidade, é de realçar que os indígenas africanos falam nos seus dialectos próprios — muda a tribo, muda a língua —, criando assim um verdadeiro realismo, tão em voga nesses mesmos anos de 1950 noutras paragens. O difícil será, como neste caso, juntar, no mesmo filme, uma escala monumental, num registo de credível reconstituição histórica, a um intimismo de fino recorte humano. E, se termino falando na escala, é porque Chaimite atinge uma grandiosidade no tratamento do espaço e dos cenários, servindo o argumento na sua enorme dimensão épica, como nunca mais o Cinema Português — e, de um modo geral, a Arte Nacional — conseguiu fazer.

Saibam os jovens realizadores, activos em 2015, pôr os olhos em Chaimite, para se poderem aventurar em novas e belas criações, com som e imagens em movimento, nesta linguagem universal que o Cinema é — e que sai sempre enriquecida quando trata temas que dizem respeito aos Povos, como aqui bem se vê.

Veja-se, pois! 

DA MISTERIOSA COMPLEXIDADE DAS FLORES DE CEREJEIRA

Sei que chegou a Primavera porque vi, durante o fim-de-semana, o deslumbrante espectáculo das Cerejeiras em flor. Flores estas que possuem um duplo e contraditório significado: por um lado, simbolizam, liricamente, a beleza feminina; por outro, epicamente, estão associadas ao código samurai. Este paradoxo tem o condão de as tornar ainda mais atraentes, cá para mim.  

sábado, 21 de março de 2015

UMA LINHAGEM ESPIRITUAL DE CHEFES POLÍTICOS FRANCESES

Os povos precisam de chefes, como de pão para a boca; mais do que de programas políticos, cujos conteúdos dificilmente conseguem descodificar. E, para detectar os líderes, têm um faro invulgar. Há quem lhe chame «sabedoria popular». Com este ou outro nome, o facto é que possuem este dom. E, mais ainda, contrariamente ao que por vezes se afirma, os povos também têm memória. Assim sendo, conseguem olhar para uma pessoa e ver nela a reencarnação de outras que se distinguiram no comando da nação, estabelecendo deste modo um invisível fio-condutor entre elas.
Vem tudo isto a propósito do que se está a passar em França: os franceses, instintiva e intuitivamente, sentiram em Marine Le Pen a natural sucessora de Joana d'Arc, Napoleão Bonaparte e Charles de Gaulle. Poderá parecer estranho, e dificilmente explicável à luz da razão; contudo, a mim, e mesmo que a ciência política possa rebater esta tese, esta linhagem espiritual de chefes políticos franceses afigura-se-me clara como água.    

sexta-feira, 20 de março de 2015

NAS TERRAS DO FIM DO MUNDO


quinta-feira, 19 de março de 2015

RESSURREIÇÃO

É uma Pátria quebrando cadeias,
É um silêncio que volta a cantar,
É um regresso de heróis às ameias,
Da cidade que volta a lutar.
É um deserto que vemos florir,
É uma fonte jorrando de novo,
É uma aurora que volta a sorrir
Nos olhos cansados do Povo.
E já ardem bandeiras vermelhas,
Nos campos há gritos de guerra,
Nas trevas da noite há centelhas,
Das rosas em festa da terra.
Canta o vento nos trigos doirados,
Dançam ondas à luz das fogueiras,
E nas sombras guerreiros alados
Erguem espadas entre as oliveiras.
É uma Pátria de novo sagrada,
Acordada da morte esquecida,
Vitória da nova alvorada:
Lusitânia em giesta florida.

DIOGO PACHECO DE AMORIM
(1949 — )

ROSA DE ARMAS

Deus a cada Nação um anjo deu.
Porque n’Ele as Nações serão eternas,
Mesmo que o tempo as desbarate e coma.


Anjo de Portugal! Te imploro! Imploro!
Defende Portugal, e continua-o!
Mesmo oculto e assombrado pelo mundo,
Como um corpo sem alma ou como alma
Penada a vaguear, ausente, ausente.
Mesmo que sendo só quase memória.
Defende Portugal! E, sob as asas,
Guarda-o, não vá ele enregelar.
Acende-lhe lá dentro uma candeia,
Que um dia voltará a ser archote
E fogueira a cantar no acampamento
E uma bola de fogo, um sol no empíreo,
Um coração nas ondas do Império.


Anjo de Portugal! No mais recesso
De nós mantém ainda esta semente,
Esta migalha, este ínfimo estilhaço,
Esta saudade, esta esperança e fé.
Este globo partido, Anjo! Recobra-o!
Retira-o do abismo, recompõe-o,
Altaneiro refá-lo, alto desvela-o,
Desfralda-o pela glória e pelos ventos,
De norte a sul, de leste a ocidente,
Que volte Portugal ressuscitado.


FLORENTINO GOULART NOGUEIRA
(1924  — 2015)

DIA DO PAI

É Dia do Pai porque é Dia de São José, marido da Virgem Santa Maria.
E é hoje. Mas, por enquanto, pois os ateus que nos desgovernam, e que teimam em apagar sistematicamente todos os Fundamentos Cristãos da Europa, podem sempre lembrar-se, na sua fúria niilista e iconoclasta, de apagá-lo; ou, de o mudar, como fizeram com o Dia da Mãe, por mesquinhos interesses comerciais. Do que estes novos vendilhões do Templo precisam sei eu. 

segunda-feira, 16 de março de 2015

SÉTIMA ARTE À SEGUNDA-FEIRA

Cinema para Todos, de Luís de Pina, edição de Secretariado do Cinema e da Rádio, Lisboa, 1980.

MADRUGADA SEM SONO


QUATRO POETAS QUE ME FAZEM MUITA FALTA:

— Amândio César (1921 — 1987).
— António Manuel Couto Viana (1923 — 2010).
— Florentino Goulart Nogueira (1924 — 2015).
— Rodrigo Emílio (1944 — 2004).

sábado, 14 de março de 2015

1128 É O ANO DA FUNDAÇÃO NACIONAL

1128 é o ano da Fundação Nacional porque se tivéssemos tido que aguardar por Zamora para proclamarmos Portugal independente também teríamos havido que esperar pelo reconhecimento da Espanha em 1668 para considerarmos Portugal restaurado.

VANGUARDA TRADICIONALISTA

Os verdadeiros tradicionalistas portugueses nunca estão sós. Eles avançam —  em direcção ao futuro — na vanguarda do, invisível e invencível, exército dos seus avós. E, para isso, precisam conhecê-los, como de pão para a boca.
Hoje em dia, a maior parte da gente, infelizmente, não sabe, nem quer saber, que cada indivíduo, além de pai e mãe, tem 4 avós, 8 bisavós, 16 trisavós, 32 tetravós, 64 pentavós, 128 sextos-avós, 256 sétimos-avós e, por aí afora, sempre a duplicar, até à geração da Fundação Nacional, nascida por volta de 1100, onde cada um de nós contará com 2.147.483.648 trigésimos-avós (é claro que, devido à habitual consanguinidade, este número corresponde, de facto, a muitíssimo menos pessoas).
Esta enorme hoste de mortos constitui o sustento carnal e espiritual de qualquer tradicionalista que se preze. Por esta razão, faz-me imensa confusão que existam portugueses que se dizem nacionalistas, ou se afirmem patriotas, desconhecendo a sua genealogia; e, até, desprezando-a enquanto ciência. 

sexta-feira, 13 de março de 2015

DA IDENTITÁRIA E SIMBÓLICA ESTÉTICA BÉLICA

A Alma de um Povo manifesta-se na sua Cultura, já se sabe. Dentro desta, que é quase tudo — da gastronomia à poesia, das belas-artes às belas-letras —, existe uma área fundamental, mas muito esquecida, para a identificação da identidade das nações, toda ela simbólica: a spathologia (termo criado no século XIX para designar o estudo das espadas históricas).
Assim, os romanos usavam na peleja o seu clássico gládio; os francos e germanos combatiam, preferencialmente, com a frâncica (o belo machado-de-guerra de dois gumes simétricos); os lusitanos guerreavam com a acutilante e eficaz falcata (curta espada de gume côncavo, onde os romanos se basearam para melhorarem o seu, já falado, gládio); e, finalmente, os gregos tinham o kopis (quase igual à, atrás referida, lusitana falcata).
Por aqui se constata que todas as nações europeias são primas, mas umas mais primas do que outras; e, como Fernando Pessoa dizia, à sua genial maneira (na citação que anteriormente publiquei), há muitas e profundas afinidades entre um lusitano e um helénico.

AFINIDADES LUSO-HELÉNICAS NAS PALAVRAS DO POETA

Nada há de menos latino que um português. Somos muito mais helénicos — capazes, como os gregos, só de obter a proporção fora da lei, na liberdade, na ânsia, livres da pressão do Estado e da Sociedade. Não é uma blague geográfica o ficarem Lisboa e Atenas quase na mesma latitude.
FERNANDO PESSOA
(1888 — 1935)

SEBASTIANISMO AGORA

O miguelismo foi o sebastianismo do século XIX e o sidonismo o do século XX. Entretanto, já se pressente que o do século XXI está para chegar. Não se vê nem se ouve, por enquanto, mas afigura-se certo que este longo tempo de Interregno já gerou o Encoberto. Resta só revelar-se. Saibamos esperar, com saudades do futuro, para poder alcançá-lo. Na esperança de que (à terceira será de vez) este virá para ficar, a fim de realizar o V Império — que é do Espírito e só nosso, todo ele Cultura Lusíada — no III Milénio. Afinal, falta ainda cumprir-se Portugal! É a Hora? Não perderemos pela demora...

quarta-feira, 11 de março de 2015

O REINO DE PORTUGAL NA VANGUARDA SOCIAL

Em Portugal, os representantes dos municípios («homens-bons» das vilas e cidades, provenientes do «terceiro-estado» e escolhidos autarquicamente pelo povo dos concelhos) passaram a ter prioridade na elaboração das leis, em 1254, a partir das Cortes de Leiria, no reinado de D. Afonso III. Só no ano seguinte foi implementada em Inglaterra a Câmara dos Comuns, durante o reinado de Henrique III, dando assim semelhante voz à população. Remate-se a questão recordando que em França apenas com Filipe Augusto, em 1303, foram convocados os equivalentes representantes  populares.
Estes dados, que os interessados poderão confirmar e aprofundar nos manuais históricos, servem para recordar a matriz da Monarquia Portuguesa: o Bem Comum e a Justiça Social. Tendo estes dois altos desígnios nacionais em mente, Portugal criou a representação orgânica, corporativa e municipalista, expressa em Cortes Gerais com poderes legislativos. Desta forma, será para sempre o primeiro Estado da Europa a lançar o povo na construção das leis.  

DO COMBATE CULTURAL AO PODER POLÍTICO

Sempre tive para mim como certo que o combate cultural é decisivo na conquista do poder político e no condicionamento do seu exercício; nomeadamente, levando os governos a adoptar determinadas ideias e medidas. A partir dos anos 2000, esta função — toda ela de longo alcance e, por consequência, inacessível a gente de vistas curtas —, também designada por metapolítica, passou a contar com uma nova frente de batalha, que se veio a revelar a mais importante dos nossos dias — a blogosfera.
Senão, veja-se: o actual programa político liberal, aplicado por este governo, deve muitíssimo a uma jovem geração de pensadores liberais-conservadores que, durante toda a primeira década deste século, lançou os conceitos que o sustentam e preparou as mentalidades para a sua aceitação, através dos seus blogues (não vou nomeá-los, são por demais conhecidos).
Digo isto com todo o à-vontade de quem não tem a mesma visão para Portugal — muito pelo contrário —, mas sabe reconhecer um bom trabalho de confrades bloguistas. Quisesse Deus que a nossa gente, pelas nossas ideias, soubesse levar a cabo semelhante tarefa. A bem da Tradição. 

terça-feira, 10 de março de 2015

TRADICIONALISMO VERSUS LIBERALISMO EM PORTUGAL

Portugal está há 200 anos em liberalismo, quer seja político ou económico, revolucionário ou conservador, de direita ou de esquerda. Olhando com distanciamento e objectividade para os 900 anos de História, no seu conjunto, parece-me óbvio que foi imediatamente antes do arrivismo liberal, precisamente durante os 700 anos da catolicíssima, tradicionalista  e orgânica Monarquia Portuguesa, que vivemos os nossos maiores tempos de glória. Glória espiritual e material — realista, portanto.
Qualquer investigador académico, intelectualmente honesto, poderá entreter-se a confirmar isto, ponto por ponto, nas diversas disciplinas: das artes, ciências, diplomacia, direito, economia, filosofia, geografia, história, política, religião, etc. e tal; e, ainda, na coisa militar e também nas, hoje tão apregoadas, matérias marítimas e náuticas.  

segunda-feira, 9 de março de 2015

SÉTIMA ARTE À SEGUNDA-FEIRA

O Clube dos Amigos da Sétima Arte (CASA) — tertúlia cinéfila que fundei e animo desde 2004 — encontra-se prestes a arrancar com novas sessões para novos grupos. Ainda restam alguns lugares para pessoas interessadas em aprender ou recordar a História e Estética do Cinema.   

DA LUTA PELO POLEIRO NO CONTINENTE E ILHAS

A política praticada pelos partidos do sistema é tão tristemente previsível que nunca aqui falo dela. Apesar disso, há certas coisas que vale a pena referir, quanto mais não seja, a título de aviso, para que os meus leitores não sejam tomados por parvos.
Parece que arranjaram para aí, já há uns tempos, um novo tema, que anda na boca de políticos, comentadores e jornalistas, arvorado em questão nacional e feito «tabu» (velha técnica de comunicação rasteira, para entreter papalvos). Trata-se da coligação, para fins eleitorais, entre os dois partidos que descompõem o actual desgoverno da república portuguesa, outrora grande país chamado Portugal. Ora, obviamente, esse contrato só poderá ser feito após umas eleições de que, curiosamente, ninguém fala — as da Madeira, que se realizarão neste mesmo mês de Março. E é óbvio por uma simples razão: os dois partidos do desgoverno nacional vão entrar nessa corrida não só separadamente mas ferozmente um contra o outro; portanto, apenas depois de arrefecerem os calores dessa refrega sub-tropical os líderes dessas duas agremiações irão anunciar o seu casamento, qual profana aliança.
Já agora, por razões cómicas, vale a pena espreitar o panorama eleitoral do Arquipélago em causa e ver a bizarra coligação comandada pelos socialistas, prova evidente de que, quando cheira a poleiro, vale tudo.       

BEM-HAJAM

Agradeço a todos os bloguistas e leitores que simpaticamente me desejaram os Parabéns através do e-mail associado ao meu perfil no Blogger. Tentarei responder-lhes personalizadamente em breve.

domingo, 8 de março de 2015

PUXAR PELA CABEÇA COM SALAZAR EM MENTE

Salazar, nos seus escritos, discursos e entrevistas, raramente fazia citações. No entanto, na construção da sua doutrina — que foi, essencialmente, uma grande síntese  —, baseou-se noutros pensadores (de múltiplos países e séculos). Descobri-los, nas entrelinhas, constitui um estimulante jogo, para quem gosta de pesquisar.

sábado, 7 de março de 2015

TERROR NA AUTOESTRADA ABERTA PELA PRIMAVERA ÁRABE

As «Primaveras Árabes» foram congeminadas pelos iluminados especialistas de geoestratégia dos Estados Unidos da América e postas em prática pelos seus discretos agentes no terreno, quais aprendizes baratos de Lawrence da Arábia. De seguida, para melhor serem legitimadas, foram aplaudidas às mãos ambas pelos usuais idiotas úteis de serviço, ou seja, as chamadas opiniões públicas ocidentais, sempre facilmente instrumentalizadas por poderes invisíveis.
Finalmente, após mais de quatro anos de aplicação desta receita, o resultado geopolítico deste lindo serviço está bem à vista de todos: vastos territórios do Norte de África e do Médio Oriente foram gravemente desestabilizados e estão transformados numa enorme autoestrada aberta para exclusivo uso dos terroristas niilistas do Estado Islâmico no seu devastador avanço em direcção à Europa.       

sexta-feira, 6 de março de 2015

DA POLÍTICA INTERNACIONAL

No meio do habitual chorrilho de desinformação, e provavelmente por distracção ou engano, a RTP prestou recentemente verdadeiro serviço público. Refiro-me à entrevista com Bashar al-Assad. Apesar das preconceituosas e politicamente correctas perguntas do jornalista português, as respostas do Presidente da Síria merecem ser escutadas com toda a atenção (basta pesquisar na Internet, encontra-se online). Bem sei que a Europa anda desorientada, pelos actuais desgovernantes da desunião europeia, e já não sabe distinguir os amigos dos inimigos nem definir aliados; mas, pode ser que, indo directamente às fontes e ouvindo os injustamente diabolizados (como neste caso),  os europeus finalmente despertem.

NA MOEDA E NA CHEFIA DO ESTADO

Portugal carece urgentemente do regresso dos Reis.

quinta-feira, 5 de março de 2015

NEM TODOS OS AFORISMOS SÃO ETERNOS

No início do Século XIX, Joseph de Maistre, grande pensador católico e monárquico, proclamou um famoso aforismo: «Uma Contra-Revolução não é uma Revolução contrária; é o contrário de uma Revolução.» À época, os diferentes tradicionalistas europeus podiam e deviam levar esse anexim à letra, pois permaneciam ainda, nas suas diversas comunidades nacionais, muitas coisas intactas; e, portanto, quase tudo para conservar.
Agora, perante o actual panorama de dissolução nacional, em todas as pátrias da Europa, os tradicionalistas não poderão limitar-se a ser contra-revolucionários ou conservadores; mas, muito pelo contrário, deverão ser revolucionários e lutar — precisamente — por uma Revolução contrária. Só assim será reposta a Ordem e a Tradição.

quarta-feira, 4 de março de 2015

SINAIS SENSORIAIS DA ESTAÇÃO QUE SE AVIZINHA

Sei que a Primavera se aproxima porque os longos e sedosos cabelos das raparigas na flor da idade já refulgem sob a bela luz dourada do Sol do Equinócio.

ESTATÍSTICAS OFICIAIS DO ETERNAS SAUDADES DO FUTURO

Janeiro de 2015
Visualizações de páginas: 7 920.

Bem-hajam todos estes que visitaram o blogue neste momento crucial de nova arrancada do Eternas Saudades do Futuro.   

terça-feira, 3 de março de 2015

A EUROPA CRISTÃ ESTÁ CERCADA E AMEAÇADA

A Europa toda — de Lisboa a Moscovo — tem que rapidamente reencontrar-se com a sua raiz cristã; e, unida à volta dessa sua matriz —  fundacional e comum a todas as suas nações —, fazer frente aos que a ameaçam por (quase) todos os lados.  A saber: República Popular da China, a oriente; Estado Islâmico, a sul; Estados Unidos da América, a oeste.
Tudo o mais são conflitos criados artificialmente dentro dela —   com o sinistro triplo objectivo de dividi-la, enfraquecê-la e distraí-la (do essencial) — por estes mesmos seus inimigos.

segunda-feira, 2 de março de 2015

TRADIÇÃO E QUALIDADE NA INTERNET

Habitué destas andanças, há mais de uma década — primeiro como leitor, depois como autor —, cedo cheguei à conclusão de que estando hoje vedado, pelos donos do sistema, o acesso aos convencionais meios de comunicação (jornais, revistas, rádios, televisões) às  verdadeiras élites do pensamento, simplesmente porque têm uma diferente Weltanschauung, seria a Internet o meio privilegiado para divulgar ideias. Ideias antigas, velhas, tradicionais, mas muito actuais, pois são de sempre e para sempre.
Dito isto, é com júbilo que saúdo a aparição nesta rede de um espaço de qualidade feito por um grupo de brilhantes jovens académicos: Velho Critério. Como se já não bastasse esta lufada de ar fresco, e como isto está tudo ligado, vejo com alegria ser um dos excelentes autores o filho do meu amigo Carlos Bobone, sábio e rigoroso primeiro director da saudosa, também ela uma revista cultural online,  Alameda  Digital (link aqui ao lado, na coluna da direita). Eis a tradição em marcha, passando o sagrado legado da Cultura, de pai para filho, ao longo dos séculos. Se todos assim o fizermos, Portugal eterno viverá!

SÉTIMA ARTE À SEGUNDA-FEIRA

Fitas e Franjas, Domingos Mascarenhas, Edições Gama, Lisboa, 1948.

sábado, 28 de fevereiro de 2015

DO PARADOXO PORTUGÊS E DA COERÊNCIA FRANCESA

Espera-se das organizações tradicionalistas que perdurem, no tempo e no espaço, através da transmissão do seu legado, de pensamento e acção, entre sucessivas gerações. Fatalmente, em Portugal, o Integralismo Lusitano e a Acção Realista Portuguesa passaram rapidamente, como luminosas e efémeras estrelas cadentes. Felizmente, em França, a Action Française, nascida em 1898 (parece mentira, mas é verdade!), está viva e recomenda-se.    

sexta-feira, 27 de fevereiro de 2015

ROMANCE PARA O FIM-DE-SEMANA

Um Estranho Encontro, Ernst Jünger, Difel, Lisboa, 1987.
Romance escrito aos 89 anos de idade por um autor que supera qualquer adjectivo possível para o qualificar. Quem não conhece a sua obra, pode começar por este livro. Às vezes, ler certas bibliografias do fim para o princípio ajuda a cativar e faz-nos chegar à raiz dos temas que habitam o imaginário dos escritores de uma forma mais profunda. Penso que este método se pode aplicar com vantagem a Jünger, que atravessou todo o século XX com a sua vida e obra.
Esta edição portuguesa tem tradução de Ana Maria Carvalho e revisão literária, posfácio e notas de Rafael Gomes Filipe. Leia-se, pois.     

PORTUGAL PERMANECE NAS PALAVRAS DOS SEUS POETAS

Com o poeta em mente, vou à estante dos poetas, tiro um livro de poesia, escolho um poema e sento-me ao computador a passá-lo. As costas ficam num oito e os olhos queimados pela artificial luz do ecrã desta danada máquina. Porém, depois duma trabalheira não remunerada e consequente inglória canseira, como esta, volta e meia, acontece-me ter recompensadoras surpresas, que me dão a agradável sensação de missão cumprida: por exemplo, agorinha mesmo, e não foi a primeira nem a segunda vez que aconteceu, acabei de receber um mail pedindo-me informações sobre um poeta aqui publicado, do qual o remetente nunca tinha ouvido falar. Pois, pudera, este agora pequeno e pobre País não está para Poetas! Principalmente para os Poetas que sempre puseram a Pátria acima de tudo!

TUDO

Em surdina chegaste
E em surdina te vais:
— Oh felicidade que baste,
Que nunca bastas de mais!
E eu queria que ficasses,
De tal maneira ficada,
Que nunca mais me trocasses
— Por nada!

AMÂNDIO CÉSAR
(1921 — 1987)


quinta-feira, 26 de fevereiro de 2015

SOMBRA

No cimo dum rochedo hostil e obscuro,
Eu náufrago há que tempos, muitos anos,
Espero algum navio nos oceanos
Descobrir, lento e longe, quase obscuro.
Quando passa, afinal, o que procuro,
Lento e longe esvaindo..., quase ufanos
Os maus braços levanto, em surto abano-os,
A chamá-lo, esse vulto de futuro!
Mas ele passa ao largo, lento e longe,
Solitário e tristonho tal um monge,
Na distância esfumando os traços frios.
Madrugada. Nem sol e nem tormentas.
Ao rochedo, só águas vêm, lentas,
Que roçaram as quilhas dos navios.

FLORENTINO GOULART NOGUEIRA
(1924  — )

MONARQUIA REALISTA

A Monarquia Portuguesa tem um Rei que governa, à frente dum governo escolhido e presidido por ele próprio, é hereditária, católica, nacional, patriótica, tradicionalista, orgânica, e tem Cortes Gerais, com poderes consultivos e deliberativos, sendo compostas pelos representantes eleitos de todas as corporações (associações profissionais) e regiões (províncias e municípios). Simples e eficaz. Foi assim no passado, durante sete séculos a fio (de 1128 a 1834), e voltará a ser assim no futuro; ou então não valerá a pena restaurá-la. 

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2015

ONDE A TERRA SE ACABA E O MAR COMEÇA

Onde a terra se acaba e o mar começa
É Portugal;
simples pretexto para o litoral,
verde nau que ao mar largo se arremessa.
Onde a terra se acaba e o mar começa
a Estremadura está,
com o Verde pino que em glória floresça,
mosteiros, castelos, tanta pátria ali há!
Onde a pátria se acaba e o mar começa
há uma casa onde amei, sonhei, sofri;
encheu-se-me de brancura a cabeça
e, debruçado para o mar, envelheci...
Onde a terra se acaba e o mar começa
é a bruma, a ilha que o Desejo tem;
e ouço nos búzios, 'té que o som esmoreça,
novas da minha pátria — além, além...

AFONSO LOPES VIEIRA
(1878 — 1946)

PORTUGAL É GRANDE

Portugal é grande,
cai co'a alma doída,
mas a mudança pedida avança,
e renasce a terra caída
— da lembrança havida
cria-se, ainda criança,
a lusitana, antiga verdade.
Cai, co'a alma dorida,
mas cresce e avança, sentida,
a perdida esperança.

JOSÉ VALLE DE FIGUEIREDO
(1942 — )

segunda-feira, 23 de fevereiro de 2015

SÉTIMA ARTE À SEGUNDA-FEIRA

A expressão «Sétima Arte» anda na boca de toda a gente. Falemos, então, sobre a origem dessa — feliz — designação para o Cinema.

Foi o escritor, jornalista, crítico e dramaturgo italiano Ricciotto Canudo (Bari, 1879 — Paris, 1923) quem baptizou o Cinema de Sétima Arte. Canudo fundou a revista Montjoie! (1913-1914), sedeada em Paris, e manteve uma tertúlia com — entre outros — Léger, Apollinaire e D’Annunzio. Em 1920, cria o «Clube dos Amigos da 7.ª Arte», que é, assim, precursor do movimento do cine-clubismo. Edita, finalmente, em 1923, a Gazette des sept arts, revista fundamental como suporte teórico das vanguardas estéticas da época.

Se, por esta altura, os meus leitores já perceberam que estamos perante um teórico da Arte, não estranharão saber que Canudo lança, em 1923, o Manifeste des Sept Arts, após uma série de outros textos preparatórios, o primeiro dos quais data de 1908; e, num deles, em 1912, cunhou a nossa expressão. Esta publicação definitiva das suas inovadoras ideias, surge como legitimação estética do Cinema, elevando-o à categoria das restantes Artes.

Em primeiro lugar, chama a atenção, no seu Manifesto, para o facto de o Cinema ser muito mais do que apenas indústria e comércio, resgatando-o à mera tentação material e convocando-o para as fileiras da espiritualidade criadora. De facto, o Cinema é — antes de tudo — Arte.

Depois, Canudo diz-nos, do seu ponto-de-vista, quais são as seis Artes que antecedem cronologicamente o Cinema. Desde a Antiga Grécia que as Artes têm andado numa roda-viva, no que diz respeito à sua catalogação (convém nunca perder de vista as nove musas inspiradoras). Ainda bem que se trata de uma conversa (ou debate, como agora se diz) em aberto, pois isso representa um sinal da vitalidade dos nossos pensadores. Para este escritor italiano do século XX, as Sete Artes são: Arquitectura, Escultura, Pintura, Música, Dança, Poesia e Cinema. Se as três primeiras — artes plásticas, porque do espaço — aparecem, segundo Canudo, por necessidades materiais (abrigo, no caso da Arquitectura, com as suas complementares Pintura e Escultura), para, no entanto, logo depois se afirmarem artisticamente, já a Música é fruto duma vontade espiritual de elevação e vai irmanar-se com os fundamentos rítmicos da Dança e da Poesia. Curiosamente, no pensamento do teórico italiano, a Dança e a Poesia antecedem a Música, que só se autonomizará destas quando se liberta e chega à sinfonia, como forma de música pura.

É óbvio que a génese das Artes aqui descrita tem de ser contextualizada na época em que foi criada — início do século XX, em toda a sua pujança Futurista (Graças a Deus!) — e entendida como visão pessoal do seu autor. No entanto, se aqui a trago, é porque sem ela não poderemos compreender a expressão «Sétima Arte».

Por fim, entramos naquilo que me parece ter resistido ao crivo do tempo (esse destruidor de mitos de vão de escada) e manter, ainda hoje, enorme actualidade.

Canudo apresenta o Cinema como síntese de todas as Artes e como Arte Total — ao que não é alheio o pensamento de Wagner; assim, na plenitude da sua linguagem estética, a Sétima Arte integra elementos plásticos da Arquitectura, da Pintura e da Escultura e elementos rítmicos da Música, da Dança e da Poesia, que se vão todos revelar nos filmes nas seguintes áreas técnicas (podendo nós tentar fazer um jogo de concordâncias): imagem ou fotografia (ainda a preto-e-branco, em vida de Ricciotto Canudo); som ou, mais tarde, banda sonora (note-se que, quando o italiano teorizou, o Cinema era Mudo e os filmes eram acompanhados, apenas, pela interpretação ao vivo de uma partitura musical durante a sua projecção nas salas); montagem, que confere um sentido às imagens; cenografia, que entretanto evolui para direccção artística, alargando o seu campo de intervenção; realização, que tem como missão a planificação do filme, a orquestração dos vários elementos aqui referidos, assegurados por outras tantas equipas técnicas, e a direcção dos actores; e, por último, sendo no entanto o princípio de tudo, argumento.

Mais ainda: como grande síntese criadora — para além de fusão —, o Cinema une Ciência e Arte, num casamento feliz, e produz uma novíssima Linguagem, para a qual as outras Artes tenderam desde sempre, de imagens em movimento e som — formas e ritmos à velocidade da luz!

É, portanto, a última das Artes, fechando o ciclo da Estética. E, acima de tudo, aquela que, incorporando todas as outras, melhor transporta o nosso Património histórico, estético e cultural — projectando-o no futuro —, através da permanente reformulação e actualização das ancestrais e intemporais narrativas da nossa matriz identitária.

Haja sempre cineastas portugueses à altura desta missão universal.

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2015

REFLEXÕES PARA A CRIAÇÃO DUMA RENOVADA E GRANDE EUROPA

Todo o mundo já percebeu que a desunião europeia que nos desgoverna, e nos faz a vida negra, está por um fio. Também toda a gente já pressentiu que os povos europeus vão passar a escolher de forma livre e consciente, muito em breve, pessoas patriotas para liderar e governar, como deve ser, os seus diversos países. Digamos que o que estamos a assistir na Grécia é, apenas, uma antecâmara e um anti-clímax do que se aproxima a passos largos. Escusado seria acrescentar que os políticos do sistema e os seus papagaios de serviço nos meios de comunicação para enganar as massas, formatados ainda, uns e outros, no já morto e enterrado marxismo cultural, estão completamente a leste do busílis da questão.
É portanto chegada a hora de construir uma Europa a sério; e, nesse sentido, para assegurar uma verdadeira e sólida Aliança entre os vários futuros renovados Estados do Continente Europeu, há que criar rapidamente uma Ideia que seja uma Síntese transcendente e superadora dos contrários. Esta nova Doutrina terá de levar em conta o actual mapa-múndi geopolítico — perigosíssimo, porque pleno hoje de estranhos actores não-convencionais — e deverá ser elaborada por pensadores com sólidas bases ideológicas e apurada visão geoestratégica, a fim de poder ser aplicada globalmente, num quadro de realpolitik, no interesse de todas as Nações europeias mas unicamente em nome da renovada  e grande Europa.    

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2015

OS POETAS DA PÁTRIA NÃO MORREM: RODRIGO EMÍLIO (1944 — 2004)

— Tu conheces bem a História...
— Sou Tradicionalista, do ponto-de-vista Histórico.
— Afinal, não estás agarrado à cultura da tourada e do fado...
— Sou Vanguardista, do ponto-de-vista Cultural.
— Como é que consegues ser desprendido das coisas materiais?
— Sou Aristocrático, do ponto-de-vista Espiritual.
— É estranho... Tens referências de que eu gosto...
— Sou Cosmopolita, do ponto-de-vista Estético.
— Mas tu não és pelos ricos e contra os pobres?
— Sou Justicialista, do ponto-de-vista Social.
— Eu pensava que tu eras conservador...
— Sou Revolucionário, do ponto-de-vista Ontológico.

Diálogo imaginário, em que crio as perguntas e transcrevo, sob a forma de respostas, a famosa declaração de princípios de Rodrigo Emílio. Evoco assim, desta respeitosa e pessoalíssima maneira, a sua Memória, no dia dos 71 anos do seu nascimento.

TRISTE CRISE DE IDENTIDADE NACIONAL QUE URGE ULTRAPASSAR

Torna-se confrangedor assistir às manifestações carnavalescas que hoje em dia têm lugar neste agora desgraçado pequeno jardim à beira-mar plantado. Não passam de tristes cópias dos delírios carnais vindos dos trópicos. Não se aperceberá o nosso povo do ridículo que é macaquear hábitos estrangeiros? Arrepia ver importadas bailarinas de segunda categoria bambolearem-se semi-nuas debaixo da chuva do nosso Inverno.
Pergunta-se se não haverá alternativa. Há. Portugal é fértil em ancestrais cultos pagãos próprios desta época profana que antecede a Quaresma e que a Igreja Católica sempre soube respeitar, na medida em que são três dias de festa imediatamente antes de quarenta dias de espiritualidade. Portanto, felizmente, basta desligar as televisões, voltar as costas às cidades e ir por essas aldeias fora para encontrar lugares onde ainda existe gente que resiste ao novo-riquismo do mundo moderno e cultiva de forma viva as suas mais antigas tradições locais. São estas mulheres e estes homens, profundamente enraizados nas suas terras, que asseguram o futuro de Portugal.
Tudo isto é preocupante porque uma Nação que corta os seus laços com o seu passado não tem futuro. Aliás, as páginas da História Universal estão cheias de povos, culturas, países, reinos, impérios e civilizações que, pura e simplesmente, por esta mera razão, desapareceram.         

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2015

SÉTIMA ARTE À SEGUNDA-FEIRA

Histoire du cinéma, de Maurice Bardèche e Robert Brasillach, edição Le livre de poche (dois volumes duplos — I: Le cinéma muet e II: Le cinéma parlant), Paris, 1964 e 1965.

sábado, 14 de fevereiro de 2015

SANTOS E COMANDANTES

Em 1431, a poucos meses e quilómetros de distância, morriam dois europeus excepcionais. Dos maiores chefes guerreiros do seu tempo, e de sempre. Heróis eternos, portanto. Hoje, são ambos santos venerados pela Igreja Católica. Uma francesa e um português. Possam França e Portugal  estar de novo à altura de honrar as suas memórias e seguir os seus exemplos. Que Santa Joana d'Arc e São Nuno de Santa Maria nos iluminem e guiem.    

AOS QUE QUEREM ACABAR COM AS MAIÚSCULAS

Eles verão que Verão assim só aqui.

ESCRITORES MUITO MEUS

Sete escritores franceses fundamentais com apelidos começados pela letra B:
— Jacques Bainville.
— Honoré de Balzac.
— Georges Bernanos.
— Louis de Bonald.
— Abel Bonnard.
— Paul Bourget.
— Pierre Boutang.

sexta-feira, 13 de fevereiro de 2015

GEOPOLIÍTICA E GEOESTRATÉGIA PARA O FUTURO DA EUROPA

Mais tarde ou mais cedo, a Europa terá de unir-se — verdadeiramente — se quiser sobreviver. Leia-se por união, do meu ponto-de-vista, uma sincera e eficaz aliança político-militar entre Estados, correspondendo estes às dezenas de Nações que compõem o nosso Continente.  Depois, há que olhar para o Mundo e, seguindo os ensinamentos de Carl Schmitt, identificar, definir e hierarquizar os inimigos políticos. Finalmente, teremos de nos defender deles ou, se necessário, contra-atacá-los no momento certo, atendendo aqui às lições de Carl von Clausewitz, cada um de sua vez, evitando abrir frentes simultâneas, para obter a vitória final. Mas, com os EUA de um lado, a China do outro, e o Islão por toda a parte, não vai ser fácil. Porém, com uma Grande Europa das Nações, forte e solidamente unida, de Portugal à Rússia, com todos e tudo, venceremos.
E é claro que tenho a perfeita noção de que, por enquanto, isto por mim aqui escrito parece chinês para os passageiros pequenos leaders da actual (des)União Europeia que nos desgoverna. Contudo, cheira-me que muito em breve terão de pensar no assunto; e, no entanto, já será tarde para eles.   

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2015

ANTI-POESIA E ETIMOLOGIA

O dinheiro divide, como o diabo.

MONARQUISMO VERSUS ROYALISME

Royalisme precisa urgentemente de ser vertido para Português e transposto para Portugal. Realismo é, porque dúbio e equívoco, fraca tradução. E, não, royalisme não é o mesmo do que monarquismo. São duas doutrinas diferentes.

FUTURISTICAMENTE FALANDO

Terceiro Milénio da Cristandade,
Quarta Dinastia Lusíada,
Quinto Império — do Espírito.

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2015

PROCESSO CRIATIVO

A falar, parte-se pedra.
A escrever, edifica-se obra.

NOTA EDITORIAL

A pedido de várias famílias, passarei a escrever regularmente sobre História do Cinema neste meu eterno blogue. Sendo o Homem um animal de hábitos, há que definir um dia certo para a coisa, a fim de os meus queridos leitores melhor fixarem como lembrete a data, e passarem por cá com o fito de ler a referida prosa, que este vosso servo escrevinhador tentará alinhavar para a ocasião. Sobre Cinema Mudo, Clássico ou Moderno, corrente estética, género ou autor, e etc. e tal, um curto aforismo ou um texto mais longo virá sempre a lume.  Existindo à partida logicamente sete hipóteses, veio-me contudo logo à cabeça a Segunda-Feira. Esta, faz-me lembrar os saudosos anos 80 do Século passado, quando as salas de cinema de Lisboa decidiram descer os preços dos bilhetes para metade do valor, com o saudável intuito de facilitar a vida à jovem clientela cinéfila da época. Bons tempos, em que se visionavam belas fitas, em animados grupos de amigos. Assim, sob o mote da recordação, mas com os pés assentes no presente e os olhos postos no futuro, passaremos a ter «Sétima Arte à Segunda-Feira» no Eternas Saudades do Futuro.    

terça-feira, 10 de fevereiro de 2015

DO IMPÉRIO DA RAZÃO

Não sou monárquico por tradição, sou monárquico pela Tradição.

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2015

DA HISTÓRIA E ESTÉTICA DO CINEMA

O Clube dos Amigos da Sétima Arte (CASA) — tertúlia cinéfila que fundei em 2004 e que desde aí animo — encontra-se prestes a arrancar com novas sessões para novos grupos. Ainda restam alguns lugares para pessoas interessadas... 

terça-feira, 3 de fevereiro de 2015

DAS ÁRVORES

As árvores de folha caduca são as mais amigas do Homem: dão-nos sombra no Verão e deixam passar a luz e o calor do Sol no Inverno.

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2015

NA COUTADA DOS NOVOS-RICOS

As luminárias que (des)governam a Câmara Municipal de Lisboa decidiram agora proibir o acesso à Baixa de carros anteriores ao ano de 2000. Estas criaturas detestam tudo quanto não seja moderno, não fossem eles uns perfeitos arrivistas. Depois de já se terem destacado a arrancar árvores antigas e a demolir edifícios históricos, chegou o momento de se lançarem na caça aos carros clássicos. Parece que ainda por cima estes crimes estéticos propiciam umas belas negociatas. 

domingo, 1 de fevereiro de 2015

EM MEMÓRIA DE DOIS GRANDES PORTUGUESES ASSASSINADOS

No primeiro quartel do século passado, Portugal teve dois Chefes de Estado míticos: Dom Carlos e Sidónio. Suscitaram enormes amores e também ódios mesquinhos, e ambos foram cobardemente assassinados. Um fez avançar a Arte, a Ciência e o Desporto, e conservou e promoveu as suas muito queridas tradições nacionais. Outro passou tão rapidamente e luminosamente como um relâmpago, mas ainda assim semeou Obra indelével e apontou o caminho da Esperança. Deixaram imensas saudades no Povo. Assinalam-se hoje 107 anos sobre o assassinato do primeiro. E, continua por apurar toda a verdade dos factos em relação aos discretos e secretos mandantes das suas mortes, para finalmente podermos chamar os bois pelos nomes.    

sábado, 31 de janeiro de 2015

A GRÉCIA NA VANGUARDA DA EUROPA TRADICIONAL

Rio-me ao ouvir as galimatias dos políticos, comentadores e jornalistas cá do burgo a propósito da aliança entre patriotas de esquerda e nacionalistas de direita na Grécia. Intoxicaram-nos intelectualmente nas universidades do sistema de forma a repetirem sempre a mesma lengalenga politicamente correcta nos me(r)dia. Gramsci explicou como se fazia.  Só que agora existem dados novos. Ninguém lhes tinha dito que ainda há gente que ama apaixonadamente a Pátria e a Nação, a Terra e o Povo, o Solo e o Sangue, o Território e a Cultura. Ah, pois há. E que essas pessoas põem esses valores espirituais à frente dos interesses materiais. E gente honrada, leal e valente, como esta, mais tarde ou mais cedo acabará por vencer por toda a Europa. Vão-se habituando... 

quarta-feira, 28 de janeiro de 2015

SANTO DO DIA

S. Tomás de Aquino (28.1.1225 — 7.3.1274). Doutor da Igreja.
Patrono especial de todas as Universidades e Escolas Católicas.

LIVRO DO DIA

O mapa e o território, Michel Houellebeck, tradução de Pedro Tamen, Editora Objectiva, Carnaxide, 2011.

FORA DE CENA QUEM NÃO É DE CENA

No Eternas Saudades do Futuro não há caixas-de-comentários pela simples razão de que o seu autor se recusa a dar de mão-beijada aos maluquinhos um palco para virem para aqui fazer os seus tristes números perante um público que pretendem alcançar mas o qual não merece a maçada de ter de levar com eles. 

terça-feira, 27 de janeiro de 2015

LEITURA DO DIA

O Diabo de hoje traz uma entrevista com Marcos Pinho de Escobar — antigo colunista semanal do Eternas Saudades do Futuro — a propósito da sua tese de doutoramento sobre a influência de Maurras no pensamento político de Salazar. 

segunda-feira, 26 de janeiro de 2015

DA LITERATURA

Poucos escritores merecem que se leia a sua obra toda e contudo aprende-se mais com esses do que com todos os outros juntos.

DOS NACIONALISMOS NA EUROPA

Lembro-me de ter dito, num habitual almoço de 1.º de Janeiro, em 2001, que o século XXI iria ser o do regresso dos Nacionalismos à Europa. Recordo-me também de que apenas uma pessoa — um jovem académico, atento e inteligente — me questionou sobre a afirmação; e, pude, assim, discorrer com ele sobre a matéria — analisando diversos casos, Estado a Estado. Agora, posso acrescentar novo palpite: este segundo lustro da década de 10, corresponderá à chegada ao Poder de partidos políticos dessa área ideológica, em várias Pátrias do Eterno Continente. Fica aqui escrito, para mais tarde confirmar.       

domingo, 25 de janeiro de 2015

DA ARTE DE CONVERSAR

Tenho cá para mim como certo que a coisa que melhor distingue as pessoas entre si — sim, porque não somos todos iguais — é a sua capacidade de boa conversação.
Nesta matéria, geração após geração, os que passam o crivo do bom senso e do bom gosto são cada vez menos. Nas actuais reuniões sociais, o panorama é desolador: uns, entram mudos e saem calados; outros, debitam estéreis banalidades (quando não são inconveniências); finalmente, há um pequeníssimo escol — infelizmente mais pequeno de dia para dia — que ainda cultiva a arte de bem conversar.

sexta-feira, 23 de janeiro de 2015

OS CHATOS

Aldous Huxley, num dos seus geniais romances, define e caracteriza magistralmente dois tipos psicológicos de indivíduos: o maçador activo e o maçador passivo; os sujeitos do primeiro grupo, saturam-nos com a sua inesgotável e estéril verborreia; os do segundo, incomodam-nos, quais emplastros, apenas com a sua silenciosa presença.
Observo as transmissões televisivas das sessões do nosso hemiciclo par(a)lamentar e vejo lá plasmados os exemplares vivos desses dois géneros de personagens: os deputados da primeira fila, correspondem ao tipo activo; os da segunda, ao passivo. Enfim, uma maçada.

quinta-feira, 22 de janeiro de 2015

COISAS QUE ALIMENTAM O ESPÍRITO

Recentemente tive a honra de ser convidado a participar numa sessão duma tertúlia. Fui, porque se me afigurou triplamente especial. Era literária e gastronómica — ingredientes apelativos, mas comuns a várias outras que frequento desde sempre. Porém, juntava-lhes uma deliciosa diferença: realizava-se na residência dos mentores; e, os meus queridos leitores sabem bem, descobrir uma casa com bom gosto é para mim um prazer tão grande como ler um livro bem escrito ou deglutir um opíparo repasto. Foi o caso.

quarta-feira, 21 de janeiro de 2015

OITO ANOS DE ETERNAS SAUDADES DO FUTURO

Cada vez mais me convenço de que um ano dum blogue equivale a vários duma pessoa. Eu diria que vale por 7, como afirmam que acontece em relação aos cães. Por esta ordem de ideias, este já é muito mais velho do que o seu dono: completa hoje a provecta idade de 56 anos.
A acrescentar a isto, note-se que os blogues têm também qualquer coisa de gatos; assim, possuem várias vidas. Consta que 7 (novamente o número mágico). E este já vai na sua segunda... Mas essa é outra história.

terça-feira, 20 de janeiro de 2015

PARA UMA ACTUALIZAÇÃO ICONOGRÁFICA DA SIMBOLOGIA NACIONAL

Tendo Portugal definitivamente desistido do seu espiritual desígnio universalista, e desde há décadas enveredado pelo mais rasteiro materialismo, proponho, em conformidade, que se retire da Bandeira Nacional a Esfera Armilar (de qualquer forma, também já ninguém conhece o seu significado) e que esta seja substituída por uma bola de futebol (com um belo e moderno design). 

sábado, 17 de janeiro de 2015

MUNDO ANTIGO VERSUS MUNDO MODERNO

A Filosofia nasce do ócio e a corrupção do negócio.

sexta-feira, 16 de janeiro de 2015

TRADIÇÃO E FUTURO DA EUROPA

A Europa criou uma milenar Identidade própria, assente em três sólidos Pilares: a Filosofia grega, o Direito romano e a Teologia cristã. Saibam hoje as Nações europeias estar de novo à altura desta Herança, para a poderem transmitir no Futuro.

quarta-feira, 14 de janeiro de 2015

DE KUNDERA A HOUELLEBECK

Para além dos «clássicos», que já atingiram a eternidade, consagrados pelo facto de passados cem anos sobre a sua morte continuarem a ser lidos, há os escritores do nosso tempo. Destes, é sempre um tiro no escuro apontar para os que pensamos se irão juntar àqueles. Não gasto muito tempo com esse exercício, mas cheira-me que o meu faro não me engana. Assim, considero ter sorte por alguns dos meus escritores contemporâneos preferidos, dos quais fui lendo os livros à medida que iam sendo publicados, darem sinais de virem pelas suas obras a tornar-se imortais.
Dito isto, confesso que o prazer que tenho retirado, no início deste milénio, da leitura de Houellebeck só é comparável ao que tive, nos anos 80 do século passado, com Kundera. São romancistas de mão cheia, bom gosto e fino — mas mui cortante — humor; enfim, senhores de um estilo próprio, inconfundível e incomparável.
Mas há mais: Se Kundera foi premonitório na implosão do totalitarismo comunista a leste, Houellebeck perfila-se como visionário da queda do mundialismo demo-liberal a ocidente. Escritores do espírito, vivem, testemunham e inteligentemente criticando aceleram — à sua maneira, e de que maneira!— o fim do materialismo na Europa. 

sexta-feira, 9 de janeiro de 2015

NO PRINCÍPIO ERA O TERROR E NO FIM TAMBÉM

O Terror jacobino gerou a França laica, republicana e socialista. O Terror islâmico matou-a. 
Seria uma boa sinopse para um romance de História alternativa, mas afinal parece que é realidade.

segunda-feira, 5 de janeiro de 2015

QUADRANTES LITERÁRIOS

Fui queirosiano na juventude e tenho sido camiliano na maturidade. O que virei a ser na terceira idade?