quinta-feira, 12 de maio de 2022

DA FRESCURA DAS ALFACINHAS

Basta olhá-las à boa luz de Lisboa, para ver que as mulheres desta cidade estão cada vez mais bonitas. Refiro-me exclusivamente às lisboetas, propriamente ditas, aqui nadas e criadas, e tenho para mim como certo e sabido que o apuramento da sua graça e raça está relacionado com a afirmação que fazem questão de fazer perante as turistas estrangeiras que nos visitam. Coisas do foro da saudável competição, a qual ajuda a elevar o nível, em tudo, até porque, já se sabe, as mulheres não se embelezam para agradar aos homens mas sim para impressionar as outras mulheres.

O QUE É QUE AS TIPUANAS TÊM?

As Tipuanas estão sombrias e parecem mortas, no início duma semana (a última de Maio, normalmente); no fim da semana seguinte, apresentam-se frondosas e refulgentes de amarelo. Por estas e outras, são árvores mágicas.

O QUE É QUE AS CEREJEIRAS TÊM?

As Cerejeiras (nome de árvore que é árvore grafa-se com maiúscula) dão flôr (assim mesmo, como deveria ser, com acento circunflexo e tudo) antes das folhas. São mistérios assim que nos levam à contemplação da Natureza. Saibamos retirar ensinamentos dos simbólicos sinais da Flora. 

DA VANGUARDA TRADICIONALISTA E DA REVOLUÇÃO CONSERVADORA

Releio a produção dos quinze anteriores meses de Maio deste blogue e apetece-me subscrever hoje quase tudo o que lá outrora escrevi. É o que dá ser-se um tradicionalista. Assim se vai transmitindo de ano para ano o essencial, e deixando para trás apenas o acessório. Resta agora acrescentar as boas novas deste Maio de 2022. Entretanto, para que não me acusem de escrever nas entrelinhas, afirmo de caras que assim avança a vanguarda tradicionalista e assim se faz a revolução conservadora.

NASCIMENTO E MORTE DA ACÇÃO REALISTA PORTUGUESA

Em termos de pensamento, a Acção Realista Portuguesa nasceu em Maio de 1924, com o lançamento da sua revista Acção Realista, e morreu em Outubro de 1950, com o desaparecimento de Alfredo Pimenta.
Em termos de acção, a Acção Realista Portuguesa nasceu em Dezembro de 1923, em divergência com a Causa Monárquica, e morreu em Maio de 1926, em convergência com o Estado Novo.

MARAVILHOSO MÊS DE MAIO

Maio oferece-nos algumas das mais belas espécies de flores, em todo o seu esplendor de aroma e cor.
Várias das mais bonitas, inteligentes, sensíveis e cultas mulheres que conheço, ou conheci, também nasceram neste mês.
Simbólica convergência.

CONTEMPLAR EM MAIO E PASSEAR EM JUNHO

Mais do que ver os Jacarandás em flor no mês de Maio, confesso que tenho um especial prazer em esperar por Junho para poder finalmente caminhar sobre a estrada azul-lilás traçada pelos seus despojos.

DO VENTO VIRIL

Na Primavera, para que as plantas se eternizem, o vento fecundador sopra com força.

IMPÉRIO DOS SENTIDOS

Cativante maravilha sensorial esta, a destes dias do pino da Primavera em Lisboa. As ruas da Capital do primeiro e último  Império ultramarino e pluricontinental do Mundo ficam pintadas de cores exóticas e perfumadas por aromas sensuais. São as árvores a lembrar-nos que Brasil, Índia, Guiné, Cabinda, Angola, Moçambique, Malaca, Solor, Timor e Ceilão — e  muito mais além ainda — também foram, e sempre serão, Portugal.  

LISBOA EM MAIO TEM

Jacarandás apaixonados e mulheres em flôr.

GUIÃO PARA LEITORES ESPECIALIZADOS

Aforismos - máximas que são princípios e vice-versa.
As Aventuras de Johnny Fire - contos curtos com sabor a crónicas.
Da Genealogia - estudos sobre famílias alentejanas e outras.
Da Sétima Arte - apontamentos e textos sobre cinema.

quarta-feira, 20 de abril de 2022

JOÃO MARCHANTE | ARTE | VÍDEO | FOTOGRAFIA

Ultrapassado que está um problema técnico na versão web, o meu site já pode voltar a ser convenientemente visionado em computador.
Ora clicai aqui

quinta-feira, 24 de março de 2022

À ATENÇÃO DOS LEITORES CINÉFILOS

A partir de agora, todos os meus novos textos sobre Cinema serão publicados directamente no Da Sétima Arte.
Entretanto, continuo a ciclópica tarefa de trasladar para esse blogue todos os pretéritos artigos da referida matéria.


segunda-feira, 21 de março de 2022

DO SABER FAZER E DA ALEGRIA DE VIVER

Ir à prateleira buscar o livro indicado para aquele dia rima com ir à garrafeira buscar o vinho certo para aquele momento. 

domingo, 20 de março de 2022

SORTE A MINHA

Ontem, na primaveril véspera do primeiro dia de Primavera, ao longo de um quilómetro e meio de uma avenida com dezenas de Cerejeiras, a única destas belas árvores que se encontrava totalmente em flor era aquela que se situa mesmo ao lado da minha esplanada preferida. Parecia encomendada.

sábado, 19 de março de 2022

ALVÍSSARAS!

DAS AVENTURAS TECNOLÓGICAS

No passo «6.» para «Criar um blog» - «Escolha o endereço ou o URL do blog» -, sai-me disparado um aviso dizendo: «Lamentamos, mas este endereço de blogue não está disponível». A coisa até poderia fazer algum sentido, não fosse dar-se o caso de eu ter tentado ultrapassar esta fase com variadíssimas hipóteses diferentes...! Raios os partam!...
Contudo, sabem os meus queridos amigos que não sou rapaz de desistir; e, portanto, mais tarde ou mais cedo, o meu novo blogue - integralmente consagrado ao Cinema - há-de ver a luz.

sexta-feira, 18 de março de 2022

DO BLOGGER

Perfil do utilizador (actualizado). 

NOTA EDITORIAL

Cedendo à saudável pressão de vários leitores, decidi finalmente avançar para o lançamento de um blogue dedicado à Sétima Arte. Numa primeira fase, transporei para esse sítio todos os meus escritos sobre Cinema que aqui fui publicando ao longo dos anos. Depois, passarei a escrever lá directamente os novos rabiscos consagrados à matéria. Entretanto, até já tentei criar a coisa; mas, a plataforma do Blogger não me deixa prosseguir na demanda. Maldita tecnologia!

DO CICLO DA VIDA NUM SÓ DIA

Quatro idades, quatro elementos, quatro estações e quatro temperamentos:
Infância - Ar - Primavera - Colérico;
Juventude - Fogo - Verão - Sanguíneo;
Maturidade - Terra - Outono - Melancólico;
Velhice - Água - Inverno - Fleumático.

NOTA SOBRE UMA POLÉMICA QUE AÍ ANDA

A nacionalidade não se compra, herda-se.

terça-feira, 8 de março de 2022

SÉTIMA ARTE À TERÇA-FEIRA

A expressão «Sétima Arte» anda na boca de todo mundo. Falemos, então, sobre a origem dessa — feliz — designação para o Cinema.


Foi o escritor, jornalista, crítico e dramaturgo italiano Ricciotto Canudo (Bari, 1879 — Paris, 1923) quem baptizou o Cinema de Sétima Arte. Canudo fundou a revista Montjoie! (1913-1914), sedeada em Paris, e manteve uma tertúlia com — entre outros — Léger, Apollinaire e D’Annunzio. Em 1920, cria o «Clube dos Amigos da 7.ª Arte», que é, assim, precursor do movimento do cine-clubismo. Edita, finalmente, em 1923, a Gazette des Sept Arts, revista fundamental como suporte teórico das vanguardas estéticas da época.

Se, por esta altura, os meus leitores já perceberam que estamos perante um teórico da Arte, não estranharão saber que Canudo lança, em 1923, o Manifeste des Sept Arts, após uma série de outros textos preparatórios, o primeiro dos quais data de 1908; e, num deles, em 1912, cunhou a nossa expressão. Esta publicação definitiva das suas inovadoras ideias, surge como legitimação estética do Cinema, elevando-o à categoria das restantes Artes.

Em primeiro lugar, chama a atenção, no seu Manifesto, para o facto de o Cinema ser muito mais do que apenas indústria e comércio, resgatando-o à mera tentação material e convocando-o para as fileiras da espiritualidade criadora. De facto, o Cinema é — antes de tudo — Arte.

Depois, Canudo diz-nos, do seu ponto-de-vista, quais são as seis Artes que antecedem cronologicamente o Cinema. Desde a Antiga Grécia que as Artes têm andado numa roda-viva, no que diz respeito à sua catalogação (convém nunca perder de vista as nove musas inspiradoras). Ainda bem que se trata de uma conversa (ou debate, como agora se diz) em aberto, pois isso representa um sinal da vitalidade dos nossos pensadores. Para este escritor italiano, muito activo no primeiro quartel do século XX, as Sete Artes são: ArquitecturaEsculturaPinturaMúsicaDançaPoesia e Cinema. Se as três primeiras — artes plásticas, porque do espaço — aparecem, segundo Canudo, por necessidades materiais (abrigo, no caso da Arquitectura, com as suas complementares Pintura e Escultura), para, no entanto, logo depois se afirmarem artisticamente, já a Música é fruto duma vontade espiritual de elevação e vai irmanar-se com os fundamentos rítmicos da Dança e da Poesia. Curiosamente, no pensamento do teórico italiano, a Dança e a Poesia antecedem a Música, que só se autonomizará destas quando se liberta e chega à sinfonia, como forma de música pura.

É óbvio que a génese das Artes aqui descrita tem de ser contextualizada na época em que foi criada — início do século XX, em toda a sua pujança Futurista (Graças a Deus!) — e entendida como visão pessoal do seu autor. No entanto, se aqui a trago, é porque sem ela não poderemos compreender a expressão «Sétima Arte».

Por fim, entramos naquilo que me parece ter resistido ao crivo do tempo (esse destruidor de mitos de vão de escada) e manter, ainda hoje, enorme actualidade.

Canudo apresenta o Cinema como síntese de todas as Artes e como Arte Total — ao que não é alheio o pensamento de Wagner; assim, na plenitude da sua linguagem estética, a Sétima Arte integra elementos plásticos da Arquitectura, da Pintura e da Escultura e elementos rítmicos da Música, da Dança e da Poesia, que se vão todos revelar nos filmes nas seguintes áreas técnicas (podendo nós tentar fazer um jogo de concordâncias): imagem ou fotografia (ainda a preto-e-branco, em vida de Ricciotto Canudo); som ou, mais tarde, banda sonora (note-se que, quando o italiano teorizou, o Cinema era Mudo e os filmes eram acompanhados, apenas, pela interpretação ao vivo de uma partitura musical durante a sua projecção nas salas); montagem, que confere um sentido às imagens; cenografia, que entretanto evolui para direcção de arte, alargando o seu campo de intervenção; realização, que tem como missão a planificação do filme, a orquestração dos vários elementos aqui referidos, assegurados por outras tantas equipas técnicas, e a direcção dos actores; e, por último, sendo no entanto o princípio de tudo, argumento.

Mais ainda: como grande síntese criadora — para além de fusão —, o Cinema une Ciência e Arte, num casamento feliz, e produz uma novíssima Linguagem, para a qual as outras Artes tenderam desde sempre, de imagens em movimento e som — formas e ritmos à velocidade da luz!

É, portanto, a última das Artes, fechando o ciclo da Estética. E, acima de tudo, aquela que, incorporando todas as outras, melhor transporta o nosso Património histórico, estético e cultural — projectando-o no futuro —, através da permanente reformulação e actualização das ancestrais e intemporais narrativas da nossa matriz identitária.

Haja sempre cineastas portugueses à altura desta missão universal.

segunda-feira, 7 de março de 2022

UM GÉNERO LITERÁRIO DE QUE PORTUGAL PRECISA URGENTEMENTE

Releio o fascinante Nó Cego, de Carlos Vale Ferraz, e volto a interrogar-me: por que carga de água, sendo nós um povo de guerreiros  — além de marinheiros e poetas, já se sabe  —, não publicamos mais romances de guerra?... Não há escritores à altura desta missão? Falham os editores? Ainda para mais, quando se sabe, de ciência certa, que não existe melhor coisa do que este género literário para alimentar a alma nacional. Seriam pois estes desgraçados tempos propícios para a pobre pátria doente receber este remédio. Talvez os meus leitores nunca tenham pensado no caso, mas convido-os a verificar o seguinte: os países mais fortes, política e economicamente falando, são, coincidentemente, aqueles que produzem maior quantidade, com qualidade, de literatura (e também cinema) de guerra. Género este que consolida a identidade nacional e fornece um desígnio colectivo à juventude. Os romances de amor aquecem, ou amolecem, o espírito; os de guerra, robustecem a alma. E, precisamos de ambos, desesperadamente, para termos equilíbrio  — e sermos homens completos.

DAS ÁRVORES E DAS PÁTRIAS

As Árvores e as Pátrias querem-se antigas e grandes.

NOTA EDITORIAL

Peço desculpas aos meus queridos leitores pela desformatação de que sofrem alguns posts. Imbróglio tecnológico que me escapa.  Espero que não prejudique as mensagens.