sábado, 1 de outubro de 2022

OUTUBRO

Entrámos no meu querido mês de Outubro. Meu mês favorito. Chegou doce e morno. Aliás sempre assim foi desde que este blogue veio a lume. As outonais flores do cabeçalho do Eternas Saudades do Futuro devem portanto estar quase a aparecer ao vivo e a cores nas árvores de certas artérias secretas de Lisboa. Momento ideal para dar passeios contemplativos com pessoas iniciadas nestas matérias estéticas. Tempos de luz dourada. Coisas do espírito e da alma.

CLUBE DOS CAVALHEIROS COM BIBLIOTECA

À medida que a vida avança vou trocando o convívio entre as pessoas pela intimidade com os livros. Será a idade da sabedoria a chegar ou apenas uma fase de misantropia? Contudo, contrariando esta tendência e tentando conciliar as coisas, e seguindo o meu velho impulso para fazer sínteses e lançar pontes, pretendo relançar definitivamente o, por mim há muito congeminado, Clube dos Cavalheiros com BibliotecaEspero que esta tertúlia venha a ter existência tão longa quanto o Clube dos Amigos da Sétima Arte, a qual já vai em 18 anos bem contados e melhor passados!

DO OUTONO

Todas as Estações do Ano têm qualquer coisa de mágico-simbólico. São, portanto, reveladoras. No caso do Outono, reconduz à Primavera. Por consequência, no mês de Outubro - supra-sumo, cá para mim, do Outono - sinto-me sempre com renovados 20 anos. 

CONSELHO AOS JOVENS CINEASTAS

Em primeiro lugar o cinema deverá mostrar o que as pessoas estão a fazer, pensar e sentir. Só depois o que estão a dizer. Caso contrário nada acrescentaria à literatura. 

CONSELHO AOS JOVENS CRIADORES

Aprender as regras como um profissional para as quebrar como um artista. 

sexta-feira, 2 de setembro de 2022

TER MUNDO

O velho senhor vendeu a sua casa ao novo rico. Este, feito o negócio, voltou-se para aquele e disse-lhe: agora pode ir viajar, ver o mundo. O senhor respondeu-lhe: não preciso, já conheço o mundo. O arrivista insiste: mas você nunca saiu daqui... O cavalheiro remata: não era preciso, o mundo vinha cá a casa.

quinta-feira, 1 de setembro de 2022

PRIMEIRO PRAZER DE SETEMBRO

Como habitualmente (e já sabem os meus caros leitores que gosto de viver habitualmente, como aconselhava o estadista português, mas também perigosamente, como fazia o estadista italiano), o meu primeiro prazer de Setembro consistiu em pôr o carimbo de posse nos livros adquiridos nos secretos lugares que fui descobrindo ao longo de dezasseis  devotas (o lugar onde veraneio não tem banhistas, tem devotos) temporadas passadas na histórica vila piscatória da Ericeira e de seguida colocar cada um no núcleo da biblioteca correspondente ao seu género literário ou na secção consagrada ao respectivo autor.

segunda-feira, 15 de agosto de 2022

FESTA DO DIA

Solenidade da Assunção da Bem-Aventurada Virgem Maria; ou, popularmente, Dia de Nossa Senhora da Assunção.

DO SAGRADO E DO PROFANO EM PLENO VERÃO

Em Portugal, o Verão tem, em paralelo, festas sagradas e festas profanas. Existe assim a possibilidade de os crentes se divertirem, depois de cumpridos os seus deveres religiosos, e de os ateus sentirem o apelo da espiritualidade católica.

A Ericeira é paradigmática disto, porque rica em ambos os tipos de celebrações, exemplar no respeito mútuo e fértil em saudáveis sinergias e sínteses. Ficamos todos a ganhar.

FAÇA-SE LUZ

Uma casa sem livros é como uma praia sem sol. 

ERICEIRA E LITERATURA

Já se sabe que a Ericeira é uma vila com especial ligação às belas-letras (e às belas-artes também). Porém, há apenas um grande romance português - de um dos maiores escritores portugueses, por sinal - cuja acção decorre integralmente nesta mística terra: Tristezas à Beira-Mar, de Manuel Pinheiro Chagas. Leia-se, pois.

domingo, 14 de agosto de 2022

DEVERES DA VIDA DE SOCIEDADE EM PLENO VERÃO

Na silly season, deve-se lançar um sound bite novo por dia: na praia, na esplanada, no adro da igreja e no bar.

AINDA E SEMPRE A PROPÓSITO DO LUGAR ONDE VERANEIO

Já aqui atrás referi a sábia observação de cariz sociológico do grande escritor e dandy Ramalho Ortigão a propósito do lugar onde veraneio; e, na sequência disso, não posso deixar de recordar, e de confessar até, que é a seguinte certeira frase (a qual pode ser lida na badana da capa do livro Ericeira - uma fotobiografia, de José Constantino Costa, com esquissos de Rui Pinheiro, Mar de Letras Editora, Ericeira, 2004) que melhor traduz o meu mais íntimo sentimento em relação a esta mística terra: «A Ericeira não tem banhistas, tem devotos». O grande historiador e comunicador José Hermano Saraiva dixit.

ESTAÇÕES DO ANO E ESTADOS DE ALMA

Veraneio num lugar onde se sucedem as quatro Estações do ano num só dia. Um sítio assim faz com que se vivam quatro estados de Alma em vinte e quatro horas. Experiência só aconselhável a pessoas com Espírito forte.

NO VERÃO MAIS PEIXES VÊM PARAR À REDE

Quando os blogues apareceram, no início deste Século, o Verão correspondia a um deserto de leitores. Agora, na era da generalização dos smartphones com acesso à net, estes meses são, por estranho que possa parecer, os que trazem mais visitantes.

AGOSTO COM ESPECIAL GOSTO NACIONAL

14 de Agosto de 1385  — Derrotámos os Castelhanos em Aljubarrota, reafirmando a Independência Nacional.
É hoje!

21 de Agosto de 1415  — Conquistámos Ceuta aos Islâmicos, iniciando a Expansão Nacional.
É para a semana!

Portugal sempre!

sábado, 30 de julho de 2022

NOVIDADE SONORA

Enquanto não crio um blogue (mais 1!) dedicado a assuntos musicais, onde possa tocar discos, estou no Spotify. Abri uma conta nesta plataforma com o objectivo único de fazer uma playlist para passar na inauguração de À Luz das Raparigas em Flôr. Assim foi e a referida lista de reprodução cumpriu o seu desígnio. Vai daí, entusiasmei-me, e alinhei outras 10! Estão lá todas, abertas ao público. Ide ouvi-las com orelhas de escutar. Não consigo ver um link para pôr aqui mas bastará procurar em «Spotify - João Marchante», digo eu... 

PEDIDO DE PERDÃO À NAVEGAÇÃO

Ano lectivo especialmente activo, com exposição à mistura e tudo, fez-me descurar este querido diário. Um e outra correram muitíssimo bem, diga-se de passagem. Dá gosto quando assim é, porque há sempre a sensação de contribuirmos para fazer as pessoas felizes, quanto mais não seja. Dito isto, também tenho de confessar aos meus estimados leitores que foi precisa uma estúpida insónia (realidade tão distante que nem me recordo da anterior) para me sentar à secretária, ligar o computador e alinhavar esta prosa. E constato que existe de facto uma poética das folhas brancas nas noites brancas. Não a irei desenvolver - e, portanto, aproveitá-la no sentido aristotélico do termo -, mas possa ela ter servido para me ajudar a verter aqui, sem ser muito maçador, esta justificação pública para a pretérita ausência e já me dou por contente. 

terça-feira, 12 de julho de 2022

NÃO HÁ BRANCO NOS FILMES A CORES

A esteticamente radical afirmação é de Marguerite Duras. Querida antiga aluna minha de Cinema fez-me chegar de Barcelona uma série de imagens de uma exposição consagrada à extraordinária autora francesa, com fotografias, filmes, vídeos e textos variados. Saltaram-me à vista vários pensamentos desta sobre o valor do branco, essa erradamente por muitos chamada cor, que na verdade resulta da reflexão de todas as cores. Duras confessa que foi um amigo japonês (quem conhece a sua obra imagina de quem estamos a falar) que lhe mostrou a brancura como ela nunca tinha visto. Foi num jardim, à luz da Lua Cheia. Marguerite viu, assim, pela primeira vez, a alvura, em todo o seu esplendor, nas margaridas e nas rosas brancas desse jardim. 
Noutro texto redigido por si, a escritora franca avança para o Cinema (também realizou filmes e vídeos, quase sempre a partir da sua obra literária) e cunha duas frases que adquirem todas elas o valor profundo de um aforismo. Reza assim, numa tradução minha ao correr das teclas: «Não há branco nos filmes a cores. A verdadeira brancura - aquela da neve, aquela da espuma do mar, aquela das flores brancas nas noites de Lua Cheia - só é dada nos filmes a preto e branco. 
O que quero partilhar com os meus queridos leitores, além destas sábias reflexões da Duras, é o belo acaso do momento da chegada a mim destes textos ter coincidido com a minha primeira exposição de fotografia a preto e branco (depois de 12 a cores, ao longo de 25 anos), onde - finalmente - o branco e a luz são, de facto, o leitmotiv. Que o diga a personagem tenista, interpretada pela R., desta minha nova série agora exposta. Mas talvez a L., que me presenteou com todos estes mágicos documentos, tivesse pressentido isso, lá no outro extremo da Península, e tudo isto seja complementar. A ver vamos...  

sexta-feira, 8 de julho de 2022

NOVA EXPOSIÇÃO

domingo, 12 de junho de 2022

WEBSITE OFICIAL DE JOÃO MARCHANTE

quinta-feira, 9 de junho de 2022

EXPOSIÇÃO DE FOTOGRAFIA

À Luz das Raparigas em Flôr 

João Marchante

quinta-feira, 26 de maio de 2022

DO SAGRADO ALIADO AO PROFANO

Hoje comemoramos duas Festas: Quinta-Feira da Ascensão e Dia da Espiga.
Tenho para mim como certo e sabido que Portugal verdadeiro viverá enquanto cultivar as suas telúricas tradições ancestrais pagãs e simultaneamente se mantiver crente e fiel à solenidade da liturgia cristã.

quinta-feira, 19 de maio de 2022

SETE VECTORES ESTÉTICOS DAS FOTOGRAFIAS FIGURATIVAS

1. Cara.
2. Corpo.
3. Atitude.
4. Ambiente.
5.Enquadramento.
6. Composição.
7. Punctum.

À R.

Desenhar com a luz carece de musa inspiradora que se deixe fixar naquele momento decisivo de disparar e tirar a fotografia ou raptar a alma.
Possam as imagens feitas ser estéticas revelações dessa serena mas forte epifania.