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JoãoMarchante@JoãoMarchante-vídeo
Desde — 11/12/2025
Vídeos — 88
Visualizações — 13.900
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Subscritores — 79
Partilhas — 1.800
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A minha pequeníssima mas pessoalíssima colecção particular de arte contemporânea tem uma secção que prezo especialmente. É fruto de trocas artísticas que fiz com outros autores. Na verdade, todas mulheres e fotógrafas. Dentro dessa secção há ainda um núcleo cujas obras são da autoria de mulheres fotógrafas (já se sabe) e que são auto-retratos das mesmas. C'est le crème de la crème.
Os mestres guiam os discípulos e os discípulos seguem os mestres. São, pois, uns e outros, um reduzido e subido escol nas classes dos professores e dos alunos, elevando-as para patamares de topo.
Um artista, que é artista, é um voyeurista. Um autor, que é autor, é um pensador. Um poeta, que é poeta, é um profeta.
Neste passado fim-de-semana fui a um casamento. Por mais voltas que dê, continua a ser a minha festa preferida. Não há nada como um casamento, na sua conjugação perfeita do espiritual e do sensual, do sagrado e do profano, do passado e do futuro.
... um livro em branco,
uma prova de vida,
um espelho,
um diário críptico,
uma armadilha para curiosos,
uma tese de filosofia,
um desabafo,
uma casa,
um jogo de xadrez,
um jardim,
um duelo,
uma janela,
uma colagem surrealista,
um largo gesto de bom-gosto,
um voyeur à solta,
uma agenda codificada para um círculo de iniciados,
um espaço de crítica,
uma comédia,
um canal de comunicação,
um manifesto cultural,
uma pedra no sapato do pensamento único,
um caderno de apontamentos,
um labirinto de recordações,
um passe de mágica,
uma arma de sedução,
uma mulher nua,
uma paixão assolapada,
uma tragédia,
um bloco de notas deixado numa mesa de café,
uma atitude política,
uma esperança no futuro,
uma coisa séria,
um hipnótico fascínio estético,
a procura de uma ética,
uma coisa patética,
uma carta de amor,
um secreto local de encontro,
um momento poético,
um ponto-de-vista para contemplação,
um mecanismo de exibicionismo,
um caso sério,
uma biblioteca,
um salão de baile,
um álbum de fotografias,
um sótão com baú,
uma caixa de Pandora,
uma videoteca,
um vício,
uma narrativa fragmentada,
uma montagem rítmica,
uma viagem sem fim,
um fio de Ariadne,
um eterno retorno,
uma fonoteca,
um bar,
uma confissão,
um lar,
uma tertúlia,
uma festa,
um flash na noite,
um grito no espaço,
um salto para a eternidade,
um lugar de redenção,
um gabinete de coleccionador,
uma galeria de arte,
um work in progress,
uma obra em construção,
um sonho,
um pesadelo,
uma dívida,
uma dúvida,
uma dádiva...
A nortada, que habitualmente varre Lisboa em Junho, além de purificar o poluído ar da cidade, transporta, desde o Campo Grande até às Avenidas Novas, o delicioso aroma das Tílias em flôr.
A sabedoria popular descamba amiúde no registo piroso, como manifestamente acontece neste ditado, mas é sempre certeira.
Nesta época pré-solsticial a mais bela árvore da cidade é cá para mim a monumental Tipuana do Jardim Botânico da Universidade de Lisboa. Estará já certamente em flôr e quando esse maravilhoso momento acontece estende-nos um tapete amarelo tecido pelas suas folhas caídas para nos receber. Além disso acolhe-nos e abriga-nos generosamente na sua larga e fresca sombra. Neste ano de 2026 ainda não fui fazer-lhe uma visita. Às tantas é hoje.
Eis a primeira mensagem de Junho de 2026. Decidi abrir o mês do Verão recordando que os antigos romanos o dedicavam à deusa Juno (para conhecer a sua eterna beleza, espreitai aqui). Por estas e outras, sinto-me Júpiter.
Em Lisboa, no mês de Maio, os Jacarandás revestem-se da sua esplendorosa floração lilás e simultaneamente lançam no primaveril ar quente da cidade um sensual aroma doce.
Este mês de Maio de 2026 terá duas Luas Cheias. A do passado dia 1 e a deste dia 31. Esta última, chamada Lua Azul, ocorrerá, daqui a pouco, às 01:46, horário de Lisboa. Isso fará alguma diferença? Faz. Mas só a uma rara minoria constituída por almas superiores. Quanto à restante gente, quando lhes apontamos a Lua, costumam olhar-nos para o dedo.
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Os leitores que com todo o tempo e paciência do mundo me vão seguindo através deste blogue e doutras plataformas já sabem que a Música faz parte do meu universo e que não consigo sequer imaginar o nosso planeta sem a inspiradora Arte guiada por Euterpe e Polímnia.
Relembrado isto, também já se sabe que entre erudita e popular prefiro toda, desde que boa, ou, dito de outra forma, feita à medida do meu gosto. Assim, de Bach a Chet Baker, de Schubert a David Sylvian, de Wagner a Velvet Underground, de Purcell a Portishead, e por aí fora, por coordenadas estéticas muito minhas, que por aqui e por ali vou revelando, cá se vai ouvindo um pouco de tudo e vibrando com esses e outros compositores e intérpretes, à minha maneira.
Contudo, ainda não tinha confessado (nem às paredes), mas vou dizer agora, o seguinte: de entre todos os géneros musicais, só um me leva, literalmente, às lágrimas, sinal evidente de que me toca, com a sua aparente simplicidade, nas profundezas da alma — o Fado.