terça-feira, 21 de novembro de 2023

DO VISIONAMENTO E ANÁLISE DE FILMES

Costumo sugerir, aos meus alunos e aos meus amigos cinéfilos, sessões duplas. Nestas, podem ver duas fitas seguidas. Entenda-se ver no sentido tradicional europeu que vem de Aristóteles e que é sinónimo de compreender. Por isso se diz «olhar com olhos de ver» e se pergunta «estás a ver?». Escolham-se então dois filmes: A e B. Este e pode ser copulativo ou disjuntivo, sendo que da segunda forma a coisa se torna mais interessante. No primeiro caso, as películas são complementares entre si; no segundo, serão, à partida, bastante distantes, obrigando-nos assim a lançarmos uma ponte entre ambas para depois se construir uma síntese mental. Portanto, remato com um delicioso paradoxo: cá para mim, a melhor análise de filmes resulta de um exercício de síntese. 

Nota editorial: Não gosto de ver o texto assim alinhado mas não consigo formatá-lo ao meu gosto. Coisas da minha consabida aselhice informática, já se sabe.