sábado, 23 de março de 2013

NUMA LISBOA ASSASSINADA

Porquê o sono
que nunca durmo
De que me escondo
Com quem me cruzo
Sob que escombros
de que futuro
me reencontro
ou me sepulto
Que mar ao longe
Que ruas sulco
Por onde rondo
Que céu Que burgo
este que em sonhos
em vão procuro

DAVID MOURÃO-FERREIRA
(1927 — 1996)