SINAIS SENSORIAIS DA ESTAÇÃO QUE SE AVIZINHA
Sei que a Primavera se aproxima porque os longos e sedosos cabelos das belas lisboetas já refulgem sob a luz dourada do subido Sol, ainda intermitente mas já forte, que anuncia o Equinócio.
Sei que a Primavera se aproxima porque os longos e sedosos cabelos das belas lisboetas já refulgem sob a luz dourada do subido Sol, ainda intermitente mas já forte, que anuncia o Equinócio.
A literatura pura e dura (sem ilustrações nem nada) é por excelência a arte da meia-idade e da consequente maturidade porque só nessa fase da vida já vimos e vivemos o suficiente para podermos traduzir em pessoalíssimas imagens mentais as palavras que lemos.
Existe o hábito -- entre vários de nós outros, os bibliófilos que lemos os nossos livros (espécie duplamente rara) -- de usarmos os volumes de História apenas e só para consulta. Isto leva a que sejam percorridos pela rama, mesmo que passados sob o rápido olhar atento de quem pesquisa com um objectivo definido. Por outro lado, lendo-os de fio a pavio, como quem devora um romance, encontrar-se-iam muito provavelmente os dados procurados que escaparam à detectivesca lupa aplicada na diagonal pelo investigador. Dito isto (a despropósito, ou como introdução), ocorre-me agora partilhar, com os seguidores deste blogue, o facto de estar a reler um delicioso romance histórico -- género literário de síntese -- que não consumi quando veio a lume, vai para quase quarenta anos: A Casa do Pó, de Fernando Campos, edição Difel, Lisboa, 1986. Uma secreta obra-prima da literatura portuguesa.
Quanto menos aqui escrevo, mais leitores aqui tenho (diz o contador do blogue que passam pelo Eternas Saudades do Futuro mais de mil pessoas todos os dias).
Um conto e uma longa-metragem têm em comum o facto de serem formatos narrativos que se podem e devem consumir do princípio ao fim, sem interrupções, em deliciosas viagens interiores de hora e meia.
Metido em trabalhos de pesquisa genealógica sobre os meus antepassados, investigações cujos resultados disponibilizo em vários posts do blog Da Genealogia, chego a uma conclusão — na linha do pensamento de Maurice Barrès —, toda ela límpida e cristalina: é com a terra, os mortos e os papéis (livros de assentos paroquiais, com os seus registos de baptismos, casamentos e óbitos, e outras fontes primárias) que mais se aprende.
Sinto-me sempre entre o épico e o lírico neste marcial mês das frias noites de Inverno e das quentes tardes de Verão, que é também o Março do suavemente sensual Equinócio da Primavera.
Sou um integralista estético-literário na medida em que só leio livros com textos integrais, mesmo que em edições vulgares, populares ou de bolso e despidas de capas duras ou encadernações.
Já pressinto o reflorir da Natureza, que reanunciará assim a reentrada na Primavera.
O canal Star Movies (antigo Fox Movies) está a passar um ciclo de Westerns por estes dias. Dia e noite, ininterruptamente, o que remete para sessões duplas cinematográficas e tardes televisivas de outros tempos onde os pratos fortes eram precisamente os Westerns de Série B. O referido ciclo exibe, bem pelo contrário, vários clássicos, entre os quais algumas obras-primas, deste que é o mais antigo género cinematogáfico nativo americano. Fitas estas que, embora não cobrindo de forma representativa a Idade de Ouro do Western (1939-1964), são películas-chave para a compreensão deste género fílmico nascido em 1903 nos Estados Unidos da América (ainda antes de Hollywood) e que é simultaneamente a única forma de expressão artística de origem americana.
Volta e meia e quando me apetece vou fazendo e publicando umas playlists ali: Spotify - João Marchante.
A porta de entrada para o site actualizado (versão 2026) está aqui (clicai e entrai).
Há um antigo dito que passa de geração em geração por toda a Europa entre pessoas da mesma criação e que vai tendo adaptações consoante a nação de quem o reescreve ou relança nos salões. Cá para mim, reza assim: com Deus fala-se em italiano, com as mulheres em francês e com os homens em inglês.
*Poliglota é aquele (cada vez mais raro) que domina de facto várias línguas e não aqueloutro que fala uma incompreensível mistura de várias.
A Princesa de Clèves, de Madame de La Fayette, tradução de Cabral do Nascimento, introdução de Vitorino Nemésio, edição Editorial Estúdios Cor, colecção Obras de Sempre, n.º 1, impresso na Tipografia Nunes, texto integral, Lisboa, 1962.
Aproveito a passagem por aqui hoje para relembrar aos leitores do blogue o seguinte: Estou no X respigando e repostando alegremente coisas belas para as poder partilhar com os meus seguidores. Eis-me portanto na rede social outrora conhecida por Twitter à distância de um clique: X - João Marchante.
É Fevereiro. Os Jarros já irrompem por toda a parte. Depois, as pequenas flores de Cerejeira espreitarão timidamente, antes de tracejarem a cidade com a sua efémera alvura. De seguida, discretas mas reverdejantes, despontarão as folhas novas nos Plátanos. Finalmente, explodirão as Olaias floridas, pois Março é sem dúvida o mês destas.
Na entrada sobre Vídeo do site foi acrescentada uma lista de exibições, ocorridas entre 1990 e 2000, em bienais, ciclos, festivais, galerias, mostras, museus e televisão.
E os vídeos mencionados na selecção, realizados entre 1987 e 2007, estarão disponíveis em breve na referida entrada.
Eis o link: Vídeos | João Marchante.
Hoje é Dia de São João Bosco
(Castelnuovo de Asti, 1815 — Turim, 1888)
Patrono do Cinema, das Escolas de Artes e Ofícios, e dos Prestidigitadores.
Eça traça de forma fina o carácter português nos seus romances. Igualmente genial é a maneira como pinta outras nações, em especial nas suas crónicas. Ao lê-lo percebe-se que tinha a certeza de que escrevia para a posteridade. E de facto passado todo este tempo os seus livros continuam no topo da literatura mundial. Isto porque os leitores gostam de rever-se nas obras dos autores e ele soube captar a identidade de cada nacionalidade, a qual, por mais que nos tentem convencer do contrário, não muda.